{"id":18994,"date":"2015-04-09T11:00:30","date_gmt":"2015-04-09T11:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18994"},"modified":"2015-04-08T14:17:51","modified_gmt":"2015-04-08T14:17:51","slug":"herbarios-virtuais-reunem-informacoes-sobre-a-biodiversidade-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/herbarios-virtuais-reunem-informacoes-sobre-a-biodiversidade-brasileira\/","title":{"rendered":"Herb\u00e1rios virtuais re\u00fanem informa\u00e7\u00f5es sobre a biodiversidade brasileira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18995\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em duas viagens previstas para este ano, Sergio Romaniuc Neto, do Instituto de Bot\u00e2nica de S\u00e3o Paulo, pretende refazer as expedi\u00e7\u00f5es de coleta de plantas realizadas pelo naturalista franc\u00eas Auguste de Saint-Hilaire em 1819 e 1822 ao longo do litoral, entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, e pelo interior paulista. Romaniuc Neto sabe exatamente que plantas procurar porque, al\u00e9m de ter visto as amostras, mantidas no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Paris, foi um dos coordenadores da montagem da vers\u00e3o on-line da cole\u00e7\u00e3o de plantas e dos cadernos de campo de Saint-Hilaire (hvsh.cria.org.br), em opera\u00e7\u00e3o desde 2009. Em fase de expans\u00e3o no Brasil, os chamados herb\u00e1rios virtuais re\u00fanem informa\u00e7\u00f5es e milhares de imagens detalhadas de cole\u00e7\u00f5es de plantas brasileiras, organizadas por bot\u00e2nicos estrangeiros ou brasileiros, que antes as guardavam apenas em arm\u00e1rios de suas institui\u00e7\u00f5es. A s\u00edntese on-line facilita o trabalho dos pesquisadores, amplia o n\u00famero de usu\u00e1rios e permite novos tipos de an\u00e1lise sobre a diversidade biol\u00f3gica do pa\u00eds, impens\u00e1veis at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Antes, t\u00ednhamos de fazer longas viagens para ver as cole\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses, sem saber o que poder\u00edamos encontrar&#8221;, diz Rafaela Forzza, pesquisadora do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. &#8220;Agora, com os herb\u00e1rios virtuais, podemos planejar melhor e selecionar o que queremos estudar antes de viajar.&#8221; Rafaela coordena o Reflora (www.reflora.jbrj.gov.br), programa de repatria\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre plantas brasileiras iniciado em 2010, com apoio do governo federal, funda\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 pesquisa e empresas. O Reflora liberou para acesso p\u00fablico on-line cerca de 100 mil imagens de plantas brasileiras do Jardim Bot\u00e2nico de Kew, pr\u00f3ximo a Londres, e outras 75 mil do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Paris.<\/p>\n<p>As duas institui\u00e7\u00f5es enviaram as imagens das plantas e a equipe do Jardim Bot\u00e2nico analisou as etiquetas de cada amostra, escritas em franc\u00eas, ingl\u00eas, alem\u00e3o ou latim, para retirar os chamados metadados, com o nome do coletor, data e local de coleta e outros detalhes que completam a identifica\u00e7\u00e3o. Segundo Rafaela, diariamente, sua equipe de 70 bolsistas e funcion\u00e1rios distribu\u00eddos por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es capturam, examinam e tratam as informa\u00e7\u00f5es de cerca de 750 imagens que chegam de herb\u00e1rios de outros pa\u00edses e outras 750 do herb\u00e1rio virtual do pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico. &#8220;Hoje \u00e9 rotina: nenhuma planta vai para o acervo f\u00edsico do herb\u00e1rio sem antes ser fotografada e depositada no acervo on-line&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Por meio de acordos estabelecidos no final de 2014, herb\u00e1rios de outros pa\u00edses come\u00e7aram a enviar as imagens de plantas brasileiras mantidas em suas cole\u00e7\u00f5es. O Jardim Bot\u00e2nico de Nova York enviou 52 mil das 320 mil imagens previstas. O Jardim Bot\u00e2nico da Universidade de Missouri, tamb\u00e9m nos Estados Unidos, mandou 17 mil, de um total estimado em 170 mil. Em breve come\u00e7ar\u00e3o a chegar milhares de imagens tamb\u00e9m de museus de Viena e de Estocolmo. Tais imagens ajudam a conhecer os primeiros registros, as chamadas esp\u00e9cies-tipo, fundamentais para os pesquisadores saberem se as plantas supostamente novas que eles coletaram s\u00e3o realmente novas. A esp\u00e9cie-tipo da mandioca (Manihot esculenta), por exemplo, foi coletada em 1850 em Santar\u00e9m (PA), est\u00e1 guardada no herb\u00e1rio de Paris, mas pode ser vista em detalhes por meio do Reflora.<br \/>\nDesde 2014 o Reflora est\u00e1 incorporando o acervo digitalizado de plantas mantidas em 11 herb\u00e1rios de universidades, museus ou centros de pesquisa da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1, Distrito Federal, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. &#8220;Os herb\u00e1rios virtuais n\u00e3o reduzem a necessidade e o espa\u00e7o do acervo f\u00edsico, mas s\u00e3o uma salvaguarda dos materiais e facilitam a consulta e a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para a conserva\u00e7\u00e3o da flora brasileira&#8221;, diz Rafaela. As informa\u00e7\u00f5es dos herb\u00e1rios virtuais devem servir para a elabora\u00e7\u00e3o de um documento detalhado sobre a situa\u00e7\u00e3o das 45.941 esp\u00e9cies de plantas brasileiras, que deve estar conclu\u00eddo at\u00e9 2020, como estipulado na Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica, um acordo internacional do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Centro de Refer\u00eancia em Informa\u00e7\u00e3o Ambiental (Cria), de Campinas, \u00e9 o respons\u00e1vel pelo desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o da rede speciesLink, outra base de informa\u00e7\u00f5es sobre a biodiversidade do pa\u00eds. A rede speciesLink (splink.cria.org.br) compartilha mais de 7,2 milh\u00f5es de registros sobre 103 mil esp\u00e9cies de animais, f\u00f3sseis, microrganismos, plantas e fungos, mantidas em acervos f\u00edsicos de 123 institui\u00e7\u00f5es de todos os estados do pa\u00eds e 11 centros de pesquisa do exterior. A rede speciesLink \u00e9 a base de informa\u00e7\u00f5es do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) \u2013 Herb\u00e1rio Virtual da Flora e dos Fungos (inct.florabrasil.net), que re\u00fane 152 acervos, 5 milh\u00f5es de registros e 900 mil imagens de 77,5 mil esp\u00e9cies distintas. &#8220;Cada herb\u00e1rio envia as informa\u00e7\u00f5es que podem ser de acesso p\u00fablico&#8221;, diz Dora Canhos, diretora associada do Cria. &#8220;Agora, n\u00e3o s\u00f3 os grandes, mas tamb\u00e9m os herb\u00e1rios pequenos, distantes das regi\u00f5es metropolitanas, est\u00e3o sendo digitalizados e t\u00eam a oportunidade de colocar seus acervos a servi\u00e7o da comunidade.&#8221;<\/p>\n<p>A equipe do Cria come\u00e7ou a ganhar experi\u00eancia nessa \u00e1rea em 2000, ao desenvolver o SinBiota, sistema para integrar e gerenciar as informa\u00e7\u00f5es dos levantamentos de plantas, animais e microrganismos realizados pelos pesquisadores paulistas ligados ao Programa Biota-FAPESP. O speciesLink ganhou forma logo depois, com informa\u00e7\u00f5es sobre a biodiversidade paulista e mais tarde tamb\u00e9m de outros estados. Em 2006, o Cria lan\u00e7ou a vers\u00e3o eletr\u00f4nica da Flora Brasiliensis (florabrasiliensis.cria.org.br), com 15 volumes e 22.767 esp\u00e9cies descritas, produzida entre 1840 e 1906, e come\u00e7ou a colabora\u00e7\u00e3o com institui\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses \u2013 principalmente, os jardins bot\u00e2nicos de Nova York e de Missouri \u2013 para repatriar as informa\u00e7\u00f5es de plantas coletadas no Brasil.<\/p>\n<p>Um dos projetos mais recentes foi a produ\u00e7\u00e3o do Herb\u00e1rio Virtual Saint-Hilaire, com cerca de 9 mil registros e quase 4.500 esp\u00e9cies-tipo. O naturalista franc\u00eas foi o primeiro a descrever, em 1816, logo depois de chegar ao Brasil, a erva-mate (Ilex paraguariensis), de uma fazenda pr\u00f3xima a Curitiba, e o pequizeiro (Caryocar brasiliense), encontrado em Minas Gerais. At\u00e9 voltar \u00e0 Europa, em 1822, ele percorreu tamb\u00e9m Rio de Janeiro, Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e trechos da Argentina e do Paraguai. Seus 10 cadernos de campo, agora no herb\u00e1rio virtual, al\u00e9m de descri\u00e7\u00f5es das coletas, cont\u00eam coment\u00e1rios sobre os costumes dos moradores das localidades que ele visitava. Por essa raz\u00e3o, diz Dora, &#8220;\u00e9 uma ferramenta tamb\u00e9m para historiadores e soci\u00f3logos&#8221;.<\/p>\n<p>Os relatos foram publicados em livros, oferecendo v\u00edvidos retratos das paisagens, como no Segunda viagem a S\u00e3o Paulo e quadro hist\u00f3rico da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo. &#8220;Admirei sobretudo a brilhante ilumina\u00e7\u00e3o da igreja do Carmo&#8221;, ele anotou ao chegar em S\u00e3o Paulo em 1822. &#8220;As ruas se achavam cheias de povo, que passeava, de igreja em igreja, mas unicamente para v\u00ea-las sem a menor apar\u00eancia de devo\u00e7\u00e3o. Vendedoras de confeitos e doces sentavam-se no ch\u00e3o, \u00e0 porta das igrejas, e as pessoas do povo compravam as guloseimas para oferecer \u00e0s mulheres com quem passeavam.&#8221;<\/p>\n<p>Romaniuc Neto manuseava os cadernos de Saint-Hilaire enquanto fazia o doutorado no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Paris, de 1996 a 1999. De volta a S\u00e3o Paulo, ele fez um projeto de digitaliza\u00e7\u00e3o das plantas e dos cadernos de campo, com apoio da FAPESP e da Funda\u00e7\u00e3o Vitae formalizou o acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre o museu de Paris, o Instituto de Bot\u00e2nica e o Cria e voltou a Paris em busca das plantas coletadas por Saint-Hilaire, dispersas na cole\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es de amostras, para dar forma ao herb\u00e1rio virtual.<\/p>\n<p>Agora, seu plano \u00e9 usar essas informa\u00e7\u00f5es em an\u00e1lises espaciais e hist\u00f3ricas. &#8220;Estamos mesmo perdendo biodiversidade? Quanto e como? Podem ter surgido outras esp\u00e9cies no mesmo espa\u00e7o das anteriores, mantendo a diversidade. Devemos proteger espa\u00e7os ou esp\u00e9cies? Somente a an\u00e1lise hist\u00f3rica e espacial da biodiversidade pode nos ajudar a responder a estas quest\u00f5es&#8221;, diz ele. Rafaela, do Jardim Bot\u00e2nico, acrescenta: &#8220;Para avan\u00e7ar, precisamos do passado&#8221;. Os bot\u00e2nicos est\u00e3o satisfeitos, ao verem um de seus sonhos antigos, os herb\u00e1rios on-line, tomar forma, mas tamb\u00e9m preocupados, por temerem que a dificuldade em obter financiamentos de longa dura\u00e7\u00e3o possa prejudicar a continuidade dessas bases com informa\u00e7\u00f5es sobre as plantas do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em duas viagens previstas para este ano, Sergio Romaniuc Neto, do Instituto de Bot\u00e2nica de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18995,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/herbario_online.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em duas viagens previstas para este ano, Sergio Romaniuc Neto, do Instituto de Bot\u00e2nica de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18994"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18994"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18994\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18995"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}