{"id":18795,"date":"2015-04-04T15:33:15","date_gmt":"2015-04-04T15:33:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18795"},"modified":"2015-04-04T15:34:05","modified_gmt":"2015-04-04T15:34:05","slug":"clinica-do-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/clinica-do-feminino\/","title":{"rendered":"Cl\u00ednica do feminino"},"content":{"rendered":"<h4>Viver o feminino diz respeito a perder o medo do abandono, da solid\u00e3o e do fracasso. \u00c9 ficar distante dos modelos estabelecidos<\/h4>\n<div class=\"complementoTop\">\n<div class=\"autor\">\n<p>Por D\u00e9a Januzzi*<\/p>\n<div class=\"leituraHolder\">\n<div class=\"fotoMateria right\"><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/feminino-credito-dominiopublico.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Dom\u00ednio P\u00fablico\" \/><\/div>\n<p><strong>Em nome das mulheres<\/strong>, digo que o feminino est\u00e1 doente, sofrendo de um mal incur\u00e1vel. Assim como a <strong>M\u00e3e Terra<\/strong>, que \u00e9 mulher, feminina e constantemente violentada, castigada, estuprada. N\u00e3o se garante mais como fonte inesgot\u00e1vel de recursos. Como as mulheres, as florestas, os mananciais e os cursos de \u00e1gua t\u00eam sido retalhados.<\/p>\n<p>Para me salvar de mim mesma, das ang\u00fastias e d\u00favidas que me consomem, do vulc\u00e3o que sou e est\u00e1 em constante erup\u00e7\u00e3o \u00e9 que vou procurar a <strong>Cl\u00ednica do Feminino<\/strong>, para ver se encontro um diagn\u00f3stico para a minha dor de ser mulher. Aproveito e pe\u00e7o socorro tamb\u00e9m para a M\u00e3e Terra.<\/p>\n<p>Fundadora da Cl\u00ednica do Feminino, Marisa Sanabria \u00e9 psic\u00f3loga e mestre em Filosofia. Ela escuta atentamente sobre os vaga-lumes que se acendem dentro de mim em certos dias. Falo das minhas erup\u00e7\u00f5es e labaredas internas, sobre as tempestades e tsunamis que devastam os meus dias. Pe\u00e7o que me ensine essa dif\u00edcil tarefa de ser mulher.<\/p>\n<p>Marisa diz que \u201cn\u00e3o d\u00e1 para ensinar, pois trata-se de um gesto, de uma atitude frente \u00e0 vida\u201d. O feminino n\u00e3o se ensina, se exerce e, sobretudo, se compartilha. O feminino diz respeito ao acolher, ao preservar e perambular. Ele n\u00e3o tem lugar marcado, n\u00e3o \u00e9 capturado pela cultura ou pela civiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reclama o protagonismo nem instaura a lei, n\u00e3o \u00e9 sua a palavra que determina o que est\u00e1 certo ou errado, o que deve ser perdoado ou condenado, enfim, ele n\u00e3o est\u00e1 no palco. Ao contr\u00e1rio: o feminino \u00e9 a trama, o tecido que sustenta a realidade da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em nome do <strong>Dia Internacional da Mulher<\/strong>, que est\u00e1 sendo comemorado este m\u00eas, Marisa pede emprestado ao soci\u00f3logo franc\u00eas Jean Baudrillard uma cita\u00e7\u00e3o do livro \u201cA Sedu\u00e7\u00e3o, o Horizonte Sagrado das Apar\u00eancias\u201d. O autor revela que um dos grandes esfor\u00e7os do mundo patriarcal tem sido \u201ccapturar, silenciar e programar o feminino, que sempre se mostrou como for\u00e7a transbordante, indeterminada, surpreendente e desafiadora da norma estabelecida\u201d.<\/p>\n<p>As mulheres vivem sob uma estrutura patriarcal, numa arena de poder, de submiss\u00e3o, de abuso de uma for\u00e7a contra outra. \u00c9 preciso lembrar que patriarcal n\u00e3o \u00e9 o mesmo que masculino, que diz respeito a uma atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, de lucidez, const\u00e2ncia e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em nome do feminino, Marisa esclarece que o abuso de poder pode ser exercido por qualquer um, seja homem ou mulher. H\u00e1 m\u00e3es patriarcais, autorit\u00e1rias e amea\u00e7adoras, mulheres distantes, frias e calculistas, dispostas a vencer a qualquer pre\u00e7o. Assim como homens b\u00e9licos, cru\u00e9is, insens\u00edveis e desp\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Em nome de todos, Marisa lembra que o mundo da tecnologia e dos afetos descart\u00e1veis, l\u00edquidos, tem gerado um patriarcado em sua vers\u00e3o mais cruel, violenta e intolerante. Esse \u00e9 o grande desafio para o feminino, pois as mulheres de hoje est\u00e3o distantes do afeto, da simplicidade, do acolhimento, da concavidade como for\u00e7a que se deixa penetrar.<\/p>\n<p>Em nome da sobreviv\u00eancia, a mulher se tornou uma caricatura, se encaixando nos modelos vigentes do soldado exausto, da executiva eficiente, da gata erotizada, da cigana desprevenida, enfim, em f\u00f3rmulas artificiais.<\/p>\n<p>A culpa, o estresse, a depress\u00e3o, a raiva contida e a vingan\u00e7a t\u00eam sido a resposta de mulheres amargas, desiludidas, enfermas, sem alegria nem vitalidade. O feminino \u00e9, antes de tudo, uma for\u00e7a civilizadora imprescind\u00edvel, pois remete a movimentos mais hol\u00edsticos, integradores, ecol\u00f3gicos e tolerantes.<\/p>\n<p>Na Cl\u00ednica do Feminino chegam mulheres jovens, ansiosas para alcan\u00e7ar o modelo do \u00eaxito, com medo de amar, de se entregar e de serem descartadas. E tamb\u00e9m mulheres maduras, amargas, entristecidas, com pavor do envelhecimento e da morte.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o feminino nessas mulheres que sofrem? Ficou escondido, mutilado, abandonado. Como desejar um mundo menos desigual, se o feminino em todos n\u00f3s, homens e mulheres, \u00e9 um produto escasso e fora de moda?<\/p>\n<p>Em nome das mulheres \u00e9 preciso esclarecer que <strong>exercer a feminilidade<\/strong> n\u00e3o tem nada a ver com submiss\u00e3o, perda da autoestima, do respeito ou da dignidade. Viver o feminino diz respeito a perder o medo do abandono, da solid\u00e3o e do fracasso. \u00c9 ficar distante dos modelos estabelecidos. \u00c9 deixar de ser implac\u00e1vel e exigente com a gente mesmo. Soltar a armadura e sair da trincheira, para poder ser, exercer e escolher o pr\u00f3prio destino, qualquer que seja.<\/p>\n<p>* D\u00e9a Januzzi \u00e9 jornalista e escritora.<\/p>\n<p>Fonte Revista Ecol\u00f3gico<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viver o feminino diz respeito a perder o medo do abandono, da solid\u00e3o e do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Viver o feminino diz respeito a perder o medo do abandono, da solid\u00e3o e do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18795"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18795\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}