{"id":18782,"date":"2015-04-04T14:48:21","date_gmt":"2015-04-04T14:48:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18782"},"modified":"2015-04-04T14:48:21","modified_gmt":"2015-04-04T14:48:21","slug":"planta-que-deu-origem-ao-papiro-do-egito-e-abundante-no-sertao-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/planta-que-deu-origem-ao-papiro-do-egito-e-abundante-no-sertao-baiano\/","title":{"rendered":"Planta que deu origem ao papiro do Egito \u00e9 abundante no sert\u00e3o baiano"},"content":{"rendered":"<div class=\"glb-bloco\">\n<div class=\"glb-grid-8\">\n<div id=\"glb-materia\" class=\"hfeed hentry\">\n<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content\">\n<div>\n<div id=\"4085543\" class=\"video componente_materia\" data-height=\"349\" data-width=\"620\">\n<div class=\"wm-poster-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-inner-wrapper\"><img loading=\"lazy\" class=\"wm-poster-image\" src=\"http:\/\/s04.video.glbimg.com\/x360\/4085543.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Um pantanal entre montanhas, no cora\u00e7\u00e3o da Bahia. Mas o que \u00e9 que ele tem? Do alto se v\u00ea melhor: um campo alagado vasto, cheio de vida. E o mais surpreendente: em pleno sert\u00e3o, a terra encharcada abriga criaturas da floresta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Poucas pessoas conhecem o pantanal como Dona Valdelice. Ela nasceu na regi\u00e3o e mora h\u00e1 quase meio s\u00e9culo no casar\u00e3o que a fam\u00edlia herdou de um Coronel do diamante.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 49 anos. Eu sou muito feliz aqui, muito e muito. Muito feliz mesmo\u201d, afirma Dona Valdelice.<\/p>\n<p>A natureza \u00e9 t\u00e3o exuberante que Dona Valdelice e os outros nativos que vivem no entorno nunca pensam em ficar longe do p\u00e2ntano.<\/p>\n<p>\u201cOs animais que est\u00e3o aqui. Eles s\u00e3o mais t\u00edpicos do pantanal mato-grossense\u201d, conta o bi\u00f3logo C\u00e9zar Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p><strong>Pantanal \u00e9 uma esp\u00e9cie de joia para o sert\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O pantanal mato-grossense \u00e9 o ber\u00e7\u00e1rio e o reino da fauna que todo mundo conhece, mas este outro pantanal \u00e9 quase secreto, escondido bem na Chapada Diamantina. Chega a parecer miragem, mas \u00e9 um sonho real \u2013 um o\u00e1sis no sert\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma \u00e1rea onde voc\u00ea tem uma diversidade de animais e de plantas que n\u00e3o existem em outras regi\u00f5es pr\u00f3ximas. Ele \u00e9 um encrave de um ambiente \u00famido no meio de uma \u00e1rea seca\u201d, explica o bi\u00f3logo C\u00e9zar Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao Marimbus, a seca nesta parte da Bahia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o rigorosa. Marimbus \u00e9 uma palavra ind\u00edgena que significa \u00e1reas alagadas. Mas, naquela regi\u00e3o, representa, na verdade o pantanal da Bahia. Ela funciona como uma caixa d\u2019\u00e1gua inesgot\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cEle ajuda a regular o clima da regi\u00e3o. Estas \u00e1reas de floresta elas s\u00e3o beneficiadas pela umidade que sai daqui\u201d, diz o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>E das lagoas sai a comida que alimenta muitas fam\u00edlias. Os pescadores nunca se queixam da quantidade de peixe. Naquele dia eles pescaram o apanhari, peixe da Amaz\u00f4nia trazido para o nordeste pelas m\u00e3os do homem. Gosta muito de \u00e1gua parada, por isso se deu bem no pantanal baiano.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que aquelas \u00e1guas multiplicam os peixes, as plantas. A planta que deu origem ao papiro no Egito brotou em abund\u00e2ncia no Marimbus.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> Este \u00e9 o mesmo papiro do rio Nilo? Se precisasse fazer papel dele, daria tamb\u00e9m?<br \/>\n<strong>C\u00e9zar Gon\u00e7alves, bi\u00f3logo:<\/strong> D\u00e1. Basta cortar os talos e sec\u00e1-los, depois pic\u00e1-los e process\u00e1-los. D\u00e1 para fazer.<\/p>\n<p>Mas no pantanal, o papiro tem outro papel fundamental.<\/p>\n<p>\u201cAs ra\u00edzes dele ajudam a fixar o solo pra que n\u00e3o haja eros\u00e3o, e ajudam tamb\u00e9m a purificar a \u00e1gua\u201d, explica o bi\u00f3logo. Mais do que isso: a raiz do papiro \u00e9 fibrosa, parecida com o palmito, e serve de comida para os peixes e capivaras.<\/p>\n<p>Ednilson, conhecido como &#8220;Nil&#8221;, \u00e9 o guia mais experiente do Marimbus. Sabe todos os segredos deste para\u00edso.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter: <\/strong>Nil, voc\u00ea j\u00e1 percorreu este pantanal todo?<br \/>\n<strong>Ednilson Jos\u00e9 Alves, guia: <\/strong>Todo!<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> Em quanto tempo mais ou menos?<br \/>\n<strong>Ednilson: <\/strong>Tr\u00eas dias, a remo.<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> \u00c9 grande, ent\u00e3o? A gente pensa que \u00e9 pequeno.<\/p>\n<p>De uma ponta a outra, s\u00e3o 30 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. De largura, d\u00e1 bem menos: pouco mais de tr\u00eas quil\u00f4metros. Barco a motor l\u00e1, nem pensar. Navegar naquelas \u00e1guas, s\u00f3 com a for\u00e7a dos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>O maior peixe daquela regi\u00e3o \u00e9 o tucunar\u00e9. Ele pode chegar a um metro de comprimento e pesar mais de dez quilos. Tamb\u00e9m prefere as lagoas tranquilas. \u00c9 muito arisco, esperto. At\u00e9 conhece as armadilhas dos pescadores, diz seu Ednilson.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter: <\/strong>Peixe aqui n\u00e3o falta n\u00e3o?<br \/>\n<strong>Edilson Alves, pescador:<\/strong> N\u00e3o, peixe tem muito!<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> Quando o senhor sai para uma pescaria, o senhor volta com quantos quilos de peixe, mais ou menos?<br \/>\n<strong>Edilson Alves: <\/strong>\u00c0 base de voltar \u00e9 dez quilos, 12 quilos, 15 quilos, 20 quilos, at\u00e9 30 quilos.<\/p>\n<p>\u201cEste aqui \u00e9 o lugar mais rico que n\u00f3s temos\u201d, diz Edilson.<\/p>\n<p><strong>Pantanal de Marimbus tamb\u00e9m \u00e9 patrim\u00f4nio ecol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Dona Valdelice se diz encantada pelos p\u00e1ssaros. Um dos mais barulhentos \u00e9 o cafezinho, tamb\u00e9m conhecido como ja\u00e7an\u00e3, ave muito comum no pantanal do Mato Grosso. Vive feliz nos brejos e margens de rio porque tem os p\u00e9s enormes, capazes de caminhar e correr em cima das plantas aqu\u00e1ticas e at\u00e9 nas folhinhas que ficam boiando no pantanal.<\/p>\n<p>Os moradores da parte norte do pantanal est\u00e3o sendo cadastrados por t\u00e9cnicos que cuidam da preserva\u00e7\u00e3o. Dona Valdelice \u2013 que vive da agricultura, foi uma das primeiras entrevistadas.<\/p>\n<p>Por fazer parte do Parque da Chapada Diamantina, o Marimbus \u00e9 tamb\u00e9m patrim\u00f4nio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter<\/strong>: Quantas fam\u00edlias vivem dentro do parque?<br \/>\n<strong>Cristiane Freitas, bi\u00f3loga e bot\u00e2nica:<\/strong> S\u00e3o 32 fam\u00edlias, cerca de 80 pessoas. As que v\u00e3o ser consideradas tradicionais, elas v\u00e3o ter seus direitos reconhecidos.<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> O que que caracteriza uma comunidade nativa, tradicional?<br \/>\n<strong>Cristiane Freitas:<\/strong> \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o dela com o lugar onde ela vive. Com a natureza, os animais. Como ela usa as plantas, qual o uso que ela d\u00e1 pra elas.<\/p>\n<p>Seu Z\u00e9z\u00e9 conta que pesca no local desde crian\u00e7a. Hoje ele tem 62 anos. Conhece os caminhos e os atalhos do Marimbus \u2013 e se orgulha da rela\u00e7\u00e3o de intimidade que tem com o pantanal do sert\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> O senhor j\u00e1 viu muita coisa aqui neste Marimbus, seu Zez\u00e9?<br \/>\n<strong>Zez\u00e9, pescador:<\/strong> Ah, alguma coisa j\u00e1 vi.<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> O senhor j\u00e1 se assustou com algum bicho aqui?<br \/>\n<strong>Zez\u00e9:<\/strong> Eu n\u00e3o assusto com nada n\u00e3o.<\/p>\n<p>Quantas surpresas e quantos segredos da natureza est\u00e3o guardados no pantanal da Chapada? Tudo \u00e9 uma surpresa no pantanal. E o espet\u00e1culo das borboletas surpreende a equipe do Globo Rep\u00f3rter. Todas ficam no cascalho \u00famido para se refrescar no calor.<\/p>\n<p>Fonte: Globo Rep\u00f3rter<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pantanal entre montanhas, no cora\u00e7\u00e3o da Bahia. 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