{"id":18760,"date":"2015-04-04T15:00:36","date_gmt":"2015-04-04T15:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18760"},"modified":"2015-04-04T00:14:07","modified_gmt":"2015-04-04T00:14:07","slug":"por-que-o-brasil-e-um-mercado-fertil-para-agrotoxicos-proibidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-o-brasil-e-um-mercado-fertil-para-agrotoxicos-proibidos\/","title":{"rendered":"Por que o Brasil \u00e9 um mercado f\u00e9rtil para agrot\u00f3xicos proibidos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18761\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os fazendeiros do Brasil se tornaram os maiores exportadores mundiais de a\u00e7\u00facar, suco de laranja, caf\u00e9, carnes e soja. Tamb\u00e9m conseguiram uma distin\u00e7\u00e3o nada boa: em 2012, o Brasil superou os Estados Unidos como maior importador de agrot\u00f3xicos do globo.<\/p>\n<p>Esse r\u00e1pido crescimento fez do Brasil um mercado atraente para agrot\u00f3xicos proibidos ou que tiveram a produ\u00e7\u00e3o suspensa em pa\u00edses mais ricos por riscos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Pelo menos quatro grandes fabricantes de defensivos agr\u00edcolas \u2013a norte-americana FMC Corp, a dinamarquesa Cheminova A\/S, a alem\u00e3 Helm AG e a gigante su\u00ed\u00e7a do agroneg\u00f3cio Syngenta AG\u2013 vendem em solo brasileiro produtos banidos em seus mercados dom\u00e9sticos, conforme revelou uma an\u00e1lise de agrot\u00f3xicos registrados realizada pela Reuters.<\/p>\n<p>Entre as subst\u00e2ncias amplamente vendidas no Brasil est\u00e3o a paraquat, que \u00e9 rotulada como &#8220;altamente t\u00f3xica&#8221; por \u00f3rg\u00e3os reguladores dos EUA. Tanto a Syngenta como a Helm est\u00e3o autorizadas a vender o produto no mercado brasileiro.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias ag\u00eancias reguladoras do Brasil alertam que o governo n\u00e3o foi capaz de garantir o uso seguro de agrot\u00f3xicos, como s\u00e3o conhecidos os herbicidas, inseticidas e fungicidas. Em 2013, um avi\u00e3o pulverizador lan\u00e7ou inseticida sobre uma escola em Goi\u00e1s. O incidente, que causou v\u00f4mitos e tontura em alunos e professores e levou mais de 30 pessoas ao hospital, ainda est\u00e1 sendo investigado.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Homem trabalha em fazenda de milho em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/G808ptcZCiJB31IeZkIdit-ysHE=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico8.jpg\" alt=\"Homem trabalha em fazenda de milho em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"639\" height=\"411\" \/><strong>Homem trabalha em fazenda de milho em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1 (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cN\u00e3o conseguimos acompanhar&#8230;\u201d, admite Ana Maria Vekic, chefe de toxicologia da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), \u00f3rg\u00e3o federal encarregado de avaliar os riscos dos agrot\u00f3xicos \u00e0 sa\u00fade. \u201cN\u00e3o temos o pessoal ou os recursos para o volume e a variedade de produtos que os fazendeiros querem usar.\u201d<\/p>\n<p>FMC, Cheminova e Syngenta afirmaram que os produtos que comercializam s\u00e3o seguros se usados adequadamente. A proibi\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds n\u00e3o significa necessariamente que um agrot\u00f3xico deveria ser proibido em toda parte, argumentam, porque cada mercado tem necessidades diferentes para suas v\u00e1rias colheitas, pestes, doen\u00e7as e climas. A Helm, sediada em Hamburgo, n\u00e3o respondeu aos pedidos de coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para comparar um pa\u00eds temperado\u201d, explica Eduardo Daher,\u00a0diretor-executido da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa Vegetal (Andef). \u201cTemos mais pragas, mais insetos e mais safras.\u201d<\/p>\n<p>Especialistas em sa\u00fade p\u00fablica rejeitam a justificativa. \u201cN\u00e3o importa se as safras e os solos no Brasil s\u00e3o diferentes&#8230;\u201d, afirma Victor Pelaez, engenheiro de alimentos e economista da Universidade Federal do Paran\u00e1. \u201cAs pessoas, a sa\u00fade do ser humano, s\u00e3o iguais no mundo todo. Veneno em um lugar \u00e9 veneno em todos, no Brasil tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p><strong>Viola\u00e7\u00e3o disseminada<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Mulher trabalha com bananas na fazenda da Tropical Nordeste S.A  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/QDC2M5jaWeNsn0hVd4NT3wZdso8=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico9.jpg\" alt=\"Mulher trabalha com bananas na fazenda da Tropical Nordeste S.A  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"639\" height=\"427\" \/><strong>Mulher trabalha com bananas na fazenda da Tropical Nordeste S.A (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias reguladoras mostram que grande parte dos alimentos cultivados e vendidos no Brasil viola as regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n<p>No ano passado, a Anvisa finalizou sua an\u00e1lise mais recente de res\u00edduos de agrot\u00f3xicos em alimentos de todo o pa\u00eds. De 1.665 amostras coletadas, de arroz a cenoura e ma\u00e7\u00e3s a piment\u00f5es, entre outros produtos, 29% apresentavam res\u00edduos que excediam os n\u00edveis permitidos ou continham agrot\u00f3xicos sem aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 2007, quando o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Brasil come\u00e7ou a manter uma s\u00e9rie de registros mais recentes, o n\u00famero de casos relatados de intoxica\u00e7\u00e3o humana causada por agrot\u00f3xicos mais que dobrou \u2013 de 2.178 naquele ano passou para 4.537 em 2013. O n\u00famero anual de mortes ligadas ao envenenamento por esses produtos subiu de 132 para 206.<\/p>\n<p>Especialistas em sa\u00fade p\u00fablica dizem que as cifras reais s\u00e3o maiores, porque o acompanhamento continua sendo incompleto.<\/p>\n<p>As press\u00f5es ficam claras em Limoeiro do Norte, munic\u00edpio que fica a 197 km de Fortaleza (CE). O Estado era tudo menos um exemplo de fartura, mas a partir dos anos 1990 o Brasil criou um sistema de canais de irriga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea e o plantio floresceu. E com ele o uso de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Em novembro, um tribunal federal manteve um veredicto que for\u00e7a a Fresh Del Monte Produce Inc., gigante global do mercado de frutas, a indenizar a vi\u00fava de um trabalhador que sofreu fal\u00eancia dos rins depois de manusear agrot\u00f3xicos regularmente. Em Limoeiro do Norte, um tribunal estadual est\u00e1 analisando as acusa\u00e7\u00f5es contra um latifundi\u00e1rio acusado pela pol\u00edcia de encomendar a morte de um ativista contr\u00e1rio ao uso de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Faixa contra agrot\u00f3xicos foi colocada em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/x_W5CLuOBTmPVkKwpWVBqxHA-tk=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico1.jpg\" alt=\" Faixa contra agrot\u00f3xicos foi colocada em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"639\" height=\"402\" \/><strong> Faixa contra agrot\u00f3xicos foi colocada em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1 (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cA regi\u00e3o virou um grande laborat\u00f3rio para o pior da agricultura industrializada\u201d, disse Raquel Rigotto, m\u00e9dica e soci\u00f3loga da Universidade Federal do Cear\u00e1, em Fortaleza. Raquel sustenta que sua equipe de pesquisa encontrou ind\u00edcios de muitos agrot\u00f3xicos na \u00e1gua que sai de torneiras da regi\u00e3o e uma taxa maior de mortes ali, ocasionadas por c\u00e2ncer, do que em cidades pr\u00f3ximas com pouco plantio.<\/p>\n<p>O mundo tem usufru\u00eddo muito do boom de cultivo de alimentos no Brasil. A popula\u00e7\u00e3o deve crescer quase 30 por cento ao longo das pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas, o que representa outros 2 bilh\u00f5es de bocas para alimentar.<\/p>\n<p>O crescente setor agr\u00edcola do Brasil ser\u00e1 uma fonte crucial na alimenta\u00e7\u00e3o. Mas em raz\u00e3o de sua luz solar equatorial, do clima e das planta\u00e7\u00f5es que vicejam o ano todo, o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 um terreno f\u00e9rtil para insetos, fungos e ervas daninhas \u2013 e os agricultores aplicam cada vez mais agrot\u00f3xicos para mant\u00ea-los sob controle.<\/p>\n<p><strong>Lobby poderoso<\/strong><br \/>\nEm 2013, o \u00faltimo ano com n\u00fameros dispon\u00edveis, os produtores brasileiros compraram o equivalente a 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, ou 20% do mercado global desses produtos. Desde 2008, a demanda do pa\u00eds aumentou 11% por ano, mais do que o dobro da m\u00e9dia mundial.<\/p>\n<p>Um fator que vem impedindo salvaguardas mais r\u00edgidas para os agrot\u00f3xicos \u00e9 o lobby cada vez mais poderoso do setor agr\u00edcola do Brasil.<\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00f5es do ano passado, o agroneg\u00f3cio s\u00f3 ficou atr\u00e1s das empreiteiras nas doa\u00e7\u00f5es de campanha para a reelei\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>O apoio da presidente aos grandes projetos de infraestrutura e \u00e0s fazendas industrializadas v\u00eam revoltando os ambientalistas. As empresas de agricultura e alimentos do pa\u00eds representaram cerca de um quarto do dinheiro que ela recebeu dos grandes doadores, ou 89,5 milh\u00f5es de reais, de acordo com registros eleitorais. Esta cifra baseia-se em uma an\u00e1lise das 118 maiores doa\u00e7\u00f5es para a campanha de Dilma, o equivalente a 1 milh\u00e3o de reais ou mais de cada doador.<\/p>\n<p>No Congresso, quase metade dos 594 parlamentares tem identifica\u00e7\u00e3o com a chamada \u201cbancada ruralista\u201d, grupo que aliviou as leis que pro\u00edbem planta\u00e7\u00f5es geneticamente modificadas e diminuiu os limites de desmate na Floresta Amaz\u00f4nica e em outras \u00e1reas florestadas. Propuseram, ainda, leis para deixar a regulamenta\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos a cargo de uma \u00fanica ag\u00eancia, em vez das leis atuais que d\u00e3o poder a Anvisa e as pastas de Agricultura e Meio Ambiente.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Reserva para sistema de irriga\u00e7\u00e3o de fazendas em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/5uI4A3jcfgyx7l_ceUaUMl2vFF0=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico10.jpg\" alt=\"Reserva para sistema de irriga\u00e7\u00e3o de fazendas em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"640\" height=\"389\" \/><strong>Reserva para sistema de irriga\u00e7\u00e3o de fazendas em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1 (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>A assessoria de imprensa da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica n\u00e3o se pronunciou e sugeriu o Minist\u00e9rio da Agricultura. Por meio de uma nota, o secret\u00e1rio de Defesa Agropecu\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, D\u00e9cio Coutinho, afirmou que os agrot\u00f3xicos s\u00e3o regidos pelas &#8220;leis ambientais mais r\u00edgidas do planeta&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O uso de agrot\u00f3xicos no Brasil obedece a normas e leis rigorosas que s\u00e3o cumpridas por grupos de t\u00e9cnicos, cientistas e funcion\u00e1rios p\u00fablicos qualificados&#8221;, afirma,<\/p>\n<p>Segundo Coutinho, esses grupos contam com total confian\u00e7a da comunidade cient\u00edfica nacional e internacional e dos consumidores brasileiros e estrangeiros.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio afirmou ainda que a rela\u00e7\u00e3o entre o agroneg\u00f3cio e o governo, incluindo doa\u00e7\u00f5es de campanha, \u00e9 &#8220;\u00e9tica e transparente&#8221;. E acrescentou que \u00e9 um erro tentar insinuar, &#8220;sem qualquer ind\u00edcio ou fato&#8221;, que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica do pa\u00eds seja submetida a influ\u00eancias. &#8220;Ou que o peso desta ou daquela bancada estaria limitando a aplica\u00e7\u00e3o das leis e o cumprimento das normas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;A prop\u00f3sito: as bancadas s\u00e3o definidas pelo voto livre e soberano dos eleitores e sobre isso cumpre respeitar o direito constitucional do povo brasileiro&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da ind\u00fastria e os or\u00e7amentos apertados das ag\u00eancias reguladoras limitam a capacidade brasileira para aplicar a regulamenta\u00e7\u00e3o dos defensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Fazendeiros adoram&#8217;<\/strong><br \/>\nTome-se como exemplo o tempo que a Anvisa leva para avaliar um defensivo agr\u00edcola que um fabricante pretende vender no Brasil. Por lei, a ag\u00eancia deve analisar um novo produto qu\u00edmico em no m\u00e1ximo 120 dias, mas a Anvisa pode levar anos. Com uma equipe de menos de 50 cientistas, comparados com as centenas de ag\u00eancias compar\u00e1veis dos EUA e da Europa, atualmente o organismo tem mais de mil agentes qu\u00edmicos aguardando verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode levar anos para a entidade tirar produtos qu\u00edmicos perigosos do mercado.<\/p>\n<p>Um esfor\u00e7o para reavaliar 14 agrot\u00f3xicos controversos usados no Brasil, a maior parte deles proibida em outras na\u00e7\u00f5es, est\u00e1 em seu s\u00e9timo ano, atrasado por a\u00e7\u00f5es civis de fabricantes e pela oposi\u00e7\u00e3o de muitos legisladores. \u201cTodo dia tem uma coisa para responder. Se n\u00e3o tem processo, tem audi\u00eancia p\u00fablica\u201d, afirmou Ana Maria Vekic, da Anvisa.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a reavalia\u00e7\u00e3o levou a proibi\u00e7\u00f5es de quatro agrot\u00f3xicos somente. Em dezembro, a Anvisa declarou que iria proibir a parationa met\u00edlica, banida nos EUA e na Europa, mas a ag\u00eancia brasileira ainda n\u00e3o explicou quando ou como ir\u00e1 agir.<\/p>\n<p>Como resultado, a dinamarquesa Cheminova, que vende a subst\u00e2ncia, \u201cn\u00e3o mudou seus planos em rela\u00e7\u00e3o aos neg\u00f3cios com este produto\u201d, segundo o porta-voz Lars-Erik Pedersen, que acrescentou que a procura atualmente \u00e9 alta por causa da peste de bicudo-do-algodoeiro no algod\u00e3o. \u201cOs fazendeiros o adoram\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Agricultores e empresas produtoras de agrot\u00f3xicos alegam que os atrasos da Anvisa obrigam os produtores a continuar a usar agentes qu\u00edmicos mais antigos e potencialmente mais nocivos, porque agrot\u00f3xicos mais seguros e eficazes est\u00e3o aguardando aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEstamos colocando l\u00e1 produtos novos, mas h\u00e1 um gargalo para poder chegar no mercado\u201d, disse Antonio Zem, presidente da unidade latino-americana da FMC, a fabricante norte-americana do inseticida Furadan. O produto \u00e9 baseado no carbofurano, um composto a respeito do qual a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA concluiu em 2008 que \u201cos perigos para a dieta, para o trabalhador e para o meio ambiente s\u00e3o inaceit\u00e1veis para todos os usos\u201d.<\/p>\n<p>A FMC afirma que vem tentando limitar as vendas do poderoso produto qu\u00edmico para grandes fazendas e para setores onde sua aplica\u00e7\u00e3o pode ser realizada sobretudo por m\u00e1quinas, como o de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p><strong>Morte de trabalhador<\/strong><br \/>\nO Furadan \u00e9 um de muitos agrot\u00f3xicos usados em fazendas ao longo da Chapada do Apodi, regi\u00e3o f\u00e9rtil no leste do Cear\u00e1. Ali, gra\u00e7as a 40 quil\u00f4metros de canais repletos de \u00e1gua bombeada do rio Jaguaribe, mais de 4.500 pessoas trabalham em campos de 324 propriedades.<\/p>\n<p>As fazendas criaram empregos e levaram alguma prosperidade \u00e0 regi\u00e3o outrora pobre. A cidade de Limoeiro do Norte j\u00e1 foi conhecida como \u201ca terra das bicicletas\u201d porque os moradores n\u00e3o podiam comprar carros. Hoje ela vibra sob o tr\u00e1fego pesado das caminhonetes e dos utilit\u00e1rios esportivos.<\/p>\n<p>Mas pouco mais foi feito em termos de infraestrutura p\u00fablica depois dos canais. Como resultado, muitos dos moradores da regi\u00e3o obt\u00eam \u00e1gua dos mesmos canais a c\u00e9u aberto que irrigam as fazendas.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Morador coleta \u00e1gua de um canal de irriga\u00e7\u00e3o usado para abastecer fazendas em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/zpa0vPKORvkv2yhtzKJvZ9m0dSQ=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico4.jpg\" alt=\" Morador coleta \u00e1gua de um canal de irriga\u00e7\u00e3o usado para abastecer fazendas em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"638\" height=\"415\" \/><strong> Morador coleta \u00e1gua de um canal de irriga\u00e7\u00e3o usado para abastecer fazendas em Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1 (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>Os problemas no planalto emergiram ainda em 2008. Funcion\u00e1rios e vizinhos das fazendas come\u00e7aram a se queixar a autoridades da igreja local e a sindicatos de trabalhadores dizendo ter coceira depois de tomar banho, e que seus animais de fazenda estavam ficando doentes.<\/p>\n<p>Em julho daquele ano, Vanderlei Matos da Silva, empregado de 31 anos da Fresh Del Monte, relatou dores de cabe\u00e7a, febre, incha\u00e7o na barriga e olhos amarelados. Nos tr\u00eas anos anteriores ele trabalhou para a empresa armazenando um agrot\u00f3xico em um dep\u00f3sito da planta\u00e7\u00e3o de abacaxi.<\/p>\n<p>O emprego, de acordo com documentos e depoimentos de colegas apresentados a um Tribunal Federal do Trabalho, inclu\u00eda misturar produtos qu\u00edmicos e preparar os borrifadores dos trabalhadores que os aplicavam. Vanderlei tamb\u00e9m limpava o dep\u00f3sito e muitas vezes armazenava produtos qu\u00edmicos sem uso em recipientes abertos, segundo testemunharam seus colegas.<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia o ar deixava ele e seus colegas tontos. \u201cA poeira dos agrot\u00f3xicos\u00a0ficava no ar\u201d, afirmou Jos\u00e9 Anaildo Silva da Costa, um dos trabalhadores. Outro deles, Francisco Ricardo Nobre, relatou que os administradores da planta\u00e7\u00e3o obrigavam os trabalhadores a esconder certos agrot\u00f3xico quando ficavam sabendo de uma inspe\u00e7\u00e3o iminente.<\/p>\n<p>A Fresh Del Monte, sediada em Coral Gables, na Fl\u00f3rida, n\u00e3o quis comentar o caso.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Altamente t\u00f3xico&#8217;<\/strong><br \/>\nUm dos produtos, de acordo com as testemunhos, era o paraquat. Herbicida que existe h\u00e1 decadas, o paraquat foi proibido na Uni\u00e3o Europeia e teve seu uso restrito nos Estados Unidos. No Brasil, Syngenta, Helm e outras tr\u00eas companhias t\u00eam licen\u00e7a para vend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O paraquat \u00e9 \u201caltamente t\u00f3xico\u201d, de acordo com o Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos EUA (CDC, na sigla em ingl\u00eas). Entre outros males, segundo o CDC, o paraquat causa insufici\u00eancia renal, card\u00edaca e hep\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao menos parte do paraquat vendido para a Fresh Del Monte durante a \u00e9poca em que Silva esteve empregado veio da Syngenta, segundo uma nota fiscal de venda obtida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e vista pela Reuters. A Syngenta n\u00e3o vai comentar o caso.<\/p>\n<p>Em agosto, Silva j\u00e1 n\u00e3o conseguia mais trabalhar. Em outubro, foi atendido em uma cl\u00ednica de Limoeiro e transferido tr\u00eas semanas depois para um hospital maior em Fortaleza. Ele morreu um m\u00eas depois, deixando um filho de 1 ano e uma vi\u00fava que come\u00e7ou uma batalha que j\u00e1 dura anos para receber pagamentos atrasados e indeniza\u00e7\u00f5es da Fresh Del Monte.<\/p>\n<p>A causa oficial da morte foi insufici\u00eancia renal e hep\u00e1tica e hemorragia digestiva. A Fresh Del Monte se negou a comentar a morte de Silva. No tribunal, os advogados da companhia alegaram que ele havia sido diagnosticado com uma forma viral de hepatite que n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o com suas fun\u00e7\u00f5es. O juiz rejeitou o argumento.<\/p>\n<p>Perto dali, Jos\u00e9 Maria Filho, agricultor familiar da chapada, come\u00e7ou a se queixar \u00e0s autoridades locais sobre os animais da fazenda e sobre as coceiras. Ele acusou os grandes latifundi\u00e1rios de usar agrot\u00f3xicos em excesso, especialmente com os avi\u00f5es de pulveriza\u00e7\u00e3o, que espalhavam produtos qu\u00edmicos nos canais e em outras \u00e1reas adjacentes a terras de cultivo.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Marcia Xavier, filha do ativista antiagrot\u00f3xico Jos\u00e9 Maria Filho, com sua m\u00e3e em frente \u00e0 sua casa em Limoeiro do Norte  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/O3X6JTdtUJCRWCHtlfkz-bJRHWw=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico5.jpg\" alt=\"Marcia Xavier, filha do ativista antiagrot\u00f3xico Jos\u00e9 Maria Filho, com sua m\u00e3e em frente \u00e0 sua casa em Limoeiro do Norte  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"640\" height=\"418\" \/><strong>Marcia Xavier, filha do ativista antiagrot\u00f3xico Jos\u00e9 Maria Filho, com sua m\u00e3e em frente \u00e0 sua casa em Limoeiro do Norte (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p><strong>&#8216;Mexendo com gente grande&#8217;<\/strong><br \/>\n\u201cTinha a l\u00edngua comprida\u201d, lembra Luiz Gir\u00e3o, criador de gado local e ex-parlamentar influente entre os fazendeiros da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Maria Filho conseguiu fazer com que os cientistas liderados por Raquel Rigotto pesquisassem a \u00e1gua na regi\u00e3o. Um estudo que conduziram no final de 2008 analisou amostras tiradas de 25 pontos ao longo dos canais e das torneiras de algumas casas.<\/p>\n<p>O estudo investigou a presen\u00e7a de 22 agrot\u00f3xicos diferentes. Em cada amostra, os pesquisadores encontraram res\u00edduos de pelo menos tr\u00eas dos compostos, e em alguns casos at\u00e9 12. Os agricultores da \u00e1rea rejeitaram o estudo, argumentando que a pesquisa n\u00e3o determinou a concentra\u00e7\u00e3o de cada agente qu\u00edmico na \u00e1gua, deixando assim de provar o qu\u00e3o t\u00f3xicos seriam.<\/p>\n<p>Ao longo de 2009, Filho continuou a se pronunciar. Ele compareceu a reuni\u00f5es da C\u00e2mara Municipal de Limoeiro do Norte, e em novembro j\u00e1 tinha convencido um n\u00famero suficiente de membros da Casa, apesar da oposi\u00e7\u00e3o de grandes latifundi\u00e1rios a aprovarem uma proibi\u00e7\u00e3o aos voos de pulveriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEles estavam furiosos\u201d, relembra Reginaldo Ara\u00fajo, professor local e ativista trabalhista.<\/p>\n<p>Alguns fazendeiros continuaram com as pulveriza\u00e7\u00f5es mesmo assim.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2010, Filho passou a tirar fotos e fazer v\u00eddeos de um avi\u00e3o decolando de um campo de voo local. Ele disse \u00e0s pessoas de Limoeiro do Norte que estava coletando ind\u00edcios sobre viola\u00e7\u00f5es com agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m passou a receber amea\u00e7as.<\/p>\n<p>De acordo com um inqu\u00e9rito policial detalhado em uma den\u00fancia vista pela Reuters, uma pessoa n\u00e3o identificada ligou para Filho e avisou que ele estava sendo seguido. A pessoa disse que ele era acompanhado enquanto viajava por estradas locais de motocicleta, muitas vezes com seu filho.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea \u00e9 muito covarde, porque n\u00e3o anda s\u00f3, s\u00f3 anda com uma criancinha na garupa\u201d, afirmou a pessoa.<\/p>\n<p>No campo de voo, segundo uma queixa que Filho fez \u00e0 pol\u00edcia, um seguran\u00e7a o alertou: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 mexendo com gente grande. Isso \u00e9 perigoso.\u201d<\/p>\n<p><strong>Morto a tiros<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Maria Lucinda Xavier reza em frente a monumento dedicado a seu marido Jos\u00e9 Maria Filho, morto a tiros em 2010 (Foto:  Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/fUMkiWdZPokP64zC4Hnw0rdK3JM=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico3.jpg\" alt=\"Maria Lucinda Xavier reza em frente a monumento dedicado a seu marido Jos\u00e9 Maria Filho, morto a tiros em 2010 (Foto:  Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"640\" height=\"417\" \/><strong>Maria Lucinda Xavier reza em frente a monumento dedicado a seu marido Jos\u00e9 Maria Filho, morto a tiros em 2010 (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>No dia 21 de abril, quando ia para casa atrav\u00e9s de planta\u00e7\u00f5es de banana, Filho foi atingido 25 vezes com uma pistola calibre .40.<\/p>\n<p>Um m\u00eas depois, o conselho da cidade revogou a proibi\u00e7\u00e3o \u00e0s pulveriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma investiga\u00e7\u00e3o de dois anos, a pol\u00edcia acusou Jo\u00e3o Teixeira, um latifundi\u00e1rio, fazendeiro e empres\u00e1rio local que coordenava as pulveriza\u00e7\u00f5es no planalto, de encomendar o assassinato. Usando exames de bal\u00edstica e registros de chamadas de celular, como afirmou na den\u00fancia, a pol\u00edcia reuniu liga\u00e7\u00f5es entre o capataz de Teixeira, dois moradores e um matador de aluguel, que mais tarde foi morto em uma troca de tiros. Teixeira e outros tr\u00eas foram indiciados pela morte de Filho.<\/p>\n<p>Por telefone, Teixeira declarou: \u201cN\u00f3s n\u00e3o tivemos nada a ver.\u201d Ele se recusou a discutir o assunto. Um juiz de Limoeiro deve decidir nos pr\u00f3ximos meses se o caso ir\u00e1 a julgamento.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, dois tribunais decidiram a favor de Gerlene Santos, a vi\u00fava de Vanderlei. Em 2013, uma corte de Limoeiro ordenou que a Fresh Del Monte pagasse indeniza\u00e7\u00f5es no valor de 350 mil reais, e uma inst\u00e2ncia superior manteve a decis\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Maria Gerlene Silva dos Santos, vi\u00fava do empregado da Fresh Del Monte Vanderlei Matos da Silva, mostra fotos do marido morto  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/g5-DOUugDgk-13cQnOfgA4bAezo=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico2.jpg\" alt=\"Maria Gerlene Silva dos Santos, vi\u00fava do empregado da Fresh Del Monte Vanderlei Matos da Silva, mostra fotos do marido morto  (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"639\" height=\"412\" \/><strong>Maria Gerlene Silva dos Santos, vi\u00fava do empregado da Fresh Del Monte Vanderlei Matos da Silva, mostra fotos do marido morto (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>Na chapada, as tens\u00f5es permanecem.<\/p>\n<p>Uma placa de concreto do lado de fora da associa\u00e7\u00e3o de fazendeiros est\u00e1 coberta de picha\u00e7\u00f5es de caveiras e frases como \u201cAgrot\u00f3xico causa c\u00e2ncer\u201d.<\/p>\n<p>Em uma planta\u00e7\u00e3o local, a Tropical Nordeste SA, os executivos procuram dissipar a ideia de que os agricultores s\u00e3o irrespons\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cA gente usa o m\u00ednimo de produto poss\u00edvel&#8221;, garantiu Edson Brok, dono da fazenda, que exporta bananas para a Europa e recentemente recebeu um pr\u00eamio de excel\u00eancia de uma associa\u00e7\u00e3o estrangeira de compradores. \u201cN\u00e3o posso me arriscar com comprador para eles acharem que aqui n\u00e3o est\u00e1 tudo certo.\u201d<\/p>\n<p>Em outubro passado, um trabalhador da Tropical Nordeste publicou no Facebook fotos que tirou de um tanque vazando agrot\u00f3xico no dep\u00f3sito. Ele tamb\u00e9m postou fotos de botas de trabalho rasgadas que ele alega que a empresa se recusou a trocar quando ele pediu botas novas, o que viola leis de seguran\u00e7a no trabalho.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Homem carrega cachos de banana na fazenda da Tropical Nordeste S.A, em Limoeiro do Norte (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Lg4sAbO3WfW-iLrmo-K0vVDMuIA=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/04\/02\/agrotoxico7.jpg\" alt=\"Homem carrega cachos de banana na fazenda da Tropical Nordeste S.A, em Limoeiro do Norte (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)\" width=\"640\" height=\"408\" \/><strong>Homem carrega cachos de banana na fazenda da Tropical Nordeste S.A, em Limoeiro do Norte (Foto: Reuters\/Davi Pinheiro)<\/strong><\/div>\n<p>Diego Oliveira da Silva, o \u201cqu\u00edmico\u201d de 25 anos, como s\u00e3o chamados os fumigadores de agrot\u00f3xico na \u00e1rea, declarou em uma entrevista que os capatazes da fazenda tamb\u00e9m pediram a ele e a seus colegas que esgotassem seu estoque de Furadan, o agente qu\u00edmico da FMC, dias antes de uma inspe\u00e7\u00e3o. Dois outros trabalhadores, que pediram anonimato, fizeram a mesma alega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diego foi demitido por publicar as fotos.<\/p>\n<p>Hugo Carrillo, administrador da planta\u00e7\u00e3o, disse que o tanque com vazamento era um problema tempor\u00e1rio causado por uma torneira quebrada, que foi consertada no mesmo dia. As botas, afirmou, estavam em falta em um fornecedor local, mas na verdade j\u00e1 tinham sido encomendadas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 alega\u00e7\u00e3o de que encobriu o uso de agrot\u00f3xicos perigosos, Carrillo respondeu: \u201cPor que eu esconderia o Furadan?\u00a0N\u00e3o \u00e9 proibido no Brasil.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fazendeiros do Brasil se tornaram os maiores exportadores mundiais de a\u00e7\u00facar, suco de laranja,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18761,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/agrotoxicos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os fazendeiros do Brasil se tornaram os maiores exportadores mundiais de a\u00e7\u00facar, suco de laranja,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18760"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}