{"id":18716,"date":"2015-04-03T17:00:39","date_gmt":"2015-04-03T17:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18716"},"modified":"2015-04-02T23:25:53","modified_gmt":"2015-04-02T23:25:53","slug":"em-tres-anos-apenas-409-residencias-brasileiras-instalaram-paineis-solares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/em-tres-anos-apenas-409-residencias-brasileiras-instalaram-paineis-solares\/","title":{"rendered":"Em tr\u00eas anos, apenas 409 resid\u00eancias brasileiras instalaram pain\u00e9is solares"},"content":{"rendered":"<div id=\"container\">\n<div id=\"conteudo\">\n<div id=\"coluna_centro\">\n<div class=\"noticia_view\">\n<div class=\"texto\">\n<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18717\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Carlos Rittl e Ricardo Baitelo*<\/strong><\/p>\n<p>Pense num pa\u00eds quente, onde o sol brilha o ano inteiro e que, um belo dia, d\u00e1-se conta de que tem justamente nessa luminosidade uma fonte de energia limpa, inesgot\u00e1vel e cada vez mais barata. Mesmo possuindo grandes reservas de petr\u00f3leo, esse pa\u00eds resolve apostar pesado na energia solar, que ignorou solenemente durante anos. J\u00e1 adivinhou que pa\u00eds \u00e9 esse? Isso mesmo: bem-vindo \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Sim, a Ar\u00e1bia Saudita, o maior exportador mundial de petr\u00f3leo, s\u00edmbolo da resist\u00eancia at\u00e1vica a qualquer coisa que tenha rela\u00e7\u00e3o com energias renov\u00e1veis; sim, a Ar\u00e1bia Saudita, o vil\u00e3o das confer\u00eancias do clima da ONU; a petroditadura feudal e retr\u00f3grada. Pois essa mesma Ar\u00e1bia Saudita planeja instalar 6 gigawatts de energia solar fotovoltaica nos pr\u00f3ximos cinco anos. \u00c9 o equivalente \u00e0 pot\u00eancia instalada das duas usinas do rio Madeira. Em 2032, os sauditas planejam ter em seu deserto e em suas casas o equivalente a mais de uma Itaipu em energia solar.<\/p>\n<p>E o Brasil? Temos um territ\u00f3rio maior e muito mais horas de sol o ano inteiro do que a Ar\u00e1bia Saudita. Nosso potencial de radia\u00e7\u00e3o solar equivale a 20 vezes toda a atual capacidade instalada de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. No entanto, os planos do governo at\u00e9 agora para essa fonte s\u00e3o modest\u00edssimos: 2 gigawatts instalados at\u00e9 2023, ou um ter\u00e7o do que os \u00e1rabes planejam instalar em cinco anos.<\/p>\n<div class=\"olho\">O resultado disso est\u00e1 todo m\u00eas na nossa conta de energia<\/div>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil atribuir esse atraso brasileiro a quaisquer outros fatores que n\u00e3o sejam miopia dos planejadores energ\u00e9ticos e preconceito. Este \u00faltimo fator vem de cima para baixo: a pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff j\u00e1 se referiu \u00e0 energia fotovoltaica como \u201cfantasia\u201d, dizendo em 2012 que n\u00e3o era poss\u00edvel iluminar um pa\u00eds somente com sol e vento. A China discorda: nos pr\u00f3ximos 15 anos, o gigante ter\u00e1 elevado sua capacidade fotovoltaica para 100 gigawatts, o equivalente a quase dois ter\u00e7os de todo o parque gerador do Brasil.<\/p>\n<p>Neste aspecto, a ex-guerrilheira Dilma tem um pensamento surpreendentemente pr\u00f3ximo do dos eletrocratas formados na escola das grandes obras de energia da ditadura. Para essa turma, investir em uma nova tecnologia que custava caro era uma burrice, quando o pa\u00eds tinha tanto potencial hidrel\u00e9trico ainda a aproveitar na Amaz\u00f4nia (que grande parte desse potencial esteja em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e outras \u00e1reas sens\u00edveis nunca foi um impeditivo, como n\u00e3o era no tempo dos militares). O resultado disso est\u00e1 todo m\u00eas na nossa conta de energia: quando as chuvas faltaram para as hidrel\u00e9tricas, o governo botou na matriz t\u00e9rmicas a g\u00e1s, carv\u00e3o e \u00f3leo combust\u00edvel \u2013 mesmo tendo prometido recentemente que o carv\u00e3o seria banido do Brasil.<\/p>\n<p>O governo brasileiro n\u00e3o foi o \u00fanico a desprezar a energia solar. Nos EUA, durante a administra\u00e7\u00e3o de George W. Bush, o lobby f\u00f3ssil impediu que incentivos fossem dados a energias renov\u00e1veis para competir com as j\u00e1 estabelecidas e mimadas fontes f\u00f3sseis. Como resultado, a principal f\u00e1brica americana de pain\u00e9is solares, a First Solar, precisou se mudar para a Alemanha.<\/p>\n<p>A partir de 2008, com a elei\u00e7\u00e3o de Barack Obama e um novo foco em fontes renov\u00e1veis, o cen\u00e1rio come\u00e7ou a clarear para a energia fotovoltaica. A ind\u00fastria respondeu rapidamente: a capacidade instalada subiu de quase zero em 2006 para 7 gigawatts em 2014 e hoje 36% das novas instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas nos EUA s\u00e3o dessa fonte; o pre\u00e7o de um painel fotovoltaico caiu 63% somente entre 2010 e 2014, e a ind\u00fastria solar americana, que antes gerava empregos de qualidade na Alemanha, hoje emprega mais gente nos EUA que a minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. Outros pa\u00edses, como a Espanha e a Gr\u00e9cia, tamb\u00e9m investiram nessa ind\u00fastria como uma sa\u00edda para a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<div class=\"olho\">Engenheiro eletricista, Braga aparentemente aprendeu alguma matem\u00e1tica na universidade e concluiu que o Brasil n\u00e3o perde nada se aproveitar seu potencial solar.<\/div>\n<p>No ensolarado Brasil, a primeira medida s\u00e9ria de incentivo \u00e0 energia fotovoltaica s\u00f3 foi adotada em 2012: uma resolu\u00e7\u00e3o da Aneel que permite a quem tiver pain\u00e9is solares em sua casa trocar energia com a rede \u2013 e, assim, economizar at\u00e9 80% da conta de luz por m\u00eas, ao produzir a pr\u00f3pria eletricidade durante o dia. A resolu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o veio acompanhada de nenhuma outra medida, como uma campanha ou incentivos tribut\u00e1rios (dados \u00e0 ind\u00fastria automobil\u00edstica e aos combust\u00edveis f\u00f3sseis). O resultado \u00e9 que, quase tr\u00eas anos depois, apenas 409 resid\u00eancias instalaram pain\u00e9is solares em todo o pa\u00eds. Nos EUA, s\u00e3o 400 mil. A cada tr\u00eas minutos uma nova instala\u00e7\u00e3o solar \u00e9 feita.<\/p>\n<p>Quando enfim a energia solar el\u00e9trica foi agraciada com o direito de competir em leil\u00f5es de energia, em 2014, o governo viu o tamanho da oferta reprimida: foi o leil\u00e3o mais competitivo da hist\u00f3ria, com o megawatt vendido a R$ 214. Parece caro? Pois o carv\u00e3o mineral, que fez seu retorno triunfal \u00e0 matriz energ\u00e9tica brasileira tamb\u00e9m em 2014, foi leiloado a R$ 206. E isso \u00e0 custa de um pacote de bondades que incluiu aumento no pre\u00e7o m\u00ednimo e isen\u00e7\u00e3o de tributos.<\/p>\n<p>Sem o argumento do pre\u00e7o, sobra aos eletrocratas o tigre de papel da intermit\u00eancia: a energia solar jamais poder\u00e1 estar na \u201cbase\u201d porque n\u00e3o produz \u00e0 noite. O chamado fator de capacidade da fonte \u00e9 de cerca de 25%. Pode at\u00e9 ser verdade. Mas esses mesmos planejadores n\u00e3o hesitam em gastar R$ 28 bilh\u00f5es numa usina hidrel\u00e9trica como Belo Monte, que tem fator de capacidade de 42% e que pode chegar ao fim de sua vida \u00fatil com metade disso devido ao impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Se ganhasse o direito de entrar na matriz em escala americana (ou pelo menos saudita), a energia solar poderia compor com a e\u00f3lica para poupar os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas do Centro-Sul, que formam a nossa \u201cenergia firme\u201d. A op\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto, por\u00e9m, parece ser at\u00e9 aqui a de deixar o pa\u00eds sem energia e poluindo mais ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Isso pode estar mudando com a entrada em cena de um ator novo na pol\u00edtica energ\u00e9tica: o ministro Eduardo Braga (PMDB). Engenheiro eletricista, Braga aparentemente aprendeu alguma matem\u00e1tica na universidade e concluiu que o Brasil n\u00e3o perde nada se aproveitar seu potencial solar. Prometeu tirar PIS e Cofins dos pain\u00e9is solares, como o governo fez com o carv\u00e3o, e aprovar uma redu\u00e7\u00e3o de ICMS. J\u00e1 marcou dois leil\u00f5es de energia fotovoltaica para este ano e andou falando em instalar pain\u00e9is solares nos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas. Nos pr\u00f3ximos meses, com a esta\u00e7\u00e3o seca chegando, Braga ter\u00e1 a oportunidade de mostrar se fala s\u00e9rio sobre o assunto. Quem sabe ele convence sua chefe a tomar um pouco de sol para clarear as ideias.<\/p>\n<p><em>*Carlos Rittl, 45, \u00e9 secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima.\u00a0Ricardo Baitelo, 38, \u00e9 coordenador de Clima e Energia do Greenpeace. Artigo publicado originalmente em 1\u00ba de abril de 2015, no <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2015\/04\/o-governo-nao-quer-que-voce-tenha-paineis-solares-em-casa.html\" target=\"_blank\">Blog do Planeta<\/a>.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Rittl e Ricardo Baitelo* Pense num pa\u00eds quente, onde o sol brilha o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paines_solares.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Carlos Rittl e Ricardo Baitelo* Pense num pa\u00eds quente, onde o sol brilha o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18716\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}