{"id":18630,"date":"2015-04-01T09:00:07","date_gmt":"2015-04-01T09:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18630"},"modified":"2015-04-01T00:19:58","modified_gmt":"2015-04-01T00:19:58","slug":"do-uso-competitivo-ao-uso-sustentavel-da-agua-como-questao-de-sobrevivencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/do-uso-competitivo-ao-uso-sustentavel-da-agua-como-questao-de-sobrevivencia\/","title":{"rendered":"Do uso competitivo ao uso sustent\u00e1vel da \u00e1gua como quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/racionamento_agua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-16184\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/racionamento_agua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/racionamento_agua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/racionamento_agua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Maur\u00edcio Ant\u00f4nio Lopes, presidente da Embrapa<\/p>\n<p>\u00c1gua \u00e9 mist\u00e9rio e d\u00e1diva. Mist\u00e9rio porque a ci\u00eancia ainda n\u00e3o conseguiu desvendar de onde ela veio. Alguns acreditam que a \u00e1gua chegou ao nosso planeta por meio de corpos celestes que aqui ca\u00edram ao longo de milh\u00f5es de anos. Nada comprovado, e o mist\u00e9rio permanece.<\/p>\n<p>E a \u00e1gua \u00e9 uma das maiores d\u00e1divas que o planeta nos concede. Este precioso l\u00edquido cumpre variadas e complexas fun\u00e7\u00f5es, sendo a mais nobre prover condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da enormidade de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e processos biol\u00f3gicos que sustentam a teia da vida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a \u00e1gua \u00e9 componente fundamental da paisagem e do meio ambiente, com impactos sobre o nosso bem-estar espiritual e f\u00edsico. S\u00e3o in\u00fameras as suas utilidades para a sociedade: abastecimento dom\u00e9stico e industrial, produ\u00e7\u00e3o de alimentos e fibras, dessedenta\u00e7\u00e3o de animais, gera\u00e7\u00e3o de energia, transporte de pessoas e cargas, recrea\u00e7\u00e3o e turismo e preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o essencial de limpar o nosso corpo, nossas casas e cidades dos res\u00edduos que geramos.<\/p>\n<p>A \u00e1gua faz parte de uma rede de interdepend\u00eancias nem sempre percebida ou valorizada. Sua escassez impacta a oferta de alimentos, de energia, de sa\u00fade e de mobilidade, como se v\u00ea no notici\u00e1rio recente. E como \u00e9 recurso finito, preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 competi\u00e7\u00e3o pelo seu uso crescer\u00e3o de forma proporcional ao aumento de sua demanda pela sociedade.<\/p>\n<p>Apesar de abrigar 12% das reservas de \u00e1gua doce do planeta, o Brasil convive com situa\u00e7\u00f5es preocupantes de escassez. A seca que penaliza o Semi\u00e1rido Nordestino h\u00e1 d\u00e9cadas e o severo d\u00e9ficit de precipita\u00e7\u00f5es que no momento aflige a Regi\u00e3o Sudeste nos imp\u00f5em um desafio. De aprimorarmos o manejo e o uso sustent\u00e1vel dos recursos h\u00eddricos no Brasil, em lugar de nos conformarmos com a escassez ou com o acirramento da competi\u00e7\u00e3o pelo seu uso no futuro.<\/p>\n<p>A primeira urg\u00eancia \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, em busca do di\u00e1logo e do entendimento sobre as melhores pr\u00e1ticas na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos. A agricultura tem sido apontada como uma das vil\u00e3s da crise h\u00eddrica, suposta consumidora de 70% das reservas de \u00e1gua. Cr\u00edtica injusta, pois esse percentual, bastante usado internacionalmente, n\u00e3o encontra sustenta\u00e7\u00e3o na realidade brasileira. A nossa agricultura n\u00e3o compete com as cidades por \u00e1gua tratada. Ela apenas toma emprestada da natureza a \u00e1gua da chuva, que iria aos rios e oceanos, e a devolve limpa, com a evapora\u00e7\u00e3o, transpira\u00e7\u00e3o e infiltra\u00e7\u00e3o no solo. \u00c9 claro que cidades e fazendas podem melhorar a efici\u00eancia no uso das \u00e1guas. Mas demonizar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em fun\u00e7\u00e3o da crise h\u00eddrica s\u00f3 nos trar\u00e1 mais problemas.<\/p>\n<p>Outra urg\u00eancia \u00e9 ampliar a capacidade de armazenagem de \u00e1gua na abund\u00e2ncia de chuvas e garantir sua oferta nos per\u00edodos de escassez. Com mais reservat\u00f3rios, em pontos estrat\u00e9gicos, poder\u00edamos ampliar a pr\u00e1tica da irriga\u00e7\u00e3o, ainda pouco utilizada no Brasil. Al\u00e9m de ampliar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a irriga\u00e7\u00e3o pode cumprir outro nobre papel &#8211; reduzir o n\u00edvel das reservas ao longo do per\u00edodo seco, fazendo das represas, a\u00e7udes e lagos uma bateria de amortecedores para mitigar os efeitos das enchentes, que tanto dano t\u00eam causado com o aumento de eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>Precisamos, ainda, mobilizar todo o arsenal tecnol\u00f3gico dispon\u00edvel para harmoniza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o \u00e1gua-energia-alimento. A Embrapa tem disseminado tecnologias de baixo custo para constru\u00e7\u00e3o de pequenas barragens para capta\u00e7\u00e3o de enxurradas, que promovem a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo, reduzindo a eros\u00e3o e elevando o len\u00e7ol fre\u00e1tico. E precisamos ampliar a ado\u00e7\u00e3o de sistemas de irriga\u00e7\u00e3o que otimizem o uso de \u00e1gua e energia, al\u00e9m de pr\u00e1ticas conservacionistas que protejam o solo e reduzam evapora\u00e7\u00e3o. Florestas plantadas, cultivos e pastagens bem manejados podem contribuir para a conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, pelo solo, mitigando os efeitos negativos decorrentes da grande dispers\u00e3o entre precipita\u00e7\u00f5es das esta\u00e7\u00f5es chuvosa e seca.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 preciso superar o mito da abund\u00e2ncia. Cerca de 80% da \u00e1gua doce do Brasil est\u00e1 na regi\u00e3o amaz\u00f4nica; os outros 20% abastecem larga extens\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro onde habita 95% da popula\u00e7\u00e3o. O avan\u00e7o do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o nos for\u00e7a a discutir o impacto das cidades na polui\u00e7\u00e3o dos nossos recursos h\u00eddricos e na amplia\u00e7\u00e3o do uso insensato da \u00e1gua. Descarregar esgoto n\u00e3o tratado nos rios ou lavar carros e cal\u00e7adas com \u00e1gua tratada precisam se tornar coisas do passado.<\/p>\n<p>A crescente escassez h\u00eddrica indica que n\u00e3o estamos diante de um desafio trivial. O aumento da consci\u00eancia coletiva para o uso sustent\u00e1vel da \u00e1gua se tornou uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maur\u00edcio Ant\u00f4nio Lopes, presidente da Embrapa \u00c1gua \u00e9 mist\u00e9rio e d\u00e1diva. 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