{"id":18569,"date":"2015-03-31T17:00:36","date_gmt":"2015-03-31T17:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18569"},"modified":"2015-03-30T23:55:13","modified_gmt":"2015-03-30T23:55:13","slug":"haloterapia-recria-o-ambiente-de-uma-mina-de-sal-para-tratamento-de-doencas-respiratorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/haloterapia-recria-o-ambiente-de-uma-mina-de-sal-para-tratamento-de-doencas-respiratorias\/","title":{"rendered":"Haloterapia recria o ambiente de uma mina de sal para tratamento de doen\u00e7as respirat\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"by\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18576\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Camilo Gomide<\/span><\/p>\n<section class=\"common clearfix\">\n<article>\n<div class=\"context clearfix\">\n<div class=\"text clearfix\">\n<p>Isabel Romanello nunca havia apresentado problemas respirat\u00f3rios quando, subitamente, desenvolveu um caso agudo de bronquite al\u00e9rgica. Sofreu durante tr\u00eas anos crises violentas que n\u00e3o se resolviam com os tratamentos convencionais, por meio de broncodilatadores (as bombinhas usadas por pacientes de asma) e cortisona.<\/p>\n<p>Em 2012, por obra do acaso, seu marido, Jos\u00e9 Ervolino Neto, recebeu um email de um remetente desconhecido de Portugal (um spam!) propagandeando uma terapia desconhecida, a haloterapia, que prometia a solu\u00e7\u00e3o para problemas como o de Isabel. O tratamento consistia em sess\u00f5es de imers\u00e3o em salas que reproduziam a atmosfera de minas de sal.<\/p>\n<p>Embora soe estranha, a t\u00e9cnica, como descobriu o casal, j\u00e1 \u00e9 utilizada h\u00e1 alguns anos na Europa, em pa\u00edses n\u00f3rdicos e do Leste Europeu, onde chega a fazer parte dos tratamentos bancados pelo sistema\u00a0nacional de sa\u00fade.<\/p>\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo XIII, minas de sal como a de Wieliczka (a 15 quil\u00f4metros de Crac\u00f3via, no sul da Pol\u00f4nia) eram exploradas comercialmente. Durante muito tempo, da Antiguidade \u00e0 Idade M\u00e9dia, o sal foi um dos produtos de maior valor comercial no velho continente. Em virtude disso, muitos monast\u00e9rios foram instalados pr\u00f3ximos \u00e0s fontes do mineral, para controlar a sua extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo dos s\u00e9culos, os padres da regi\u00e3o de Wieliczka come\u00e7aram a perceber que os mineiros, em geral, gozavam de mais sa\u00fade respirat\u00f3ria do que os demais habitantes da cidade. Foram os sacerdotes\u00a0os respons\u00e1veis pelo primeiro spa salino de que se tem not\u00edcia. Alguns pacientes chegavam a passar um fim de semana inteiro nas minas para tratar de mol\u00e9stias das vias a\u00e9reas.<\/p>\n<p>Mas toda a terapia ainda era muito emp\u00edrica, desprovida de conhecimento cient\u00edfico sobre o funcionamento daquele ar com supostas qualidades medicinais. Em 1843, Felix Bochkowsky, chefe do departamento nacional de sa\u00fade da Pol\u00f4nia deu um passo \u00e0 frente e lan\u00e7ou um livro relatando experi\u00eancias bem sucedidas com a terapia. O neg\u00f3cio se expandiu no pa\u00eds e seu sucessor, Mstislav Poljakowski, abriu a primeira cl\u00ednica oficial na Pol\u00f4nia, pioneira no mundo.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1930, as imers\u00f5es em minas de sal desativadas para fins terap\u00eauticos tornaram-se pr\u00e1tica comum. O interesse m\u00e9dico aumentou e pesquisadores passaram a investigar com maior\u00a0profundidade o microclima salino.<\/p>\n<p><strong>Minas artificiais<\/strong><\/p>\n<p>Nos anos 1960, o tratamento emergiu das profundezas das minas e passou a ocupar as salas de cl\u00ednicas e spas. Popularizou- se como haloterapia \u2013 <em>halos<\/em>, no grego, significa sal. Descobriu-se que o segredo das c\u00e2maras salinas \u00e9 a profus\u00e3o no ar de micropart\u00edculas de sal.<\/p>\n<p>Descobriu-se que o segredo das c\u00e2maras salinas \u00e9 a profus\u00e3o no ar de micropart\u00edculas de sal seco. Essas part\u00edculas do composto s\u00e3o t\u00e3o finas que o corpo n\u00e3o as percebe como agentes agressores e, sem obst\u00e1culos, elas penetram profundamente no organismo. Dessa forma, as propriedades ben\u00e9ficas do sal \u2013 j\u00e1 utilizado na composi\u00e7\u00e3o de outros medicamentos para males respirat\u00f3rios em larga escala \u2013 podem ser mais bem aproveitadas.<\/p>\n<p>Isabel e Neto procuraram a cl\u00ednica portuguesa e resolveram montar a pr\u00f3pria sala de haloterapia no espa\u00e7o de tratamento de sa\u00fade que eles possuem em Campinas (SP), a Cl\u00ednica Sapazziom. A miss\u00e3o, no\u00a0entanto, n\u00e3o foi simples. Como a tecnologia de montagem das c\u00e2maras haloter\u00e1picas ainda era desconhecida no Brasil, foi necess\u00e1rio importar todo o equipamento da Est\u00f4nia. \u201cAcontece que o clima da Est\u00f4nia \u00e9 muito diferente do nosso. Come\u00e7amos a ter problemas com o halogerador e com as paredes de sal\u201d, explica Neto.<\/p>\n<p>O halogerador \u00e9 a m\u00e1quina que tritura o sal farmac\u00eautico sem iodo, importado da Holanda, que \u00e9 disperso no ar para ser inalado na sala da cl\u00ednica do casal. Por n\u00e3o estar adaptado ao clima tropical, o equipamento estoniano enferrujou rapidamente. As camadas de sal que revestiam o interior da c\u00e2mara de Campinas tamb\u00e9m se desprendiam com facilidade.<\/p>\n<p>Foi preciso desenvolver solu\u00e7\u00f5es caseiras para finalmente terminar o projeto e testar na primeira cobaia: Isabel. O casal aposentou a m\u00e1quina estrangeira, desenvolveu seu pr\u00f3prio modelo, com painel digital (a vers\u00e3o estoniana era manual) e contornou o problema de fixa\u00e7\u00e3o do sal com uma cola natural desenvolvida sob encomenda. \u201cMontamos a ala e eu fiz tr\u00eas ciclos de tratamento, que s\u00e3o dez sess\u00f5es de 45 minutos cada uma. Nunca mais tive nada\u201d, vibra Isabel.<\/p>\n<p><strong>Controv\u00e9rsia m\u00e9dica<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 hoje existe resist\u00eancia m\u00e9dica em aceitar o tratamento. A verdade \u00e9 que h\u00e1 pouca literatura cient\u00edfica dispon\u00edvel sobre a haloterapia, principalmente no Ocidente. A maioria dos estudos foi realizada por universidades russas \u2013 em especial a de S\u00e3o Petersburgo \u2013 ou do Leste Europeu, onde est\u00e3o as origens da terapia.<\/p>\n<p>No Brasil, o interesse ainda \u00e9 t\u00edmido, o que pode ser reflexo do ineditismo e da falta de conhecimento sobre o assunto. A sala de Campinas \u00e9 apenas uma das cinco existentes em todo o territ\u00f3rio\u00a0nacional. H\u00e1 outras em Porto Alegre (RS), Bras\u00edlia (DF), S\u00e3o Lu\u00eds (MA) e S\u00e3o Paulo (SP). Mas, se por um lado, faltam estudos mais aprofundados sobre o m\u00e9todo, por outro, relatos de pacientes, como\u00a0o caso da pr\u00f3pria Isabel, ratificam sua utilidade.<\/p>\n<p>Outra beneficiada foi a menina Maria Fernanda, filha da fisioterapeuta Fernanda Buso, de Araras (SP), que nasceu prematura, com apenas seis meses, e teve de passar quatro meses na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Saiu de l\u00e1 com os pulm\u00f5es fracos e desde ent\u00e3o sofre de asma e sinusite. Por conta disso, apresenta sa\u00fade fr\u00e1gil, acumula muita secre\u00e7\u00e3o nas mucosas, est\u00e1 frequentemente resfriada e virou ref\u00e9m de medicamentos pesados, como antibi\u00f3ticos e cortisona. Depois de ter lido sobre a haloterapia em uma revista, Fernanda resolveu consultar uma amiga pediatra a respeito. A m\u00e9dica lhe disse que n\u00e3o havia muita comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a efic\u00e1cia do tratamento, mas que muita gente estava experimentando e n\u00e3o via problema algum em tentar.<\/p>\n<p>Hoje, com 3 anos e depois de sete sess\u00f5es, Maria Fernanda apresenta melhoras significativas. Uma semana sim, outra n\u00e3o, a menina tinha crises fortes de asma e sinusite. Pela primeira vez isso n\u00e3o\u00a0aconteceu. \u201cEla nunca tinha conhecido sorvete, provou e n\u00e3o teve nenhum problema. Est\u00e1 sem secre\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teve mais crise de asma\u00a0 e n\u00e3o precisou mais de antibi\u00f3tico. S\u00f3 isso j\u00e1 \u00e9 bom demais\u201d, comemora<br \/>\na m\u00e3e.<\/p>\n<p>****<\/p>\n<h2>Ouro branco<\/h2>\n<p>As minas de sal na Europa eram fontes bem guardadas de riqueza em pa\u00edses como Su\u00ed\u00e7a, \u00c1ustria e Pol\u00f4nia. Se hoje o sal \u00e9 considerado um item trivial, presente na mesa de todos, por s\u00e9culos foi um\u00a0dos bens de maior valor comercial. Pode-se dizer que desde a Antiguidade at\u00e9 o fim do s\u00e9culo XIX o\u00a0composto teve lugar de destaque entre as iguarias consumidas pelas pessoas. Mas durante o Imp\u00e9rio\u00a0Romano e a Idade M\u00e9dia o sal tinha peso de moeda. Essencial \u00e0 vida (sem s\u00f3dio o organismo humano\u00a0\u00e9 incapaz de transportar oxig\u00eanio e nutrientes) e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de alimentos, o recurso foi primordial\u00a0na forma\u00e7\u00e3o de grandes civiliza\u00e7\u00f5es. Os legion\u00e1rios romanos, respons\u00e1veis pela defesa e expans\u00e3o do\u00a0Imp\u00e9rio, eram pagos em sal \u2013 da\u00ed o termo \u201csal\u00e1rio\u201d. Cidades como Salzburgo, na \u00c1ustria (\u201cCidade do\u00a0Sal\u201d, em alem\u00e3o), prosperaram gra\u00e7as \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do recurso. Na Pol\u00f4nia, a mina de sal de Wieliczka, perto de Crac\u00f3via, era guardada e administrada por monges desde o s\u00e9culo XIII , per\u00edodo em que a Igreja Cat\u00f3lica exercia grande dom\u00ednio pol\u00edtico. O jazigo, que atinge 327 metros de profundidade e se estende por 287 quil\u00f4metros, foi explorado at\u00e9 2007 e tombado como patrim\u00f4nio da humanidade pela Unesco. Atualmente, recebe cerca de um milh\u00e3o de visitantes por ano.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/02\/20\/img-358257-sal-salvador.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"1049\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camilo Gomide Isabel Romanello nunca havia apresentado problemas respirat\u00f3rios quando, subitamente, desenvolveu um caso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18576,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/haloterapia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Camilo Gomide Isabel Romanello nunca havia apresentado problemas respirat\u00f3rios quando, subitamente, desenvolveu um caso","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18569"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18569\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}