{"id":18542,"date":"2015-03-31T20:00:49","date_gmt":"2015-03-31T20:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18542"},"modified":"2015-03-30T23:15:42","modified_gmt":"2015-03-30T23:15:42","slug":"celulares-causam-cancer-uma-analise-sobre-como-a-midia-trata-questoes-de-risco-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/celulares-causam-cancer-uma-analise-sobre-como-a-midia-trata-questoes-de-risco-a-saude\/","title":{"rendered":"Celulares causam c\u00e2ncer? Uma an\u00e1lise sobre como a m\u00eddia trata quest\u00f5es de risco \u00e0 sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18545\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N<\/span>este m\u00eas, um colunista de inform\u00e1tica do New York Times, Nick Bilton, escreveu um artigo sobre computadores \u201cvest\u00edveis\u201d \u2013 equipamentos de inform\u00e1tica integrados ao vestu\u00e1rio, como o Google Glass ou o Apple Watch \u2013 sugerindo que o uso desses acess\u00f3rios, principalmente quando ligados a redes sem fio ou de telefonia celular, poderia representar um risco de c\u00e2ncer compar\u00e1vel ao trazido pela fuma\u00e7a de cigarro.<\/p>\n<p>A tese de Bilton era de que, como existem pesquisas indicando que o uso de celular junto ao ouvido pode causar c\u00e2ncer de c\u00e9rebro, seria l\u00f3gico supor que usar o mesmo tipo de tecnologia junto a outras partes do corpo, como os olhos ou a pele, tamb\u00e9m n\u00e3o seria seguro. Tr\u00eas dias depois de publicar a coluna, no entanto, o jornal se viu constrangido a <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2015\/03\/19\/style\/could-wearable-computers-be-as-harmful-as-cigarettes.html?_r=1#addendums%5D\">fazer uma retrata\u00e7\u00e3o<\/a> registrando o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cNenhum estudo epidemiol\u00f3gico ou de laborat\u00f3rio jamais encontrou evid\u00eancia confi\u00e1vel de tais riscos [ligando celulares a c\u00e2ncer], e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma teoria amplamente aceita de como eles poderiam surgir. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), \u2018at\u00e9 o momento, n\u00e3o se estabeleceu nenhum efeito de sa\u00fade adverso associado ao uso de telefones m\u00f3veis\u2019. A Sociedade Americana do C\u00e2ncer, o Instituto Nacional do C\u00e2ncer, a Administra\u00e7\u00e3o de Drogas e Alimentos e o Centro para Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as todos dizem que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia convincente de uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito\u201d entre telefonia m\u00f3vel e c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Essa nota de retifica\u00e7\u00e3o \u2013 fundamentalmente, um desmentido, com base na opini\u00e3o de alguns dos mais importantes \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade p\u00fablica e de combate ao c\u00e2ncer do mundo, de tudo que a coluna de Bilton procurava insinuar \u2013 gera uma quest\u00e3o espinhosa: como o jornalista do Times p\u00f4de se enganar tanto? A resposta \u00e9 instrutiva e nos ensina algo sobre como a m\u00eddia em geral tende a tratar quest\u00f5es de risco \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>A primeira coisa a notar \u00e9 que, em princ\u00edpio, n\u00e3o faz sequer sentido imaginar que celulares possam causar c\u00e2ncer: as ondas eletromagn\u00e9ticas que usam para transmitir e receber sinal n\u00e3o t\u00eam energia suficiente para penetrar no n\u00facleo das c\u00e9lulas e alterar seu DNA: de fato, os raios do Sol s\u00e3o mais potentes (e perigosos). Mas, at\u00e9 a\u00ed, seguro morreu de velho, e diversos grupos de pesquisadores se dedicaram a estudar o assunto.<\/p>\n<p>A nota de retifica\u00e7\u00e3o fala que \u201cn\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia convincente\u201d. A palavra-chave a\u00ed \u00e9 \u201cconvincente\u201d. Como explica o oncologista americano David Gorski (que mant\u00e9m um divertido blog, \u201c<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com\/insolence\/\">Respectful Insolence<\/a>\u201d, com o pseud\u00f4nimo Orac, e que tamb\u00e9m \u00e9 um dos editores do site \u201cScience-Based Medicine\u201d), existe, fundamentalmente, um s\u00f3 grupo de cientistas que afirma ter encontrado repetidas provas estat\u00edsticas de uma liga\u00e7\u00e3o entre os equipamentos e a doen\u00e7a. Trata-se de uma equipe sueca, encabe\u00e7ada por Lennart Hardell. Mas, prossegue Gorski, \u201ca esmagadora evid\u00eancia dos estudos de outros grupos \u00e9 de que n\u00e3o h\u00e1 liga\u00e7\u00e3o detect\u00e1vel entre o uso de celular e o c\u00e2ncer de c\u00e9rebro\u201d. Ele tamb\u00e9m considera suspeitos os dados do grupo sueco.<\/p>\n<p>A comunidade cient\u00edfica, em geral, e os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela sa\u00fade p\u00fablica, em particular, tendem a se guiar, corretamente, pela evid\u00eancia preponderante \u2013 no caso, de que n\u00e3o h\u00e1 perigo \u2014 e n\u00e3o por resultados isolados. Mas o jornalismo costuma dar mais aten\u00e7\u00e3o aos sinais de alerta, e a desconfiar das comunica\u00e7\u00f5es tranquilizadoras, principalmente quando essas \u00faltimas parecem servir a interesses econ\u00f4micos (no caso, dos fabricantes de celular).<\/p>\n<p>Trata-se de uma atitude que costuma ser interpretada, no meio, como sinal de \u201csaud\u00e1vel senso cr\u00edtico\u201d. Mas a verdade \u00e9 que, sem analisar os detalhes t\u00e9cnicos e evitando dar o devido peso ao o m\u00e9rito pr\u00f3prio de cada afirma\u00e7\u00e3o, desconfiar de tudo \u00e9 uma atitude t\u00e3o ing\u00eanua quanto acreditar em tudo. Nesse aspecto, Bilton \u00e9 um bom exemplo da categoria: ele reconhece que h\u00e1 muitos estudos que n\u00e3o encontraram liga\u00e7\u00e3o entre celulares e c\u00e2ncer, mas instintivamente d\u00e1 mais peso ao resultado supostamente preocupante de Hardell, exatamente o que os especialistas em geral n\u00e3o levam a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Para finalizar, uma not\u00edcia que n\u00e3o vi ningu\u00e9m dando com destaque aqui no Brasil: um estudo realizado na Nova Zel\u00e2ndia, divulgado em fevereiro, encontrou uma rela\u00e7\u00e3o entre o uso de celular e a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de casos de c\u00e2ncer de c\u00e9rebro no pa\u00eds! Entre 1995 e 2010, per\u00edodo de grande populariza\u00e7\u00e3o da telefonia m\u00f3vel, o total de diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer de c\u00e9rebro caiu, em m\u00e9dia, 1% ao ano. Isso quer dizer que a radia\u00e7\u00e3o do celular evita c\u00e2ncer? Mata as c\u00e9lulas malignas? Muito provavelmente, n\u00e3o. <strong>Existe, afinal, uma coisa chamada coincid\u00eancia \u2013 e \u00e9 por isso que estudos isolados t\u00eam de ser olhados com alguma reserva, quer tenham conclus\u00f5es boas ou m\u00e1s.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste m\u00eas, um colunista de inform\u00e1tica do New York Times, Nick Bilton, escreveu um artigo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18545,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/celular_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Neste m\u00eas, um colunista de inform\u00e1tica do New York Times, Nick Bilton, escreveu um artigo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18542"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18542\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}