{"id":18452,"date":"2015-03-29T13:29:59","date_gmt":"2015-03-29T13:29:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18452"},"modified":"2015-03-29T13:30:40","modified_gmt":"2015-03-29T13:30:40","slug":"nos-caminhos-do-boi-os-rastros-a-apagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nos-caminhos-do-boi-os-rastros-a-apagar\/","title":{"rendered":"Nos caminhos do boi, os rastros a apagar"},"content":{"rendered":"<div><img loading=\"lazy\" class=\"overflowing\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/conf_seca_bov_mg.jpg\" alt=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/conf_seca_bov_mg.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/div>\n<div><strong>Por\u00a0Washington Novaes*<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>No mesmo dia 20 \u00faltimo, quando foi publicado nesta p\u00e1gina texto do autor destas linhas que, num de seus t\u00f3picos, relacionava problemas do desmatamento e de \u00e2ngulos dos nossos m\u00e9todos agropecu\u00e1rios com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e perda da biodiversidade, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO-ONU) editava boletim em que seu secret\u00e1rio-geral, Jos\u00e9 Graziano da Silva, alertava: \u201cO modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que predomina hoje em dia n\u00e3o \u00e9 adequado para os novos desafios da seguran\u00e7a alimentar no s\u00e9culo 21\u2033 \u2013 mesmo sabendo que o n\u00famero de pessoas que passam fome no mundo se reduziu em 100 milh\u00f5es na \u00faltima d\u00e9cada e est\u00e1 hoje em 805 milh\u00f5es no total.<\/div>\n<p>A forma como estamos produzindo \u201cj\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel\u201d, acrescentou ele. Porque n\u00e3o evita a degrada\u00e7\u00e3o dos solos e a perda da biodiversidade \u2013 ambos essenciais tamb\u00e9m para as gera\u00e7\u00f5es futuras. E por isso tudo \u201cprecisamos de uma mudan\u00e7a de paradigma: sistemas alimentares devem ser mais sustent\u00e1veis, inclusivos e resilientes\u201d. At\u00e9 mesmo para que se possa enfrentar o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E sem essa disposi\u00e7\u00e3o ser\u00e3o afetadas a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, sua disponibilidade e a estabilidade de seus componentes \u2013 j\u00e1 que nesse \u00e2mbito todo \u201cos solos, que abrigam pelo menos um quarto da biodiversidade global, s\u00e3o decisivos no ciclo do carbono\u201d. A agroecologia, concluiu ele, \u00e9 \u201cuma forma promissora de avan\u00e7ar com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de modo mais sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Nos mesmos dias, no F\u00f3rum Mundial para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o, em Berlim, o secret\u00e1rio-geral acrescentou ainda que n\u00e3o se pode esquecer que at\u00e9 2050 precisaremos de \u201cum aumento de 60% na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, 50% na gera\u00e7\u00e3o de energia e 40% mais no uso da \u00e1gua\u201d (altamente problem\u00e1tico no panorama atual) \u2013 sem falar no aumento indispens\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesse artigo da \u00faltima sexta-feira foi mencionado o estudo Radiografia das Pastagens, que trata de \u201catividades agropecu\u00e1rias e aquecimento global (mitos e verdades sobre o CH4 e CO2), de autoria do m\u00e9dico veterin\u00e1rio Flavio Prada e da engenheira agr\u00f4noma Laura de Santis Prada. \u00c9 um texto para o qual planejadores de governos, empres\u00e1rios do setor agropecu\u00e1rio e estudiosos do clima precisam voltar sua aten\u00e7\u00e3o. Porque enfatiza o problema de gera\u00e7\u00e3o de carbono pelo gado bovino no Pa\u00eds \u2013 temos 210 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado em 160 milh\u00f5es de hectares de pastagens.<\/p>\n<p>Os autores do estudo fizeram uma revis\u00e3o \u201cde trabalhos publicados por pesquisadores de renome nacional nas \u00e1reas de anatomia e nutri\u00e7\u00e3o de ruminantes\u201d. E demonstram que \u201cos bovinos zebus (Bos indicus) eliminam 30% mais fezes que os bovinos europeus (Bos taurus), devido \u00e0 maior capacidade de r\u00famen e ao tamanho do intestino\u201d. Tamb\u00e9m porque \u201ca digestibilidade \u00e9 maior 15% no gado europeu\u201d. Por isso \u201co gado zebu elimina mais CO2 (di\u00f3xido de carbono) e CH4\u2033 (g\u00e1s metano).<\/p>\n<p>Lembram eles ainda que trabalho da Amazon Integrated Carbon Analysis alerta para \u201ca intoxica\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica\u201d, com enormes riscos para o meio ambiente \u2013 \u201ca floresta emitiu 0,51 pentagramas de carbono, equivalentes a 510 milh\u00f5es de toneladas de carbono, valor muito acima do esperado\u201d. Com o forte avan\u00e7o recente da pecu\u00e1ria em grande parte da Amaz\u00f4nia, a preocupa\u00e7\u00e3o cresce, j\u00e1 que \u2013 como mencionado aqui algumas vezes \u2013 estudos da Embrapa mostram que cada boi emite 58 quilos de metano por ano (em seus arrotos e eructa\u00e7\u00f5es); e que o metano \u00e9 mais de 20 vezes mais prejudicial que o CO2.<\/p>\n<p>O modelo pecu\u00e1rio brasileiro, afirmam os autores do estudo, com menor absor\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria seca nos alimentos e maior elimina\u00e7\u00e3o de fezes que no modelo europeu, \u00e9 muito mais problem\u00e1tico, ainda mais que na Europa e nos Estados Unidos o modelo predominante \u00e9 o do semiconfinamento, em que as ra\u00e7\u00f5es podem ser mais equilibradas e dosadas \u2013 enquanto por aqui quase todo o plantel \u00e9 de gado zebu ou azebuado, em pastagens n\u00e3o controladas, com variedades de gram\u00edneas pouco adequadas e, por isso mesmo, acrescidas de insumos qu\u00edmicos que tentam compensar a defici\u00eancia em nutrientes. S\u00f3 que, \u201cquanto mais baixa a qualidade da forragem, maior a produ\u00e7\u00e3o de metano pelo gado, o que obriga o pecuarista a gastar mais com alimenta\u00e7\u00e3o de melhor qualidade\u201d.<\/p>\n<p>E mais, \u201co gado que pasta nessas \u00e1reas necessita constantemente de mineraliza\u00e7\u00e3o complementar: caso contr\u00e1rio voltam a aparecer as desnutri\u00e7\u00f5es, com v\u00e1rios tipos de patologias, diretas como \u2018cara inchada\u2019 ou indiretas por agentes anaer\u00f3bicos (botulismo). Nestas andan\u00e7as, come mais, defeca mais e apresenta menor digestibilidade e metaboliza\u00e7\u00e3o dos alimentos consumidos; e rumina menos, pois perde muito tempo \u00e0 procura de alimentos e \u00e1gua, para melhor digest\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Pode parecer esot\u00e9rico, absurdo, inconsequente relacionar a carne da mesa de cada dia com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; insustentabilidade de modelo agr\u00edcola ou pecu\u00e1rio; perda de biodiversidade; menor competitividade, nas exporta\u00e7\u00f5es, com produtos concorrentes de outros continentes; seguran\u00e7a alimentar; distribui\u00e7\u00e3o de renda no mundo. Mas n\u00e3o h\u00e1 como escapar. A cada dia mais, a ci\u00eancia e as institui\u00e7\u00f5es de \u00e2mbito mundial avan\u00e7am por esses terrenos. Melhor que cuidemos logo, antes de sermos obrigados pela geografia pol\u00edtica, pela economia global, por tudo.<\/p>\n<p>O notici\u00e1rio de cada dia nos mostra tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 como pensar em vivermos isolados de tudo, cegos. A realidade nos assalta. Por mais dif\u00edcil e inc\u00f4modo que seja repensar tudo e mudar nossas pr\u00e1ticas, teremos de faz\u00ea-lo, em todos os lugares, todos os momentos.<\/p>\n<p>Repetindo palavras de uma institui\u00e7\u00e3o como a FAO-ONU e de seu dirigente m\u00e1ximo, \u201co modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que predomina hoje em dia n\u00e3o \u00e9 adequado para os desafios da seguran\u00e7a alimentar no s\u00e9culo 21 (\u2026). Precisa ser revisto (\u2026). N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><em>*<strong> Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Portal do Meio Ambiente &#8211; Envolverde &#8211; O Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Washington Novaes* No mesmo dia 20 \u00faltimo, quando foi publicado nesta p\u00e1gina texto do autor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por\u00a0Washington Novaes* No mesmo dia 20 \u00faltimo, quando foi publicado nesta p\u00e1gina texto do autor","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18452"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18452\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}