{"id":18401,"date":"2015-03-28T17:43:40","date_gmt":"2015-03-28T17:43:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=18401"},"modified":"2015-03-28T17:43:40","modified_gmt":"2015-03-28T17:43:40","slug":"agenda-ambiental-nao-e-prioridade-do-estado-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agenda-ambiental-nao-e-prioridade-do-estado-brasileiro\/","title":{"rendered":"Agenda ambiental n\u00e3o \u00e9 prioridade do Estado brasileiro"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Carlos Rittl<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cO tema de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, apesar de ser o maior desafio ao desenvolvimento de todas as na\u00e7\u00f5es neste s\u00e9culo, ainda \u00e9 tratado pelo governo federal como um tema de segunda ou terceira import\u00e2ncia\u201d, lamenta o coordenador executivo do Observat\u00f3rio do Clima.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"10\" cellpadding=\"10\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i62.tinypic.com\/2zjgdn4.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: hypescience.com<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u201cCom bastante apreens\u00e3o n\u00f3s recebemos a not\u00edcia do desmantelamento de toda a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica\u201d, diz <strong>Carlos Rittl<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>, ao comentar as demiss\u00f5es anunciadas no in\u00edcio da semana passada. Segundo ele, a equipe estava desenvolvendo o estudo intitulado <strong>Brasil 2040<\/strong>, o qual tem como finalidade apresentar \u201cinforma\u00e7\u00f5es relevantes\u201d para compreender \u201cde que forma as <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531386-extremos-climaticos-antecipam-previsoes-iniciais-do-ipcc-diz-secretario\" target=\"_blank\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a> ir\u00e3o afetar o regime de chuvas e o regime hidrol\u00f3gico das grandes bacias do Brasil, e que implica\u00e7\u00f5es isso ter\u00e1 para a gera\u00e7\u00e3o de energia a partir de fontes de hidrel\u00e9tricas, para a agricultura e infraestrutura, entre outros aspectos\u201d.Na entrevista concedida por telefone no final da \u00faltima semana, <strong>Rittl<\/strong> informou ainda que o estudo elaborado pela equipe t\u00e9cnica seria conclu\u00eddo em abril e apresentado ao governo federal e \u00e0 sociedade civil. \u201cQual \u00e9 a raz\u00e3o da dispensa de pessoas que est\u00e3o organizando um trabalho t\u00e3o importante, se n\u00e3o a de reduzir a import\u00e2ncia dessa agenda para o novo ministro e para o governo federal?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, as <strong>demiss\u00f5es<\/strong> demonstram que \u201co governo n\u00e3o consegue compreender nem o que a realidade deveria nos impor em termos de responsabilidade. O Brasil, ante a crise h\u00eddrica e o risco de passarmos dificuldades neste ano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a energ\u00e9tica e ao risco de apag\u00f5es, n\u00e3o consegue conectar os pontos entre os fatores que contribuem para as <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl<\/strong> tamb\u00e9m comenta os primeiros resultados da <strong>reuni\u00e3o de Genebra<\/strong>, onde representantes dos pa\u00edses participaram da primeira rodada de negocia\u00e7\u00f5es para elaborar o texto que ser\u00e1 discutido na <strong>COP-21<\/strong>, em Paris. \u201cEntre os objetivos de longo prazo, h\u00e1 propostas interessantes como op\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas e algumas muito ambiciosas, que tratam de zerar as emiss\u00f5es acumuladas em todos os pa\u00edses at\u00e9 2050, e outras propostas que tratam de compromissos mais frouxos e n\u00e3o t\u00e3o detalhados, que tratam de redu\u00e7\u00f5es progressivas das emiss\u00f5es por pa\u00edses com vistas a limitar o aquecimento global a dois graus\u201d, frisa.<\/p>\n<p><strong>Rittl<\/strong> menciona ainda que o Brasil n\u00e3o apresentou suas propostas em Genebra e, portanto, os especialistas n\u00e3o t\u00eam \u201ca menor no\u00e7\u00e3o do grau de ambi\u00e7\u00e3o que vir\u00e1\u201d. E acrescenta: \u201cO Brasil n\u00e3o deveria temer colocar na mesa um compromisso ambicioso, achando que isso ir\u00e1 representar um fardo para a economia. Dever\u00edamos olhar para as oportunidades que ter\u00edamos de <strong>promover ajustes na economia<\/strong> desde agora, j\u00e1 que estamos falando em 2020, e a transi\u00e7\u00e3o daqui para 2020 demanda uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<table cellspacing=\"5\" cellpadding=\"5\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i60.tinypic.com\/34gpuds.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: g1.globo.com<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/538635-sem-acordos-em-2014-agenda-ambiental-de-2015-sera-intensa-entrevista-especial-com-carlos-rittl\" target=\"_blank\">Carlos Rittl<\/a><\/strong> \u00e9 mestre e doutor em Biologia Tropical e Recursos Naturais. Foi coordenador do <strong>Greenpeace Brasil<\/strong>, como coordenador da Campanha de Clima, e do WWF-Brasil, como coordenador do Programa de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Energia. Atualmente \u00e9 coordenador executivo do <strong>Observat\u00f3rio do Clima<\/strong>.<strong>\u00a0Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como recebeu a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540840-presidencia-demite-lideres-de-estudo-sobre-clima-a-nove-meses-da-cop-de-paris\" target=\"_blank\">not\u00edcia de que membros do quadro t\u00e9cnico da Secretaria de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel foram demitidos<\/a> nove meses antes da Confer\u00eancia de Paris? Como essa not\u00edcia repercutiu entre as organiza\u00e7\u00f5es que tratam da quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Com bastante apreens\u00e3o n\u00f3s recebemos a not\u00edcia do desmantelamento de toda a equipe da <strong>Secretaria de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/strong>. O estudo que eles estavam desenvolvendo, intitulado <strong>Brasil 2040<\/strong>, \u00e9 talvez um dos esfor\u00e7os mais importantes que se tem hoje para entender o grau de vulnerabilidade do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O estudo trar\u00e1 informa\u00e7\u00f5es relevantes para que n\u00f3s possamos compreender de que forma as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ir\u00e3o afetar o regime de chuvas e o regime hidrol\u00f3gico das grandes bacias do Brasil, e que implica\u00e7\u00f5es isso ter\u00e1 para a gera\u00e7\u00e3o de energia a partir de fontes de hidrel\u00e9tricas, para a agricultura e infraestrutura, entre outros aspectos.<\/p>\n<p>Mais do que os t\u00e9cnicos serem <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540840-presidencia-demite-lideres-de-estudo-sobre-clima-a-nove-meses-da-cop-de-paris\" target=\"_blank\">dispensados<\/a> a nove meses da <strong>Confer\u00eancia do Clima de Paris<\/strong>, eles foram dispensados a cerca de um m\u00eas da conclus\u00e3o do estudo; e isso \u00e9 o que mais assusta. Esse estudo est\u00e1 previsto para ser conclu\u00eddo em abril e seria divulgado para o governo e para a sociedade. Qual \u00e9 a raz\u00e3o da dispensa de pessoas que est\u00e3o organizando um trabalho t\u00e3o importante, se n\u00e3o a de reduzir a import\u00e2ncia dessa agenda para o novo ministro e para o governo federal?<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O que essas demiss\u00f5es demonstram sobre o comprometimento do Brasil com a discuss\u00e3o acerca das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> O tema de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, apesar de ser o maior desafio ao desenvolvimento de todas as na\u00e7\u00f5es neste s\u00e9culo, ainda \u00e9 tratado pelo governo federal como um tema de segunda ou terceira import\u00e2ncia. O governo n\u00e3o consegue compreender nem o que a realidade deveria nos impor em termos de responsabilidade. O Brasil, ante a <strong>crise h\u00eddrica<\/strong> e o risco de passarmos dificuldades neste ano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a energ\u00e9tica e ao risco de apag\u00f5es, n\u00e3o consegue conectar os pontos entre os fatores que contribuem para as <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>. Ou seja, n\u00e3o se discute qual \u00e9 a nossa responsabilidade e o que temos de fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e como nos preparamos para um clima mais hostil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas demiss\u00f5es, outras pessoas que estavam com responsabilidades sobre a agenda clim\u00e1tica at\u00e9 o ano passado perderam integrantes nas suas equipes. Isso demonstra que o tema ou n\u00e3o \u00e9 prioridade ou tem uma import\u00e2ncia muito pequena na esfera federal. Falta vis\u00e3o estrat\u00e9gica, falta uma compreens\u00e3o de que o problema n\u00e3o se refere mais ao futuro, mas est\u00e1 presente no nosso dia a dia e exige um repensar sobre todos os nossos grandes planos e investimentos. O Brasil vai continuar investindo e promovendo planos de desenvolvimento ignorando os fatores clim\u00e1ticos, e isso \u00e9 muito temer\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Apesar das demiss\u00f5es, o estudo ser\u00e1 conclu\u00eddo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Sim, ele deve ser finalizado porque existem obriga\u00e7\u00f5es legais e recursos p\u00fablicos envolvidos, ou seja, h\u00e1 uma s\u00e9rie de esfor\u00e7os e uma grande equipe de especialistas para desenvolv\u00ea-lo. Ent\u00e3o, temos certeza de que ser\u00e1 conclu\u00eddo, mas o que nos preocupa \u00e9 que anteriormente, com a lideran\u00e7a do subsecret\u00e1rio <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541016-mudancas-climaticas-ameacam-vazao-de-rios-e-geracao-de-energia\" target=\"_blank\"><strong>S\u00e9rgio Margulis<\/strong><\/a>, o estudo seria apresentado ao governo como um insumo importante para refletir sobre os atuais planos do pa\u00eds para o desenvolvimento, a energia e, inclusive, para adaptar ou reajustar os planos atuais. Seria um insumo relevante para o compromisso que o Brasil vai assumir no novo acordo que ser\u00e1 elaborado em Paris, j\u00e1 que os cen\u00e1rios constru\u00eddos por esse estudo mostram um alto grau de vulnerabilidade, \u00e0 medida que o pa\u00eds \u00e9 um grande emissor e, portanto, precisa reduzir emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 um risco muito grande de n\u00e3o haver o passo seguinte: a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 produzida, mas n\u00e3o \u00e9 assimilada pelos governos e tomadores de decis\u00f5es, j\u00e1 que o governo demonstrou, com as demiss\u00f5es, que o tema n\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1rio.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;O Brasil vai continuar investindo e promovendo planos de desenvolvimento ignorando os fatores clim\u00e1ticos, e isso \u00e9 muito temer\u00e1rio&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Vislumbra alguma implica\u00e7\u00e3o mais direta na negocia\u00e7\u00e3o que ocorre em Paris, neste ano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> O estudo n\u00e3o \u00e9 um estudo direto para defini\u00e7\u00e3o de compromissos que o <strong>Brasil<\/strong> pretende colocar na mesa na negocia\u00e7\u00e3o internacional. Por n\u00e3o tratar da quest\u00e3o de emiss\u00f5es, gases de efeito estufa, ou de oportunidades para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, ele n\u00e3o teria um impacto direto, mas demonstraria a vulnerabilidade do Brasil em diferentes \u00e1reas. Isso deveria levar o Brasil a pensar que o pa\u00eds precisa colocar um compromisso substantivo na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, compat\u00edvel com seu n\u00edvel de capacidade e responsabilidade, porque contribuir para limitar o aquecimento global significa reduzir a nossa pr\u00f3pria vulnerabilidade. O impacto maior \u00e9 demonstrar que essa agenda n\u00e3o \u00e9 relevante e priorit\u00e1ria para o governo federal.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como foi a primeira reuni\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas para formatar o texto do acordo do clima de Paris em Genebra? Teve alguma novidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 COP-20?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Em <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540041-reuniao-de-genebra-termina-com-embriao-de-acordo-mas-prazo-desafia-negociadores\" target=\"_blank\"><strong>Genebra<\/strong><\/a> foi aprovado um texto que era at\u00e9 ent\u00e3o considerado uma proposta de rascunho do novo acordo a ser fechado em Paris. Esse texto elaborado na <strong>COP-20<\/strong> foi transformado num texto oficial de negocia\u00e7\u00e3o. De in\u00edcio, ele tinha elementos compartilhados pelos pa\u00edses, mas n\u00e3o tinha, at\u00e9 a COP-20, sido negociado. Ele passou a ser negociado em Genebra, com os pa\u00edses apresentando propostas formais, ao inv\u00e9s de sugest\u00f5es de ajustes de linguagem.<\/p>\n<p>Agora o texto tem propostas formais em diferentes frentes, sobre aspectos como mitiga\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, financiamento clim\u00e1tico, transfer\u00eancia de tecnologia e outros aspectos da agenda de negocia\u00e7\u00e3o. H\u00e1 propostas tratando de objetivos de longo prazo, ou seja, o esfor\u00e7o que os pa\u00edses devem visar, como a limita\u00e7\u00e3o do aquecimento global em 2 graus. Essa foi a grande novidade.<\/p>\n<p>Houve aparentemente um esp\u00edrito positivo dos pa\u00edses, mas o tempo at\u00e9 Paris \u00e9 curto. As pr\u00f3ximas rodadas de negocia\u00e7\u00f5es ser\u00e3o importantes para definir, junto com os an\u00fancios dos <strong>compromissos pretendidos<\/strong> por cada pa\u00eds, a expectativa em rela\u00e7\u00e3o aos potenciais resultados que podemos ter em Paris, na <strong>COP-21<\/strong>, e que respostas os tomadores de decis\u00e3o dar\u00e3o frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Pode mencionar algumas das propostas j\u00e1 sugeridas pelos pa\u00edses neste primeiro texto, elaborado em Genebra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> A agenda de negocia\u00e7\u00f5es \u00e9 extremamente ampla e detalhada, com propostas de mitiga\u00e7\u00e3o, financiamento clim\u00e1tico e meios de implementa\u00e7\u00e3o que incluem transfer\u00eancia de tecnologia e capacita\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o texto tem uma gama diversa de assuntos tratados. Mas ele trata, entre outras coisas, de como diferenciar a natureza dos compromissos que ser\u00e3o assumidos entre os pa\u00edses. Existem propostas \u2014 como a do Brasil \u2014 de diferencia\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses de uma maneira que um pa\u00eds, ao assumir um compromisso, deve, numa pr\u00f3xima etapa, assumir um compromisso seguinte com um grau de ambi\u00e7\u00e3o maior. Essa \u00e9 uma proposta que entrou e saiu do texto e ainda est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o; \u00e9 uma proposta interessante porque temos de conseguir sair dessa dicotomia entre pa\u00edses desenvolvidos e pa\u00edses em desenvolvimento, j\u00e1 que hoje h\u00e1, dentro do grupo dos pa\u00edses em desenvolvimento, situa\u00e7\u00f5es muito diferentes, como a do Brasil, China, \u00c1frica do Sul, \u00cdndia, e pa\u00edses que s\u00e3o pequenas ilhas que n\u00e3o t\u00eam responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s causas do aquecimento global. Ent\u00e3o, precisamos fazer uma <strong>diferencia\u00e7\u00e3o adequada<\/strong> entre pa\u00edses para que o grau de compromisso n\u00e3o seja o de que os pa\u00edses ricos paguem e os pobres sejam beneficiados, uma vez que grandes economias emergentes t\u00eam responsabilidades e precisam assumir um grau maior de compromisso.<\/p>\n<p>Entre os objetivos de longo prazo, h\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/538408\" target=\"_blank\">propostas<\/a> interessantes como op\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas e algumas muito ambiciosas, que tratam de <strong>zerar as emiss\u00f5es acumuladas<\/strong> em todos os pa\u00edses at\u00e9 2050, e outras propostas que tratam de compromissos mais frouxos e n\u00e3o t\u00e3o detalhados, que tratam de redu\u00e7\u00f5es progressivas das emiss\u00f5es por pa\u00edses com vistas a limitar o aquecimento global a dois graus.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda propostas mais espec\u00edficas, que amarrariam mais os compromissos de cada pa\u00eds a essa vis\u00e3o de longo prazo e a essas vis\u00f5es mais frouxas, mas sem vincular fortemente as metas de cada pa\u00eds a um <strong>compromisso global<\/strong> de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. O texto \u00e9 bastante diverso e entrou em negocia\u00e7\u00e3o com pouco mais de 30 p\u00e1ginas e saiu da negocia\u00e7\u00e3o de Genebra com mais de 80 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Uma das cr\u00edticas \u00e9 a de que o texto j\u00e1 est\u00e1 bastante longo, o que indica poucos acordos. Concorda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> \u00c9 um texto longo, mas \u00e9 da natureza das negocia\u00e7\u00f5es que os pa\u00edses comecem a apresentar suas propostas, as quais come\u00e7am a ser negociadas para se fazer uma aproxima\u00e7\u00e3o entre grupos que fizeram propostas semelhantes, mas com algumas diferen\u00e7as, e depois se entre na negocia\u00e7\u00e3o, de fato, quando h\u00e1 duas opini\u00f5es muito distintas.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e9 de que o que foi feito em <strong>Genebra<\/strong> deveria ter sido feito no meio da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538626-lima-chega-a-acordos-climaticos-minimos-e-deixa-quase-tudo-para-paris\" target=\"_blank\"><strong>COP-20<\/strong><\/a>, quando os pa\u00edses n\u00e3o aceitaram discutir um documento oficial. Ent\u00e3o a cr\u00edtica \u00e9 de que o processo das negocia\u00e7\u00f5es \u00e9 muito lento. E se contarmos o n\u00famero de dias daqui at\u00e9 <strong>Paris<\/strong>, passando por <strong>Paris<\/strong> teremos um m\u00eas e meio para fazer negocia\u00e7\u00f5es, a n\u00e3o ser que sejam definidas novas reuni\u00f5es intermedi\u00e1rias antes de Paris, para correr atr\u00e1s do preju\u00edzo. Claro que os pa\u00edses dialogam bilateralmente, multilateralmente, como o Brasil conversa com a <strong>China<\/strong>, com a <strong>\u00c1frica do Sul<\/strong>, <strong>\u00cdndia<\/strong>, para decidir suas decis\u00f5es, mas h\u00e1 pouco tempo para avan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quando devem ocorrer as pr\u00f3ximas negocia\u00e7\u00f5es e que aspectos ser\u00e3o discutidos nos pr\u00f3ximos encontros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl &#8211;<\/strong> A negocia\u00e7\u00e3o de fato ocorre somente sob o guarda-chuva da Conven\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o at\u00e9 l\u00e1 temos duas sess\u00f5es previstas antes da <strong>COP-21<\/strong>, e talvez a proposta de mais alguma. A pr\u00f3xima sess\u00e3o ser\u00e1 em <strong>Bonn<\/strong>, em meados do ano, onde haver\u00e1 duas semanas de<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540259-governos-entram-em-acordo-sobre-negociacoes-climaticas-para-paris-2015\" target=\"_blank\"> negocia\u00e7\u00e3o<\/a> \u2014 o mesmo per\u00edodo de uma confer\u00eancia como a COP. Enquanto isso, os pa\u00edses est\u00e3o se reunindo; o pr\u00f3prio <strong>Basic<\/strong> \u2014 <strong>Brasil<\/strong>, <strong>\u00cdndia<\/strong>, <strong>China<\/strong> e <strong>\u00c1frica do Sul<\/strong> \u2014 se reunir\u00e1 aqui no Brasil numa reuni\u00e3o ministerial para discutir o posicionamento desses pa\u00edses rumo a Paris e para a pr\u00f3xima rodada de negocia\u00e7\u00e3o. Inclusive, eles ir\u00e3o discutir o que cada pa\u00eds pretende colocar como seu compromisso para o novo acordo e quando eles pretendem anunciar esse compromisso pretendido. Ent\u00e3o as conversas bilaterais ocorrem ao longo do ano. O Brasil deve ter di\u00e1logo com outros pa\u00edses, tamb\u00e9m ao longo do ano.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O Brasil j\u00e1 apresentou propostas nessa primeira rodada em Genebra? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> N\u00e3o. S\u00f3 dois atores comunicaram seus compromissos pretendidos, a <strong>Uni\u00e3o Europeia<\/strong> e a <strong>Su\u00ed\u00e7a<\/strong>, ou seja, somente eles registraram formalmente aquilo que pretendem fazer a partir de 1\u00ba de janeiro de 2021. Estamos falando de um acordo que trata de compromissos para ap\u00f3s 2020. Outros pa\u00edses, como os <strong>Estados Unidos<\/strong>, que anunciaram no ano passado o que pretendem colocar na mesa, ainda n\u00e3o registraram seu compromisso. O Brasil ainda n\u00e3o deu indica\u00e7\u00e3o nenhuma, nem da natureza da sua meta, nem do n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 uma meta de redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es absoluta, ser\u00e1 uma meta de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de intensidade de carbono na economia, ser\u00e1 uma meta de redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es que representa uma redu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma trajet\u00f3ria de emiss\u00f5es projetadas para o futuro? Essa natureza ainda n\u00e3o foi definida.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, n\u00e3o temos a menor no\u00e7\u00e3o do <strong>grau de ambi\u00e7\u00e3o<\/strong> que vir\u00e1, embora o Brasil seja um pa\u00eds que tem, com certeza, muito potencial para reduzir emiss\u00f5es em diferentes \u00e1reas, como florestas, agricultura e mesmo em energia, com ganhos para nossa economia. Por conta disso, o Brasil n\u00e3o deveria temer colocar na mesa um compromisso ambicioso, achando que isso ir\u00e1 representar um fardo para a economia. Dever\u00edamos olhar para as oportunidades que ter\u00edamos de promover ajustes na economia desde agora, j\u00e1 que estamos falando em 2020, e a transi\u00e7\u00e3o daqui para 2020 demanda uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;O Brasil est\u00e1 entre os pa\u00edses cujos compromissos ter\u00e3o um impacto grande na conta do acordo de Paris&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a import\u00e2ncia do Brasil para a negocia\u00e7\u00e3o, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao impasse da divis\u00e3o dos pa\u00edses nos grupos do Anexo I e Anexo II?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Extremamente importante. \u00c9 poss\u00edvel analisar por dois aspectos. O primeiro deles \u00e9 o aspecto diplom\u00e1tico. Como j\u00e1 mencionei, o Brasil prop\u00f5e uma nova diferencia\u00e7\u00e3o entre grupos de pa\u00edses, os quais teriam a possibilidade de assumir <strong>compromissos<\/strong> de naturezas distintas: os menos desenvolvidos teriam metas menores, e come\u00e7ariam a implementar algumas pol\u00edticas; os grandes pa\u00edses em desenvolvimento poderiam assumir compromissos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o absoluta ou de intensidade de carbono; e os pa\u00edses desenvolvidos poderiam assumir metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es absoluta.<\/p>\n<p>Essa proposta de diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 interessante, ent\u00e3o do ponto de vista da diplomacia, o Brasil sempre contribui com boas e importantes propostas. Mas do ponto de vista da <strong>ambi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/strong> e da emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u2014 e considerando ainda que o Brasil \u00e9 um dos grandes emissores mundiais, mesmo com as redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es por conta da redu\u00e7\u00e3o da faixa de desmatamento na Amaz\u00f4nia \u2014 as emiss\u00f5es ainda s\u00e3o altas. E por conta disso, a meta que o Brasil colocar na mesa ser\u00e1 importante para somarmos junto aos esfor\u00e7os e compromissos dos outros pa\u00edses, para ver se conseguiremos fechar esta conta do clima.<\/p>\n<p>Fechar a conta do clima significa colocar o mundo em uma trajet\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es que permita maiores chances de permanecer dentro do <strong>limite de aquecimento global<\/strong> de dois graus. Hoje estamos muito distantes disso. Se o Brasil colocar um compromisso compat\u00edvel com sua responsabilidade \u2014 podemos colocar um n\u00famero ambicioso na mesa, para n\u00f3s do <strong>Observat\u00f3rio do Clima<\/strong> isso significa termos emiss\u00f5es muito menores do que as atuais em 2030, talvez 30% a 40% menores \u2014, poder\u00e1 mobilizar outros pa\u00edses a fazerem o mesmo. E isso pode dar um impulso importante para a negocia\u00e7\u00e3o e para o aumento do n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o at\u00e9 Paris e depois de Paris.<\/p>\n<p>Agora, se ficarmos nos mirando em outros pa\u00edses e acharmos que temos o direito de poluir e que ao inv\u00e9s de nos desenvolvermos de uma maneira mais limpa, poderemos continuar destruindo as nossas florestas, continuar investindo mais e mais em combust\u00edveis f\u00f3sseis e continuar com a nossa pecu\u00e1ria muito pouco eficiente e com grandes emiss\u00f5es de metano, isso poder\u00e1 ter um impacto negativo para as negocia\u00e7\u00f5es, porque outros pa\u00edses v\u00e3o se mirar no Brasil e continuar\u00e3o fazendo pouco.<\/p>\n<p>O <strong>Brasil<\/strong> \u00e9 ator importante, l\u00f3gico que em termos de n\u00edvel de emiss\u00f5es h\u00e1 outros que s\u00e3o maiores emissores hist\u00f3ricos e maiores emissores atualmente, como<strong> Estados Unidos<\/strong> e <strong>China<\/strong>, mas o Brasil est\u00e1 entre os pa\u00edses cujos compromissos ter\u00e3o um impacto grande na conta do acordo de <strong>Paris<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Pode nos apresentar um balan\u00e7o do percentual das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa por conta da energia e agropecu\u00e1ria \u2014 que v\u00eam subindo \u2014 e do desmatamento? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Em termos de redu\u00e7\u00f5es absolutas \u2014 tudo que \u00e9 jogado na atmosfera, sem considerar o que a regenera\u00e7\u00e3o florestal e o crescimento de uma floresta secund\u00e1ria retiram de carbono da atmosfera e outras a\u00e7\u00f5es de plantios de floresta \u2014, no passado, na \u00e9poca em que o Brasil produziu seu primeiro invent\u00e1rio, no caso de efeito estufa, que tinha dados entre 1990 e 1994, o desmatamento representava 2\/3 das <strong>emiss\u00f5es totais<\/strong> de g\u00e1s de efeito estufa do Brasil. Embora tenha havido uma redu\u00e7\u00e3o das taxas de desmatamento, essa ainda \u00e9 a principal fonte de emiss\u00f5es, que representa algo em torno de 37% das emiss\u00f5es totais. Al\u00e9m disso, as emiss\u00f5es dos outros setores foram crescendo. As emiss\u00f5es de energia hoje representam 30% das emiss\u00f5es totais do Brasil e as de agropecu\u00e1ria em torno de 26%, 27%. N\u00f3s estamos falando de um total de 1,56 bilh\u00e3o de toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente. A tend\u00eancia \u00e9 que as emiss\u00f5es de energia ultrapassem as emiss\u00f5es de desmatamento nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p><strong>Aumento das emiss\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O que explica o aumento das emiss\u00f5es no setor de <strong>energia<\/strong> \u00e9 o aumento do consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis na nossa matriz de transporte, a queda no consumo de etanol e um aumento muito grande do consumo de gasolina desde 2008\/2009. Associado a isso, nos \u00faltimos anos, com o acionamento das termel\u00e9tricas a combust\u00edveis f\u00f3sseis, g\u00e1s natural, carv\u00e3o mineral, \u00f3leo combust\u00edvel, \u00f3leo diesel e todas as fontes f\u00f3sseis, as emiss\u00f5es do setor de eletricidade tamb\u00e9m v\u00eam crescendo. Elas ainda t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o menor do que as emiss\u00f5es de transporte, mas v\u00eam crescendo em uma velocidade significativa.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;Dever\u00edamos repensar muito nossos rumos de desenvolvimento num momento em que o mundo inteiro est\u00e1 pensando em como solucionar o problema do clima&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ent\u00e3o, isso nos levou, no ano de 2013 \u2014 que s\u00e3o os dados mais recentes que o <strong>Observat\u00f3rio do Clima<\/strong> produziu \u2014, a um aumento de 7,3% das emiss\u00f5es do <strong>setor de energia<\/strong>, em um ano que nosso crescimento econ\u00f4mico foi muito pr\u00f3ximo de zero, ou seja, n\u00f3s quase n\u00e3o tivemos crescimento econ\u00f4mico e as emiss\u00f5es do setor de energia subiram significativamente. Junto com o aumento da taxa de desmatamento da Amaz\u00f4nia de 29% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2012, o Brasil teve, como um todo, um aumento das suas <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538194-estudo-mostra-aumento-de-78-das-emissoes-de-gases-no-brasil-em-2013\" target=\"_blank\">emiss\u00f5es anuais<\/a><\/strong> em 7,8%. Isso significa que n\u00f3s ainda n\u00e3o resolvemos o problema do desmatamento e estamos destruindo florestas mais do que qualquer outro pa\u00eds, se considerarmos a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> e o <strong>Cerrado<\/strong>. Tamb\u00e9m estamos investindo muito em combust\u00edveis f\u00f3sseis e abrindo m\u00e3o do nosso potencial de energias renov\u00e1veis, seja na matriz de combust\u00edveis, seja na matriz de energia como um todo ou na matriz de eletricidade, onde avan\u00e7amos em algumas \u00e1reas como a energia e\u00f3lica, mas deixamos de aproveitar um potencial enorme em diferentes fontes, como a <strong>biomassa<\/strong> da cana-de-a\u00e7\u00facar, biomassa florestal de res\u00edduos de madeira, em energia solar, e estamos apostando todas as nossas fichas nas \u00e1reas de energia do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Dever\u00edamos repensar muito nossos rumos de <strong>desenvolvimento<\/strong> num momento em que o mundo inteiro est\u00e1 pensando em como solucionar o problema do clima e se desenvolver de uma maneira mais limpa. Para acrescentar, al\u00e9m de tudo isso, temos uma pecu\u00e1ria m\u00e9dia muito pouco eficiente no Brasil \u2014 por exemplo, na Amaz\u00f4nia tem menos de um animal por hectare em m\u00e9dia, ou seja, dez mil metros quadrados de pastagem para um \u00fanico boi. Isso \u00e9 pouco eficiente e gera muitas emiss\u00f5es de metano. Al\u00e9m disso, parte da pecu\u00e1ria, depois de cinco ou seis anos, avan\u00e7a sobre novas \u00e1reas de florestas, levando mais desmatamento e contribuindo para um ciclo que \u00e9 vicioso, que mant\u00e9m as emiss\u00f5es altas e com impactos altos da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532854-agropecuaria-esta-se-tornando-a-principal-fonte-de-emissoes-brasileiras-entrevista-com-rachel-biderman\" target=\"_blank\">agropecu\u00e1ria<\/a>. Ent\u00e3o, nas tr\u00eas \u00e1reas \u2014 em florestas, em energia renov\u00e1vel, agricultura\/agropecu\u00e1ria \u2014, temos muito potencial para <strong>redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es<\/strong> e com ganhos para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Gostaria de acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Acho que \u00e9 muito importante que toda a sociedade brasileira esteja atenta \u00e0quilo que o governo brasileiro pretende definir como seu <strong>compromisso de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es<\/strong> no \u00e2mbito desse novo acordo, por conta daqueles aspectos mencionados no come\u00e7o da nossa conversa. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito vulner\u00e1vel aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, n\u00f3s temos, como mencionado, potencial para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, talvez mais do que muitos pa\u00edses do mundo e com ganhos econ\u00f4micos. N\u00f3s podemos e devemos pensar qual \u00e9 o maior benef\u00edcio para o pa\u00eds no \u00e2mbito deste processo de negocia\u00e7\u00e3o. O melhor papel que podemos desempenhar \u00e9 colocar um compromisso que seja aquilo que aproveita o maior e o melhor do nosso <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/534226-brasil-poderia-satisfazer-toda-a-sua-demanda-de-alimento-ate-2040-sem-derrubar-mais-arvores\" target=\"_blank\">potencial<\/a> de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, que vai ajudar a reduzir as <strong>emiss\u00f5es globais<\/strong> e que vai ajudar a reduzir nossa vulnerabilidade, porque os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas seriam menores, e um grau de aquecimento global inferior ao que n\u00f3s projetamos hoje.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos em uma trajet\u00f3ria de aquecimento global de <strong>4\u00ba graus c\u00e9lsius<\/strong>, e isto teria impactos devastadores para todo planeta e para tantas regi\u00f5es aqui do <strong>Brasil<\/strong>. Se hoje n\u00f3s j\u00e1 sofremos, sofreremos muito mais se n\u00e3o fizermos nada. Precisamos estar atentos e precisamos cobrar do governo brasileiro um compromisso compat\u00edvel com a nossa responsabilidade, com o nosso potencial.<\/p>\n<p><em>Por Patr\u00edcia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: IHU On-Line<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Carlos Rittl \u201cO tema de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, apesar de ser o maior<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Carlos Rittl \u201cO tema de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, apesar de ser o maior","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18401"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18401\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}