{"id":1803,"date":"2014-06-23T09:00:02","date_gmt":"2014-06-23T09:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1803"},"modified":"2014-06-22T17:26:23","modified_gmt":"2014-06-22T17:26:23","slug":"levantamento-aponta-891-especies-de-aves-no-bioma-um-quarto-delas-ameacadas-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/levantamento-aponta-891-especies-de-aves-no-bioma-um-quarto-delas-ameacadas-de-extincao\/","title":{"rendered":"Levantamento aponta 891 esp\u00e9cies de aves no bioma, um quarto delas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1807\" aria-describedby=\"caption-attachment-1807\" style=\"width: 415px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/jacuacu.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1807\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/jacuacu.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1807\" class=\"wp-caption-text\">Jacua\u00e7u (Penelope obscura)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar de ter sido desmatada at\u00e9 que sobrassem apenas cerca de 10% de sua extens\u00e3o original, a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 literalmente o quintal da cada da maioria dos brasileiros.<\/p>\n<p>Um em cada sete habitantes do pa\u00eds mora em \u00e1reas legalmente definidas como parte desse bioma, que margeia o oceano e a borda oriental do territ\u00f3rio nacional e corta 17 estados, indo do Piau\u00ed at\u00e9 o Rio Grande do Sul. A mais atualizada e completa radiografia da diversidade de aves que vivem em \u00e1reas remanescentes desse jardim litor\u00e2neo pressionado pelo crescimento das cidades acaba de ser conclu\u00edda.<\/p>\n<p>Sob a supervis\u00e3o de Lu\u00eds F\u00e1bio Silveira, curador da cole\u00e7\u00e3o de ornitologia do Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (MZ-USP), o ornit\u00f3logo Luciano Lima, 29 anos, produziu um levantamento de mais de 500 p\u00e1ginas no qual lista todas as esp\u00e9cies de aves conhecidas do bioma, fornece um resumo de suas principais caracter\u00edsticas e de seus locais de ocorr\u00eancia e atualiza seu status de conserva\u00e7\u00e3o (se amea\u00e7adas ou n\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O trabalho consumiu cinco anos de revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica e visitas a quase todos os estados com trechos de mata atl\u00e2ntica. \u201cS\u00f3 n\u00e3o estive em Sergipe e no Mato Grosso do Sul\u201d, afirma Lima, que mora em Resende (RJ), perto do Parque Nacional do Itatiaia, em cujas matas observa aves desde os 13 anos de idade.<\/p>\n<p>Os grandes n\u00fameros do mapeamento, que refor\u00e7am a import\u00e2ncia desse bioma para o mundo das aves, s\u00e3o reveladores. A mata atl\u00e2ntica apresenta 891 esp\u00e9cies de aves, cerca de 45% de todas as esp\u00e9cies encontradas em terras nacionais. A Amaz\u00f4nia tem mais esp\u00e9cies, cerca de 1.300, mas sua \u00e1rea \u00e9 quatro vezes maior, de acordo com os limites geogr\u00e1ficos adotados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n<figure id=\"attachment_1805\" aria-describedby=\"caption-attachment-1805\" style=\"width: 415px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aracari_banana.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1805\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aracari_banana.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1805\" class=\"wp-caption-text\">Ara\u00e7ari-banana (Pteroglossus bailloni)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aproximadamente um quarto das esp\u00e9cies de aves \u2013 213 em n\u00fameros absolutos ou 24% do total \u2013 \u00e9 end\u00eamico da mata atl\u00e2ntica. No jarg\u00e3o da biologia, end\u00eamicas s\u00e3o as esp\u00e9cies encontradas exclusivamente num determinado tipo de forma\u00e7\u00e3o vegetal e em mais nenhum outro. Outras 17 esp\u00e9cies s\u00e3o quase end\u00eamicas, ou seja, ocorrem fundamentalmente na mata atl\u00e2ntica e apenas marginalmente em outros biomas.<\/p>\n<p>Pouco mais de 25% de todas as esp\u00e9cies \u2013 233 em n\u00fameros absolutos \u2013 est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, segundo listagens internacionais e nacionais que elencam as aves mais inclinadas a sumir do planeta. Nem toda esp\u00e9cie end\u00eamica est\u00e1 em perigo, nem toda esp\u00e9cie em risco de desaparecer \u00e9 exclusiva do bioma.<\/p>\n<p>No entanto, das aves amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, 147 esp\u00e9cies s\u00e3o end\u00eamicas ou quase end\u00eamicas da mata atl\u00e2ntica. \u201cEsse dado \u00e9 realmente preocupante\u201d, diz Lima. De acordo com o levantamento, a mata atl\u00e2ntica apresenta ainda 1.035 subesp\u00e9cies de aves, das quais 351 s\u00e3o end\u00eamicas. \u201c\u00c9 a primeira vez que dados sobre a ocorr\u00eancia de subesp\u00e9cies de aves nesse bioma s\u00e3o apresentados em um estudo\u201d, diz Silveira.<\/p>\n<p>Em ornitologia, o termo subesp\u00e9cie se refere a popula\u00e7\u00f5es geograficamente isoladas de uma ave que apresentam algum grau de distin\u00e7\u00e3o entre si, mas que n\u00e3o foram consideradas suficientemente distintas para merecer o status de esp\u00e9cie. \u201cEsse conceito foi utilizado de maneira indiscriminada na mata atl\u00e2ntica e muitas esp\u00e9cies v\u00e1lidas de aves est\u00e3o \u2018escondidas\u2019 sob o nome de uma subesp\u00e9cie\u201d, afirma o pesquisador do MZ-USP.<\/p>\n<p>Infla\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies<\/p>\n<p>Os dados compilados e produzidos no estudo de Lima diferem de outros trabalhos publicados nas \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 levantamentos relativamente recentes que chegam a apontar a exist\u00eancia de mais de mil esp\u00e9cies de aves na mata atl\u00e2ntica. Em grande medida, as diverg\u00eancias eram esperadas e inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cLima usou crit\u00e9rios mais claros, baseados nas caracter\u00edsticas naturais do bioma e nos aspectos biogeogr\u00e1ficos das esp\u00e9cies, para definir o que era uma \u00e1rea de mata atl\u00e2ntica e quais aves efetivamente habitavam esses trechos\u201d, afirma Silveira, orientador dos esfor\u00e7os do jovem ornit\u00f3logo, que concluiu o mestrado neste ano com o estudo. \u201cNo passado, outros trabalhos adotaram a defini\u00e7\u00e3o legal de mata atl\u00e2ntica, que tamb\u00e9m abrange \u00e1reas adjacentes a esse bioma, mas que s\u00e3o, na verdade, segmentos de cerrado, da caatinga ou dos pampas.\u201d<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia dessa abordagem excessivamente liberal que predominou at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s foi levar a uma infla\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies descritas como sendo da mata atl\u00e2ntica, com a inclus\u00e3o de aves que, a rigor, vivem nas cercanias desse tipo de forma\u00e7\u00e3o vegetal, mais precisamente em segmentos de outros biomas, segundo Silveira e Lima.<\/p>\n<p>Para minorar esse problema, as aves que vivem predominantemente numa faixa de 100 quil\u00f4metros (km) situada na fronteira com outros biomas \u2013 50 km dentro dos limites legais da mata atl\u00e2ntica e 50 km fora \u2013 n\u00e3o foram consideradas como pertencentes a essa forma\u00e7\u00e3o vegetal no levantamento do jovem ornit\u00f3logo.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho de Lima coloca ordem na casa e passa a ser a refer\u00eancia em termos de aves da mata atl\u00e2ntica\u201d, afirma Jos\u00e9 Fernando Pacheco, um dos diretores do Comit\u00ea Brasileiro de Registros Ornitol\u00f3gicos (CBRO), f\u00f3rum associado \u00e0 Sociedade Brasileira de Ornitologia que zela pela qualidade dos dados referentes \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das aves do pa\u00eds. \u201cNunca ningu\u00e9m dedicou tanto tempo a organizar a lista das esp\u00e9cies desse bioma. \u00c9 claro que a ado\u00e7\u00e3o de qualquer crit\u00e9rio de trabalho sempre tem algo de arbitr\u00e1rio, mas as escolhas que ele fez s\u00e3o pertinentes e fazem sentido.\u201d<\/p>\n<p>Ordens mais representativas<\/p>\n<p>Mais da metade das esp\u00e9cies mapeadas da mata atl\u00e2ntica pertence \u00e0 ordem dos Passeriformes, os populares passarinhos, grupo que re\u00fane 55% das formas conhecidas de aves do planeta. De acordo com o trabalho de Lima, existem 476 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros no bioma. Nessa ordem, h\u00e1 desde animais banais paras os habitantes urbanos, como os pardais, at\u00e9 bichos pouco conhecidos e amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, caso do pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa). Essa ave colorida, com pouco mais de 10 cent\u00edmetros de comprimento, \u00e9 encontrada apenas em trechos de mata atl\u00e2ntica entre o Rio Grande do Norte e Alagoas.<\/p>\n<p>A segunda ordem com mais representantes \u00e9 a dos Apodiformes, com 53 esp\u00e9cies de beija-flores e andorinh\u00f5es. Em terceiro lugar aparecem os Charadriiformes, com 50 esp\u00e9cies de gaivotas e ma\u00e7aricos. Em seguida surgem os Accipitriformes (\u00e1guias e gavi\u00f5es, com 37 esp\u00e9cies), Piciformes (pica-paus, tucanos e ara\u00e7aris, 36), Psittaciformes (araras, papagaios e periquitos, 31) e Gruiformes (galinhas-d\u2019\u00e1gua, 25).<\/p>\n<p>Embora seja o bioma mais estudado pelos ornit\u00f3logos, a mata atl\u00e2ntica ainda reserva surpresas. \u00c0s vezes, de onde menos se espera surge uma novidade. Esse \u00e9 o caso da primeira esp\u00e9cie de ave end\u00eamica do estado de S\u00e3o Paulo, a Formicivora paludicola, que ocorre exclusivamente em brejos da regi\u00e3o de Mogi das Cruzes.<\/p>\n<p>O bicudinho-do-brejo-paulista, nome popular da esp\u00e9cie, acaba de ser descrito num trabalho cient\u00edfico. \u201cQuem diria que a 50 quil\u00f4metros da minha sala de trabalho haveria uma esp\u00e9cie nova, ainda n\u00e3o identificada?\u201d, diz Silveira, um dos autores da descoberta.<\/p>\n<p>A variedade de formas e tamanhos das aves da mata atl\u00e2ntica \u00e9 impressionante. Basta ver as imagens publicadas nesta reportagem. O ara\u00e7ari-banana (Pteroglossus bailloni) \u00e9 membro da ordem dos Piciformes, que conta com 36 esp\u00e9cies. Trata-se de um ruidoso e ainda relativamente abundante parente dos tucanos, que \u00e9 end\u00eamico da mata atl\u00e2ntica e mede cerca de 35 cent\u00edmetros (cm) de comprimento. Ocorre do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, incluindo Paraguai e Argentina.<\/p>\n<p>Outra foto mostra uma dupla de cuitel\u00f5es (Jacamaralcyon tridactyla), tamb\u00e9m end\u00eamicos, mas que correm risco de extin\u00e7\u00e3o. Historicamente h\u00e1 registros apenas de popula\u00e7\u00f5es esparsas dessas aves, de aproximadamente 18 cm, entre o sul da Bahia e o norte do Paran\u00e1. H\u00e1 ainda um registro do imponente jacua\u00e7u (Penelope obscura), ave da ordem dos Galliformes que alcan\u00e7a por volta de 70 cm, encontrada em boa parte da mata atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Projeto<\/p>\n<p>Aves da mata atl\u00e2ntica: riqueza, composi\u00e7\u00e3o, endemismos e lacunas de conhecimento (n\u00ba 2011\/17032-7); Modalidade Bolsa de Mestrado; Pesquisador respons\u00e1vel Lu\u00eds F\u00e1bio Silveira; Bolsista Luciano Lima; Investimento R$ 35.723,34 (Fapesp). Fonte: Pesquisa Fape<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ter sido desmatada at\u00e9 que sobrassem apenas cerca de 10% de sua extens\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1806,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/aves_amazoina.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apesar de ter sido desmatada at\u00e9 que sobrassem apenas cerca de 10% de sua extens\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1803"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1803\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}