{"id":17894,"date":"2015-03-19T12:59:49","date_gmt":"2015-03-19T12:59:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17894"},"modified":"2015-03-19T12:59:49","modified_gmt":"2015-03-19T12:59:49","slug":"caatinga-o-desafio-de-criar-uma-reserva-privada-e-preservar-um-oasis-de-cobertura-vegetal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caatinga-o-desafio-de-criar-uma-reserva-privada-e-preservar-um-oasis-de-cobertura-vegetal\/","title":{"rendered":"Caatinga: o desafio de criar uma reserva privada e preservar um o\u00e1sis de cobertura vegetal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17895\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A RPPN se chama Almirante Renato de Miranda Monteiro em homenagem a um amigo dos tempos de For\u00e7as Armadas. Francisco de Sales Saboia, 68 anos, a descreve como um o\u00e1sis de cobertura vegetal em plena Caatinga. Foi com o prop\u00f3sito de mant\u00ea-lo assim, que esse cearense natural do munic\u00edpio de Novo Oriente, a 400 km de Fortaleza, resolveu criar a sua pr\u00f3pria \u00e1rea protegida.<\/p>\n<p>Nos anos 50, ele viu grande parte das terras de sua fam\u00edlia ser degradada pelos arrendamentos e mau uso do solo. Em seguida,passou mais de cinco d\u00e9cadas distante de sua terra natal. At\u00e9 que Saboia resolveu, nos anos 2000, comprar na regi\u00e3o uma propriedade de 650 hectares para transform\u00e1-la em Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN). At\u00e9 agora, conseguiu que 219 hectares fossem inspecionados pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e reconhecidos como RPPN.<\/p>\n<p>\u201cSou do interior do Cear\u00e1 e lembro que j\u00e1 de crian\u00e7a via as matas desaparecendo. O verde agrega muitos valores e atrai esp\u00e9cies de vida\u201d, disse Saboia ao Blog do Observat\u00f3rio de UCs.<\/p>\n<p>O corretor de im\u00f3veis fala com entusiasmo de seu projeto, por\u00e9m, sem esconder a decep\u00e7\u00e3o e sentimento de desamparo por n\u00e3o encontrar apoio t\u00e9cnico. Sua esperan\u00e7a \u00e9 um dia receber em sua reserva a visita de ambientalistas que o ajudem, fornecendo t\u00e9cnicas de preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de flora e fauna.<\/p>\n<p><strong>Baixo IDH<\/strong><\/p>\n<p>A reserva de Saboia fica na localidade chamada S\u00e3o Domingos, a18 km do munic\u00edpio de Novo Oriente, divisa com o Piau\u00ed. O acesso \u00e9 pela rodovia estadual CE-187, conhecida como Estrada da Confian\u00e7a, no trecho Novo Oriente-Quiterion\u00f3polis.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Novo Oriente n\u00e3o passa de 30 mil habitantes. A regi\u00e3o tem o predom\u00ednio do cultivo de milho e feij\u00e3o. A RPPN de Saboia \u00e9 rodeada por planta\u00e7\u00f5es de milho e terras degradadas. \u201cDesmatam at\u00e9 margem de rio e na agricultura usam muito agrot\u00f3xico\u201d, conta.<\/p>\n<p>Encravado no sert\u00e3o cearense e em plena Caatinga, Novo Oriente \u00e9 o retrato dos baixos indicadores sociais comuns no Nordeste. O munic\u00edpio tem um dos piores \u00cdndices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil: est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o 4.029 no ranking nacional de 5.525 munic\u00edpios, e fica tamb\u00e9m na rabeira dos munic\u00edpios do Cear\u00e1, na posi\u00e7\u00e3o 118 de um total de 184 munic\u00edpios.<\/p>\n<p><strong>Bioma desprotegido<\/strong><\/p>\n<p>A Caatinga cobre 11% do territ\u00f3rio nacional e engloba os estados do Nordeste \u2013 Alagoas, Bahia, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Pernambuco, Para\u00edba, Rio Grande do Norte, Piau\u00ed, Sergipe, al\u00e9m de uma por\u00e7\u00e3o do norte de Minas Gerais. Ocupa uma \u00e1rea de quase 900 mil km\u00b2 onde vivem cerca de 27 milh\u00f5es de pessoas, a maioria dependente de explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais para sobreviver. O desmatamento chega a 46% da \u00e1rea do bioma, segundo dados do MMA. No Cear\u00e1, 92% do territ\u00f3rio do estado \u00e9 Caatinga.<\/p>\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Caatinga, da sua \u00e1rea total, 7,8% da Caatinga s\u00e3o protegidos por Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs), mas apenas 1,3% por UCs de prote\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>O bioma abriga 178 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, 591 aves, 177 r\u00e9pteis, 79 esp\u00e9cies anf\u00edbios, 241 peixes e 221 abelhas. \u00c9 uma regi\u00e3o rica em esp\u00e9cies end\u00eamicas, isto \u00e9, que s\u00f3 ocorrem naquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Burocracia e amea\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>A RPPN de Saboia reflete as dificuldades comuns aos propriet\u00e1rios de reservas particulares no Nordeste. No Cear\u00e1, a RPPN Almirante Renato \u00e9 uma das 32 reservas particulares que somadas representam 14,8 mil hectares. Em todo o pa\u00eds, segundo dados do ICMBio, existem 647 RPPN que juntas somam uma \u00e1rea em torno de 512 mil hectares.<\/p>\n<p>As RPPN s\u00e3o importantes ferramentas na forma\u00e7\u00e3o de corredores ecol\u00f3gicos para unir fragmentos florestais que permitem a circula\u00e7\u00e3o de animais. A documenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples de ser obtida e passa por um complexo sistema de regulamenta\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso estar com a propriedade livre de qualquer \u00f4nus e n\u00e3o pode estar hipotecada no banco. Na regi\u00e3o, em geral as propriedades est\u00e3o hipotecadas no Banco do Nordeste ou Banco do Brasil. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver o conhecimento de ordem pessoal com alguma autoridade local \u00e9 quase imposs\u00edvel\u201d, explicou Saboia.<\/p>\n<p>O maior problema s\u00e3o os ca\u00e7adores que entram armados para matar animais como o jacu e o tatu-peba. Derrubam \u00e1rvores para roubar a madeira da aroeira, ip\u00ea e tamb\u00e9m exploram o mel.<\/p>\n<p>\u201cToda hora recebemos amea\u00e7as diretas e verbais dos ca\u00e7adores. A pol\u00edcia militar ambiental \u00e0s vezes nos d\u00e1 apoio. Estamos h\u00e1 15 anos nesta luta. N\u00e3o somos bem vistos na regi\u00e3o porque denunciamos quem degrada o meio ambiente\u201d, diz Saboia.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/p>\n<p>No projeto que carinhosamente denomina de \u201cCaboclinho\u201d, Saboia abre a Almirante Renato para visitantes. Por ano, cerca de 300 alunos de escolas municipais a visitam, um n\u00famero ainda pequeno, mas que entusiasma Saboia: \u201cA RPPN \u00e9 aberta para quem quiser visitar desde que com respeito. Fa\u00e7o tudo com recursos pr\u00f3prios&#8221;. Para ele, a maior ajuda que poderia receber seria a presen\u00e7a de ambientalistas. \u201cTemos uma casa de apoio para receber visitantes e precisamos de orienta\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d.<\/p>\n<p>Desde junho de 2013, o Cear\u00e1 passou a ter uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a cria\u00e7\u00e3o de RPPNs atrav\u00e9s do Decreto de n\u00ba 31.255. A lei estabelece que qualquer propriet\u00e1rio de im\u00f3vel, rural ou urbano, poder\u00e1 pleitear voluntariamente a transforma\u00e7\u00e3o de sua \u00e1rea em RPPN, total ou parcialmente, desde que protocole requerimento no Conselho de Pol\u00edticas e Gest\u00e3o do Meio Ambiente (Conpam). O decreto estabeleceu um programa estadual de apoio \u00e0s RPPNs fomentando campanhas de educa\u00e7\u00e3o ambiental, assist\u00eancia t\u00e9cnica, capta\u00e7\u00e3o de recursos, entre outras atividades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A RPPN se chama Almirante Renato de Miranda Monteiro em homenagem a um amigo dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17895,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/novo_oriente_caatinga_reserva.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A RPPN se chama Almirante Renato de Miranda Monteiro em homenagem a um amigo dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17894"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}