{"id":17675,"date":"2015-03-15T14:37:51","date_gmt":"2015-03-15T14:37:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17675"},"modified":"2015-03-15T14:37:51","modified_gmt":"2015-03-15T14:37:51","slug":"quais-os-efeitos-para-o-pais-do-aumento-da-devastacao-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quais-os-efeitos-para-o-pais-do-aumento-da-devastacao-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Quais os efeitos para o pa\u00eds do aumento da devasta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<section class=\"common clearfix\">\n<article>\n<div class=\"context clearfix\">\n<div class=\"text clearfix\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/desmatamento_afronta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17676\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/desmatamento_afronta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/desmatamento_afronta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/desmatamento_afronta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um s\u00fabito aumento no desmatamento\u00a0na Amaz\u00f4nia no fim de\u00a02014, supostamente ocultado\u00a0nos debates eleitorais de outubro,\u00a0coloca ambientalistas e\u00a0representantes do governo em\u00a0posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas depois de\u00a0v\u00e1rios anos de redu\u00e7\u00e3o na devasta\u00e7\u00e3o ilegal.\u00a0Para piorar o cen\u00e1rio, h\u00e1 sinais de que\u00a0a perda da cobertura florestal no Norte\u00a0esteja alterando o regime de chuvas e\u00a0contribuindo para a seca no Sudeste.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio de novembro\u00a0do sistema de monitoramento Prodes,\u00a0do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais\u00a0(Inpe), entre julho de 2013 e julho\u00a0de 2014 foram desmatados na Amaz\u00f4nia\u00a04.848 quil\u00f4metros quadrados de floresta,\u00a0a segunda menor taxa j\u00e1 registrada desde\u00a01988 \u2013 o que representa um recuo de 18%\u00a0em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o no ano anterior\u00a0(5.891 km2). Entretanto, os dados do Sistema\u00a0de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em\u00a0Tempo Real (Deter), tamb\u00e9m do Inpe,\u00a0para os meses imediatamente posteriores,\u00a0de agosto, setembro e outubro, mostram\u00a0que o desmatamento aumentou de 886\u00a0km2, nesse mesmo per\u00edodo em 2013, para\u00a01.924 km2 em 2014 \u2013 117% de aumento.<\/p>\n<p>O quadro \u00e9 mais grave em outros relat\u00f3rios\u00a0divulgados no final do ano. Segundo\u00a0o Instituto do Homem e Meio Ambiente\u00a0da Amaz\u00f4nia (Imazon), que opera\u00a0o sistema SAD de monitoramento independente,\u00a0em agosto, setembro e outubro\u00a0o desmatamento pulou de 331 km2, em\u00a02013, para 1.983 km2, em 2014 \u2013 um aumento\u00a0de 226%. J\u00e1 a ONG Observat\u00f3rio\u00a0do Clima, por meio do Sistema de Estimativa\u00a0de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito\u00a0Estufa, verificou um aumento de 7,8% na\u00a0emiss\u00e3o anual de gases de efeito estufa, de 2013 para 2014, derivado, sobretudo, de \u201cmudan\u00e7as no uso da terra\u201d: o desmatamento, a degrada\u00e7\u00e3o de florestas e a convers\u00e3o de solos em atividades rurais, que s\u00e3o os maiores fatores de emiss\u00e3o de CO2 no Brasil (respons\u00e1veis por 34,6 % do total), subiram 16%.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em outubro, o bioqu\u00edmico\u00a0Ant\u00f4nio Nobre, pesquisador do Inpe,\u00a0divulgou um relat\u00f3rio clim\u00e1tico que re\u00fane\u00a0mais de 200 estudos sobre a Amaz\u00f4nia\u00a0com outro alerta: h\u00e1 ind\u00edcios de\u00a0que a destrui\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia\u00a0esteja relacionada com a seca no Sudeste,\u00a0que p\u00f4s a cidade de S\u00e3o Paulo \u00e0\u00a0beira de um colapso. O estudo calcula\u00a0que 20% da cobertura florestal amaz\u00f4nica\u00a0j\u00e1 foi desmatada e que 20% estaria degradada, totalizando quase 2 milh\u00f5es\u00a0de km2 de \u00e1rea impactada, o que poderia\u00a0estar alterando o regime de chuvas do pa\u00eds. \u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia e fora dela j\u00e1 batem \u00e0 porta\u201d, afirma Nobre. \u201cN\u00e3o resta\u00a0a menor d\u00favida de que os\u00a0impactos do desmatamento,\u00a0da degrada\u00e7\u00e3o fl orestal e dos\u00a0efeitos associados j\u00e1 afetam o\u00a0clima pr\u00f3ximo e distante da\u00a0Amaz\u00f4nia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Den\u00fancia Eleitoral\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rios ambientalistas consideram\u00a0que, durante a campanha eleitoral, o\u00a0governo federal omitiu de prop\u00f3sito os\u00a0dados de aumento do desmatamento no\u00a0fim de 2014, para n\u00e3o prejudicar a reelei\u00e7\u00e3o\u00a0da presidente Dilma Rousseff . As\u00a0autoridades possuiriam as informa\u00e7\u00f5es desde o dia 24 de outubro, dois dias antes\u00a0do segundo turno, mas o an\u00fancio oficial s\u00f3 foi feito em 27 de novembro. \u201cO\u00a0que houve foi manipula\u00e7\u00e3o eleitoral dos\u00a0dados\u201d, acusa M\u00e1rcio Santilli, do Instituto\u00a0Socioambiental (ISA). \u201cE n\u00e3o foi\u00a0o \u00fanico caso. Ao longo das elei\u00e7\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es\u00a0produzidas por v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os\u00a0oficiais de pesquisa tamb\u00e9m tiveram as\u00a0suas datas de divulga\u00e7\u00e3o alteradas em\u00a0fun\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio eleitoral.\u201d<\/p>\n<p>O Ibama recha\u00e7a a acusa\u00e7\u00e3o. A ag\u00eancia\u00a0alega que suspendeu a divulga\u00e7\u00e3o dos dados\u00a0mensais do Deter pela necessidade de\u00a0manter sigilo em rela\u00e7\u00e3o ao desmatamento\u00a0ilegal. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, os criminosos\u00a0valem-se dos relat\u00f3rios para se defender\u00a0das multas. Como os sat\u00e9lites do Deter s\u00f3\u00a0detectam \u00e1reas desmatadas a partir de 25\u00a0hectares, desmatam-se \u00e1reas abaixo dessa\u00a0medida em diferentes pontos da floresta,\u00a0uma t\u00e1tica conhecida como \u201cdesmatamento\u00a0multiponto\u201d. \u201cSe eu liberar a imagem\u00a0do Deter antes de concluir o inqu\u00e9rito\u00a0junto \u00e0 Pol\u00edcia Federal, o desmatador vai\u00a0atr\u00e1s de um laranja para assumir o crime e\u00a0escapa\u201d, alega Luciano Evaristo, diretor de\u00a0Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama.<\/p>\n<p>A justificativa, entretanto, n\u00e3o convence\u00a0os cr\u00edticos. Em 2012, as atualiza\u00e7\u00f5es\u00a0dos dados do Deter eram feitas\u00a0pelo Inpe a cada 15 dias, enquanto os\u00a0alertas do sistema eram emitidos diariamente\u00a0para orientar as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o\u00a0do Ibama. Os dados eram\u00a0divulgados ao p\u00fablico mensalmente, em\u00a0\u00e9pocas de menor cobertura de nuvens\u00a0sobre a floresta, ou bimestralmente, na\u00a0esta\u00e7\u00e3o de chuvas. Em julho de 2014,\u00a0quando os alertas de desmatamento come\u00e7aram\u00a0a aumentar, o Inpe e o Ibama alteraram o calend\u00e1rio de divulga\u00e7\u00e3o. Em novembro, o governo anunciou que as informa\u00e7\u00f5es do Deter passariam a ser trimestrais, gerando desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancia de alta<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de utilizarem tecnologia e metodologia\u00a0diferentes, o Inpe e o Imazon\u00a0sempre apresentam resultados pr\u00f3ximos.\u00a0Mas no \u00faltimo semestre a discrep\u00e2ncia\u00a0entre os dados do Deter e do SAD\u00a0aumentou. \u201cO que \u00e9 importante de se\u00a0analisar nessa quest\u00e3o s\u00e3o as tend\u00eancias\u201d,\u00a0refl ete Paulo Moutinho, diretor do Instituto\u00a0de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia\u00a0(Ipam).<\/p>\n<p>Depois da celebrada diminui\u00e7\u00e3o de\u00a084% nos \u00edndices anuais de desmatamento\u00a0da Amaz\u00f4nia, o combate ao crime vem\u00a0oscilando ora para cima, ora para baixo.\u00a0\u201cN\u00e3o podemos fi car confort\u00e1veis com essa\u00a0taxa. A meta deveria ser a extin\u00e7\u00e3o do desmatamento,\u00a0chegar a zero. Temos de lembrar\u00a0que essa oscila\u00e7\u00e3o signifi ca que quase\u00a0cinco milh\u00f5es de hectares por ano ainda\u00a0s\u00e3o desmatados na Amaz\u00f4nia. A floresta\u00a0\u00e9 finita\u201d, afirma Moutinho.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o de ambientalistas sobre\u00a0os \u00faltimos relat\u00f3rios \u00e9 convergente. A\u00a0redu\u00e7\u00e3o de 18% do desmatamento apre-sentada pelo Prodes, de julho de 2013 para julho de 2014, \u00e9 positiva, mas deve ser encarada com ressalvas, tendo em vista o aumento apresentado pelo Deter nos \u00faltimos meses. Para Adalberto Ver\u00edssimo, pesquisador do Imazon, embora ainda n\u00e3o seja poss\u00edvel prever o impacto da alta anual no Prodes de 2015, a tend\u00eancia n\u00e3o pode ser ignorada. \u201cEm termos absolutos, o aumento pode n\u00e3o ser muito signifi cativo, mas percentualmente \u00e9 muito expressivo\u201d, diz Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p>O discurso oficial vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria.\u00a0Luciano Evaristo, do Ibama, argumenta\u00a0que os dados online do Deter n\u00e3o\u00a0podem ser analisados como medidores\u00a0de desmatamento. Segundo ele, a \u00fanica\u00a0m\u00e9trica correta \u00e9 a an\u00e1lise anual do\u00a0Prodes. Sob essa \u00f3tica, afirma Evaristo, o\u00a0desmatamento n\u00e3o aumentou. \u201cO Deter\u00a0n\u00e3o tem o cond\u00e3o de medir desmatamento.\u00a0Trata-se de um sat\u00e9lite de baixa\u00a0resolu\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o consegue diferenciar\u00a0corte raso de degrada\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegue\u00a0diferenciar um afl oramento rochoso de\u00a0um desmatamento a corte raso\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O diretor do Ibama explica que o sistema Deter emite alertas de poss\u00edveis \u00e1reas afetadas, mas suas imagens n\u00e3o s\u00e3o suficientes para determinar o que aconteceu no local. \u00c9 preciso ir a campo para verifi car se houve degrada\u00e7\u00e3o (quando a vegeta\u00e7\u00e3o da \u00e1rea \u00e9 parcialmente destru\u00edda) ou corte raso (quando h\u00e1 elimina\u00e7\u00e3o completa das \u00e1rvores); ou se o que foi detectado eram focos de inc\u00eandio ou rochas que n\u00e3o confi guram desmatamento, ou ainda um curso d\u2019\u00e1gua cobrindo a vegeta\u00e7\u00e3o. Para ele, a interpreta\u00e7\u00e3o correta a se fazer dos dados do Deter de agosto a outubro seria dizer, apenas, que \u201cos alertas aumentaram\u201d, n\u00e3o o desmatamento.<\/p>\n<p>No entanto, o pr\u00f3prio governo federal\u00a0utiliza o Deter como instrumento de\u00a0medida para elaborar relat\u00f3rios parciais\u00a0de desmatamento. Em 2009, o ent\u00e3o ministro\u00a0do Meio Ambiente, Carlos Minc,\u00a0anunciou em coletiva de imprensa que a\u00a0devasta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia no m\u00eas de maio\u00a0havia ca\u00eddo 89% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo\u00a0m\u00eas do ano interior. O sistema utilizado\u00a0para a medi\u00e7\u00e3o foi o Deter.<\/p>\n<p>De acordo com Ver\u00edssimo, modelos\u00a0como o SAD e o Deter n\u00e3o s\u00f3 podem ser\u00a0considerados medidores de desmatamento\u00a0como seus n\u00fameros frequentemente\u00a0s\u00e3o subestimados. Isso acontece devido \u00e0s\u00a0limita\u00e7\u00f5es dos sat\u00e9lites, que s\u00f3 enxergam\u00a0clareiras a partir de faixas amplas de territ\u00f3rio\u00a0(10 hectares no caso do SAD e 25 hectares no caso do Deter) e podem ter sua vis\u00e3o obstru\u00edda por nuvens. Ver\u00edssimo tamb\u00e9m afirma que casos de falsos positivos detectados costumam representar menos de 10%.<\/p>\n<p><strong>Disparada localizada<\/strong><\/p>\n<p>Os dados de recrudescimento do desmatamentio ilegal, tanto do Deter quanto do Imazon, revelam que o crescimento ocorreu em Estados com intensa atividade agropecu\u00e1ria. Em outubro de 2014, o desmatamento se concentrou principalmente em Rond\u00f4nia (27%) e Mato Grosso (23%); em setembro, em Rond\u00f4nia (33%), Par\u00e1 (23%) e Mato Grosso (18%); e em agosto, em Mato Grosso (33%) e Rond\u00f4nia (30%).<\/p>\n<p>Um estudo coordenado pelo ge\u00f3logo\u00a0Saulo Rodrigues Filho, da Universidade\u00a0de Bras\u00edlia (UnB), sugere que mudan\u00e7as\u00a0de quadros pol\u00edticos tamb\u00e9m costumam\u00a0infl uenciar as altas de desmatamento. A\u00a0pesquisa demonstra que o aumento no\u00a0pre\u00e7o das commodities agr\u00edcolas e as \u00a0grandes obras de infraestrutura, como as\u00a0hidrel\u00e9tricas de Belo Monte, em Altamira\u00a0(PA), e de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, no rio\u00a0Tapaj\u00f3s (PA), e a pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-\u00a0163, de Cuiab\u00e1 (MT) a Santar\u00e9m (PA),\u00a0contribuem para a devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro fator apontado como determinante\u00a0\u00e9 a fl exibiliza\u00e7\u00e3o das puni\u00e7\u00f5es promovida\u00a0pelo novo C\u00f3digo Florestal. No\u00a0passado, desmatamentos anteriores \u00e0 lei\u00a0foram anistiados, refor\u00e7ando a sensa\u00e7\u00e3o\u00a0de impunidade. Ao mesmo tempo, o C\u00f3digo teria criado distor\u00e7\u00f5es que podem prejudicar o produtor rural que cumpre a lei. \u201cEu n\u00e3o desmato nada em minha propriedade, nem o que poderia desmatar por lei\u201d, explica Marcos da Rosa, presidente do Sindicato da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio de Canarana, Mato Grosso. \u201cO C\u00f3digo Florestal tem pontos que criam uma inseguran\u00e7a jur\u00eddica.Amanh\u00e3, eu posso ser acusado de ter seguido algo que era considerado correto.\u201d<\/p>\n<p><strong>Combate<\/strong><\/p>\n<p>Muito se investiu no combate ao desmatamento de 2004 a 2012. Mas, ao que tudo indica, houve relaxamento do controle. \u00c9 preciso retomar com intensidade medidas de prote\u00e7\u00e3o que vinham dando certo e implementar novas.<\/p>\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lites e as autua\u00e7\u00f5es\u00a0do Ibama n\u00e3o d\u00e3o conta do\u00a0problema, embora sejam fundamentais\u00a0para inibir a atividade ilegal. \u201cHoje em\u00a0dia, desmatamento tem nome e sobrenome.\u00a0Quem desmata, o sat\u00e9lite pega\u201d,\u00a0afirma Carlos Xavier, presidente da Federa\u00e7\u00e3o\u00a0da Agricultura e Pecu\u00e1ria do\u00a0Par\u00e1 (Faepa), que reclama da persegui\u00e7\u00e3o\u00a0ambiental \u00e0 atividade rural. \u201cEst\u00e3o\u00a0escandalizando o desmatamento. N\u00e3o \u00e9\u00a0o produtor rural que est\u00e1 desmatando. Isso est\u00e1 acontecendo muito em assentamentos\u00a0do Incra\u201d, diz.<\/p>\n<p>De fato, a intensifica\u00e7\u00e3o da grilagem\u00a0em terras p\u00fablicas \u00e9 um grande problema\u00a0na Amaz\u00f4nia. Houve expans\u00e3o no\u00a0desmatamento em \u00e1reas de assentamentos\u00a0de reforma agr\u00e1ria, assim como\u00a0houve derrubada para amplia\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria\u00a0e da agricultura em Mato Grosso\u00a0e Rond\u00f4nia. Diante das tend\u00eancias, uma\u00a0solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 aumentar o n\u00famero\u00a0de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, que agem\u00a0como uma \u201cvacina contra o desmatamento\u201d,\u00a0sugere Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p>O Estado precisa estar mais presente\u00a0nas regi\u00f5es onde as grandes obras de\u00a0infraestrutura est\u00e3o sendo implantadas.\u00a0Esse tipo de investimento deflagra processos\u00a0migrat\u00f3rios e especula\u00e7\u00e3o com o\u00a0valor da terra. Se n\u00e3o houver presen\u00e7a\u00a0permanente do poder p\u00fablico, por meio\u00a0de todos os seus \u00f3rg\u00e3os oficiais (prefeituras,\u00a0delegacias de pol\u00edcia, etc.), a destrui\u00e7\u00e3o\u00a0da floresta continuar\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es para frear a escalada, \u00e9 preciso ir adiante com medidas de revers\u00e3o dos estragos e lutar para reduzir os \u00edndices de desmatamento a zero. \u00c9 consenso a necessidade de se implementar incentivos econ\u00f4micos para a conserva\u00e7\u00e3o da floresta, j\u00e1 previstos pelo artigo 41 do novo C\u00f3digo Florestal, como tratamento tribut\u00e1rio diferenciado, pagamento por servi\u00e7os ambientais e certifi ca\u00e7\u00e3o e cr\u00e9dito para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sustent\u00e1vel e florestal.<\/p>\n<p>Desde os estudos da d\u00e9cada de 1970\u00a0do professor En\u00e9as Salatti, sobre os \u201crios\u00a0voadores\u201d criados pela evapotranspira\u00e7\u00e3o\u00a0da floresta e a exporta\u00e7\u00e3o de umidade\u00a0da Amaz\u00f4nia para o centro-sul,\u00a0sabe-se que a maior parte da \u00e1gua que\u00a0irriga o celeiro produtivo da Am\u00e9rica\u00a0do Sul procede das fl orestas do Norte.\u00a0Os cientistas temem que o aumento do\u00a0desmatamento induza o clima no continente\u00a0a se tornar consideravelmente\u00a0seco no futuro \u2013 como j\u00e1 estaria acontecendo.\u00a0Por enquanto n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias\u00a0precisas de causa e efeito. \u201cSe os cen\u00e1rios\u00a0catastr\u00f3fi cos se materializar\u00e3o ou n\u00e3o, e\u00a0quanto tempo isso demorar\u00e1, depende\u00a0de muitos fatores dif\u00edceis de se prever,\u00a0entre eles quanto da cobertura vegetal\u00a0original ter\u00e1 sido modifi cada e com qual\u00a0velocidade\u201d, explica Ant\u00f4nio Nobre.<\/p>\n<p>Ou se assume o compromisso de recuperar\u00a0a fl oresta e parar de destru\u00ed-la ou teremos\u00a0de encarar o cen\u00e1rio dos seus efeitos\u00a0no resto do pa\u00eds, cujas proje\u00e7\u00f5es v\u00eam\u00a0sendo defi nidas em relat\u00f3rios cient\u00edficos cada vez mais consistentes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/09\/img-358172-afronta-do-desmatamento.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"718\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/13\/img-358173-afronta-do-desmatamento.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"351\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/13\/img-358174-afronta-do-desmatamento.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"249\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um s\u00fabito aumento no desmatamento\u00a0na Amaz\u00f4nia no fim de\u00a02014, supostamente ocultado\u00a0nos debates eleitorais de 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