{"id":17662,"date":"2015-03-15T13:47:56","date_gmt":"2015-03-15T13:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17662"},"modified":"2015-03-15T13:47:56","modified_gmt":"2015-03-15T13:47:56","slug":"formiga-volta-da-extincao-e-mostra-que-ainda-somos-ignorantes-sobre-muitas-especies-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/formiga-volta-da-extincao-e-mostra-que-ainda-somos-ignorantes-sobre-muitas-especies-brasileiras\/","title":{"rendered":"Formiga volta da extin\u00e7\u00e3o e mostra que ainda somos ignorantes sobre muitas esp\u00e9cies brasileiras"},"content":{"rendered":"<p class=\"capitalize\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17663\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando cientistas, bi\u00f3logos e t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente se reuniram em 2003 para apresentar a lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o do Brasil, eles tinham algumas not\u00edcias ruins. Uma das m\u00e1s not\u00edcias era a certeza de que sete esp\u00e9cies tinham desaparecido para sempre do planeta. Estavam extintas. Entre elas, uma formiga min\u00fascula e pouco conhecida de Ilh\u00e9us, na Bahia. Batizada de <em>Simopelta minima<\/em>, a pequena formiga n\u00e3o era mais vista desde 1989, e o habitat onde fora encontrada tinha sido destru\u00eddo. Era o primeiro caso de uma formiga extinta pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>S\u00f3 que n\u00e3o. Pouco mais de 20 anos depois do \u00faltimo avistamento, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente publicou, no final do ano passado, uma atualiza\u00e7\u00e3o da lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, e a <em>Simopelta <\/em>n\u00e3o constava mais como extinta. Ela passou a ser avaliada como &#8220;Dados Insuficientes&#8221;, a classifica\u00e7\u00e3o para as esp\u00e9cies sobre as quais n\u00e3o temos conhecimento suficiente para dizer se est\u00e3o amea\u00e7adas ou n\u00e3o. O que aconteceu? Seria a primeira esp\u00e9cie a vencer a extin\u00e7\u00e3o? N\u00e3o. Na verdade, \u00e9 um \u00f3timo exemplo de como a ci\u00eancia funciona por meio de tentativa e erro, e como novas informa\u00e7\u00f5es e evid\u00eancias podem mudar o que era considerado como certo.<\/p>\n<p>A <em>Simopelta minima<\/em> \u00e9 uma formiga diferente, a come\u00e7ar pela sua principal caracter\u00edstica: ela \u00e9 &#8220;m\u00ednima&#8221;, como seu pr\u00f3prio nome diz. N\u00e3o passa de 2,5 mil\u00edmetros de comprimento. Seus h\u00e1bitos tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes dos da maioria das formigas. N\u00e3o atacam o a\u00e7\u00facar ou os doces de sua casa. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma predadora, se alimentando de outras esp\u00e9cies de formigas ou cupins. As suas caracter\u00edsticas indicam que se trata de uma formiga subterr\u00e2nea. Ela tem pigmento muito p\u00e1lido, provavelmente porque n\u00e3o precisa se defender do sol, e quase n\u00e3o enxerga, o que indica que vive no escuro.<\/p>\n<p>Todas essas caracter\u00edsticas a tornaram dif\u00edcil de ser encontrada. N\u00e3o por acaso que a sua descri\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia aconteceu apenas em 1989. O pesquisador Jacques Delabie encontrou quatro oper\u00e1rias em uma planta\u00e7\u00e3o de cacau em Ilh\u00e9us, na Bahia, e o professor Carlos Roberto Ferreira Brand\u00e3o identificou que eram de uma esp\u00e9cie n\u00e3o descrita pela ci\u00eancia. Logo, era uma esp\u00e9cie nova. O tempo passou, nenhum novo indiv\u00edduo foi coletado e a planta\u00e7\u00e3o de cacau deu lugar a asfalto, casas e pr\u00e9dios. &#8220;A formiga nunca mais foi encontrada e os pesquisadores julgaram que ela tinha sido extinta&#8221;, diz Rodrigo Feitosa, pesquisador da Universidade Federal do Paran\u00e1 e um dos autores da redescoberta da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A redescoberta da formiguinha aconteceu quase por acaso. Os pesquisadores Fernando Schmidt e Ricardo Ribeiro Solar, da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, em Minas Gerais, estavam testando uma nova armadilha para capturar insetos subterr\u00e2neos. Uma armadilha \u00e9 um mecanismo muito simples. Parece um copo de pl\u00e1stico com um l\u00edquido dentro, geralmente \u00e1gua e detergente, que preserva os corpos. As formigas andam e caem nesses copos, e s\u00e3o ent\u00e3o coletadas pelos pesquisadores. Mas essa armadilha s\u00f3 funciona para capturar formigas de superf\u00edcie. Para as do subterr\u00e2neo, eles usaram uma nova t\u00e9cnica. Um &#8220;copo tampado&#8221; com aberturas nas laterais por onde as formigas entram e caem no l\u00edquido preservante. Com essa t\u00e9cnica, capturaram v\u00e1rios ind\u00edviduos, que foram enviados a Feitosa para reconhecimento. Foi ali que ele identificou 11 oper\u00e1rias da <em>Simopelta minima<\/em>.<\/p>\n<p>Entre Ilh\u00e9us, o local da primeira identifica\u00e7\u00e3o, e Vi\u00e7osa, o da redescoberta, h\u00e1 mais de mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Como uma formiguinha min\u00fascula, e que se acreditava extinta, foi parar t\u00e3o longe? A resposta \u00e9 que ela pode n\u00e3o ser t\u00e3o incomum quanto os cientistas acreditaram. &#8220;O mais prov\u00e1vel \u00e9 que ela n\u00e3o seja rara nem esteja amea\u00e7ada. A gente \u00e9 que n\u00e3o sabia como encontr\u00e1-la. Foi s\u00f3 melhorar nossas armadilhas que as encontramos&#8221;, diz Feitosa. Para o pesquisador, \u00e9 bem prov\u00e1vel que, no subterr\u00e2neo entre a Bahia e Minas Gerais, haja uma enorme quantidade de formigas da esp\u00e9cie, e de possivelmente muitas outras esp\u00e9cies as quais ainda ignoramos.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o inicial da <em>Simopelta minima<\/em> estava errada, mas isso n\u00e3o \u00e9 motivo de condena\u00e7\u00e3o. Faz parte do processo cient\u00edfico: quando novas informa\u00e7\u00f5es surgem, os pesquisadores reavaliam suas hip\u00f3teses e teorias. O caso da nossa formiga \u00e9 exemplar. Os cientistas escreveram um artigo cient\u00edfico alertando para os riscos de determinar que uma esp\u00e9cie \u00e9 rara sem conhecer completamente sua biologia. O artigo foi um dos materiais de apoio usados pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para atualizar a lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, publicada em dezembro do ano passado. O resultado \u00e9 que a hist\u00f3ria da formiguinha que n\u00e3o est\u00e1 mais extinta &#8211; junto com outros estudos e pesquisas de outras esp\u00e9cies &#8211; melhorou a nossa capacidade de avaliar as amea\u00e7as \u00e0 nossa fauna e flora. &#8220;Hoje, a lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas \u00e9 muito mais coerente e consistente, com uma base cient\u00edfica muito mais s\u00f3lida do que antes&#8221;, diz Feitosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando cientistas, bi\u00f3logos e t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente se reuniram em 2003 para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17663,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/formiga_volta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando cientistas, bi\u00f3logos e t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente se reuniram em 2003 para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17662"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17662\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}