{"id":17430,"date":"2015-03-11T11:05:30","date_gmt":"2015-03-11T11:05:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17430"},"modified":"2015-03-11T11:05:30","modified_gmt":"2015-03-11T11:05:30","slug":"boi-japones-da-a-carne-mais-saborosa-e-tambem-mais-cara-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/boi-japones-da-a-carne-mais-saborosa-e-tambem-mais-cara-do-mundo\/","title":{"rendered":"Boi japon\u00eas d\u00e1 a carne mais saborosa e tamb\u00e9m mais cara do mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17435\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O boi japon\u00eas wagyu \u00e9 um animal que produz uma carne muito saborosa, e que tamb\u00e9m \u00e9 a mais cara do mundo. Em Mato Grosso do Sul, uma experi\u00eancia de cruzamento entre o wagyu e o nelore, est\u00e1 em andamento e pode melhorar a qualidade da nossa carne.<\/p>\n<p>A ra\u00e7a wagyu\u00a0 foi introduzida no Brasil h\u00e1 23 anos pela empresa japonesa Yakult. Hoje a fazenda deles, na cidade de Bragan\u00e7a Paulista, perto de S\u00e3o Paulo, tem o maior rebanho do pa\u00eds. S\u00e3o 500 animais puros. Embora exista tamb\u00e9m wagyu de pelagem avermelhada, na fazenda predomina a linhagem escura, chamada black wagyu.<\/p>\n<p>Esse boi japon\u00eas, na verdade \u00e9 um taurino de origem europeia, introduzido no Jap\u00e3o para puxar arado nas lavouras de arroz.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico veterin\u00e1rio Rog\u00e9rio Uenishi, diz que a principal fun\u00e7\u00e3o da fazenda \u00e9\u00a0 fornecer animais e material gen\u00e9tico para desenvolver a ra\u00e7a wagyu no Brasil.<\/p>\n<p>O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o nessa ra\u00e7a \u00e9 uma caracter\u00edstica gen\u00e9tica. O wagyu produz carne marmorizada, isto \u00e9, com veios de gordura entremeados em suas fibras, imitando uma pedra de m\u00e1rmore, o que confere maciez e sabor especial \u00e0 carne.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a fica evidente ao comparar um corte de contra file da ra\u00e7a wagyu, com o contra file da ra\u00e7a nelore. (veja no v\u00eddeo acima). Ao levar a carne para a brasa de uma churrasqueira, a gordura se derrete sem fundir as fibras da carne, por isso ela fica suculenta e muito macia. \u201cUma diferen\u00e7a grande que tem da gordura do wagyu, comparada \u00e0 outra ra\u00e7a \u00e9 que o wagyu \u00e9 mais rico em \u00e1cido graxo insaturado, o bom colesterol. Mas l\u00f3gico, que se voc\u00ea exagerar em comer a carne do wagyu, porque \u00e9 mais saborosa, deve tomar cuidado, como com qualquer exagero\u201d, explica Rog\u00e9rio Uenishi, veterin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nas boutiques de carne do Brasil o contra fil\u00e9 de wagyu \u00e9 vendido a R$ 300 o quilo, 12 vezes mais que o contra fil\u00e9 comum vendido no a\u00e7ougue. No Jap\u00e3o essa carne \u00e9 conhecida pelo nome de kobe beef. Uma coqueluche da culin\u00e1ria internacional. \u00c9 o bife mais saboroso e mais caro do mundo. Pode custar o equivalente a R$ 2.500 o quilo, por isso os criadores japoneses se esmeram no manejo e na alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>L\u00e1 os animais s\u00e3o massageados, borrifados com saqu\u00ea e ganham at\u00e9 uma cervejinha de brinde. Eles acreditam que a massagem e o \u00e1lccol funcionam como uma drenagem linf\u00e1tica favorecendo a marmoriza\u00e7\u00e3o da carne.<\/p>\n<p>No Brasil, os animais da ra\u00e7a wagyu recebem uma alimenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa quanto \u00e0 do Jap\u00e3o. Silagem de milho, concentrado e feno. \u201cNo Brasil n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de massagear, dar cerveja, nem borrifar com saqu\u00ea os animais. A cerveja fica para os pe\u00f5es que cuidam dos animais\u201d, brinca Uenishi.<\/p>\n<p>Hoje a fazenda abate seis animais por m\u00eas e vende a R$ 480 a arroba, tr\u00eas vezes mais que o valor pago para animais de outras ra\u00e7as. Mas para chegar ao peso de abate, cerca de 700 quilos com o marmoreio ideal, eles precisam manter os animais 18 meses em confinamento, com muita comida balanceada \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na fazenda Araci, no munic\u00edpio de Rio Brilhante, a cerca de 200 quil\u00f4metros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O produtor Alair Fernandes cria gado nelore e come\u00e7ou a formar seu rebanho wagyu h\u00e1 oito anos. Hoje tem quase 400 animais puros. Este ano, finalmente, vai poder vender seu primeiro lote para o abate. S\u00e3o 16 machos castrados de 37 meses, que passaram 25 meses no confinamento para atingir m\u00e9dia de 700 quilos cada um. \u201cN\u00f3s buscamos um mercado de carne premium. Tudo tem sido um aprendizado. Mas a gente percebe que na \u00e9poca da desmama \u00e9 importante ter um bom manejo\u201d, avalia Fernandes.<\/p>\n<p>O wagyu ainda est\u00e1 em fase de adapta\u00e7\u00e3o ao clima de Mato Grosso do Sul. A pele escura, por exemplo, \u00e9 um problema, porque atrai moscas e carrapatos.<\/p>\n<p>Para diminuir os custos da engorda e criar um animal mais adaptado ao clima, a fazenda Nova Vista Alegre, no munic\u00edpio de Terenos, tamb\u00e9m no MS, est\u00e1 fazendo uma experi\u00eancia de cruzamento de wagyu com a ra\u00e7a nelore.<\/p>\n<p>No in\u00edcio eles usaram s\u00eamen de touros wagyu nas vacas nelore. Hoje usam a monta natural. O trabalho come\u00e7ou h\u00e1 10 anos por iniciativa do Toshio Hisaeda. Ele batizou os animais, fruto do cruzamento de wagyu com nelore de Walore. Os animais nascem com a pelagem escura natural da ra\u00e7a wagyu e por enquanto se mostram muito bem adaptados ao clima quente de Mato Grosso do Sul. A fazenda j\u00e1 tem mais de cinco mil animais. Das cinco mil cabe\u00e7as metade \u00e9 meio-sangue, o restante \u00e9 tr\u00eas quartos ou sete oitavos.<\/p>\n<p>\u201cComo eu estou usando aqui s\u00f3 o pasto, o custo n\u00e3o encarece tanto quanto no Jap\u00e3o. Ent\u00e3o n\u00e3o tem aquele marmoreio, mas quanto ao sabor, eu acho que ser\u00e1 mais gostoso. Ent\u00e3o eu acredito que tem mercado sim\u201d, explica Hisaeda.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico veterin\u00e1rio Lucio Casa Nova diz que j\u00e1 d\u00e1 para notar que os animais cruzados s\u00e3o mais resistentes ao clima da regi\u00e3o. \u201cA gente busca no cruzamento com o nelore, aprimorar mais a rusticidade, com a qualidade e sabor da carne\u201d, diz.<\/p>\n<p>A fazenda j\u00e1 est\u00e1 abatendo alguns animais cruzados para testar o gosto do consumidor de Campo Grande. A carne do Walore engordado a pasto n\u00e3o apresenta o mesmo teor de marmoriza\u00e7\u00e3o do wagyu puro, mas comparada com a do nelore, ela ainda leva vantagem, porque tem mais gordura entremeada \u00e0s fibras, \u00e9 mais macia e saborosa.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do zootecnista Luis Octavio Campos da Silva, da Embrapa Gado de Corte, que acompanha o trabalho do Toshio, ainda n\u00e3o d\u00e1 para saber em que tipo de animal a fazenda deve apostar para unir rusticidade, ganho de peso com maciez e sabor da carne.<\/p>\n<p>\u201cEssa regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito favor\u00e1vel a ele, mas est\u00e1 se desenvolvendo aqui uma proposta de wagyu adaptado de cruzamentos com o nelore e n\u00f3s vamos come\u00e7ar a medir qual \u00e9 o desempenho destes v\u00e1rios graus de sangue de wagyu que vem se comportando e qual \u00e9 o tipo e vantagem de um ou de outro. S\u00e3o varias as possibilidades que essa ra\u00e7a tem de contribuir para a produ\u00e7\u00e3o de carne no Brasil, aumentando sua qualidade\u201d, declara.<\/p>\n<p>Hoje existem cerca de 50 criadores de wagyu no Brasil. O rebanho total \u00e9 de cinco mil animais. A oferta \u00e9 pequena e o mercado para uma carne t\u00e3o cara ainda \u00e9 restrito. Outro problema \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o, imposta pelo governo japon\u00eas, para a sa\u00edda do pa\u00eds de animais e material gen\u00e9tico da ra\u00e7a wagyu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O boi japon\u00eas wagyu \u00e9 um animal que produz uma carne muito saborosa, e que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17435,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/boi_japones.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O boi japon\u00eas wagyu \u00e9 um animal que produz uma carne muito saborosa, e que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}