{"id":1723,"date":"2014-06-21T17:16:32","date_gmt":"2014-06-21T17:16:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1723"},"modified":"2014-06-21T17:20:10","modified_gmt":"2014-06-21T17:20:10","slug":"se-for-exotica-atire-primeiro-e-pergunte-depois-diz-simberloff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/se-for-exotica-atire-primeiro-e-pergunte-depois-diz-simberloff\/","title":{"rendered":"Se for ex\u00f3tica \u201catire primeiro e pergunte depois\u201d, diz Simberloff"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/jun2014\/bio-22.jpg\" alt=\"\" width=\"632\" height=\"430\" \/><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/eeb.bio.utk.edu\/peopletwo\/daniel-simberloff\/\" target=\"_blank\">Daniel Simberloff<\/a> \u00e9 professor de Ci\u00eancias Ambientais da Universidade do Tennessee. Depois de completar seu doutorado na Universidade de Harvard sob a orienta\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edward_Osborne_Wilson\" target=\"_blank\">Edward Wilson<\/a>, Simberloff se tornou um dos mais importantes e conhecidos ec\u00f3logos do mundo ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Ao longo de sua trajet\u00f3ria, ele esteve envolvido em diversas discuss\u00f5es a respeito de teorias ecol\u00f3gicas, muitas delas com amplas consequ\u00eancias para a conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Recentemente, ele esteve no Brasil como palestrante convidado na <a href=\"http:\/\/biosemana.wix.com\/biosemanaufrj2014\" target=\"_blank\">XVIII Semana da Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/a>, e concordou em dar uma entrevista para ((o))eco.<\/p>\n<p><strong>Fernando Fernandez<\/strong>: \u00c9 um prazer falar com voc\u00ea pelo ((o))eco, professor Daniel Simberloff. Voc\u00ea tem tido uma longa carreira e esteve envolvido em alguma das mais importantes pol\u00eamicas da ecologia, muitas delas com implica\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade em geral. Ent\u00e3o, gostar\u00edamos de fazer perguntas sobre alguns desses temas seguindo uma ordem cronol\u00f3gica. Em seu doutorado voc\u00ea testou a teoria de biogeografia de ilhas, de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Robert_MacArthur\" target=\"_blank\">Robert MacArthur<\/a> e Wilson. Essa teoria foi apontada por muitas pessoas como uma base importante para o planejamento e design de reservas naturais. O que voc\u00ea pensa sobre o uso dessa teoria hoje em dia?<\/p>\n<p><strong>Daniel Simberloff<\/strong>: Eu era entusi\u00e1stico a respeito da teoria enquanto descri\u00e7\u00e3o de partes da natureza, mas nunca por suas implica\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o. Quando saiu uma s\u00e9rie de artigos em 1975, todos advogando o design de reservas baseado na <a href=\"http:\/\/ucbweb2.castelobranco.br\/webcaf\/arquivos\/12787\/4787\/Biogegrafia_de_ILhas.pdf\" target=\"_blank\">teoria de biogeografia de ilhas<\/a>, eu fiquei pouco convencido porque essas ideias n\u00e3o se apoiavam na teoria, al\u00e9m da hist\u00f3ria de que grandes reservas seriam melhores que reservas pequenas. A respeito de sua relev\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o, essa teoria nunca foi realmente um bom modelo para o design de reservas, mas chamou a aten\u00e7\u00e3o para for\u00e7as que podem amea\u00e7ar pequenas popula\u00e7\u00f5es, se elas forem realmente pequenas. Uma dessas for\u00e7as foi a aleatoriedade demogr\u00e1fica, ideia advinda de modelos do livro original de 1967, e isso n\u00e3o foi bem reconhecido por bi\u00f3logos da conserva\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m chamou alguma aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o mais geral das for\u00e7as que amea\u00e7am pequenas popula\u00e7\u00f5es, incluindo for\u00e7as gen\u00e9ticas, o que foi um desdobramento saud\u00e1vel da teoria, fazendo as pessoas pensarem em amea\u00e7as a pequenas popula\u00e7\u00f5es em geral. No entanto, a maioria das amea\u00e7as reais \u00e0 biodiversidade n\u00e3o vem da exist\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es pequenas, mas sim de popula\u00e7\u00f5es em decl\u00ednio. Um trabalho muito importante publicado por <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Graeme_James_Caughley\" target=\"_blank\">Graeme Caughley<\/a>, por volta de 1990 se n\u00e3o me engano [em 1994], diferencia dois paradigmas: o paradigma das popula\u00e7\u00f5es pequenas e o paradigma das popula\u00e7\u00f5es em decl\u00ednio. Ele atribuiu a ideia a mim, e ainda que a ideia n\u00e3o tenha sido minha, ele percebeu bem minha vis\u00e3o de que o paradigma das pequenas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante. A vis\u00e3o de Caughley era de que \u00e9 poss\u00edvel associar cada esp\u00e9cie amea\u00e7ada a algo espec\u00edfico que os seres humanos tenham feito para amea\u00e7\u00e1-la, e n\u00e3o apenas ao fato da popula\u00e7\u00e3o ser pequena. Podemos apontar pequenas popula\u00e7\u00f5es que tem sido pequenas por mil\u00eanios, porque elas habitam apenas pequenas ilhas, e elas est\u00e3o bem. Eu acredito que a teoria tenha feito que as pessoas pensassem a respeito de certas quest\u00f5es, o que foi muito importante, mas sua relev\u00e2ncia direta para a conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Eu acredito que, talvez, uma das ideias mais \u00fateis por detr\u00e1s da teoria seja a rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies-\u00e1rea, que j\u00e1 era bem conhecida antes da biogeografia de ilhas. De qualquer forma \u00e9 um padr\u00e3o, sobre o qual se pode tomar decis\u00f5es sobre a conserva\u00e7\u00e3o independente do mecanismo que o gera.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Claro, independente do mecanismo.<\/p>\n<table style=\"width: 300px;\" cellspacing=\"10\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #339966; font-size: 16pt;\">&#8220;Quando existe apenas uma popula\u00e7\u00e3o em um lugar pequeno, isso significa o fim da esp\u00e9cie.&#8221;<\/span><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>FF<\/strong>: Voltando \u00e0 quest\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es pequenas e sobre o artigo de Caughley: Voc\u00ea escreveu o artigo <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-642-70831-2_14%20\" target=\"_blank\">\u201cThe Proximate Causes of Extinction\u201d<\/a> (algo como \u201cAs causas imediatas da extin\u00e7\u00e3o\u201d) em 1986 no qual, pelo que entendo, voc\u00ea diz que os fatores ecol\u00f3gicos respons\u00e1veis por fazer uma esp\u00e9cie comum se tornar rara s\u00e3o muitas vezes diferentes dos fatores respons\u00e1veis por matar os \u00faltimos indiv\u00edduos da mesma.<\/p>\n<p><strong>DS:<\/strong> Acredito que a quest\u00e3o chave n\u00e3o seja exatamente que os fatores levem as popula\u00e7\u00f5es a se tornar pequenas, e sim que eles levem as popula\u00e7\u00f5es a estarem em lugares pequenos, tornando-as vulner\u00e1veis a algo que possa devastar esse lugar, como tempestades, inc\u00eandios e doen\u00e7as. Quando existe apenas uma popula\u00e7\u00e3o em um lugar pequeno, isso significa o fim da esp\u00e9cie. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto uma quest\u00e3o do tamanho da popula\u00e7\u00e3o e sim de sua restri\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Se a esp\u00e9cie n\u00e3o fosse t\u00e3o comum, mas distribu\u00edda em v\u00e1rias \u00e1reas, a situa\u00e7\u00e3o seria diferente. Um exemplo disso que vem imediatamente \u00e0 mente \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o entre o papagaio de Porto Rico e o pica-pau da crista vermelha. Ambas s\u00e3o esp\u00e9cies altamente amea\u00e7adas e o papagaio quase foi extinto quando um furac\u00e3o devastou a <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/El_Yunque_National_Forest\" target=\"_blank\">floresta de Luquillo<\/a>, que era o \u00fanico lugar onde eles mantinham uma popula\u00e7\u00e3o. Felizmente, alguns deles sobreviveram. Esse mesmo furac\u00e3o, <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hurricane_Hugo\" target=\"_blank\">o Hugo<\/a>, devastou tamb\u00e9m duas das popula\u00e7\u00f5es do pica-pau nos Estados Unidos, mas havia ainda quatro outras popula\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, isso n\u00e3o foi realmente um problema. As popula\u00e7\u00f5es atingidas declinaram, uma provavelmente se extinguiu, mas a esp\u00e9cie como um todo estava bem. Se houvessem apenas duas popula\u00e7\u00f5es e elas tivessem sido atingidas pelo furac\u00e3o, a hist\u00f3ria seria outra. Ent\u00e3o, \u00e9 claro, destrui\u00e7\u00e3o de habitat e qualquer outra coisa que restrinja a distribui\u00e7\u00e3o e reduza o tamanho populacional, processos que est\u00e3o normalmente correlacionados, torna a situa\u00e7\u00e3o pior para a popula\u00e7\u00e3o. Mas eu acredito que a quest\u00e3o chave seja a distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Voc\u00ea n\u00e3o acredita que os n\u00fameros, por eles mesmos, podem ser importantes?<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Apenas em popula\u00e7\u00f5es muito pequenas, como dez ou quinze indiv\u00edduos. Se voc\u00ea observa os c\u00e1lculos acerca da fixa\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o sexual [todos os bichos serem do mesmo sexo], quando voc\u00ea tem mais que dez ou quinze indiv\u00edduos essa probabilidade s\u00e3o nulas. Ent\u00e3o eu acho que sim, se houverem cinco indiv\u00edduos isso \u00e9 um problema, mas com um n\u00famero um pouco maior a probabilidade de sobreviv\u00eancia j\u00e1 aumenta bastante.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: O que voc\u00ea acha a respeito da gen\u00e9tica? Voc\u00ea acredita que os n\u00fameros por si pr\u00f3prios seriam um problema importante para popula\u00e7\u00f5es pequenas por causa da baixa variabilidade gen\u00e9tica?<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: As duas quest\u00f5es aqui s\u00e3o a depress\u00e3o endog\u00e2mica de um lado e a deriva g\u00eanica de outro. E n\u00e3o existem d\u00favidas de que sob certas circunst\u00e2ncias problemas gen\u00e9ticos j\u00e1 eliminaram popula\u00e7\u00f5es muito pequenas. Mas por outro lado, a sobreviv\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o a tal efeito gargalo significa que os genes que causariam a depress\u00e3o endog\u00e2mica foram eliminados, e isso deixa de ser um problema. O problema ent\u00e3o se torna a deriva, e se existe uma variedade gen\u00e9tica insuficiente para lidar com mudan\u00e7as ambientais. Mas n\u00e3o acho que isso seja um problema t\u00e3o grande quanto a maioria das pessoas dizem. Em primeiro lugar, ainda existe recombina\u00e7\u00e3o e sempre existe alguma varia\u00e7\u00e3o, e \u00e9 dif\u00edcil apontar casos que em curto prazo, de um ou dois s\u00e9culos, em que foi a incapacidade de evoluir que causou a extin\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o. Pessoas tentam apontar casos onde doen\u00e7as devastaram popula\u00e7\u00f5es com baixa diversidade gen\u00e9tica, e argumentam que popula\u00e7\u00f5es com uma maior diversidade gen\u00e9tica tem mais chance\u00a0 de possuir indiv\u00edduos com gen\u00f3tipos resistentes. Existem casos como esse, mas eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma popula\u00e7\u00e3o que tenha sido eliminada por conta disso ainda. Evidentemente n\u00e3o \u00e9 bom ter baixa diversidade gen\u00e9tica, mas em termos de sua real import\u00e2ncia como risco de extin\u00e7\u00e3o, acredito que ela seja bem menos importante que fatores ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<table style=\"width: 300px;\" cellspacing=\"10\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #339966; font-size: 16pt;\">&#8220;Evidentemente n\u00e3o \u00e9 bom ter baixa diversidade gen\u00e9tica, mas em termos de sua real import\u00e2ncia como risco de extin\u00e7\u00e3o, acredito que ela seja bem menos importante que fatores ecol\u00f3gicos.&#8221;<\/span><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>FF<\/strong>: Outra coisa que eu estava curioso para te perguntar \u00e9 a respeito da <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SLOSS_debate%20\" target=\"_blank\">pol\u00eamica do SLOSS<\/a> [single large or several small \u2013 uma \u00fanica reserva grande versus v\u00e1rias pequenas]. Voc\u00ea tamb\u00e9m esteve envolvido nela.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: \u00d3 Deus, voc\u00ea realmente enfatiza as pol\u00eamicas. (Risos)<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Sim, mas essa \u00e9 uma muito interessante. Porque acredito que voc\u00ea defendeu o argumento de que reservas pequenas tamb\u00e9m podem ser importantes. Baseadas na rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies-\u00e1rea, as pessoas tendem a pensar que apenas reservas grandes s\u00e3o importantes. Eu acredito que em alguns casos isso pode ser at\u00e9 perigoso, porque algu\u00e9m pode dizer que se uma \u00e1rea \u00e9 pequena ela n\u00e3o tem utilidade como \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: \u00c9 exatamente por isso que eu me envolvi nesse debate. Uma raz\u00e3o pela qual eu escrevi sobre o assunto \u00e9 que eu encontrei um caso em Israel onde os militares citavam a teoria de biogeografia de ilhas e os artigos de 1975 para dizer \u00e0s autoridades que reservas pequenas n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis, e que eles queriam us\u00e1-las para outros fins. Entretanto, a maioria das reservas do pa\u00eds \u00e9 pequena e se se situa pr\u00f3xima a corpos d\u2019\u00e1gua, e mesmo assim essas \u00e1reas possuem biodiversidade e esp\u00e9cies end\u00eamicas apenas \u00e0quela parte do Oriente M\u00e9dio. Essas autoridades come\u00e7aram a vir at\u00e9 mim, que por acaso estava em Israel em 1978 por dois meses, e perguntar o que poder\u00edamos fazer a respeito disso. E isso foi o que me fez perceber que \u00e9 perigoso agir como se pequenas reservas fossem automaticamente invi\u00e1veis, porque elas podem ser vi\u00e1veis. Aquelas reservas estavam funcionando perfeitamente bem e ainda est\u00e3o, porque os militares n\u00e3o foram capazes de remov\u00ea-las e elas ainda existem com as mesmas esp\u00e9cies presentes nos anos 70. Eu diria que o artigo de Caughley, coloca o mesmo argumento. N\u00e3o \u00e9 importante que uma popula\u00e7\u00e3o ou reserva sejam pequenas, e sim que sejam bem protegidas e seus ambientes n\u00e3o estejam devastados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/jun2014\/bio-26.jpg\" alt=\"\" width=\"644\" height=\"429\" \/><\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Um argumento que tem sido utilizado por pessoas que defendem a maior import\u00e2ncia de reservas muito grandes, como <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/John_Terborgh\" target=\"_blank\">Terborgh<\/a> e <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carlos_A._Peres\" target=\"_blank\">Carlos Peres<\/a>, \u00e9 que apenas grandes reservas podem preservar comunidades completas, incluindo predadores de topo e tudo mais.<\/p>\n<table style=\"width: 300px;\" cellspacing=\"10\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #339966; font-size: 16pt;\">&#8220;Grandes reservas s\u00e3o \u00f3timas. Meu argumento \u00e9 que frequentemente um conjunto de pequenas reservas vai ter tanta biodiversidade quanto, ou at\u00e9 mais biodiversidade, que uma reserva grande.&#8221;<\/span><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>DS<\/strong>: Isso \u00e9 provavelmente verdade em alguns casos. Eu n\u00e3o duvidaria. Grandes reservas s\u00e3o \u00f3timas. Meu argumento \u00e9 que frequentemente um conjunto de pequenas reservas vai ter tanta biodiversidade quanto, ou at\u00e9 mais biodiversidade, que uma reserva grande. A ideia de que existe um efeito esp\u00e9cies-\u00e1rea n\u00e3o significa que reservas pequenas s\u00e3o automaticamente invi\u00e1veis. Mas \u00e9 claro que para esp\u00e9cies como grandes carn\u00edvoros existe um limite de qu\u00e3o pequena uma reserva pode ser para abrig\u00e1-los e conserv\u00e1-los. O argumento \u00e9 v\u00e1lido, mas \u00e9 apenas um entre muitos que devem ser considerados quando se tenta decidir qual o sistema de reservas ideal para se p\u00f4r em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Talvez a mensagem que deva ser levada para casa pelas pessoas das institui\u00e7\u00f5es que trabalham com reservas no Brasil, por exemplo, \u00e9 que grandes reservas s\u00e3o de fato importantes, mas que n\u00e3o existe motivo para n\u00e3o se reconhecer o valor e a necessidade de pequenas reservas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Esse \u00e9 exatamente o meu ponto.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Bernardo, voc\u00ea gostaria de fazer uma pergunta sobre rewilding?<\/p>\n<p><strong>Bernardo Araujo<\/strong>: Sim, sim. Eu acredito que j\u00e1 saiba qual vai ser a resposta, mas&#8230;<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: (Risos) Voc\u00ea pode fazer sua pergunta e respond\u00ea-la ent\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>BA<\/strong>: (Risos) Voc\u00ea falou mais cedo em sua palestra a respeito dos perigos da introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. Ent\u00e3o o que voc\u00ea pensa a respeito das propostas de resselvajamento do Pleistoceno [Pleistocene Rewilding] que tem sido feitas nos \u00faltimos anos?<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Ah, sim! E qual voc\u00ea acha que ser\u00e1 minha resposta?<\/p>\n<p><strong>BA<\/strong>: Que voc\u00ea n\u00e3o gosta nem um pouco delas.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Voc\u00ea est\u00e1 certo. Eu n\u00e3o gosto delas por v\u00e1rios motivos, mas o principal \u00e9 que toda evid\u00eancia sobre <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies invasoras<\/a> nos mostra que existem todo o tipo de consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais. Inclusive, por vezes, na reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que s\u00e3o nativas, dependendo de h\u00e1 quanto tempo elas estiveram ausentes e de como a comunidade que persistiu se adaptou \u00e0 sua aus\u00eancia.\u00a0 O resselvajamento envolve a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies an\u00e1logas \u00e0s que n\u00e3o existem mais. \u00c9 claro que isso \u00e9 uma ideia inspiradora. Como algu\u00e9m poderia n\u00e3o se entusiasmar com a ideia dessas grandes regi\u00f5es sendo repovoadas por algo como sua fauna completa de organismos? Mas isso seria extremamente caro e pass\u00edvel de consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais de introdu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o funcionariam, fazendo com que as esp\u00e9cies introduzidas desaparecessem e afetando esp\u00e9cies nativas de formas danosas e imprevis\u00edveis. Eu n\u00e3o gosto da ideia.<\/p>\n<p><strong>BA<\/strong>: Eu concordo com voc\u00ea nesse ponto, e creio que o Fernando tamb\u00e9m concorde.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Sim, sim.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: E outra coisa. \u00c9 muito excitante pensar em poder ver um mamute lanoso. Mas se pud\u00e9ssemos t\u00ea-lo, o que far\u00edamos com ele? Onde o colocar\u00edamos? Eu acredito que existam algumas esp\u00e9cies que, se consegu\u00edssemos reconstruir, ent\u00e3o poder\u00edamos salvar, como a pomba migrat\u00f3ria ou o periquito da Calif\u00f3rnia. Se conseguissem reconstituir o lobo-da-Tasm\u00e2nia, ou tilacino, estar\u00edamos mais conscientes agora, e ainda existe habitat suficiente na Tasm\u00e2nia para acomod\u00e1-lo. Mas para a maior parte dos animais extintos isso seria muito, muito caro, e o melhor lugar onde eles poderiam ser postos \u00e9 um zool\u00f3gico. Ent\u00e3o, a ideia n\u00e3o me anima. Existem entusiastas do resselvajamento no Brasil?<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Sim. Ele j\u00e1 foi proposto para o Pantanal brasileiro pelo bi\u00f3logo da conserva\u00e7\u00e3o brasileiro <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4797124T2\" target=\"_blank\">Mauro Galetti<\/a>. Tamb\u00e9m j\u00e1 houve um projeto privado gigantesco no Tocantins, se me lembro bem, envolvendo uma \u00e1rea de dezenas de milhares de hectares onde pretendia-se <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/26516-qjurassic-parkq-do-jalapao-tera-rinocerontes-e-leoes\" target=\"_blank\">liberar uma grande variedade de grandes animais africanos<\/a>.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Wow. Isso \u00e9 um exemplo de resselvajamento de verdade com todo tipo de consequ\u00eancias horr\u00edveis.\u00a0 Imagine o n\u00famero de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Agente_patog%C3%A9nico\" target=\"_blank\">pat\u00f3genos<\/a> que eles poderiam acabar trazendo, por exemplo. Mesmo com os melhores m\u00e9todos sanit\u00e1rios eles provavelmente j\u00e1 causariam problemas apenas devido a isso. Al\u00e9m de impactos a esp\u00e9cies nativas atrav\u00e9s de diversos outros meios. N\u00e3o existem leis no Brasil que impediriam isso?<\/p>\n<p><strong>BA<\/strong>: Sim, acredito que esse projeto tenha sido cancelado.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: A outra coisa que gostaria de perguntar \u00e9 a respeito de sua palestra de hoje, porque voc\u00ea falou sobre as quest\u00f5es sobre invas\u00f5es biol\u00f3gicas. Eu acredito que aqui no Brasil a vis\u00e3o estabelecida \u00e9 que <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies invasoras<\/a> devem ser controladas porque trazem diversos problemas s\u00e9rios para a conserva\u00e7\u00e3o. Dessa forma, a pol\u00edtica em reservas do Brasil tem sido sempre controlar <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies ex\u00f3ticas<\/a> a qualquer custo. Mas agora algumas pessoas est\u00e3o trazendo uma nova vis\u00e3o de que em muitos casos <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies ex\u00f3ticas<\/a> podem ter efeitos ben\u00e9ficos para a conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Como o porco monteiro no Pantanal?<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Sim, exato, e muitos outros. Um exemplo na Austr\u00e1lia \u00e9 o <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Dingo\" target=\"_blank\">dingo<\/a>, que supostamente controla a popula\u00e7\u00e3o de predadores ex\u00f3ticos menores como raposas e gatos, beneficiando os marsupiais e os pequenos roedores.<\/p>\n<p><strong>DS:<\/strong> O dingo est\u00e1 na Austr\u00e1lia h\u00e1 mais de quatro mil anos. Ele \u00e9 uma quest\u00e3o diferente. O <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Dasyurus\" target=\"_blank\">quoll<\/a> [marsupial nativo] aparentemente se adaptou bem \u00e0 sua presen\u00e7a. A introdu\u00e7\u00e3o do dingo \u00e9 muito antiga. O porco monteiro aqui \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o muito mais recente.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Sim, cerca de cento e cinquenta anos.<\/p>\n<table style=\"width: 300px;\" cellspacing=\"10\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #339966; font-size: 16pt;\">&#8221; Eu tenho uma palestra sobre isso, onde abordo todos esses exemplos de invas\u00f5es que supostamente ajudam a conserva\u00e7\u00e3o, caso a caso, e mostro que cada um deles possui desvantagens al\u00e9m das vantagens previamente apontadas, e algumas delas s\u00e3o desvantagens tremendas.&#8221;<\/span><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>DS<\/strong>: Eu li os artigos que dizem que ele protege o cateto e o queixada porque as pessoas preferem ca\u00e7\u00e1-lo, mas ainda n\u00e3o vi nenhum dado real acerca de impactos populacionais nessas duas esp\u00e9cies de porcos nativos. Primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio que haja alguma ci\u00eancia de verdade aqui. Em segundo lugar, existem tantas coisas que o porco monteiro faz: eles arrancam ra\u00edzes, e atacam esp\u00e9cies que possuem ra\u00edzes carnosas e tub\u00e9rculos, frequentemente eliminando-as localmente; eles misturam camadas org\u00e2nicas e minerais no solo alterando a sucess\u00e3o de plantas; eles comem fungos, e podem espalhar <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Micorriza\" target=\"_blank\">fungos micorr\u00edzicos<\/a> que podem ser \u00fateis para plantas invasivas como fazem na regi\u00e3o patag\u00f4nica dos Andes; e eles comem tudo, desde ovos de p\u00e1ssaros que nidificam no ch\u00e3o at\u00e9 anf\u00edbios, eles s\u00e3o on\u00edvoros. Ent\u00e3o, algu\u00e9m teria que estudar esse caso com muito cuidado e olhar para todos os variados impactos no pantanal para dizer que os porcos monteiros de fato auxiliam na conserva\u00e7\u00e3o. E eu diria que isso \u00e9 verdade para qualquer um desses exemplos de <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies invasoras<\/a> que ajudam na conserva\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o diria que n\u00e3o existe nenhuma, mas \u00e9 f\u00e1cil demais olhar para apenas um efeito e dizer \u201colhe, isso \u00e9 bom\u201d. Eu tenho uma palestra sobre isso, onde abordo todos esses exemplos de invas\u00f5es que supostamente ajudam a conserva\u00e7\u00e3o, caso a caso, e mostro que cada um deles possui desvantagens al\u00e9m das vantagens previamente apontadas, e algumas delas s\u00e3o desvantagens tremendas. Ent\u00e3o, talvez pud\u00e9ssemos dizer a mesma coisa a respeito do porco monteiro no Pantanal. Dizem que ele est\u00e1 ajudando as duas esp\u00e9cies de porcos nativos, mas eu gostaria de ver os dados reais mostrando um impacto populacional nessas esp\u00e9cies. S\u00f3 porque os ca\u00e7adores est\u00e3o atirando nos porcos monteiros isso n\u00e3o significa que as popula\u00e7\u00f5es de catetos e queixadas est\u00e3o se beneficiando.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Talvez a ideia seja que as popula\u00e7\u00f5es de catetos e queixadas estejam melhor no Pantanal do que em outras regi\u00f5es do Brasil, porque, especialmente no caso do queixada, est\u00e3o se tornando muito escassas em outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Mas isso n\u00e3o significa que \u00e9 necessariamente devido ao porco monteiro.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Sim, esse seria meu argumento.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Ent\u00e3o, se voc\u00ea pudesse dar um conselho bem curto para administradores de reservas no Brasil sobre qual pol\u00edtica adotar para <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies invasoras<\/a>, o que voc\u00ea diria a eles?<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Atire primeiro e pergunte depois. O motivo disso \u00e9 que muitas esp\u00e9cies introduzidas trazem consequ\u00eancias que n\u00e3o reconhecemos a tempo. Outras sequer se espalham. Elas se mant\u00eam restritas e, de repente, depois de d\u00e9cadas, come\u00e7am a se espalhar e a ter grandes consequ\u00eancias. Uma terceira raz\u00e3o \u00e9 que frequentemente, logo ap\u00f3s a invas\u00e3o, quando voc\u00ea reconhece uma invasora, \u00e9 poss\u00edvel se livrar dela, e esse processo n\u00e3o custa tanto no in\u00edcio. Mas uma vez que ela se espalha, pode se tornar imposs\u00edvel, ou ao menos extremamente caro contornar o problema. Ent\u00e3o, por que arriscar? A pol\u00edtica deveria ser n\u00e3o introduzir, e se voc\u00ea reconhecer o in\u00edcio de uma invas\u00e3o, livre-se da esp\u00e9cie em quest\u00e3o. Se \u00e9 uma esp\u00e9cie que se estabeleceu h\u00e1 centenas de anos, ou uma que j\u00e1 est\u00e1 amplamente distribu\u00edda, ent\u00e3o voc\u00ea tem que pensar a respeito dos pr\u00f3s e contras e na viabilidade de manejo da mesma. Mas quando uma invas\u00e3o recente \u00e9 descoberta em uma reserva, n\u00e3o se incomode em estudar os impactos. Acredito que se deva livrar dela imediatamente.<\/p>\n<p><strong>FF<\/strong>: Muito obrigado, professor Simberloff. Essa entrevista nos foi muito \u00fatil.<\/p>\n<p><strong>DS<\/strong>: Eu que agrade\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\"><em><strong><a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/fernando-fernandez\" target=\"_blank\">Fernando Fernandez<\/a><\/strong> e <strong>Bernardo Araujo<\/strong>, rep\u00f3rteres por um dia para ((o))oeco. (Nota da reda\u00e7\u00e3o: esperamos que se tornem muitos dias)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Termos usados nessa entrevista<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Teoria da biogeografia de ilhas: <\/strong>descreve os fatores que controlam a riqueza de esp\u00e9cies (n\u00famero de esp\u00e9cies) em ilhas. Mais tarde, essa mesma teoria foi utilizada para investigar os fatores que influenciam a riqueza de esp\u00e9cies em fragmentos florestais, reservas biol\u00f3gicas e outros ambientes isolados.<\/p>\n<p><strong>Aleatoriedade demogr\u00e1fica: <\/strong>diz respeito ao efeito do acaso sobre caracter\u00edsticas demogr\u00e1ficas de uma popula\u00e7\u00e3o pequena que podem lev\u00e1-la a extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies-\u00e1rea: <\/strong>tamb\u00e9m chamada de &#8220;curva esp\u00e9cies-\u00e1rea&#8221;, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a \u00e1rea de um dado habitat e o n\u00famero de esp\u00e9cies que ele abriga.<\/p>\n<p><strong>Aninhamento:<\/strong> padr\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o de comunidades biol\u00f3gicas onde algumas esp\u00e9cies est\u00e3o presentes em todas as comunidades e outras apenas em comunidades sucessivamente mais ricas em esp\u00e9cies.<\/p>\n<p><strong>Fixa\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o sexual: <\/strong>trata-se da propor\u00e7\u00e3o entre machos e f\u00eameas em uma popula\u00e7\u00e3o. Ocorre quando h\u00e1 a perda de todos os indiv\u00edduos de um dos sexos em uma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Depress\u00e3o endog\u00e2mica: <\/strong>diz respeito \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da capacidade de sobreviv\u00eancia dos indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o como resultado de endogamia, ou seja, repetidos cruzamentos entre indiv\u00edduos aparentados.<\/p>\n<p><strong>Deriva g\u00eanica: <\/strong>altera\u00e7\u00e3o das frequ\u00eancias de genes de uma determinada popula\u00e7\u00e3o devido ao acaso.<\/p>\n<p><strong>SLOSS (do ingl\u00eas &#8220;single large or several small&#8221;): <\/strong>a sigla SLOSS (que pode ser traduzido como &#8220;uma grande ou v\u00e1rias pequenas&#8221;) se refere a um longo debate travado em meio \u00e0 literatura ecol\u00f3gica ligada \u00e0 biologia da conserva\u00e7\u00e3o, nas d\u00e9cadas de 70 e 80, a respeito de qual seria a melhor estrat\u00e9gia para o delineamento de reservas, especialmente em habitats fragmentados, para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade: demarca\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica reserva grande ou a de diversas reservas pequenas.<\/p>\n<p><strong>Estrutura tr\u00f3fica: <\/strong>diz respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de uma teia &#8220;alimentar&#8221;, que inclui todos os organismos desde sua base de plantas e outros produtores prim\u00e1rios at\u00e9 o seu topo, com os grandes predadores.<\/p>\n<p><strong>Resselvajamento <\/strong><strong>(ou &#8220;rewilding&#8221;, do ingl\u00eas): <\/strong>diz respeito \u00e0 reintrodu\u00e7\u00e3o de proxies (esp\u00e9cies proximamente &#8220;aparentadas&#8221;) de esp\u00e9cies j\u00e1 extintas em determinada regi\u00e3o com o intuito de restaurar paisagens ou processos ecossist\u00eamicos existentes no passado, quando tais paisagens e ecossistemas ainda n\u00e3o haviam sido influenciados pela chegada do Homo sapiens. Um exemplo seria a reintrodu\u00e7\u00e3o de elefantes no lugar de mamutes e mastodontes na Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Simberloff \u00e9 professor de Ci\u00eancias Ambientais da Universidade do Tennessee. Depois de completar seu<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Daniel Simberloff \u00e9 professor de Ci\u00eancias Ambientais da Universidade do Tennessee. 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