{"id":17224,"date":"2015-03-08T19:00:38","date_gmt":"2015-03-08T19:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17224"},"modified":"2015-03-09T11:53:02","modified_gmt":"2015-03-09T11:53:02","slug":"estudo-feito-na-da-cornell-university-desvenda-como-atuam-enzimas-protetoras-do-genoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-feito-na-da-cornell-university-desvenda-como-atuam-enzimas-protetoras-do-genoma\/","title":{"rendered":"Estudo feito na Cornell University desvenda como atuam enzimas protetoras do genoma"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17231\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em <a href=\"http:\/\/www.cell.com\/molecular-cell\/abstract\/S1097-2765%2815%2900092-1\" target=\"_blank\"><b>artigo publicado<\/b><\/a> nesta quinta-feira na revista <i>Molecular Cell<\/i>, pesquisadores da Cornell University, nos Estados Unidos, descreveram uma nova t\u00e9cnica que permite entender detalhadamente a a\u00e7\u00e3o de enzimas respons\u00e1veis por proteger o genoma contra problemas ocorridos durante o processo de replica\u00e7\u00e3o do DNA.<\/p>\n<p>Entre os autores est\u00e3o os brasileiros <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/92699\/proteoma-da-xylella-fastidiosa-da-eletroforese-bidimensional-a-integracao-genomaproteoma\/\" target=\"_blank\"><b>Marcus Bustamante Smolka<\/b><\/a>\u00a0e <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/99827\/caracterizacao-funcional-de-uma-nova-proteina-antioxidante-ohr-organic-hydroperoxide-resistance-prot\/\" target=\"_blank\"><b>Jos\u00e9 Renato Cussiol<\/b><\/a>, ex-bolsistas de doutorado da FAPESP atualmente em Cornell, al\u00e9m de Francisco Bastos de Oliveira, rec\u00e9m-contratado como professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>\u201cEssa nova t\u00e9cnica poder\u00e1 ajudar no desenvolvimento de drogas com a\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica contra diferentes tipos de c\u00e2ncer e no entendimento de doen\u00e7as relacionadas com o mau funcionamento de enzimas conhecidas como quinases, que regulam todos os processos importantes no interior das c\u00e9lulas\u201d, afirmou Smolka.<\/p>\n<p>As quinases s\u00e3o respons\u00e1veis por catalisar uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica conhecida como fosforila\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a transfer\u00eancia de um grupo fosfato de mol\u00e9culas de alta energia, como o ATP (adenosina trifosfato), para prote\u00ednas-alvo (substratos).<\/p>\n<p>Essa rea\u00e7\u00e3o pode fazer, dependendo do caso, com que a prote\u00edna-alvo seja ativada, desativada ou, ainda, sinalizar para que a mol\u00e9cula seja degradada. Dessa forma, as quinases regulam processos como divis\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o celular, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cDas mais de 500 quinases descritas no genoma humano, estima-se que entre cinco e dez tenham o papel de orquestrar a defesa celular contra eventuais problemas na replica\u00e7\u00e3o do DNA\u201d, contou Smolka.<\/p>\n<p>Esses erros costumam ocorrer momentos antes de a c\u00e9lula se dividir, quando as fitas de DNA existentes no n\u00facleo se abrem para que o c\u00f3digo gen\u00e9tico possa ser copiado.<\/p>\n<p>\u201cDa fecunda\u00e7\u00e3o de um \u00f3vulo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um organismo adulto, o genoma precisa ser replicado mais de 10 trilh\u00f5es de vezes. A c\u00e9lula precisa ter um sistema para detectar e lidar com os defeitos no processo de c\u00f3pia, caso contr\u00e1rio, ocorre um ac\u00famulo de danos ao genoma que torna a vida invi\u00e1vel. As quinases s\u00e3o essenciais nesse processo de conten\u00e7\u00e3o de danos\u201d, disse Smolka.<\/p>\n<p>Ao detectar o dano, as quinases acionam diversas &#8220;equipes de socorro&#8221; na tentativa de evitar que a c\u00e9lula morra. \u201c\u00c9 como se houvesse um grande vazamento na cidade e a enzima fosse a respons\u00e1vel por desligar a \u00e1gua, avisar os moradores, chamar um grupo de reparo, avisar os policiais para que interrompam o tr\u00e2nsito e assim por diante. Mas como essa sinaliza\u00e7\u00e3o acontece ainda n\u00e3o era entendido\u201d, disse.<\/p>\n<p>No trabalho publicado na <i>Molecular Cell<\/i>, o grupo de Cornell desvendou como atuam tr\u00eas dessas enzimas dedicadas a proteger o genoma. S\u00e3o as equivalentes em leveduras \u00e0s quinases humanas ATR, ATM e CHK1.<\/p>\n<p>Considerando que em uma \u00fanica c\u00e9lula pode haver simultaneamente mais de 20 mil radicais fosfato sendo transferidos de um lugar para outro por diferentes quinases, descobrir o que cada uma dessas enzimas est\u00e1 fazendo n\u00e3o \u00e9 uma tarefa trivial. Para conduzir essa investiga\u00e7\u00e3o, os pesquisadores utilizaram um espectr\u00f4metro de massa, aparelho capaz de medir a massa de mol\u00e9culas com alt\u00edssima precis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cExtra\u00edmos as prote\u00ednas das c\u00e9lulas de levedura e as quebramos em v\u00e1rios peda\u00e7os. O espectr\u00f4metro consegue medir a massa de cada um desses peda\u00e7os e identificar se h\u00e1 um grupo fosfato ligado a ele ou n\u00e3o. Dessa forma conseguimos saber de onde e para onde os radicais v\u00e3o sendo transferidos. A precis\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alta que sabemos at\u00e9 a qual res\u00edduo de amino\u00e1cido da prote\u00edna-alvo o grupo fosfato se ligou\u201d, disse Smolka.<\/p>\n<p><b>O mapa das quinases<\/b><\/p>\n<p>Somente para a enzima ATR, que atraiu maior aten\u00e7\u00e3o dos cientistas, foram identificados mais de 100 diferentes substratos. Para isso, os cientistas criaram tr\u00eas linhagens mutantes de levedura \u2013 a primeira sem o gene da ATR, a segunda sem o gene da ATM e a terceira, sem o CHK1.<\/p>\n<p>\u201cCom essa t\u00e9cnica, conseguimos detectar mais de 6 mil eventos de fosforila\u00e7\u00e3o. Ao comparar a c\u00e9lula normal com uma das mutantes, consegu\u00edamos observar quais desses eventos desapareciam. Assim foi poss\u00edvel identificar os substratos de cada uma das enzimas\u201d, contou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foram desenvolvidos mapas quantitativos \u2013 batizados de Qmaps (Quantitative Mass Spectrometry Analysis of Phospho-substrates) \u2013 capazes de mostrar como, em diferentes condi\u00e7\u00f5es, a fosforila\u00e7\u00e3o de cada um dos substratos era modificada.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos ver, por exemplo, se uma determinada droga que causa dano ao DNA aumenta ou diminui os eventos de fosforila\u00e7\u00e3o em cada uma das prote\u00ednas-alvo. Ou seja, conseguimos descobrir n\u00e3o apenas quando e como a ATR \u00e9 ativada como tamb\u00e9m em que n\u00edvel seus diferentes substratos est\u00e3o sendo regulados\u201d, disse Smolka.<\/p>\n<p>Para surpresa dos pesquisadores, os Qmaps revelaram que a ATR n\u00e3o entra em a\u00e7\u00e3o apenas quando h\u00e1 dano no genoma. A enzima tamb\u00e9m atua preventivamente.<\/p>\n<p>\u201cEla est\u00e1 sempre ativada e, em vez de sinalizar para quatro ou cinco prote\u00ednas como era esperado, ela regula centenas. O processo \u00e9 bem mais complexo que o previsto\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Smolka, j\u00e1 existem inibidores de ATR sendo testados clinicamente contra o c\u00e2ncer. Como as c\u00e9lulas malignas se dividem de forma acelerada e descontrolada, s\u00e3o muito mais dependentes da a\u00e7\u00e3o da ATR para sobreviver do que uma c\u00e9lula normal.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se houvesse v\u00e1rios vazamentos por toda a cidade, mas ainda assim a c\u00e9lula do c\u00e2ncer consegue sobreviver. Os Qmaps podem ajudar a descobrir em quais situa\u00e7\u00f5es e de que forma essa quinase deve ser inibida para matar diferentes tipos de c\u00e2ncer com interfer\u00eancia m\u00ednima em c\u00e9lulas normais\u201d, disse Smolka.<\/p>\n<p>Ainda segundo o pesquisador, a t\u00e9cnica tamb\u00e9m pode ser usada por outros grupos de pesquisa dedicados a desvendar o papel das quinases tanto no organismo humano como no de outros animais e plantas.<\/p>\n<p>Estudos j\u00e1 mostraram que essas enzimas s\u00e3o importantes alvos para o desenvolvimento de novos medicamentos. Estima-se que, das mais de 500 quinases identificadas no genoma humano, menos que 100 tenham sido bem estudadas at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>\u201cEstamos fazendo agora experimentos semelhantes com os descritos na revista com linhagens de c\u00e9lulas humanas. Gostar\u00edamos de conectar o trabalho que temos desenvolvido aqui em Cornell com v\u00e1rias iniciativas interessantes que est\u00e3o acontecendo em S\u00e3o Paulo\u201d, afirmou Smolka.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a pesquisa podem ser obtidas no site: <a href=\"http:\/\/smolka.wicmb.cornell.edu\/\" target=\"_blank\"><b>http:\/\/smolka.wicmb.cornell.edu\/<\/b><\/a>. O artigo <i> Phosphoproteomics Reveals Distinct Modes of Mec1\/ATR Signaling during DNA Replication (doi: http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.molcel.2015.01.043<\/i>, pode ser lido em <b><a href=\"http:\/\/www.cell.com\/molecular-cell\/abstract\/S1097-2765%2815%2900092-1\" target=\"_blank\"> http:\/\/www.cell.com\/molecular-cell\/abstract\/S1097-2765(15)00092-1<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo publicado nesta quinta-feira na revista Molecular Cell, pesquisadores da Cornell University, nos Estados<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/enzimas_genoma.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em artigo publicado nesta quinta-feira na revista Molecular Cell, pesquisadores da Cornell University, nos Estados","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17224"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17224\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}