{"id":17157,"date":"2015-03-07T17:28:02","date_gmt":"2015-03-07T17:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17157"},"modified":"2015-03-07T17:28:02","modified_gmt":"2015-03-07T17:28:02","slug":"crise-hidrica-e-falta-de-governanca-sintomas-de-um-problema-cronico-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/crise-hidrica-e-falta-de-governanca-sintomas-de-um-problema-cronico-do-brasil\/","title":{"rendered":"Crise h\u00eddrica e falta de governan\u00e7a: sintomas de um problema cr\u00f4nico do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Eduardo Assad<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cTem gente comprando piscinas de pl\u00e1stico e carro-pipa. Quando se imaginou que chegar\u00edamos a uma situa\u00e7\u00e3o dessas?\u201d, questiona o pesquisador da Embrapa.<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/sites\/default\/files\/u16\/cantareira8.jpg\" alt=\"alt\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: Jornal GGN<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/537204\" target=\"_blank\"><strong>crise h\u00eddrica<\/strong><\/a> de S\u00e3o Paulo depende, estruturalmente, de um projeto de revegeta\u00e7\u00e3o dos 34 mil hectares desmatados em torno do <strong>Sistema<\/strong> <strong>Cantareira<\/strong>, defende <strong>Eduardo<\/strong> <strong>Assad<\/strong>, pesquisador da <strong>Embrapa<\/strong>. Segundo ele, c\u00e1lculos baseados em estudos cient\u00edficos apontam para a necessidade de plantar em m\u00e9dia 800 mudas de \u00e1rvores por hectare, totalizando 30 milh\u00f5es de mudas em torno da <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540108-sob-ameaca-cantareira-precisa-de-30-milhoes-de-arvores-ao-custo-de-r-195-mi\" target=\"_blank\">Cantareira<\/a>.<\/strong> \u201cSe fizer a regenera\u00e7\u00e3o com novas mudas, a \u00e1gua volta em cinco anos\u201d, garante, em entrevista concedida \u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong> por telefone.<\/p>\n<p>O pesquisador afirma que se um plano emergencial n\u00e3o for posto em pr\u00e1tica, com a previs\u00e3o de menos chuvas para este ano, a tend\u00eancia \u00e9 de que a crise fique ainda mais acentuada, correndo-se o risco de falta de abastecimento em julho. Ele explica que por conta das <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523783-mudancas-climaticas-podem-deixar-mais-de-600-milhoes-de-pessoas-em-risco-de-escassez-de-agua\" target=\"_blank\"><strong>mudan\u00e7as<\/strong> <strong>clim\u00e1ticas<\/strong><\/a>, nos \u00faltimos cinco anos, em Campinas, houve uma redu\u00e7\u00e3o na quantidade de chuvas, e a m\u00e9dia anual de 1.600 mil\u00edmetros de chuva caiu para 1.200, embora no \u00faltimo ano o registro tenha sido de 900 mil\u00edmetros. \u201cEssa \u00e9 uma quantidade de chuva de transi\u00e7\u00e3o entre agreste e semi\u00e1rido\u201d. Diante desse cen\u00e1rio, alerta, \u00e9 preciso \u201ciniciar imediatamente a <strong>manuten\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o na \u00e1rea urbana<\/strong>, e isso inclui o in\u00edcio imediato da revegeta\u00e7\u00e3o. Obviamente a transposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria, porque o paciente est\u00e1 na UTI, porque do contr\u00e1rio em julho n\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua. Eu n\u00e3o sou contra a transposi\u00e7\u00e3o, mas sou contra falar s\u00f3 em transposi\u00e7\u00e3o. Falar apenas nisso \u00e9 olhar o problema de um lado s\u00f3, quando v\u00e1rios pontos precisam ser observados\u201d, pontua. E adverte: \u201cPara ter a solu\u00e7\u00e3o no curto prazo, essas obras t\u00eam de ser feitas, mas deve-se tirar \u00e1gua de onde tem, e o<strong> rio Para\u00edba do Sul<\/strong> est\u00e1 sem \u00e1gua. Esse problema est\u00e1 interconectado, e se mexerem nisso desse jeito, a crise vai chegar no Rio de Janeiro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad<\/strong> tamb\u00e9m critica a falta de planos de emerg\u00eancia para vislumbrar alternativas diante da crise. \u201cQuando h\u00e1 alertas como esse, a primeira coisa a fazer \u00e9 criar os planos de conting\u00eancia\u00a0 <strong>\u2013<\/strong> n\u00e3o quando a crise come\u00e7a, mas cinco ou seis anos antes, prevendo uma poss\u00edvel crise, porque pode, sim, chover menos, e tudo tem indicado isso\u201d. Ele lembra que em 2011 a <strong>Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas \u2013 ANA<\/strong> \u201cpublicou um relat\u00f3rio em Bras\u00edlia dizendo que em 2015 \u2013 e n\u00e3o era bola de cristal \u2013 haveria problemas de abastecimento em mais da metade dos munic\u00edpios brasileiros, incluindo S\u00e3o Paulo. E ningu\u00e9m fez nada. Ent\u00e3o, para que servem esses estudos se eles alertam e ningu\u00e9m faz nada?\u201d, pergunta. E acrescenta: \u201cNessa hora n\u00e3o devemos poupar cr\u00edticas: sim, os pol\u00edticos est\u00e3o a\u00ed para resolver os problemas da popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s pagamos impostos para que os servi\u00e7os p\u00fablicos sejam bons, e n\u00e3o para ficar passando aperto e nesta situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os que n\u00e3o foram feitos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, as perspectivas para o futuro n\u00e3o s\u00e3o boas e a crise pode atravessar o pa\u00eds. \u201cO Rio Grande do Sul precisa abrir o olho, porque est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica, al\u00e9m de Minas Gerais, parte da regi\u00e3o de Goi\u00e1s, sul do Maranh\u00e3o, sul do Mato Grosso do Sul e a j\u00e1 cr\u00f4nica regi\u00e3o do agreste nordestino e Bahia. A crise est\u00e1 geral, mas os mais cr\u00edticos s\u00e3o os estados do Sudeste: S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Delgado Assad<\/strong> \u00e9 graduado em Engenharia Agr\u00edcola pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa, mestre e doutor em Montpellier, Fran\u00e7a. \u00c9 pesquisador da Embrapa desde 1987 atuando inicialmente no Centro de Pesquisa Agropecu\u00e1ria dos Cerrados &#8211; CPAC. Foi coordenador da \u00c1rea de Recursos Naturais da Embrapa Cerrados, Secret\u00e1rio Executivo do Programa de Recursos Naturais da Embrapa e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados. Durante o per\u00edodo de 1993 a 2006 foi o coordenador t\u00e9cnico nacional do Zoneamento Agr\u00edcola de Riscos Clim\u00e1ticos do Minist\u00e9rio da Agricultura. Posteriormente, criou e coordenou a sub-rede clima e agricultura da rede clima do MCT&amp;I at\u00e9 2013. \u00c9 membro do comit\u00ea cient\u00edfico do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e em 2011 foi Secret\u00e1rio de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Qualidade Ambiental do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Atualmente tamb\u00e9m \u00e9 professor do curso de mestrado em Agroneg\u00f3cio da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a atual situa\u00e7\u00e3o do Sistema Cantareira? Quais as causas pr\u00f3ximas e as distantes que afetaram o sistema?<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i59.tinypic.com\/29xdutv.jpg\" alt=\"alt\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Eduardo Assad<\/strong> \u2013 \u00c9 uma sucess\u00e3o de erros, e isso n\u00e3o vem de hoje. H\u00e1 um dimensionamento muito bom do<strong> Sistema Cantareira<\/strong> para atender a cidade de S\u00e3o Paulo, mas acontece que, em primeiro lugar, houve uma expans\u00e3o urbana muito grande no Sistema Cantareira e nos 12 munic\u00edpios em volta dele. Essa expans\u00e3o provocou a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo, o que evita que a \u00e1gua infiltre e reabaste\u00e7a os reservat\u00f3rios. Essa \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais complicadas. Por outro lado, houve um desmatamento muito grande em volta das nascentes e ao longo dos rios de toda a rede de drenagem da <strong>Cantareira<\/strong>, e esse <strong>desmatamento<\/strong> gerou eros\u00e3o \u2013 h\u00e1 muita eros\u00e3o e, portanto, a \u00e1gua escorre e n\u00e3o infiltra; logo, n\u00e3o reabastece o sistema.<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o do <strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong>, houve aquela quest\u00e3o sobre a prote\u00e7\u00e3o de <strong>\u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente \u2013 APPs<\/strong>, que foi absolutamente in\u00f3cua e ningu\u00e9m levou em considera\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o h\u00eddrica da biodiversidade, do ecossistema. Esse ecossistema que est\u00e1 em volta das matas ciliares e galerias \u00e9 fr\u00e1gil. Se mexer ali, desregula todo o ecossistema e mata a nascente. Matando a nascente, n\u00e3o brota \u00e1gua, se n\u00e3o brota \u00e1gua, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abastecer o sistema.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>O outro problema \u00e9 que estamos tendo um aumento muito forte das temperaturas no Brasil inteiro. Apesar de alguns colegas e do Ministro de Ci\u00eancia e Tecnologia questionarem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, h\u00e1 um aumento crescente da temperatura e um aumento forte das ondas de calor, que provocam uma alta de evapora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, se n\u00e3o tem vegeta\u00e7\u00e3o, perde-se mais \u00e1gua para a atmosfera \u2013 e isso acontece com todos os sistemas, n\u00e3o somente com o da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/537185-transposicao-de-agua-do-rio-paraiba-do-sul-para-cantareira-nao-encerra-crise-da-agua-dizem-especialistas\" target=\"_blank\"><strong>Cantareira<\/strong><\/a>. Al\u00e9m disso, todos os c\u00e1lculos realizados para esse tipo de<strong> sistema de abastecimento urbano<\/strong> s\u00e3o feitos em cima de s\u00e9ries de chuvas estacion\u00e1rias, s\u00e3o s\u00e9ries cujos valores oscilam em torno de uma mesma m\u00e9dia ao longo de 40, 50 anos. Acontece que, podendo ou n\u00e3o ser efeito do <strong>aquecimento global<\/strong>, estamos mostrando que essas s\u00e9ries n\u00e3o s\u00e3o mais estacion\u00e1rias e em muitos casos essa m\u00e9dia est\u00e1 reduzindo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando h\u00e1 alertas como esse, a primeira coisa a fazer \u00e9 criar os planos de conting\u00eancia\u00a0\u2013 n\u00e3o quando a crise come\u00e7a, mas cinco ou seis anos antes, prevendo uma poss\u00edvel crise, porque pode, sim, chover menos, e tudo tem indicado isso. Vou dar um exemplo real: em Campinas, nos \u00faltimos cinco anos, essa m\u00e9dia despencou de 1.600 para 1.200 mil\u00edmetros. No ano passado, choveu 900 mil\u00edmetros em Campinas. Essa \u00e9 uma quantidade de chuva de transi\u00e7\u00e3o entre agreste e semi\u00e1rido, quer dizer, houve uma redu\u00e7\u00e3o muito forte da quantidade de chuva. Isso n\u00e3o significa que vai continuar assim, mas temos de ficar alertas para essa oscila\u00e7\u00e3o na quantidade de oferta de \u00e1gua e, em cima disso, criar os <strong>planos de conting\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"alt\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;Se n\u00e3o tem vegeta\u00e7\u00e3o, perde-se mais \u00e1gua para a atmosfera \u2013 e isso acontece com todos os sistemas, n\u00e3o somente com o da Cantareira&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Desperd\u00edcio de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Outros problemas s\u00e3o da ordem da engenharia, tais como manuten\u00e7\u00e3o da rede, redu\u00e7\u00e3o de perdas, controle correto de uso da \u00e1gua, campanhas de esclarecimento para a popula\u00e7\u00e3o sobre o uso da \u00e1gua. Fico impressionado porque n\u00e3o vejo nenhuma campanha do governo explicando para a popula\u00e7\u00e3o como tem de usar a \u00e1gua corretamente. Ali\u00e1s, diga-se de passagem, parab\u00e9ns \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que est\u00e1 dando uma aula ao governo e mostrando como se faz para economizar \u00e1gua. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 <strong>economizando<\/strong> por conta pr\u00f3pria, sem orienta\u00e7\u00e3o. A \u00fanica campanha que se v\u00ea \u00e9 a que est\u00e1 no metr\u00f4. O governo deveria estar fazendo, desde agosto, uma campanha muito grande, mas as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o acontecendo somente por conta da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela avalia\u00e7\u00e3o que fizemos, temos hoje na <strong>Cantareira<\/strong> mais ou menos 8.100 Km de rio, nos 12 munic\u00edpios que circundam o sistema, e 34 mil hectares desmatados na beira dos rios. N\u00e3o h\u00e1 sistema de <strong>abastecimento de \u00e1gua<\/strong> para uma cidade de 22 milh\u00f5es de habitantes que suporte uma situa\u00e7\u00e3o dessas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Segundo not\u00edcias da imprensa, um estudo de 2009 da Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; Sabesp mostrou que n\u00e3o havia assoreamento na Cantareira. O senhor conhece esse estudo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Eu gostaria de ver esse estudo, porque as imagens de sat\u00e9lite mostram exatamente o contr\u00e1rio: muito <strong>desmatamento<\/strong>, e se n\u00e3o houvesse assoreamento, a \u00e1gua n\u00e3o estaria marrom. Quando se tem \u00e1gua marrom e n\u00e3o se tem \u00e1gua azul, \u00e9 porque est\u00e1 vindo sedimento. E se est\u00e1 vindo sedimento, tem eros\u00e3o. N\u00e3o estou questionando esse estudo, mas gostaria de ver quais par\u00e2metros eles utilizaram para dizer que n\u00e3o havia eros\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que o governo de S\u00e3o Paulo poderia ter feito para prevenir a crise? Quais medidas poderiam ter sido tomadas para minimizar os danos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Fazer o que o mundo todo faz. Nova York, por exemplo, comprou terras acima da cidade e as revegetou, come\u00e7ou a proteger as suas nascentes. No munic\u00edpio de Extrema, em Minas Gerais, tem um trabalho muito bom sendo desenvolvido, onde quando ocorreram as primeiras chuvas, as \u00e1guas voltaram a nascer nas nascentes. E \u00e9 claro que quando se protegem as nascentes voc\u00ea consegue fazer isso. O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/cepat\/cepat-conjuntura\/510305-conjuntura-da-semana-codigo-florestal-o-veto-desenvolvimentista\" target=\"_blank\"><strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong><\/a> prev\u00ea a\u00e7\u00f5es preventivas e, portanto, algumas delas j\u00e1 deveriam ter sido feitas, como, por exemplo, cercar as \u00e1reas ao longo dos rios, das matas ciliares para permitir a revegeta\u00e7\u00e3o, e a prote\u00e7\u00e3o das nascentes para permitir que a \u00e1gua brote e, principalmente, evitar a perda de \u00e1gua, porque h\u00e1 uma perda acentuada de \u00e1gua por falta de manuten\u00e7\u00e3o do sistema. \u00c9 complicado, porque pagamos um imposto alt\u00edssimo e n\u00e3o h\u00e1 manuten\u00e7\u00e3o no sistema de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas coisas deveriam ser feitas. Por que n\u00e3o foi feito um<strong> plano de conting\u00eancia<\/strong>? Todo mundo sabia que iria faltar \u00e1gua. Em dezembro de 2014 n\u00f3s nos reunimos no <strong>Jardim Bot\u00e2nico<\/strong>, em S\u00e3o Paulo, e elaboramos a carta de S\u00e3o Paulo, que foi publicada na revista da <strong>Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo &#8211;<\/strong> <strong>Fapesp<\/strong>, na qual apontamos a raz\u00e3o dessa crise. Agora, n\u00e3o criar sa\u00eddas, n\u00e3o buscar financiamentos, n\u00e3o fazer planos com os munic\u00edpios, n\u00e3o discutir melhor o <strong>zoneamento urbano<\/strong> para evitar expans\u00e3o de condom\u00ednios em cima de \u00e1reas fr\u00e1geis, tudo isso demonstra uma falta de governan\u00e7a deste e de todos os governos. Esse \u00e9 um problema cr\u00f4nico do Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 2011 a<strong> Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas &#8211; ANA<\/strong>\u00a0publicou um relat\u00f3rio em Bras\u00edlia dizendo que em 2015 \u2013 e n\u00e3o era bola de cristal \u2013 haveria problemas de abastecimento em mais da metade dos munic\u00edpios brasileiros, incluindo S\u00e3o Paulo. E ningu\u00e9m fez nada. Ent\u00e3o, para que servem esses estudos se eles alertam e ningu\u00e9m faz nada? Nessa hora n\u00e3o devemos poupar cr\u00edticas: sim, os pol\u00edticos est\u00e3o a\u00ed para resolver os problemas da popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s pagamos impostos para que os servi\u00e7os p\u00fablicos sejam bons, e n\u00e3o para ficar passando aperto e nesta situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os que n\u00e3o foram feitos. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria e n\u00e3o me interessa se a culpa \u00e9 do partido A, B ou C. O que estamos vendo no Brasil \u00e9 que todos os partidos t\u00eam, em suas gest\u00f5es, problemas de desabastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor est\u00e1 entre os especialistas que prop\u00f5em o plantio de 30 milh\u00f5es de mudas para recompor a mata ciliar em 34 mil hectares. Que resultado se espera com esse plantio e a partir de quando ele ter\u00e1 efeito sobre o Sistema\u00a0 Cantareira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Esse c\u00e1lculo \u00e9 baseado em estudos cient\u00edficos. Fizemos um c\u00e1lculo de plantar 800 mudas por hectare, mas um grupo em S\u00e3o Paulo prop\u00f5e um pouco mais, principalmente na Mata Atl\u00e2ntica. Esse \u00e9 o estudo completo, mas se voc\u00ea considerar que todos os 34 mil hectares est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o de capacidade de resili\u00eancia e regenera\u00e7\u00e3o zero, ent\u00e3o tem que plantar 30 milh\u00f5es de mudas.<\/p>\n<p>O professor <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/45346-codigo-florestal-deve-integrar-agricultura-e-preservacao-ambiental-entrevista-com-ricardo-rodrigues-\" target=\"_blank\"><strong>Ricardo<\/strong> <strong>Rodrigues<\/strong><\/a>, que \u00e9 especialista em regenera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 falou que talvez n\u00e3o seja necess\u00e1ria a regenera\u00e7\u00e3o cheia, e que 50% do plantio j\u00e1 seria o suficiente. Assim, o restante da regenera\u00e7\u00e3o seria feito com 25% de replantio moderado, 25% de prote\u00e7\u00e3o, cercando algumas \u00e1reas. Existem seis ou sete t\u00e9cnicas diferentes para fazer essa regenera\u00e7\u00e3o, mas devido ao problema e a sua gravidade, sugerimos que se fa\u00e7a o plantio de mudas. Seguindo a conta do professor <strong>Ricardo<\/strong> <strong>Rodrigues<\/strong>, v\u00e3o se plantar 20 milh\u00f5es de mudas, mas eu estou propondo 30 milh\u00f5es. Com essa revegeta\u00e7\u00e3o e um cuidado em volta das nascentes dos rios, aos poucos a vegeta\u00e7\u00e3o vai voltar. Se fizer a regenera\u00e7\u00e3o com novas mudas, a \u00e1gua volta em cinco anos. Se s\u00f3 cercar a \u00e1rea em torno das nascentes, vai levar mais tempo para a \u00e1gua voltar, por conta de outros fatores. Agora, \u00e9 preciso fazer um plano detalhado para cada mun\u00edcipio e detalhar como essas a\u00e7\u00f5es ser\u00e3o feitas, qual ser\u00e1 o custo, quem vai pagar, etc.<\/p>\n<p>Estou acompanhando um exemplo muito bom no Esp\u00edrito Santo em torno do <strong>Programa Estadual de Amplia\u00e7\u00e3o da<\/strong> <strong>Cobertura Vegetal<\/strong> &#8211; <strong>Reflorestar<\/strong>, que consiste no financiamento da revegeta\u00e7\u00e3o para o produtor rural. Ent\u00e3o, se o produtor faz uma revegeta\u00e7\u00e3o com plantio, eles financiam 7.600 reais o hectare e depois o agricultor vai receber um pagamento por servi\u00e7o ambiental de 200 reais por ano. Se o produtor faz a regenera\u00e7\u00e3o natural, ou seja, cerca a \u00e1rea e deixa que a vegeta\u00e7\u00e3o volte, eles pagam 2.400 reais e 191 reais por ano por servi\u00e7os ambientais. Se o produtor faz um <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/517493--fao-quer-promover-agrofloresta-para-combater-fome-e-pobreza\" target=\"_blank\"><strong>sistema agroflorestal<\/strong><\/a>, com produ\u00e7\u00e3o em cima, ele recebe 8 mil reais, mas n\u00e3o recebe por servi\u00e7o ambiental, porque ter\u00e1 movimenta\u00e7\u00e3o. Ou seja, eles criaram um sistema em que \u00e9 poss\u00edvel revegetar a \u00e1rea e o produtor recebe por isso. Por que n\u00e3o podemos fazer algo parecido em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, diversos programas de <strong>baixa emiss\u00e3o de carbono<\/strong> possuem, no seu programa de financiamento, recursos para a revegeta\u00e7\u00e3o de matas de galerias e nascentes. Ent\u00e3o, temos tudo na m\u00e3o. Por que n\u00e3o se faz? Algu\u00e9m tem de fazer um estudo detalhado e dizer como as coisas v\u00e3o ser feitas. \u00c9 s\u00f3 proteger as \u00e1reas de beira de rios para que elas n\u00e3o sejam invadidas e a \u00e1gua vai voltar. Tenho ajudado alguns produtores e, somente cercando em volta das nascentes dos rios, em um ano, a \u00e1gua voltou a brotar porque o gado deixou de pisar nas \u00e1reas de nascente. Mas qual \u00e9 o problema de fazer isso? \u00c9 por que n\u00e3o \u00e9 obra? \u00c9 por que n\u00e3o aparece? \u00c9 por que pol\u00edtico s\u00f3 faz obra em cima da terra e n\u00e3o embaixo? Isso \u00e9 muito antigo, o mundo mudou.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo aproximado do professor <strong>Ricardo<\/strong> \u00e9 de que o custo da revegeta\u00e7\u00e3o seja de 200 milh\u00f5es de reais. O governo est\u00e1 fazendo uma transposi\u00e7\u00e3o de dois bilh\u00f5es e meio. S\u00f3 se pensa em obras neste pa\u00eds?<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 As duas principais propostas do governo de S\u00e3o Paulo s\u00e3o fazer a transposi\u00e7\u00e3o do Rio Parna\u00edba do Sul e usar a \u00e1gua da represa Billings. Como o senhor v\u00ea essas propostas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Essas s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es de engenharia. O paciente est\u00e1 na UTI, ent\u00e3o \u00e9 preciso alternativas de curt\u00edssimo prazo para resolver a situa\u00e7\u00e3o. A nossa sugest\u00e3o, por outro lado, \u00e9 de longo prazo e duradoura, \u00e9 estruturante, e se fizerem o trabalho direito, vai durar para sempre, ao contr\u00e1rio das obras de engenharia que, como j\u00e1 est\u00e3o mostrando, s\u00e3o iniciativas que se esgotam. Para ter a solu\u00e7\u00e3o no curto prazo, essas obras t\u00eam de ser feitas, mas deve-se tirar \u00e1gua de onde tem, e o rio Para\u00edba do Sul est\u00e1 sem \u00e1gua. Esse problema est\u00e1 interconectado e se mexerem nisso desse jeito, a crise vai chegar no Rio de Janeiro.<\/p>\n<table align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"alt\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;\u00c9 como se fosse um mito o governo assumir que est\u00e1 com problemas&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>N\u00e3o sou contra solu\u00e7\u00f5es de curto prazo, mas o fato \u00e9 que o governo deveria estar fazendo maior esfor\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode permitir, num momento de crise, perder 30% de \u00e1gua por problema de manuten\u00e7\u00e3o de rede. Em segundo lugar, temos de assumir que estamos em crise e fazer campanhas de<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529467-a-guerra-da-agua-ja-comecou\" target=\"_blank\">economia de \u00e1gua<\/a><\/strong>, e n\u00e3o dar entrevistas dizendo para as pessoas comprarem mais uma caixa d\u2019\u00e1gua. \u00c9 como se fosse um mito o governo assumir que est\u00e1 com problemas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor iniciou a entrevista dizendo que a expans\u00e3o urbana foi uma das causas que gerou a atual crise. O que fazer em rela\u00e7\u00e3o a essa expans\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Esse \u00e9 um problema cr\u00f4nico no Brasil. H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o nos grandes centros urbanos e essa expans\u00e3o foi feita de maneira errada. Como podemos permitir que em Petr\u00f3polis morram mil pessoas porque o rio inundou e as casas estavam constru\u00eddas em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente? Como podemos permitir um neg\u00f3cio desses? Mil pessoas morreram e n\u00f3s esquecemos.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo acontece o mesmo: a cidade vai se expandindo. A quest\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 um problema. Eu me pergunto se os estudos de <strong>zoneamento urbano<\/strong> s\u00e3o respeitados. N\u00e3o sei dizer, mas estamos vendo um desordenamento no crescimento das cidades e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria tem sido enorme. E \u00e9 \u00f3bvio que nesse cen\u00e1rio vai faltar <strong>\u00e1gua<\/strong>, <strong>energia<\/strong>, <strong>hospitais<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que medidas devem ser feitas agora para garantir o abastecimento urbano diante da oscila\u00e7\u00e3o da oferta de \u00e1gua por conta das chuvas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Primeiro, iniciar imediatamente a manuten\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o na \u00e1rea urbana e isso inclui o in\u00edcio imediato da revegeta\u00e7\u00e3o. Obviamente a transposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria, porque o paciente est\u00e1 na UTI, porque do contr\u00e1rio em julho n\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua. Eu n\u00e3o sou contra a transposi\u00e7\u00e3o, mas sou contra falar s\u00f3 em transposi\u00e7\u00e3o. Falar apenas nisso \u00e9 olhar o problema de um lado s\u00f3, quando v\u00e1rios pontos precisam ser observados. Tem gente comprando piscinas de pl\u00e1stico e carro-pipa. Quando se imaginou que chegar\u00edamos a uma situa\u00e7\u00e3o dessas? O governo do estado de S\u00e3o Paulo criou um comit\u00ea de crise e espero que ele olhe para todos os lados.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que rela\u00e7\u00f5es o senhor tem evidenciado e estabelecido entre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus impactos aos recursos h\u00eddricos, \u00e0 agricultura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> Tenho trabalhado mais com os impactos das <strong>mudan\u00e7as<\/strong> <strong>clim\u00e1ticas<\/strong> na agricultura. O que mais estudo \u00e9 o par\u00e2metro evapotranspira\u00e7\u00e3o, que equivale \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o do solo e transpira\u00e7\u00e3o das plantas. Com o aquecimento global essa evapotranspira\u00e7\u00e3o aumenta e tem efeito direto na oferta h\u00eddrica. Mais recentemente, um dos maiores focos de trabalho \u00e9 na redu\u00e7\u00e3o das<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/537459-brasil-reduz-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa\" target=\"_blank\">emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/a><\/strong>, na mitiga\u00e7\u00e3o, que implica na revegeta\u00e7\u00e3o ou sistemas de produ\u00e7\u00e3o que sejam mais sequestradores de carbono, entre eles a revegeta\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528505-justica-federal-declara-inconstitucionalidade-de-artigo-do-novo-codigo-florestal-\" target=\"_blank\"><strong>\u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente &#8211; APPs<\/strong><\/a>, que tem duas vertentes importantes: sequestro de carbono e manuten\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 H\u00e1 risco de crise h\u00eddrica em outros estados?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Assad \u2013<\/strong> O <strong>Rio Grande do Sul<\/strong> precisa abrir o olho, porque est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica, al\u00e9m de <strong>Minas Gerais<\/strong>, parte da regi\u00e3o de <strong>Goi\u00e1s<\/strong>, sul do <strong>Maranh\u00e3o<\/strong>, sul do <strong>Mato Grosso do Sul<\/strong> e a j\u00e1 cr\u00f4nica regi\u00e3o do agreste nordestino e <strong>Bahia<\/strong>. A crise est\u00e1 geral, mas os mais cr\u00edticos s\u00e3o os estados do Sudeste: <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>, <strong>Minas Gerais<\/strong> e <strong>Rio de Janeiro<\/strong>.<\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Eduardo Assad \u201cTem gente comprando piscinas de pl\u00e1stico e carro-pipa. Quando se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Eduardo Assad \u201cTem gente comprando piscinas de pl\u00e1stico e carro-pipa. Quando se","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17157"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}