{"id":17144,"date":"2015-03-07T16:40:09","date_gmt":"2015-03-07T16:40:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=17144"},"modified":"2015-03-07T16:40:09","modified_gmt":"2015-03-07T16:40:09","slug":"grandes-cidades-sem-banheiros-sem-redes-de-esgoto-perdendo-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/grandes-cidades-sem-banheiros-sem-redes-de-esgoto-perdendo-agua\/","title":{"rendered":"Grandes cidades sem banheiros, sem redes de esgoto, perdendo \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><small><i><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17146\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Washington Novaes*<\/i><\/small><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<p>Not\u00edcia publicada por este jornal (25\/2) traduz a precariedade de servi\u00e7os p\u00fablicos para uma popula\u00e7\u00e3o como a da cidade de S\u00e3o Paulo, com mais de 11 milh\u00f5es de habitantes: a Prefeitura convoca empresas privadas a apresentarem propostas de reativa\u00e7\u00e3o de um banheiro p\u00fablico no setor da Liberdade, fechado h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. E a Prefeitura pretende estender a a\u00e7\u00e3o a outros bairros, pois s\u00f3 existem seis banheiros p\u00fablicos, quando s\u00f3 na \u00e1rea central 3 milh\u00f5es de pessoas circulam em um dia.<\/p>\n<p>Not\u00edcias semelhantes revelariam quadros t\u00e3o ou mais graves nas \u00e1reas de drenagem urbana e inunda\u00e7\u00f5es (como as das \u00faltimas semanas) nas grandes cidades; a quase aus\u00eancia de a\u00e7\u00e3o para eliminar \u00e1reas de risco; ou a perda de \u00e1gua nas redes de distribui\u00e7\u00e3o (mais de 20% em S\u00e3o Paulo, m\u00e9dia de quase 40% no pa\u00eds); ou ainda a gravidade em mat\u00e9ria de polui\u00e7\u00e3o urbana, que causa 200 mil mortes por ano no Brasil. E muito mais.<\/p>\n<p>A not\u00edcia fez lembrar epis\u00f3dio ocorrido h\u00e1 mais de 30 anos, quando o autor destas linhas dirigia a reda\u00e7\u00e3o de um jornal em Goi\u00e2nia. Certa manh\u00e3, o jornal foi procurado pelo diretor de um banco, pedindo que n\u00e3o fosse publicada a not\u00edcia de que um vigilante expulsara aos safan\u00f5es de uma ag\u00eancia \u201cum louco, malvestido\u201d, que insistia em abrir ali uma conta, mas \u201ccarregava \u00e0s costas um saco com um penico\u201d. Indignado com o mau tratamento, o \u201clouco\u201d procurara o jornal, onde uma rep\u00f3rter (Lisa Fran\u00e7a) o ouvira e escrevera not\u00edcia relatando o acontecido, inclu\u00edda a alega\u00e7\u00e3o do queixoso de que s\u00f3 carregava o penico \u00e0s costas porque tinha incontin\u00eancia urin\u00e1ria, na cidade n\u00e3o havia banheiros p\u00fablicos e ele n\u00e3o queria urinar na rua, diante de outras pessoas.<\/p>\n<p>Quando, por\u00e9m, se sugeriu que a jornalista procurasse a fam\u00edlia do \u201clouco\u201d e obtivesse mais informa\u00e7\u00f5es sobre ele e as causas de seus procedimentos \u2013 principalmente o de carregar o penico -, ela argumentou: \u201cJ\u00e1 fiz tudo o que as regras da reda\u00e7\u00e3o pedem, ouvi o queixoso, o pessoal da ag\u00eancia, registrei as raz\u00f5es de todos. Mas acho que n\u00e3o \u00e9 o caso de procurar a fam\u00edlia. Todos os dias o jornal publica declara\u00e7\u00f5es de pessoas as mais loucas do Pa\u00eds, mas que dirigem at\u00e9 \u00e1reas importantes de governo, e n\u00e3o vai perguntar \u00e0s fam\u00edlias se elas s\u00e3o desequilibradas\u201d.<\/p>\n<p>Como a regra no jornal era publicar todas as informa\u00e7\u00f5es, mesmo que desagradassem a autoridades, pessoas influentes, decidiu-se discutir o assunto na reuni\u00e3o di\u00e1ria dos editores. E como acontece quando se discutem temas relacionados com \u201cloucura\u201d, o debate pegou fogo, metade dos editores a favor da publica\u00e7\u00e3o, metade contra. Decidiu-se publicar a not\u00edcia, preparar um editorial criticando a aus\u00eancia de banheiros p\u00fablicos na cidade e, no domingo, abrir espa\u00e7o para que cada editor escrevesse at\u00e9 20 linhas com sua opini\u00e3o. E assim foi feito, com duas p\u00e1ginas inteiras no domingo, que tiveram muita repercuss\u00e3o entre leitores \u2013 e levaram autoridades a prometer que instalariam banheiros.<\/p>\n<p>No dia seguinte a mesma rep\u00f3rter, por sugest\u00e3o de um leitor da not\u00edcia do \u201clouco\u201d, foi verificar a precariedade do tratamento dispensado aos internos de um \u201casilo de loucos\u201d. Foi publicado o texto, com foto em destaque na primeira p\u00e1gina, na qual dezenas de internos, todos nus, recebiam um \u201cbanho\u201d do jato de \u00e1gua que sa\u00eda de uma mangueira manobrada por um funcion\u00e1rio. O diretor do \u201casilo\u201d mandou carta indignada, protestando contra a \u201cfalta de \u00e9tica\u201d do jornal ao publicar a foto \u2013 embora ele e outros funcion\u00e1rios se houvessem manifestado no texto. O jornal respondeu em editorial: o que \u00e9 falta de \u00e9tica? Dar banho de mangueira simult\u00e2neo em dezenas de internos nus ou documentar no jornal a situa\u00e7\u00e3o humilhante e calamitosa? O governo do Estado informou depois ter mandado fazer uma reforma no asilo.<\/p>\n<p>Hoje a comunica\u00e7\u00e3o documenta a cada dia o descaso com a popula\u00e7\u00e3o, que paga impostos e mant\u00e9m funcion\u00e1rios e servi\u00e7os. Pode ser no quadro da polui\u00e7\u00e3o urbana (que mata 200 mil pessoas no Brasil a cada ano, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade), nos servi\u00e7os m\u00e9dicos e na sua incapacidade de enfrentar doen\u00e7as advindas da migra\u00e7\u00e3o de vetores para \u00e1reas urbanas, com a remo\u00e7\u00e3o de seus h\u00e1bitats naturais; pode ser na inacredit\u00e1vel defici\u00eancia dos nossos sistemas p\u00fablicos de saneamento (quase 40% das resid\u00eancias no Pa\u00eds n\u00e3o est\u00e3o ligadas a redes de esgoto) e na perda de 37% da \u00e1gua que sai das esta\u00e7\u00f5es de tratamento e se perde em vazamentos e furos \u2013 enquanto se discute a possibilidade de racionamento. Enfim, pode ser por muitos \u00e2ngulos, todos a mostrar a inviabilidade de seguirmos pelo caminho de amontoar milh\u00f5es de pessoas em \u00e1reas urbanas e n\u00e3o sermos capazes de atender \u00e0s suas necessidades do cotidiano.<\/p>\n<p>H\u00e1 solu\u00e7\u00e3o? H\u00e1 poucos dias, os jornais tamb\u00e9m noticiaram que em 2018 o Lago Parano\u00e1, em Bras\u00edlia, ter\u00e1 suas \u00e1guas utilizadas para o abastecimento de 600 mil pessoas. H\u00e1 quase um quarto de s\u00e9culo, quando o autor destas linhas foi secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Ci\u00eancia e Tecnologia do Distrito Federal, o lago recebia esgotos sem tratamento gerados por mais de 1 milh\u00e3o de pessoas. Mas primeiro conseguiu-se \u2013 vencendo fortes resist\u00eancias \u2013 implantar o sistema de esgotos por ramais condominiais, eficiente e mais barato, impedindo que os dejetos chegassem diretamente ao lago (gra\u00e7as ao condominial, Bras\u00edlia tem hoje 100% na coleta de esgotos). Depois, construindo-se duas esta\u00e7\u00f5es de tratamento no lago, com financiamento conseguido quando, num evento p\u00fablico, se mostrou ao ent\u00e3o presidente Collor que eram despejadas ali, onde ele praticava jet ski, 200 toneladas de fezes humanas a cada dia (200 gramas de mat\u00e9ria org\u00e2nica por pessoa). Na mesma hora ele deu ordem para que o diretor de um banco oficial abrisse financiamento para construir as esta\u00e7\u00f5es \u2013 o que foi feito. O lago deixou de receber esgotos sem tratamento. E agora servir\u00e1 para abastecer a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caminhos h\u00e1.<\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* Not\u00edcia publicada por este jornal (25\/2) traduz a precariedade de servi\u00e7os p\u00fablicos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/esgoto_ceu_aberto_brasilia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* Not\u00edcia publicada por este jornal (25\/2) traduz a precariedade de servi\u00e7os p\u00fablicos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17144"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17144\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}