{"id":16970,"date":"2015-03-04T17:00:54","date_gmt":"2015-03-04T17:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=16970"},"modified":"2015-03-03T21:55:44","modified_gmt":"2015-03-03T21:55:44","slug":"alteracoes-do-balanco-hidrico-no-cerrado-podem-afetar-importantes-setores-da-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/alteracoes-do-balanco-hidrico-no-cerrado-podem-afetar-importantes-setores-da-economia-brasileira\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es do balan\u00e7o h\u00eddrico no Cerrado podem afetar importantes setores da economia brasileira"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-16971\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201c\u00c9 evidente que as altera\u00e7\u00f5es de uso e cobertura do solo promovidas pela expans\u00e3o agr\u00edcola na regi\u00e3o de Cerrado t\u00eam potencial para afetar os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e v\u00e1rios importantes setores da economia do Brasil, tais como agricultura, produ\u00e7\u00e3o de energia e disponibilidade h\u00eddrica\u201d, alerta o pesquisador em hidrologia, Tarso Sanches Oliveira.<\/em><\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Cerrado por \u00e1reas destinadas \u00e0s atividades agr\u00edcolas \u201ctem causado intensas mudan\u00e7as nos processos hidrol\u00f3gicos\u201d e acelerado a eros\u00e3o do solo do segundo maior bioma da Am\u00e9rica do Sul, afirma Paulo Tarso Sanches Oliveira, doutor em Engenharia Hidr\u00e1ulica e Saneamento e autor da tese Water balance and soil erosion in the Brazilian Cerrado. Nos \u00faltimos anos o pesquisador tem estudado as mudan\u00e7as ocasionadas no solo e no ciclo hidrol\u00f3gico do bioma, que abrange 10 das 12 grandes regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras, e contribui para a forma\u00e7\u00e3o de importantes bacias hidrogr\u00e1ficas, como a dos Rios Tocantins\/Araguaia, S\u00e3o Francisco, Paraguai, Paran\u00e1 e Parna\u00edba. \u201cEssas mudan\u00e7as no balan\u00e7o h\u00eddrico e eros\u00e3o do solo s\u00e3o ainda pouco entendidas, apesar de fundamentais na tomada de decis\u00e3o de uso e manejo do solo nesta regi\u00e3o. Portanto, torna-se necess\u00e1rio compreender a magnitude das mudan\u00e7as nos processos hidrol\u00f3gicos e de eros\u00e3o do solo, em escalas locais, regionais e continentais, e as consequ\u00eancias dessas mudan\u00e7as\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida \u00e0 IHU On-Line por e-mail, Oliveira informa que o desflorestamento do Cerrado est\u00e1 ocorrendo mais rapidamente do que na \u00e1rea de floresta amaz\u00f4nica e \u201cconsiderando a taxa atual de desflorestamento, estima-se que o ecossistema pode desaparecer nos pr\u00f3ximos anos\u201d. Segundo ele, \u201co uso do solo \u00e9 considerado um dos principais fatores que controlam o processo de eros\u00e3o h\u00eddrica. Nossos resultados sugerem que mudan\u00e7as no uso do solo (como, por exemplo, a substitui\u00e7\u00e3o do Cerrado para cultivo agr\u00edcola) t\u00eam o potencial de intensificar a eros\u00e3o do solo de 10 a 100 vezes\u201d. Entre as consequ\u00eancias previstas caso a atual situa\u00e7\u00e3o se mantenha, o pesquisador menciona a possibilidade de haver altera\u00e7\u00f5es no balan\u00e7o h\u00eddrico, intensifica\u00e7\u00e3o dos processos erosivos, perda de biodiversidade, desequil\u00edbrios no ciclo do carbono, polui\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, mudan\u00e7as no regime de queimadas e altera\u00e7\u00e3o do clima regional.<\/p>\n<p>Oliveira lembra ainda que \u201cal\u00e9m de ser uma importante regi\u00e3o ecol\u00f3gica e agr\u00edcola para o Brasil, a regi\u00e3o de Cerrado \u00e9 crucial para a din\u00e2mica de recursos h\u00eddricos, pois (\u2026) as maiores usinas hidrel\u00e9tricas do pa\u00eds (~80% da energia produzida no Brasil) possuem rios que se iniciam em regi\u00f5es de Cerrado\u201d.<\/p>\n<p>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u00e9 doutor em Ci\u00eancias \u2013 Engenharia Hidr\u00e1ulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos, da Universidade de S\u00e3o Paulo (EESC-USP). Trabalhou como pesquisador visitante na United States Department of Agriculture (USDA-ARS), \u00e9 mestre em Tecnologias Ambientais \u2013 Recursos H\u00eddricos e \u00e9 graduado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul \u2013 UFMS.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em que contexto foi realizada a sua pesquisa sobre a din\u00e2mica de balan\u00e7o h\u00eddrico e dos processos erosivos decorrentes da substitui\u00e7\u00e3o da cobertura do solo por \u00e1reas agr\u00edcolas no Cerrado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira &#8211;<\/strong> O desmatamento nas regi\u00f5es de Cerrado tem causado intensas mudan\u00e7as nos processos hidrol\u00f3gicos. Essas mudan\u00e7as no balan\u00e7o h\u00eddrico e eros\u00e3o do solo s\u00e3o ainda pouco entendidas, apesar de fundamentais na tomada de decis\u00e3o de uso e manejo do solo nesta regi\u00e3o. Portanto, torna-se necess\u00e1rio compreender a magnitude das mudan\u00e7as nos processos hidrol\u00f3gicos e de eros\u00e3o do solo, em escalas locais, regionais e continentais, e as consequ\u00eancias dessas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O principal objetivo do estudo apresentado nesta tese de doutorado foi de melhor entender os mecanismos dos processos hidrol\u00f3gicos e de eros\u00e3o do solo no Cerrado Brasileiro. Assim, foi estudado cada componente do balan\u00e7o h\u00eddrico, tais como: a precipita\u00e7\u00e3o; precipita\u00e7\u00e3o interna (parte da precipita\u00e7\u00e3o que passa pela vegeta\u00e7\u00e3o e atinge o solo); escoamento pelo tronco das \u00e1rvores; intercepta\u00e7\u00e3o da chuva; evapotranspira\u00e7\u00e3o (parcela da \u00e1gua que evapora mais o uso da \u00e1gua pela vegeta\u00e7\u00e3o denominado de transpira\u00e7\u00e3o); infiltra\u00e7\u00e3o; \u00e1gua armazenada no solo; \u00e1gua que recarrega o aqu\u00edfiro subterr\u00e2neo; e o escoamento superficial. A figura abaixo ilustra cada um desses componentes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/grafico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-130097\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/grafico.jpg\" alt=\"grafico\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p>No desenvolvimento da pesquisa foram utilizadas diferentes escalas de trabalho (vertentes, bacias hidrogr\u00e1ficas e continental) e usando dados experimentais in situ, de laborat\u00f3rio e a partir de sensoriamento remoto. Deste modo, a tese de doutorado foi dividida em cinco artigos cient\u00edficos (tr\u00eas publicados e dois em revis\u00e3o, todos em peri\u00f3dicos conceito A1 da CAPES) que contemplam estudos sobre o balan\u00e7o h\u00eddrico e eros\u00e3o do solo no Cerrado em diferentes escalas espaciais e temporais. Al\u00e9m disso, os resultados provenientes deste projeto foram apresentados e discutidos nas duas principais reuni\u00f5es cient\u00edficas em que o projeto se enquadra \u2013 AGU Fall Meeting, 2013 (San Francisco, The U.S.) e EGU General Assembly, 2014 (Vienna, Austria).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ressaltar que os artigos desenvolvidos na tese de doutorado envolveram a parceria com diversos pesquisadores em diferentes universidades al\u00e9m do Departamento de Engenharia Hidr\u00e1ulica e Saneamento da EESC-USP, tais como: USDA-ARS, Southwest Watershed Research Center, Tucson, Arizona, USA; Department of Hydrology and Water Resources, University of Arizona, Tucson, Arizona, USA; Queens School of Engineering, University of Bristol, Bristol, UK; Departamento de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas, IAG, University of S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, Brasil; e o Departamento de Agronomia, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Aquidauana, Brasil.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais foram as \u00e1reas estudadas e quais suas constata\u00e7\u00f5es acerca da atual situa\u00e7\u00e3o delas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013 Duas \u00e1reas foram estudadas, as quais apresento abaixo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c1rea 1: \u00e1rea do Cerrado Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>O bioma Cerrado, segundo maior bioma da Am\u00e9rica do Sul, ocupa uma \u00e1rea de aproximadamente 2 milh\u00f5es de km2 (correspondente a ~22% do territ\u00f3rio nacional) e est\u00e1 localizado na por\u00e7\u00e3o central do Brasil. O Cerrado abrange 10 das 12 grandes regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras, contribuindo para forma\u00e7\u00e3o de importantes bacias hidrogr\u00e1ficas, tais como as dos Rios Tocantins\/Araguaia, S\u00e3o Francisco, Paraguai, Paran\u00e1 e Parna\u00edba. Segue o percentual de \u00e1rea ocupada pelo Bioma Cerrado em cada uma das 10 regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras: Tocantins (65%), S\u00e3o Francisco (57%), Paraguai (50%), Paran\u00e1 (49%), Parna\u00edba (46%), Occidental Atlantic Northeast (46%), Atlantic East (8%), Amazon (4%), Southeast Atlantic (1%) and Oriental Atlantic Northeast (&lt;1%) regions (Figura 1a).<\/p>\n<p>A \u00e1gua proveniente dessas bacias hidrogr\u00e1ficas \u00e9 crucial para o abastecimento humano e dessedenta\u00e7\u00e3o animal, manuten\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es eco-hidrol\u00f3gicas de sistemas no Cerrado e outros biomas como o Pantanal e a Caatinga, e para o fornecimento de \u00e1gua para a ind\u00fastria, agricultura, navega\u00e7\u00e3o e turismo. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ressaltar que v\u00e1rias usinas hidrel\u00e9tricas do Brasil usam \u00e1guas provenientes da regi\u00e3o de Cerrado, tais como: Itaipu, Tucuru\u00ed, Iha Solteira, Xing\u00f3 e Paulo Afonso. Os aqu\u00edferos de \u00e1gua subterr\u00e2nea do Bambu\u00ed, Urucuia e Guarani tamb\u00e9m se encontram em \u00e1reas de Cerrado, destacando que boa parte das \u00e1reas de aforamento do Aqu\u00edfero Guarani encontra-se nesta regi\u00e3o. Isso ressalta a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do Cerrado em diversos setores do Brasil.<\/p>\n<p>Em contrapartida, nas \u00faltimas d\u00e9cadas houve intensa substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural do Cerrado por \u00e1reas destinadas \u00e0s atividades agr\u00edcolas. Deste modo, verifica-se que o desflorestamento do Cerrado ocorre mais rapidamente do que na \u00e1rea de floresta amaz\u00f4nica e, considerando a taxa atual de desflorestamento, estima-se que o ecossistema pode desaparecer nos pr\u00f3ximos anos. Neste sentido, existe um grande desafio, pois a transforma\u00e7\u00e3o de ecossistemas ocasiona altera\u00e7\u00f5es no balan\u00e7o h\u00eddrico e intensifica os processos erosivos, al\u00e9m de provocar a perda de biodiversidade, desequil\u00edbrios no ciclo do carbono, polui\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, mudan\u00e7as no regime de queimadas e altera\u00e7\u00e3o do clima regional.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mapa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-130098\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mapa-1024x682.jpg\" alt=\"Figura da \u00e1rea do Bioma Cerrado, bacias hidrogr\u00e1ficas estudadas (Tocantins\/Araguaia, Tocantins, S\u00e3o Francisco e Paran\u00e1) e os estados brasileiros localizados na \u00e1rea de Cerrado.\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mapa das bacias hidrogr\u00e1ficas e esta\u00e7\u00f5es fluviom\u00e9tricas representadas por c\u00edrculos. Bacias: 1. Amaz\u00f4nica; 2. Tocantins; 3. Oc. A. Northeast; 4. Parna\u00edba; 5. Ori. A. Northeast; 6. S\u00e3o Francisco; 7. East Atlantic; 8. Southeast Atlantic; 9. Paran\u00e1; 10. Paraguai; 11. Uruguai; 12. South Atlantic. b. Bioma Cerrado e as fronteiras com outros Biomas Brasileiros. The Cerrado biome and its borders with other Brazilian biomes. Estados: Bahia \u2013 BA; Maranh\u00e3o \u2013 MA; Tocantins \u2013 TO; Piaui \u2013 PI; Mato Grosso do Sul \u2013 MS; Mato Grosso \u2013 MT; Goi\u00e1s \u2013 GO; Distrito Federal -DF; Minas Gerais \u2013 MG; S\u00e3o Paulo \u2013 SP and Paran\u00e1 \u2013 PR. Fonte: doi: 10.1002\/2013WR015202<\/em><\/p>\n<p>Neste estudo publicado na revista Water Resources Research, n\u00f3s avaliamos o uso de dados de sensoriamento remoto na estimativa dos principais componentes do balan\u00e7o h\u00eddrico, al\u00e9m de realizar uma an\u00e1lise de incerteza e de tend\u00eancia dos dados.<\/p>\n<p><em><strong>Fonte:<\/strong> OLIVEIRA, P.T.S., NEARING, M.A., MORAN, M.S., GOODRICH, D.C., WENDLAND, E., GUPTA, H.V. Trends in water balance components across the Brazilian Cerrado. Water Resources Research., 50,7100-7114, 2014. doi: 10.1002\/2013WR015202<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00c1rea 2: Fragmento de Cerrado no munic\u00edpio de Itirapina<\/strong><\/p>\n<p>Outro estudo foi conduzido em um fragmento de Cerrado, na Fazenda S\u00e3o Jos\u00e9, pertencente ao Instituto Arruda Botelho, situada \u00e0 Rodovia Municipal Ayrton Senna Km 08, munic\u00edpio de Itirapina-SP (latitude 22\u00b010\u2032 S, longitude 47\u00b052\u2032 W e altitude m\u00e9dia de 760 m). Na \u00e1rea de Cerrado foi instalada uma esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica autom\u00e1tica, em uma torre de 11 m de altura, que realiza medidas autom\u00e1ticas de vari\u00e1veis clim\u00e1ticas e do solo. Al\u00e9m disso, foram instaladas seis parcelas (\u00e1reas delimitadas por chapas galvanizadas no total de 100 m2 cada parcela) com o intuito de coletar o escoamento superficial e a eros\u00e3o do solo; 15 pluvi\u00f4metros para coletar a parte da chuva que atinge o solo; e 12 coletores de escoamento da \u00e1gua que escoa pelo tronco das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>As coletas foram realizadas ap\u00f3s cada chuva erosiva, ou seja, a cada chuva que tem o potencial para promover escoamento superficial e eros\u00e3o do solo. A esta\u00e7\u00e3o metereol\u00f3gica instalada na \u00e1rea experimental envia informa\u00e7\u00f5es 24 horas de todas as vari\u00e1veis meteorol\u00f3gicas monitoradas. Assim, \u00e9 poss\u00edvel saber quando \u00e9 necess\u00e1rio realizar o monitoramento.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Com que magnitude tem ocorrido mudan\u00e7as nos processos hidrol\u00f3gicos e de eros\u00e3o do solo no Cerrado e quais s\u00e3o as causas dessa altera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013<\/strong> Na \u00e1rea 1, o balan\u00e7o h\u00eddrico foi avaliado primeiramente para toda a regi\u00e3o do Cerrado (~ 2 milh\u00f5es de km2) a partir de dados de sensoriamento remoto no per\u00edodo de 2003 a 2010. Foram utilizados dados da Tropical Rainfall Measuring Mission \u2013 TRMM para precipita\u00e7\u00e3o, Moderate Resolution Imaging Spectroradiameter \u2013 MOD16 para obten\u00e7\u00e3o da evapotranspira\u00e7\u00e3o e Gravity Recovery and Climate Experiment \u2013 GRACE para an\u00e1lise da varia\u00e7\u00e3o do estoque de \u00e1gua na superf\u00edcie terrestre (Figura abaixo). Cada um dos dados de entrada foi avaliado com dados medidos a campo e o fechamento do balan\u00e7o h\u00eddrico foi avaliado a partir de dados de vaz\u00e3o para as tr\u00eas maiores bacias hidrogr\u00e1ficas localizadas no Cerrado, Paran\u00e1, S\u00e3o Francisco e Tocantins. Al\u00e9m disso, foi avaliado se existem tend\u00eancias significativas em cada componente do balan\u00e7o h\u00eddrico a partir do Mann-Kendall test para \u03b1 = 95%.<\/p>\n<p>Verificamos que a principal fonte de incerteza na estimativa do escoamento superficial ocorre nos dados de precipita\u00e7\u00e3o do TRMM. A varia\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na superf\u00edcie terrestre calculada como o residual da equa\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o h\u00eddrico usando dados de sensoriamento remoto (TRMM e MOD16) e valores observados de vaz\u00e3o mostram uma correla\u00e7\u00e3o significativa com os valores de varia\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na superf\u00edcie terrestre provenientes dos dados do GRACE. Al\u00e9m disso, conclu\u00edmos que os dados do GRACE podem representar satisfatoriamente a varia\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na superf\u00edcie terrestre para extensas regi\u00f5es do Cerrado. A valida\u00e7\u00e3o desses dados obtida em nosso estudo na regi\u00e3o do Cerrado \u00e9 fundamental para avalia\u00e7\u00f5es futuras de per\u00edodos de enchentes e de seca na regi\u00e3o. A partir desses dados \u00e9 possivel quantificar o aumento e a diminui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na superf\u00edcie terrestre e visualizar espacialmente as regi\u00f5es mais afetadas. Por exemplo, no per\u00edodo de estudo (2003-2010) verificou-se, em geral, uma tend\u00eancia de aumento na m\u00e9dia anual de evapotranspira\u00e7\u00e3o no Cerrado e a diminui\u00e7\u00e3o do escoamento superficial em alguns pontos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cap4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-130099\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cap4.jpg\" alt=\"cap4\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na \u00e1rea 2, os valores m\u00e9dios de evapotranspira\u00e7\u00e3o estimada para o Cerrado variou 1,91 a 2,60 mm d-1 para a esta\u00e7\u00e3o seca e chuvosa, respectivamente. Os valores de intercepta\u00e7\u00e3o da chuva variam de 4 a 20% e o escoamento pelo tronco das \u00e1rvores foi de aproximadamente 1% da precipital total no cerrado. O coeficiente de escoamento superficial (total escoado superficialmente dividido pelo total precipitado) foi menor que 1% nas parcelas de cerrado e o desmatamento tem o potencial de aumentar em at\u00e9 20 vezes esse valor.<\/p>\n<p>Neste estudo tamb\u00e9m foi desenvolvido um modelo regional para estimativa da evapotranspira\u00e7\u00e3o a partir de dados de sensoriamento remoto. Assim \u00e9 poss\u00edvel estimar a evapotranspira\u00e7\u00e3o de forma satisfat\u00f3ria a cada 16 dias e com uma resolu\u00e7\u00e3o espacial de 250 m. Esse modelo regional permite a estimativa da evapotranspira\u00e7\u00e3o para \u00e1reas de cerrado da regi\u00e3o com melhor qualidade que outros modelos globais.<\/p>\n<p><em><strong>Fonte:<\/strong> OLIVEIRA, P.T.S., WENDLAND, E., NEARING, M.A., SCOTT, R.L., ROSOLEM, R., da ROCHA, H.R. The water balance components of undisturbed tropical woodlands in the Brazilian Cerrado. Hydrology and Earth System Sciences Discussions, 11, 12987-13018, 2014. doi:10.5194\/hessd-11-12987-2014<\/em><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como essas mudan\u00e7as no solo, por conta da agricultura, t\u00eam interferido no processo de eros\u00e3o? As altera\u00e7\u00f5es t\u00eam acelerado a eros\u00e3o? Quais as consequ\u00eancias desse processo para o balan\u00e7o h\u00eddrico do bioma?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013<\/strong> A m\u00e9dia anual de perda de solo nas parcelas mantidas com solo exposto e cerrado nativo foi de 12.2 t ha-1yr-1 e 0.1 t ha-1 yr-1, respectivamente. Ou seja, solos descobertos aumentam a perda de solo em at\u00e9 100 vezes o valor observado do cerrado nativo. N\u00f3s tamb\u00e9m calculamos o fator uso e manejo do solo (fator C) da Equa\u00e7\u00e3o Universal de perda do Solo (USLE) para o Cerrado igual a 0.013. Esse fator \u00e9 usado para estimativa de perda de solo em diversos modelos hidrol\u00f3gicos e de eros\u00e3o do solo e vem sendo usado no programa de servi\u00e7os ambientais do Brasil, chamado de Programa Produtor de \u00c1guas.<br \/>\nVerificamos ainda que o escoamento superficial, eros\u00e3o do solo e o fator C na \u00e1rea de Cerrado variam de acordo com as esta\u00e7\u00f5es do ano. Os maiores valores do fator C foram encontrados no ver\u00e3o e no outono.<\/p>\n<p>Os principais fatores que controlam o processo de eros\u00e3o do solo s\u00e3o: chuva; caracter\u00edticas do solo; caracter\u00edsticas topogr\u00e1ficas como comprimento da vertente e declividade; uso e manejo do solo; e as pr\u00e1ticas de conservacionistas. O uso do solo \u00e9 considerado um dos principais fatores que controlam o processo de eros\u00e3o h\u00eddrica. Nossos resultados sugerem que mudan\u00e7as no uso do solo (como, por exemplo, a substitui\u00e7\u00e3o do Cerrado para cultivo agr\u00edcola) t\u00eam o potencial de intensificar a eros\u00e3o do solo de 10 a 100 vezes.<\/p>\n<p><em><strong>Fonte:<\/strong> OLIVEIRA, P.T.S.; NEARING, M.A.; WENDLAND, E. Runoff and soil erosion for an undisturbed Brazilian Cerrado site under natural rainfall. Earth Surface Processes and Landforms, 2015. (Under review)<\/em><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Desde quando est\u00e3o ocorrendo mudan\u00e7as preocupantes no ciclo hidrol\u00f3gico e no solo do Cerrado? J\u00e1 se chegou ao \u00e1pice do desflorestamento e de altera\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas na regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013<\/strong> O Cerrado brasileiro \u00e9 considerado uma das mais ricas ecorregi\u00f5es do mundo em termos de biodiversidade, cobrindo uma \u00e1rea de 2 milh\u00f5es de km\u00b2 (~22% do territ\u00f3rio nacional); no entanto, \u00e1reas remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa representam apenas 51% deste total (IBAMA\/MMA\/UNDP, 2011). Al\u00e9m de ser uma importante regi\u00e3o ecol\u00f3gica e agr\u00edcola para o Brasil, a regi\u00e3o de Cerrado \u00e9 crucial para a din\u00e2mica de recursos h\u00eddricos do pa\u00eds, pois engloba parte de 10 das 12 grandes regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras. Essas regi\u00f5es contribuem para forma\u00e7\u00e3o de importantes bacias hidrogr\u00e1ficas, tais como as dos Rios S\u00e3o Francisco, Paraguai, Tocantins\/Araguaia, Parna\u00edba e Paran\u00e1. Al\u00e9m disso, as maiores usinas hidrel\u00e9tricas do pa\u00eds (~80% da energia produzida no Brasil) possuem rios que se iniciam em regi\u00f5es de Cerrado.<\/p>\n<p>Como \u00e1reas de savanas e florestas t\u00eam sido associadas com mudan\u00e7as de localiza\u00e7\u00e3o, intensidade e dura\u00e7\u00e3o dos eventos de chuva, aumento e prolongamento das esta\u00e7\u00f5es de seca e mudan\u00e7as na vaz\u00e3o dos rios, fica evidente que as altera\u00e7\u00f5es de uso e cobertura do solo promovidas pela expans\u00e3o agr\u00edcola na regi\u00e3o de Cerrado t\u00eam potencial para afetar os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e v\u00e1rios importantes setores da economia do Brasil, tais como agricultura, produ\u00e7\u00e3o de energia e disponibilidade h\u00eddrica. Apesar da tend\u00eancia de que a expans\u00e3o agr\u00edcola ir\u00e1 continuar no Cerrado e que as altera\u00e7\u00f5es de uso e cobertura do solo promovem mudan\u00e7as na din\u00e2mica do balan\u00e7o h\u00eddrico, poucos estudos t\u00eam sido desenvolvidos visando investigar os processos hidrol\u00f3gicos em escala de campo (parcelas ou vertentes).<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que percentual das \u00e1guas do Cerrado \u00e9 utilizado pelas usinas hidrel\u00e9tricas? O uso da \u00e1gua por hidrel\u00e9tricas tamb\u00e9m altera o ciclo h\u00eddrico do Cerrado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013<\/strong> N\u00e3o tenho essa informa\u00e7\u00e3o sobre o volume total de \u00e1gua proveniente de bacias hidrogr\u00e1ficas do Cerrado que s\u00e3o usados para gera\u00e7\u00e3o de energia. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do ciclo hidrol\u00f3gico, a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios para gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica provoca a reten\u00e7\u00e3o de determinado volume de \u00e1gua a montante da barragem, o que reduz o volume escoado no curso d\u2019\u00e1gua a jusante, bem como o aumento da evapora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua exposta no espelho d\u2019\u00e1gua do reservat\u00f3rio. Apesar destes e outros aspectos negativos, a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios \u00e9 ben\u00e9fica tanto para a regula\u00e7\u00e3o do fluxo e inunda\u00e7\u00f5es a jusante quanto para o aumento do suprimento de \u00e1gua para usos consuntivos e n\u00e3o consuntivos, como abastecimento p\u00fablico, irriga\u00e7\u00e3o, navega\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de energia, e outros.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Alguns ambientalistas est\u00e3o associando a crise h\u00eddrica do pa\u00eds, especialmente a do estado de S\u00e3o Paulo, com a situa\u00e7\u00e3o das bacias hidrogr\u00e1ficas do Cerrado. Concorda com essa an\u00e1lise? Quais bacias est\u00e3o mais prejudicadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013<\/strong> N\u00e3o tenho d\u00favidas de que as pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o das bacias hidrogr\u00e1ficas, incluindo a preserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas adequadas de manejo do solo e gest\u00e3o da demanda h\u00eddrica, s\u00e3o fundamentais para manuten\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua superficial e subterr\u00e2nea em termos de quantidade e qualidade. No entanto, o que est\u00e1 ocorrendo na regi\u00e3o sudeste do Brasil \u00e9 a ocorr\u00eancia de eventos meteorol\u00f3gicos extremos, valores m\u00ednimos de precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse per\u00edodo de eventos extremos que estamos vivenciando est\u00e1 servindo para nos mostrar o qu\u00e3o fr\u00e1gil \u00e9 o sistema de gest\u00e3o e gerenciamento de recursos h\u00eddricos no Brasil. \u00c9 preciso avan\u00e7ar muito neste sentido para que possamos garantir \u00e1gua em quantidade e qualidade para os m\u00faltiplos usos a todo cidad\u00e3o brasileiro mesmo em condi\u00e7\u00f5es de extremos hidrol\u00f3gicos. Em outras palavras, \u00e9 preciso planejar, executar obras e medidas que garantam isso a curto, m\u00e9dio e longo prazo e considerando cen\u00e1rios de extremos hidrol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o as perspectivas para o Cerrado se o cultivo agr\u00edcola continuar aumentando nos pr\u00f3ximos anos? A partir dos resultados de sua pesquisa, que medidas ambientais devem ser aplicadas no Cerrado para modificar tanto a altera\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica quanto o processo de eros\u00e3o do solo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Tarso Sanches Oliveira \u2013<\/strong> O desmatamento no Cerrado tende a continuar, principalmente porque existe uma demanda global crescente por produ\u00e7\u00e3o de alimentos e combust\u00edveis; as \u00e1reas de Cerrado possuem caracter\u00edsticas adequadas de topografia e solos j\u00e1 conhecidos para mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola; e recebe menor press\u00e3o contra o desmatamento quando comparado \u00e0 floresta Amaz\u00f4nica. Assim, ap\u00f3s o conhecimento de v\u00e1rios componentes do balan\u00e7o h\u00eddrico e de eros\u00e3o do solo estudados nesta pesquisa, acredito que seja fundamental o desenvolvimento de um zoneamento desta \u00e1rea. Ou seja, devemos verificar espacialmente quais s\u00e3o as \u00e1reas priorit\u00e1rias de preserva\u00e7\u00e3o; \u00e1reas com melhor\/pior potencial agr\u00edcola ou de pecu\u00e1ria; principais pr\u00e1ticas conservacionistas a serem adotadas por regi\u00e3o; \u00e1reas degradadas que precisam de recupera\u00e7\u00e3o; e as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis \u00e0 escassez h\u00eddrica e de risco \u00e0 eros\u00e3o h\u00eddrica, por exemplo. Desta forma, \u00e9 poss\u00edvel uma gest\u00e3o adequada do solo e da \u00e1gua. Esse seria um processo ideal que pode levar alguns anos, mas acreditamos que a pesquisa realizada pode fornecer alguns subs\u00eddios para auxiliar neste processo.<\/p>\n<p><em>* Publicado originalmente no site <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/540205-alteracoes-do-balanco-hidrico-no-cerrado-podem-afetar-importantes-setores-da-economia-brasileira-entrevista-especial-com-paulo-tarso-sanches-oliveira\" target=\"_blank\">IHU on-Line<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 evidente que as altera\u00e7\u00f5es de uso e cobertura do solo promovidas pela expans\u00e3o agr\u00edcola<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cerrado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201c\u00c9 evidente que as altera\u00e7\u00f5es de uso e cobertura do solo promovidas pela expans\u00e3o agr\u00edcola","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16970"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16970"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16970\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}