{"id":16424,"date":"2015-02-23T10:00:09","date_gmt":"2015-02-23T10:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=16424"},"modified":"2015-02-22T13:31:25","modified_gmt":"2015-02-22T13:31:25","slug":"cientistas-buscam-na-antartida-a-chave-para-o-futuro-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-buscam-na-antartida-a-chave-para-o-futuro-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Cientistas buscam na Ant\u00e1rtida a chave para o futuro da humanidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-16426\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As chaves para responder \u00e0s perguntas mais b\u00e1sicas da humanidade est\u00e3o encerradas neste congelador continental do tamanho dos EUA mais a metade do Canad\u00e1: de onde viemos? Estamos s\u00f3s no Universo? Qual \u00e9 o destino de nosso planeta em aquecimento?<\/p>\n<p>Os primeiros exploradores chegaram \u00e0 Ant\u00e1rtida h\u00e1 194 anos, buscando riquezas do s\u00e9culo 19 como peles e \u00f3leo de baleia e foca, tingindo com sangue as ondas do oceano. Desde ent\u00e3o, o primeiro continente formado demonstrou ser uma arca de tesouros para os cientistas que tentam determinar tudo, desde a cria\u00e7\u00e3o do cosmo at\u00e9 o quanto as \u00e1guas se elevar\u00e3o com o aquecimento global.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma janela para o Universo e o tempo&#8221;, disse a cientista Kelly Falkner, chefe do programa polar da Funda\u00e7\u00e3o Nacional para as Ci\u00eancias dos EUA.<\/p>\n<p>Durante cerca de 12 dias em janeiro, no meio do gelado ver\u00e3o ant\u00e1rtico, a ag\u00eancia de not\u00edcias Associated Press acompanhou cientistas de diferentes \u00e1reas em busca de criaturas de forma alien\u00edgena, de pistas de contamina\u00e7\u00e3o presas no antigo gelo, restos do Big Bang, peculiaridades biol\u00f3gicas que pudessem conduzir potencialmente a melhores tratamentos m\u00e9dicos e, talvez o principal, sinais de um derretimento incont\u00edvel. A travessia em um barco da marinha chilena ao largo das ilhas Shetland do Sul e da vulner\u00e1vel pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica, que sai do continente como um dedo fraturado, foi de 1.340 quil\u00f4metros (833 milhas) e permitiu que a equipe da AP desse uma olhada em primeira m\u00e3o neste continente vital.<\/p>\n<p>A Ant\u00e1rtida re\u00fane imagens de montanhas silenciosas e brancas plan\u00edcies, mas o mais frio, seco e remoto dos continentes n\u00e3o est\u00e1 adormecido. Cerca de 98% de sua superf\u00edcie est\u00e3o cobertos de gelo, o qual est\u00e1 em constante movimento. Sendo um vulc\u00e3o ativo, a ilha Decep\u00e7\u00e3o \u00e9 um cadinho de condi\u00e7\u00f5es extremas. H\u00e1 lugares onde o mar ferve a 100 graus cent\u00edgrados, enquanto em outros pode estar abaixo de 0 grau. Embora o sol raramente brilhe nos escuros invernos ant\u00e1rticos, parece que a noite nunca chega nos dias de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Os turistas v\u00eam \u00e0 Ant\u00e1rtida por sua beleza e dist\u00e2ncia, mas para os cientistas tudo \u00e9 trabalho. O que encontrarem poder\u00e1 afetar a vida de pessoas a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Se os especialistas estiverem certos e a plataforma de gelo da Ant\u00e1rtida ocidental j\u00e1 come\u00e7ou a derreter de maneira irrevers\u00edvel, o que ocorrer\u00e1 aqui determinar\u00e1 se cidades como Miami, Nova York, Nova Orleans, Guangzhou, Mumbai, Londres e Osaka ter\u00e3o de combater de forma regular as inunda\u00e7\u00f5es causadas pelo aumento do n\u00edvel dos mares.<\/p>\n<p>A Ant\u00e1rtida &#8220;\u00e9 grande e est\u00e1 mudando. Isso afeta o resto do planeta, e n\u00e3o podemos nos dar o luxo de fazer vista grossa ao que acontece l\u00e1&#8221;, disse David Vaughan, diretor de ci\u00eancia do Centro de Pesquisas da Ant\u00e1rtida do Reino Unido.<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia os cientistas encontram algo diferente do que procuravam. No ano passado, pesquisadores calcularam que o gelo no lado oeste do continente estava derretendo mais r\u00e1pido que o previsto. No m\u00eas passado, cientistas que realizavam pesquisa geol\u00f3gica vital desse derretimento observavam 800 metros sob o gelo, na mais profunda escurid\u00e3o, e tiveram uma surpresa: peixes de 15 cent\u00edmetros de comprimento e criaturas semelhantes a camar\u00f5es nadavam ao lado de suas c\u00e2meras.<\/p>\n<p>Os ge\u00f3logos est\u00e3o fascinados pelos segredos da Ant\u00e1rtida. Em uma recente expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica comandada pelo Instituto Ant\u00e1rtico Chileno, Richard Spikings, um ge\u00f3logo pesquisador da Universidade de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, usou um enorme martelo para coletar amostras de rochas das ilhas Shetland do Sul e da pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica. Curiosos membros de uma col\u00f4nia de pinguins no cabo Leogoupi observavam enquanto ele golpeava peda\u00e7os de granito preto e diorita que sobressa\u00edam do mar meridional. Perto do fim da viagem de duas semanas, seus colegas come\u00e7aram a cham\u00e1-lo de &#8220;Thor&#8221;, em tom de brincadeira.<\/p>\n<p>&#8220;Para compreender muitos aspectos da diversidade de animais e plantas, \u00e9 importante entender quando os continentes se separaram&#8221;, disse Spikings. &#8220;Assim, tamb\u00e9m estamos aprendendo sobre a verdadeira idade da Terra e sobre como os continentes estavam configurados h\u00e1 um bilh\u00e3o de anos, h\u00e1 500 milh\u00f5es de anos, h\u00e1 300 milh\u00f5es de anos&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Ele acrescentou que essa compreens\u00e3o o ajudar\u00e1 a entender o papel fundamental da Ant\u00e1rtida no vaiv\u00e9m dos antigos supercontinentes. Com nomes como Rodinia, Gondwana e Pangea, os cientistas acreditam que eram enormes massas de terra que fizeram parte da hist\u00f3ria do planeta e que se uniam periodicamente com o movimento das placas.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o existe ind\u00fastria local, qualquer rastro de contamina\u00e7\u00e3o preso no gelo e neve antigos prov\u00e9m de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que vieram de longe, como o chumbo que era encontrado no gelo at\u00e9 que foi eliminado da gasolina, ou os n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o de testes nucleares superficiais realizados a milhares de quil\u00f4metros e h\u00e1 muitos anos pelos EUA e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, comentou Vaughan.<\/p>\n<p>O gelo indica como os n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono &#8212; o g\u00e1s que ret\u00e9m o calor na atmosfera &#8212; variaram ao longo de centenas de milhares de anos.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m o lugar onde um buraco na camada de oz\u00f4nio, causado por gases refrigerantes e aeross\u00f3is feitos pelo homem, estaciona periodicamente por alguns meses e causa problemas. Ele surge quando a luz do sol volta \u00e0 Ant\u00e1rtida em agosto, provocando uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que destr\u00f3i as mol\u00e9culas de oz\u00f4nio e causa um buraco que alcan\u00e7a seu tamanho m\u00e1ximo em setembro. Ele se fecha com o clima mais quente em novembro.<\/p>\n<p>Explorar a Ant\u00e1rtida \u00e9 algo que o chileno Alejo Contreras, 53 anos, come\u00e7ou a sonhar durante sua juventude, depois de ler o di\u00e1rio de Robert Falcon sobre sua travessia ao Polo Sul. Quando Contreras finalmente chegou ao Polo Sul, em 1988, deixou de fazer a barba, que agora alcan\u00e7a seu peito, e anda sem rumo fixo, como suas explora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Ant\u00e1rtida \u00e9 &#8220;como o congelador do planeta&#8221;, disse Contreras, que comandou 14 expedi\u00e7\u00f5es ao continente. &#8220;E nenhum de n\u00f3s se atreveria a sujar o gelo.&#8221;<\/p>\n<p>Devido \u00e0 natureza virgem do extremo sul do mundo, quando um meteorito cai ali permanece intacto. Assim, os pesquisadores encontram mais meteoritos, muitas vezes do vizinho Marte, incluindo um descoberto h\u00e1 quase 20 anos que levou os cientistas inicialmente a pensar, de maneira incorreta, que haviam encontrado provas de que j\u00e1 houve vida em Marte. Este \u00e9 um lugar com paisagens tiradas de um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A Nasa utiliza a localiza\u00e7\u00e3o remota do continente para estudar o que as pessoas teriam de enfrentar se visitassem Marte. O ar seco tamb\u00e9m \u00e9 perfeito para que os astr\u00f4nomos espiem o espa\u00e7o profundo e olhem para o passado.<\/p>\n<p>Durante uma viagem recente \u00e0 ilha Decep\u00e7\u00e3o, Peter Convey, um ecologista do Centro de Pesquisas da Ant\u00e1rtida do Reino Unido que visitou o continente durante 25 anos, suportou forte chuva, temperaturas congelantes e ventos de mais de 37 quil\u00f4metros por hora (20 n\u00f3s) para coletar amostras de musgos esponjosos de cor verde e caf\u00e9, que crescem nas cinzas das montanhas de rocha negra da ilha vulc\u00e2nica. Ele procurava chaves em sua gen\u00e9tica para determinar o quanto a esp\u00e9cie havia evolu\u00eddo na Ant\u00e1rtida, isolada de outros continentes.<\/p>\n<p>&#8220;Tive sorte e fui at\u00e9 a metade do continente, assim estive isolado do ser humano mais pr\u00f3ximo por 400 ou 500 quil\u00f4metros&#8221;, disse Convey. Nesse isolamento existem formas de vida raras, aumentando a esperan\u00e7a de que possa haver vida em outros ambientes extremos como Marte, o que inclusive h\u00e1 na atualidade, escondida sob o gelo da lua de J\u00fapiter, Europa. &#8220;Este \u00e9 um dos lugares mais extremos em que poder\u00edamos esperar encontrar vida. E existe&#8221;, indicou Ross Powell, um cientista da Universidade Northern Illinois, que em janeiro utilizou um submarino com controle remoto sob o gelo em uma parte diferente do continente, para decifrar o derretimento, quando viu peixes e crust\u00e1ceos nadando ali.<\/p>\n<p>Cerca de 4 mil cientistas chegam \u00e0 Ant\u00e1rtida para pesquisas no ver\u00e3o e cerca de 1 mil ficam para o duro inverno. Tamb\u00e9m h\u00e1 cerca de 1 mil pessoas alheias \u00e0 ci\u00eancia &#8212; cozinheiros, motoristas, mec\u00e2nicos, zeladores e o sacerdote da Igreja Ortodoxa mais meridional do mundo, situada no alto de uma colina rochosa na esta\u00e7\u00e3o russa Bellinghausen. Mas a igreja na colina \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, um t\u00eanue raio de luz do mundo que existe ao norte. Para os cientistas, o que torna este lugar especial \u00e9 o que h\u00e1 embaixo, que oferece uma janela para o passado e o futuro da humanidade.<\/p>\n<p>&#8220;A Ant\u00e1rtida, em muitos sentidos, \u00e9 como outro planeta&#8221;, disse Jos\u00e9 Retamales, diretor do Instituto Ant\u00e1rtico Chileno, a bordo do barco da marinha que navega por Decep\u00e7\u00e3o e outras ilhas Shetland do Sul. &#8220;\u00c9 um mundo completamente diferente.&#8221;<\/p>\n<p>Luis Andr\u00e9s Henao e Seth Borenstein<br \/>\nDa Associated Press, na Ant\u00e1rtida e nos EUA<\/p>\n<p><span class=\"tradutor\"> Tradutor:<\/span> Luiz Roberto Mendes Gon\u00e7alves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As chaves para responder \u00e0s perguntas mais b\u00e1sicas da humanidade est\u00e3o encerradas neste congelador continental<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16426,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/antartida_futuro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As chaves para responder \u00e0s perguntas mais b\u00e1sicas da humanidade est\u00e3o encerradas neste congelador continental","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16424\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}