{"id":16405,"date":"2015-02-22T18:00:09","date_gmt":"2015-02-22T18:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=16405"},"modified":"2015-02-22T13:14:50","modified_gmt":"2015-02-22T13:14:50","slug":"regiao-no-sul-do-brasil-ajuda-a-manter-o-equilibrio-e-o-clima-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/regiao-no-sul-do-brasil-ajuda-a-manter-o-equilibrio-e-o-clima-do-planeta\/","title":{"rendered":"Regi\u00e3o no Sul do Brasil ajuda a manter o equil\u00edbrio e o clima do planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-16409\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O derramamento de lava que cobriu continentes e abriu rachaduras no meio dos campos, deixou marcas at\u00e9 no litoral. Grandes pared\u00f5es se levantam de dentro do mar e enfeitam a cidade de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul. E ao longo de milhares de anos ganharam contornos caprichosamente trabalhados pelas ondas.<\/p>\n<p>Na beira da praia, as rochas esculpidas em lava vulc\u00e2nica, formam grandes monumentos naturais, os \u00fanicos do tipo no Brasil. Um deles, com cerca de 30 metros de altura, parece uma torre de seguran\u00e7a, sempre de olho no mar. \u00c9 por isso que a faixa de areia ganhou o nome que tem: Praia da Guarita.<\/p>\n<p>A praia est\u00e1 dentro de um parque de 350 hectares, protegido por lei. O oceano n\u00e3o moldou apenas as pedras \u00e0 beira da praia. H\u00e1 milhares de anos, o mar invadia as regi\u00f5es mais baixas da costa do sul do Brasil e quando o n\u00edvel do Atl\u00e2ntico recuou, deixou para tr\u00e1s muita beleza.<\/p>\n<p>O rio faz a curva e des\u00e1gua na lagoa que est\u00e1 na regi\u00e3o h\u00e1 mais de 5 mil anos. Uma \u00e1rea de muito vento transformado hoje em energia. Tanta \u00e1gua atrai vida. Os bigu\u00e1s n\u00e3o resistem: e como gostam de um banho de sol. N\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos. No rio Mampituba, bem na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Globo Rep\u00f3rter vai ao encontro dos visitantes mais famosos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A menor unidade de conserva\u00e7\u00e3o marinha do Brasil, a Ilha dos Lobos, tem o tamanho de dois campos de futebol. Durante boa parte do ano, ela abriga uma popula\u00e7\u00e3o de lobos e le\u00f5es marinhos que vem de bem longe. Do sul do continente at\u00e9 um pequeno peda\u00e7o de pedra s\u00e3o at\u00e9 800 quil\u00f4metros de viagem.<\/p>\n<p>\u201cEles permanecem cerca de 11 meses do ano. Partindo janeiro e fevereiro para a costa uruguaia. E estes outros dez meses sempre tem uma frequ\u00eancia bastante grande de animais na ilha\u201d, conta o chefe da unidade de conserva\u00e7\u00e3o da Ilha dos Lobos Ney Cantarutti Junior.<\/p>\n<p>E \u00e9 um prazer v\u00ea-los nadar. E um al\u00edvio. At\u00e9 bem pouco tempo atr\u00e1s eram ca\u00e7ados, principalmente na Argentina e no Uruguai, pela carne e a pele.<\/p>\n<p>\u201cEstima que mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o tenha sido ca\u00e7ada nesses pa\u00edses. Ent\u00e3o, exatamente a Ilha dos Lobos tamb\u00e9m \u00e9 um ref\u00fagio, embora n\u00e3o exista mais ca\u00e7as nestes pa\u00edses vizinhos, mas mesmo assim \u00e9 uma \u00e1rea importante para eles descansarem\u201d, explica o bi\u00f3logo Paulo Ott.<\/p>\n<p>Nas \u00e1guas escuras da lagoa, o colorido rosa surge em bandos. Manobras perfeitas, bem perto da \u00e1gua. \u00c0s vezes parece um bal\u00e9 meio desajeitado. E logo, a marcha dos flamingos se transforma em grande revoada.<\/p>\n<p><strong>240 esp\u00e9cies de aves vivem ou passam parte do ano na lagoa<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 no Sul do Brasil que se encontra uma das \u00e1reas \u00famidas mais importantes do pa\u00eds. Uma regi\u00e3o alagada t\u00e3o fundamental, que ajuda a manter o equil\u00edbrio e o clima de todo o planeta. Com quase 37 mil hectares, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe fica \u00e0 beira do Oceano Atl\u00e2ntico. Uma paisagem feita de dunas imensas e banhados impressionantes.<\/p>\n<p>\u201cIsso gera uma abund\u00e2ncia de vida, uma riqueza fant\u00e1stica. E as aves migrat\u00f3rias, h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s descobriram a import\u00e2ncia deste ambiente. Ent\u00e3o elas fazem uma viagem fant\u00e1stica e dependem exclusivamente deste lugar para se reabastecer\u201d, diz o chefe do Parque Nacional da lagoa do peixe Hellen Rocha.<\/p>\n<p>As aves v\u00eam de quase todos os cantos das am\u00e9ricas. O flamingo vem do Chile, Peru, Bol\u00edvia e Argentina. O Ma\u00e7arico foge do frio do Canad\u00e1 e viaja cerca de oito mil quil\u00f4metros para se alimentar e descansar. Ao todo, 240 esp\u00e9cies vivem ou passam parte do ano na lagoa, atra\u00eddas pelo calor do sol e por esta \u00e1gua meio turva e supernutritiva.<\/p>\n<p>S\u00e3o as \u00e1guas agitadas e geladas do Atl\u00e2ntico que ajudam a formar o para\u00edso das aves migrat\u00f3rias. Elas viajam quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, porque sabem, por instinto, que a \u00e1gua salgada que \u00e9 jogada atrav\u00e9s de um canal l\u00e1 para dentro da lagoa, \u00e9 a receita perfeita de um banquete que garante a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O rio que liga o mar \u00e0 lagoa chega a ter dois metros de profundidade. E traz tanta comida, que muitas aves se alimentam em pleno voo.<\/p>\n<p>\u201cEm duas, tr\u00eas semanas que permanecem nesta regi\u00e3o aqui, j\u00e1 recuperam o seu peso, e \u00e0s vezes at\u00e9 duplica. Encontram um banquete aqui. Assim que os canadenses estavam definindo que isso aqui \u00e9 um restaurante a c\u00e9u aberto\u201d, afirma a bi\u00f3loga Maria Virginia Petry.<\/p>\n<p>Restaurante a c\u00e9u aberto e lugar perfeito para aumentar a fam\u00edlia. Os ninhos est\u00e3o na areia e no meio das \u00e1guas. Chegar at\u00e9 eles \u00e9 uma aventura. O Globo Rep\u00f3rter acompanhou o trabalho dos pesquisadores e bi\u00f3logos do Instituto Chico Mendes. O objetivo aqui \u00e9 verificar como as popula\u00e7\u00f5es de aves se reproduz. Cruzando a vegeta\u00e7\u00e3o de banhado, avan\u00e7amos at\u00e9 o local onde os gavi\u00f5es fazem os ninhos.<\/p>\n<p>Andar l\u00e1 dentro n\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil. Mas da\u00ed de repente a gente come\u00e7a a olhar, perceber, que na verdade \u00e9 um grande jardim de \u00e1gua cristalina.\u00a0 E \u00e9 poss\u00edvel encontrar muita vida l\u00e1 dentro. No meio da lagoa h\u00e1 um ninho flutuante, com quatro ovinhos. D\u00e1 para ouvir a m\u00e3e, l\u00e1 atr\u00e1s, reclamando que tem gente pertinho. Mas a equipe do Globo Rep\u00f3rter sai para n\u00e3o atrapalhar este para\u00edso, este ref\u00fagio, que \u00e9 s\u00f3 deles.<\/p>\n<p>Conforme a equipe vai chegando, eles v\u00e3o levantando voo, no meio do junco, que \u00e9 onde eles p\u00f5em os ovos. \u00c9 um alerta: eles fazem um ru\u00eddo, n\u00e3o \u00e9 muito forte, mas \u00e9 uma forma de espantar um poss\u00edvel predador. Os pesquisadores anotam tudo. Enquanto isso, a revoada de gavi\u00f5es d\u00e1 um show no fim da tarde.<\/p>\n<p>No dia seguinte, novas aventuras. Na beira do mar, um laborat\u00f3rio sobre rodas se aproxima. Os pesquisadores da Unisinos, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, se preparam para uma pesca diferente. Eles armam redes ao vento para capturar aves. Agora \u00e9 esperar o sol desaparecer no horizonte e ver o resultado da pescaria.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio poderia ser comparado a uma esp\u00e9cie de alf\u00e2ndega para as aves que v\u00eam de fora. S\u00f3 que em vez do passaporte, a narceja argentina e o ma\u00e7arico canadense recebem anilhas e passam por um exame de sangue.<\/p>\n<p>\u00c9 para saber se eles n\u00e3o trazem problemas na bagagem, como o v\u00edrus da gripe avi\u00e1ria, que poderia contaminar a produ\u00e7\u00e3o av\u00edcola por exemplo. Em quatro anos, 600 aves j\u00e1 passaram pelas m\u00e3os desta equipe e at\u00e9 hoje, nenhuma amea\u00e7a foi encontrada.<\/p>\n<p>Amanhece na lagoa. Em um campo pr\u00f3ximo, as emas aproveitam o dia de sol. Disputam espa\u00e7o e exibem a plumagem. Um peda\u00e7o da paisagem \u00e9 feito por um campo de dunas espetacular. Um lugar t\u00e3o protegido, onde s\u00f3 o vento toca a areia e altera o tamanho e o movimento destas montanhas. Um lugar de beleza e quietude.<\/p>\n<p>A areia muda de lugar o tempo todo. E cria formas inusitadas, esculpidas pelo vento e pela \u00e1gua. Algumas mexem com a imagina\u00e7\u00e3o: parecem cogumelos ou seriam doces em camadas? Al\u00e9m da equipe do Globo Rep\u00f3rter, o farol solit\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico sinal da presen\u00e7a do homem por l\u00e1.<\/p>\n<p>E antes da equipe ir embora, ela encontrou mais um morador da regi\u00e3o: um siri pra l\u00e1 de corajoso, brig\u00e3o mesmo! Parece disposto a defender, com garras bem afiadas, este lugar t\u00e3o cheio de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O derramamento de lava que cobriu continentes e abriu rachaduras no meio dos campos, deixou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/aves_migratorias.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O derramamento de lava que cobriu continentes e abriu rachaduras no meio dos campos, deixou","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16405"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16405\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}