{"id":16332,"date":"2015-02-21T13:24:21","date_gmt":"2015-02-21T13:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=16332"},"modified":"2015-02-21T13:24:21","modified_gmt":"2015-02-21T13:24:21","slug":"bicicletas-fantasmas-por-menos-ciclovias-e-mais-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bicicletas-fantasmas-por-menos-ciclovias-e-mais-educacao\/","title":{"rendered":"Bicicletas fantasmas: por menos ciclovias e mais educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Eduardo Macedo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cAs ciclovias s\u00e3o feitas para dar seguran\u00e7a ao ciclista. E ela s\u00f3 existe ou vai existir pela falta de respeito dos motoristas. A ciclovia nada mais \u00e9 do que nossa sociedade e nosso governante admitindo que os motoristas n\u00e3o t\u00eam educa\u00e7\u00e3o\u201d, dispara o cicloativista.<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i59.tinypic.com\/2a2gxs.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: Leandro Leite<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Enquanto muitos olham quil\u00f4metros de ciclovias como sin\u00f4nimo de desenvolvimento e civilidade, o empres\u00e1rio e cicloativista <strong>Eduardo Macedo<\/strong> os v\u00ea como espa\u00e7os de confinamento. Para ele, cada quil\u00f4metro de pista exclusiva para ciclistas que se faz necess\u00e1rio atesta a selvageria de uma sociedade, evidenciando a impossibilidade de conviv\u00eancia entre <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/41309-%60%60a-multiplicacao-de-carros-no-brasil-e-uma-bomba-relogio-ambiental-de-grandes-proporcoes%60%60-entrevista-especial-com-andre-trigueiro\" target=\"_blank\"><strong>carros<\/strong><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/533702-o-avanco-das-bicicletas-no-brasil-e-no-mundo\" target=\"_blank\"><strong>bicicletas<\/strong><\/a> num mesmo espa\u00e7o. \u201cFalta informa\u00e7\u00e3o, respeito e boa vontade de querer compartilhar o tr\u00e2nsito\u201d, destaca, em entrevista concedida por telefone \u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong>.A morte de mais ciclistas em <strong>Porto Alegre<\/strong> reacendeu o debate sobre a inser\u00e7\u00e3o da bicicleta no espa\u00e7o urbano. Para <strong>Macedo<\/strong>, a discuss\u00e3o sobre tamanho, trajeto e locais para constru\u00e7\u00e3o de <strong>ciclovias<\/strong> e <strong>ciclofaixas<\/strong> \u00e9 vazia. Ele defende uma discuss\u00e3o mais profunda, n\u00e3o s\u00f3 capaz de inserir uma interven\u00e7\u00e3o na paisagem urbana. Mas sim permitir que a bicicleta possa ser vista como um meio de transporte. \u201cO ideal \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre ciclistas e motoristas. \u00c9 o <strong>ciclista<\/strong> saber trafegar na via, respeitando o espa\u00e7o do pedestre e se mantendo em linha, e o motorista respeitando a <strong>vida do ciclista<\/strong>\u201d, completa.<\/p>\n<p>A forma encontrada pelo empres\u00e1rio e um grupo de cicloativistas para provocar essa reflex\u00e3o \u00e9 instalando as bicicletas fantasmas, as chamadas <strong>Ghost<\/strong> <strong>Bikes<\/strong>, pela cidade. Inspirados num movimento internacional, eles usam a bicicleta da v\u00edtima do tr\u00e2nsito e a pintam toda de branco.<\/p>\n<p>Como um fantasma, \u00e9 instalada no local do acidente com uma placa lembrando o que aconteceu. \u201cRealizamos o <strong>Ghost Bikes<\/strong> com dois objetivos: \u00e9 uma homenagem ao ciclista que perdeu a vida no tr\u00e2nsito e um sinal de alerta para quem est\u00e1 passando por ali, para simbolizar algo que ocorreu\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo<\/strong> \u00e9 empres\u00e1rio e cicloativista. \u00c9 visto como criador do movimento <strong>Ghost Bikes<\/strong> em <strong>Porto Alegre<\/strong>. Tamb\u00e9m \u00e9 integrante do <strong>Movimento Massa<\/strong> <strong>Cr\u00edtica<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i58.tinypic.com\/v3f0vs.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: Leandro Leite<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O Ghost Bikes \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que nasceu nos Estados Unidos em 2003. O que \u00e9 esse movimento? Quais as especificidades do movimento no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Realizamos o <strong>Ghost Bikes<\/strong> com dois objetivos: \u00e9 uma homenagem ao ciclista que perdeu a vida no tr\u00e2nsito e um sinal de alerta para quem est\u00e1 passando por ali, para simbolizar algo que ocorreu. Muitas pessoas que j\u00e1 viram nossas <strong>Ghost<\/strong> <strong>Bikes<\/strong>, num primeiro momento, estavam dirigindo estressadas, atucanadas, acima do limite de velocidade e, quando viram a bicicleta, levaram um choque. A partir da\u00ed, reduziram o ritmo. Todo mundo que entende o que o <strong>Ghost Bikes<\/strong> significa \u2014 que \u00e9 menos um ciclista, uma<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/533217-transito-brasil-e-um-dos-paises-mais-perigosos-do-mundo\" target=\"_blank\">morte no tr\u00e2nsito<\/a><\/strong> de um ciclista na rua \u2014 encara aquilo como a representa\u00e7\u00e3o de algo negativo e, automaticamente, reduz o ritmo. \u00c9 como o trabalho da <strong>Funda\u00e7\u00e3o Thiago de<\/strong> <strong>Moraes<\/strong> <strong>Gonzaga<\/strong>, o <strong>Vida Urgente<\/strong>, que pinta borboletas no asfalto em locais onde houve acidente. Quando as pessoas observam uma borboleta ali no ch\u00e3o, logo vem uma conscientiza\u00e7\u00e3o: \u201cbah, o que estou fazendo?!\u201d. Hoje em dia, vivemos uma vida muito r\u00e1pida. Estamos correndo o tempo todo e, \u00e0s vezes, corremos tanto que acabamos colocando nossa vida em risco. Tudo por causa de nossa pressa. A <strong>Ghost Bike<\/strong> quer simbolizar que a sua pressa, a nossa pressa valem uma vida. E, claro, ao mesmo tempo \u00e9 uma homenagem ao ciclista morto.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como conheceu o Ghost Bikes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> H\u00e1 tr\u00eas anos, uma crian\u00e7a foi atropelada por um \u00f4nibus em <strong>Porto Alegre<\/strong>, na Avenida Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria. Logo ap\u00f3s o acidente, ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es de como\u00e7\u00e3o na internet. E, num grupo, o pessoal sugeriu fazer uma <strong>Ghost<\/strong> <strong>Bike<\/strong>. Come\u00e7aram a perguntar quem poderia fazer. Eu me ofereci, pois como sempre trabalhei com bicicletas, para mim \u00e9 f\u00e1cil. A partir desse dia, comecei a fazer todas as <strong>Ghost Bikes<\/strong> em Porto Alegre. J\u00e1 foram 15.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Porque \u00e9 importante fazer essa homenagem aos ciclistas atropelados?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Marcedo &#8211;<\/strong> Parece que a <strong>bicicleta \u00e9 abandonada<\/strong> dentro de nossa sociedade. Se v\u00ea pouca informa\u00e7\u00e3o sobre a bicicleta. Hoje em dia, se voc\u00ea nunca andou de bicicleta e comprar uma, n\u00e3o saber\u00e1 como andar na rua. N\u00e3o sabe os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/536215-ciclistas-se-queixam-de-pneus-furados-por-tachinhas-em-ciclofaixa-de-sp\" target=\"_blank\"><strong>direitos dos ciclistas<\/strong><\/a>. Tem muita gente que ainda fica apavorada quando v\u00ea o ciclista dividindo espa\u00e7o com os carros. Mas a bicicleta tem total direito de andar na rua, \u00e9 um <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523891-semana-da-mobilidade-repense-o-seu-meio-de-transporte\" target=\"_blank\"><strong>meio de transporte<\/strong><\/a>. Ela n\u00e3o foi feita para andar em cima da cal\u00e7ada. Bicicleta tem que ter um conv\u00edvio sadio com os autom\u00f3veis, com os \u00f4nibus, com os caminh\u00f5es. E ela tem que ser respeitada, pois \u00e9 o ve\u00edculo mais fraco. Por isso tem que ser feita uma homenagem ao <strong>Joel<\/strong>, e aproveitar essa oportunidade para dizer que a<strong> bicicleta tem espa\u00e7o<\/strong> e que, se ela fosse respeitada, talvez o que aconteceu com ele poderia ter sido evitado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Voc\u00ea diz que as pessoas ainda se surpreendem ao ver as bicicletas entre os carros. Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Porque a<strong> cultura da bicicleta<\/strong> est\u00e1 totalmente defasada. Muitas pessoas ganham a bicicleta quando crian\u00e7a e a veem como um brinquedo. N\u00e3o conseguem encarar como um meio de transporte. As pessoas n\u00e3o t\u00eam a cultura de que conseguem chegar do ponto A ao ponto B sem ser de carro, de \u00f4nibus, mas de bicicleta. Muitos vivem uma <strong>vida<\/strong> <strong>sedent\u00e1ria<\/strong>. N\u00e3o conseguem se imaginar fazendo cinco quil\u00f4metros pedalando, subindo uma lomba mais \u00edngreme. Esqueceram que nosso corpo \u00e9 uma m\u00e1quina e que podemos condicionar a atividade f\u00edsica para isso.<\/p>\n<p>Eu fa\u00e7o entre 40, 45 quil\u00f4metros todos os dias. E n\u00e3o me sinto nem um pouco cansado, n\u00e3o me sinto nem um pouco fatigado, porque meu corpo j\u00e1 acostumou e absorveu isso. A pessoa come\u00e7a a pedalar e, nos dez primeiros quil\u00f4metros, est\u00e1 muito cansada. Isso porque n\u00e3o tem a cultura da bicicleta inserida, n\u00e3o tem o <strong>costume de andar <\/strong>de bicicleta e acaba achando: \u201co cara vem l\u00e1 da zona sul de bicicleta. Isso \u00e9 uma coisa imposs\u00edvel\u201d. Na verdade, pensa assim porque n\u00e3o se permitiu condicionar a essa situa\u00e7\u00e3o e porque n\u00e3o vive essa cultura de que bicicleta pode ser um meio de transporte.<\/p>\n<p><strong>Ghost Bike e o sentimento de culpa<\/strong><\/p>\n<p>Muitas pessoas, ao verem uma <strong>bicicleta branca acorrentada<\/strong> com o nome da pessoa, reagem com estranheza. Automaticamente, em seguida, t\u00eam um <strong>sentimento de culpa<\/strong>. J\u00e1 vieram me dizer que, depois que viram a <strong>Ghost<\/strong> <strong>Bike<\/strong> do <strong>Joel<\/strong>, sentiram-se culpados por todos aqueles ciclistas que passaram tirando fininho. E esse fininho, com diferen\u00e7a de pouco espa\u00e7o, poderia ter causado um acidente grave. Ent\u00e3o, \u00e9 como se a <strong>Ghost<\/strong> <strong>Bike<\/strong> fosse um alerta e ao mesmo tempo um<strong> peso na consci\u00eancia<\/strong> de quem n\u00e3o respeita.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; E como mudar essa cultura e fazer com que as pessoas encarem a bicicleta como meio de transporte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> A primeira coisa \u00e9 termos campanhas de divulga\u00e7\u00e3o, <strong>conscientiza\u00e7\u00e3o e explica\u00e7\u00e3o nas escolas<\/strong> alertando que a bicicleta tamb\u00e9m \u00e9 meio de transporte, que est\u00e1 inserida no tr\u00e2nsito e na sociedade. Nas autoescolas deveria haver aulas explicando essa rela\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito com a bicicleta. \u00c9 mostrar como o motorista deve proceder com um ciclista que est\u00e1 trafegando na sua frente. E, tamb\u00e9m, como eu, enquanto ciclista, devo me portar. Hoje, h\u00e1 pouco incentivo ao uso da bicicleta. Existe mais incentivo ao uso do carro. Por isso deveria come\u00e7ar a mudar pela base, com as crian\u00e7as, na escola e, em seguida, na forma\u00e7\u00e3o do condutor. Tamb\u00e9m teria de haver mais propaganda incentivando o <strong>uso da bicicleta<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Ainda na instala\u00e7\u00e3o das primeiras bicicletas, houve um choque com a Empresa P\u00fablica de Transporte e Circula\u00e7\u00e3o &#8211; EPTC em Porto Alegre. Uma bicicleta fantasma chegou a ser removida da Av. \u00c9rico Ver\u00edssimo, em agosto de 2014. A instala\u00e7\u00e3o lembrava a morte de uma jovem de 21 anos atropelada por um \u00f4nibus. Como \u00e9 hoje a rela\u00e7\u00e3o com as autoridades de tr\u00e2nsito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Se a gente colocar alguma <strong>Ghost<\/strong> em uma placa, o \u00f3rg\u00e3o de tr\u00e2nsito vai tirar. Ent\u00e3o, identificamos que em postes e \u00e1rvores eles n\u00e3o t\u00eam como tirar. Um amigo j\u00e1 pesquisou e viu que um poste e uma \u00e1rvore n\u00e3o t\u00eam interfer\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os de tr\u00e2nsito. E sempre conversamos com a <strong>EPTC<\/strong>, pedindo para deixarem as bicicletas. At\u00e9 hoje, s\u00f3 retiraram essa da <strong>\u00c9rico<\/strong> <strong>Ver\u00edssimo<\/strong>. Alegaram que estava numa placa de tr\u00e2nsito e atrapalhava a visibilidade da sinaliza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, instalamos a mesma Bike alguns metros depois, numa \u00e1rvore.<\/p>\n<table align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>\u201cO tr\u00e2nsito \u00e9 uma guerra, querendo ou n\u00e3o. Guerra por espa\u00e7o\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Em 2014, segundo a EPTC, 249 ciclistas se envolveram em acidentes de tr\u00e2nsito. Seis morreram. Como v\u00ea esse n\u00famero? A que atribui?<\/strong><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Eu acho esse n\u00famero alto. Acho que uma ou duas pessoas j\u00e1 \u00e9 um n\u00famero alto. N\u00e3o deveria morrer ningu\u00e9m. O tr\u00e2nsito \u00e9 uma guerra, querendo ou n\u00e3o. <strong>Guerra por espa\u00e7o<\/strong>. As pessoas morrem porque tem algu\u00e9m dirigindo de uma forma imprudente, ou porque tem algu\u00e9m num lugar errado ou fazendo algo errado. Se tiv\u00e9ssemos um tr\u00e2nsito com <strong>pessoas mais educadas<\/strong>, se tiv\u00e9ssemos uma comunica\u00e7\u00e3o visual melhor nas ruas, muitos acidentes e mortes seriam evitados. S\u00f3 acontecem mortes e acidentes por falta de educa\u00e7\u00e3o e de respeito ao pr\u00f3ximo. E por falta de respeito ao pr\u00f3prio limite de velocidade. Uma morte \u00e9, sim, um n\u00famero muito alto. E estamos com n\u00fameros altos tanto de <strong>mortes de ciclistas<\/strong> como de pedestres e motoristas.<\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;S\u00f3 acontecem mortes e acidentes por falta de educa\u00e7\u00e3o e de respeito ao pr\u00f3ximo&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a bicicleta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo \u2013<\/strong> Eu vim de uma fam\u00edlia em que o pai era corredor de bicicletas. Meu pai andou de bicicleta a vida toda, pedalou at\u00e9 os 86 anos. Desde crian\u00e7a, trabalho numa oficina de bicicleta para ajud\u00e1-lo. O pai me levava para treinar de bicicleta. Tive uma cultura em que, aonde f\u00f4ssemos, na maioria das vezes, era sempre de bicicleta. Vamos visitar um parente? Ent\u00e3o \u00edamos todos de bicicleta, n\u00e3o \u00edamos de carro. Sempre tive essa <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/512953-o-sucesso-da-obra-nao-interrompida\" target=\"_blank\"><strong>cultura da bicicleta<\/strong><\/a> muito enraizada na minha vida. Tamb\u00e9m sempre tive lojas de bicicletas. Meus exemplos de vida sempre foram pessoas que usavam bicicleta no seu dia a dia. Ent\u00e3o, n\u00e3o consigo imaginar minha vida sem a bicicleta.<\/p>\n<p>Muitos de meus amigos, ao fazer 18 anos, corriam para tirar carteira de motorista. Eu n\u00e3o vivia essa cultura. Sempre ganhei o mundo sobre duas rodas. Meus amigos queriam tirar a carteira e diziam: \u201cagora vou poder ir para tal lugar!\u201d. Eu j\u00e1 fazia isso porque ia de bicicleta. Nunca me prendi a \u00f4nibus, por ter aprendido a usar a bicicleta sempre. E como vivo e trabalho de bicicleta, estou inserido nisso.<\/p>\n<p><strong>O choque da perda<\/strong><\/p>\n<p>Umas 12 horas antes desse atropelamento do <strong>Joel<\/strong> (em fevereiro de 2015, o arquiteto Joel Fagundes, de 60 anos, foi atropelado por um t\u00e1xi na zona norte de <strong>Porto Alegre<\/strong> e morreu. Ele era um cicloativista), eu passei pelo mesmo local. Fui para <strong>Cap\u00e3o da Canoa<\/strong> de bicicleta. Sa\u00ed da minha loja na Avenida Brasil, em Porto Alegre, e fui para Cap\u00e3o. Por uma quest\u00e3o de 12 horas, poderia ter sido eu. Uso a bicicleta todo dia como meio de transporte. Moro distante 20 quil\u00f4metros do meu local de trabalho. Saio da Avenida Juca Batista, zona sul de Porto Alegre, e venho todos os dias para as lojas na Avenida Brasil e na Avenida Prot\u00e1sio Alves (zona norte). Assim, estou com a bicicleta diariamente no tr\u00e2nsito. Estou muito inserido nesse meio porque a bicicleta \u00e9 o meu meio de transporte.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; E como \u00e9 essa experi\u00eancia de atravessar a cidade todos os dias? O que v\u00ea no tr\u00e2nsito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Eu vejo a falta de informa\u00e7\u00e3o dos motoristas. Eu n\u00e3o uso muito a ciclovia porque as \u201c<strong>ciclocoisas<\/strong>\u201d que temos em Porto Alegre s\u00e3o muito mal feitas. A pr\u00f3pria \u201cciclocoisa\u201d que tem na frente de um shopping na Avenida Di\u00e1rio de Not\u00edcias (zona sul de Porto Alegre) tem v\u00e1rios bueiros, tem pavimento irregular, n\u00e3o tem cal\u00e7ada. N\u00e3o consigo trafegar ali numa velocidade de 20, 25 quil\u00f4metros por hora sem colocar em risco um pedestre que est\u00e1 caminhando, um idoso, uma mulher passeando com um cachorro. Al\u00e9m do que, segundo o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/510426-lei-de-mobilidade-urbana-redesenhando-as-cidades-entrevista-especial-com-nazareno-stanislau-affonso\" target=\"_blank\"><strong>C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro<\/strong><\/a>, eu n\u00e3o sou obrigado a trafegar por uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/512953-o-sucesso-da-obra-nao-interrompida\" target=\"_blank\"><strong>ciclovia<\/strong><\/a>. Posso trafegar na pista, compartilhando o tr\u00e2nsito. O que vejo \u00e9 que muitos motoristas, ao verem uma ciclovia, acham que tenho a obriga\u00e7\u00e3o de trafegar por ela e que, se n\u00e3o fizer isso, estou roubando o espa\u00e7o deles. S\u00f3 que est\u00e3o enganados. Ser\u00e1 que ningu\u00e9m explicou isso na autoescola? A bicicleta pode trafegar na via, mesmo tendo uma <strong>ciclovia<\/strong>.<\/p>\n<p>Vejo tamb\u00e9m muita raiva dos motoristas ao me verem trafegando na via. Passam tirando fininho de mim ou me cortam para entrar na pr\u00f3xima rua, dez metros na frente. Assim como tamb\u00e9m vejo alguns motoristas de \u00f4nibus atr\u00e1s de mim freando bruscamente ou me ultrapassando para parar logo em seguida ou, se ultrapasso eles, ficam bravos. Chegam a pedir para que eu suba na cal\u00e7ada. Falta informa\u00e7\u00e3o, respeito e boa vontade de querer compartilhar o tr\u00e2nsito. Todos os dias, eu pego as avenidas da zona sul e norte e vejo tudo entupido de carros. \u00c0s vezes, um carro passa por mim tirando fininho. Mais na frente, encontro ele parado numa fileira de carros. Tem muita coisa desnecess\u00e1ria. Falta muito respeito e mais educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre as ciclovias? E o ideal seria construir mais ciclovias ou trabalhar nessa inser\u00e7\u00e3o das bicicletas nas ruas e avenidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> O ideal \u00e9 uma <strong>educa\u00e7\u00e3o m\u00fatua<\/strong> entre ciclistas e motoristas. \u00c9 o ciclista saber trafegar na via, respeitando o espa\u00e7o do pedestre e se mantendo em linha, e o motorista respeitando a vida do ciclista, porque ele est\u00e1 dentro de uma caixa protegida, e respeitando o limite de velocidade. As <strong>ciclovias<\/strong> s\u00e3o feitas para dar seguran\u00e7a ao ciclista. E ela s\u00f3 existe ou vai existir pela <strong>f<\/strong>alta de respeito dos motoristas. Se existisse respeito, n\u00e3o haveria nada disso. A ciclovia nada mais \u00e9 do que nossa sociedade e nosso governante admitindo que os motoristas n\u00e3o t\u00eam educa\u00e7\u00e3o. Infelizmente, t\u00eam que ser feitas mais ciclovias para incentivar as pessoas a andarem de bicicleta enquanto nossa sociedade n\u00e3o tiver mais considera\u00e7\u00e3o e respeito.<\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" height=\"30\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;Falta um pouco de interesse em adotar a bicicleta como meio de transporte&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 o papel do poder p\u00fablico nessa briga motoristas x ciclistas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> O papel deles \u00e9 levar informa\u00e7\u00e3o para as pessoas, criar formas de educar as pessoas, melhorar as vias. Muitas ciclovias e faixas est\u00e3o em estado prec\u00e1rio. Nos locais em que passo todo dia, n\u00e3o consigo andar pela via (avenida) na faixa da direita em fun\u00e7\u00e3o dos buracos abertos com o peso dos \u00f4nibus. Falta mais planejamento. Falta cria\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de base de motoristas. Precisamos de vias mais trafeg\u00e1veis tanto para carro quanto para ciclistas. E falta um pouco de interesse em<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/535146-os-caminhos-para-desafogar-o-transito-das-metropoles\" target=\"_blank\">adotar a bicicleta<\/a><\/strong> como meio de transporte.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Ent\u00e3o, o conselho para os gestores p\u00fablicos \u00e9: construam menos ciclovias e invistam mais na educa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> \u00c9 isso. Se fosse dar um conselho, seria isso. Porque uma coisa \u00e9 certa: ciclovia acaba em algum momento e o ciclista tem que sair para algum lugar. A educa\u00e7\u00e3o, a partir do momento que \u00e9 dada, \u00e9 levada para o resto da vida. E nem em todos os lugares da cidade vai se conseguir construir ciclovias e, talvez, nem se consiga construir muitas em dez anos. J\u00e1 em dez anos, investindo em educa\u00e7\u00e3o, se consegue salvar muito mais pessoas e de forma eficiente. Isso n\u00e3o vai refletir s\u00f3 na vida do ciclista, mas tamb\u00e9m do pedestre e do motorista.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como avalia o trabalho do poder p\u00fablico hoje, nesse quesito educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o para um tr\u00e2nsito seguro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Ainda est\u00e1 muito atrasado. Deveria investir mais em educa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 em ciclovias, como muitos pedem. Mas n\u00e3o vejo uma for\u00e7a t\u00e3o grande de investimentos numa coisa ou noutra.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line<\/strong> <strong>&#8211; Muitas pessoas gostam de andar de bicicleta e fazer isso nas horas de lazer ou como pr\u00e1tica esportiva. O que falta para a bicicleta ser vista como meio de transporte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> O problema \u00e9 que o carro cria um anonimato. Se tu \u00e9s uma pessoa frustrada e violenta, o<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/41177-o-transito-no-brasil-e-uma-multidao-de-surtados-entrevista-com-roberto-damatta\" target=\"_blank\"><strong> anonimato do carro<\/strong><\/a> te deixa expor tudo isso. Pode cortar, buzinar e n\u00e3o vai mostrar teu rosto para aquela pessoa que est\u00e1 diante de ti. N\u00e3o deixa que tu sintas vergonha. O que poderia romper isso talvez fossem mais puni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Porto Alegre ficou marcada por outro acontecimento envolvendo ciclistas. Em 25 de fevereiro de 2011, o banc\u00e1rio Ricardo Neis avan\u00e7ou o carro sobre 150 ciclistas que participavam de uma manifesta\u00e7\u00e3o. Pelo menos oito ficaram feridos. O que mudou de l\u00e1 para c\u00e1, tanto em termos de comportamento, legisla\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as na cidade para inser\u00e7\u00e3o da bicicleta no cotidiano das cidades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Eu estava nessa manifesta\u00e7\u00e3o. Ele j\u00e1 estava transtornado. Quando a gente saiu e passou por ele, j\u00e1 estava transtornado. Queria passar de qualquer maneira. Poderia ter entrado em duas ruas. Estava acelerando, arrancando, freando e cantando pneus. Ele fez isso uns bons metros. E um grupo de ciclistas ficou atr\u00e1s dele. N\u00e3o \u00e9 normal a pessoal acelerar, colocar o giro do carro l\u00e1 em cima e depois frear. Faz isso para intimidar. Logo em seguida, derrubou dois. Quando levantaram, ele acelerou.<\/p>\n<table align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>&#8220;Infelizmente, teve que acontecer uma trag\u00e9dia para termos direito ao espa\u00e7o e promover a bicicleta&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Agora, vou dizer algo terr\u00edvel sobre isso: ele foi, talvez, uma das pessoas que mais fez pela bicicleta em Porto Alegre. Porque, logo ap\u00f3s, a bicicleta ganhou uma visibilidade muito grande. Apareceu na m\u00eddia, ganhou muita for\u00e7a e foi mostrado que ela poderia existir como <strong>meio de transporte<\/strong>. Mais pessoas conheceram a bicicleta e a vida sobre duas rodas. Infelizmente, teve que acontecer uma trag\u00e9dia para termos<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/4821-priorizacao-do-carro-no-espaco-urbano-e-insustentavel-afirma-ladislau-dowbor\" target=\"_blank\">direito ao espa\u00e7o<\/a><\/strong> e promover a bicicleta.<\/p>\n<p><strong>O que mudou<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o mais conscientes desde 2011. Logos ap\u00f3s o fato, as pessoas alegaram que os ciclistas estavam na rua. Mas foi explicado que a bicicleta tem direito \u00e0 rua. Aquela manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava trancando o tr\u00e2nsito. Estava passando, mas na velocidade dela.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual seu envolvimento com o movimento Massa Cr\u00edtica e qual a import\u00e2ncia de movimentos como esses?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Macedo &#8211;<\/strong> Eu acredito na ideia <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/41079-aos-poucos-vamos-mudar-essa-ideia-de-quem-e-rico-usa-carro-e-quem-e-pobre-usa-bicicleta-entrevista-especial-com-olavo-ludwig-jr-e-paulo-alves\" target=\"_blank\"><strong>Massa<\/strong> <strong>Cr\u00edtica<\/strong><\/a>. N\u00e3o acredito que seja um grupo, mas sim uma ideia. Toda \u00faltima sexta-feira do m\u00eas eu vou l\u00e1 e fa\u00e7o parte dessa ideia. Eu e mais uma centena de ciclistas ocupamos as ruas e vamos andando na nossa velocidade de 20 por hora, fazendo um trajeto e mostrando que a bicicleta tem direito \u00e0 rua, tem direito a espa\u00e7o. Esse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o mostra que n\u00f3s estamos aqui, que queremos respeito. Merecemos o direito de pedalar na rua. Trancar o tr\u00e2nsito? Nunca vi a <strong>Massa<\/strong> <strong>Cr\u00edtica<\/strong> trancar o tr\u00e2nsito. Trancar o tr\u00e2nsito \u00e9, no hor\u00e1rio de pico, todos os carros quererem sair juntos. Uma <strong>Massa<\/strong> <strong>Cr\u00edtica<\/strong> passa. Talvez, ocupe uma grande avenida durante dez minutos. S\u00f3 que ningu\u00e9m para e todos trafegam. A <strong>Massa Cr\u00edtica<\/strong> tem que ficar cada vez mais forte, exigir mais espa\u00e7o e mais respeito.<\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong> &#8211; <em>Por Jo\u00e3o Vitor Santos<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Eduardo Macedo \u201cAs ciclovias s\u00e3o feitas para dar seguran\u00e7a ao ciclista. 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