{"id":162,"date":"2014-05-17T03:38:45","date_gmt":"2014-05-17T03:38:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=162"},"modified":"2014-06-01T16:23:29","modified_gmt":"2014-06-01T16:23:29","slug":"entrevista-especial-com-marcio-rosa-rodrigues-de-freitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-marcio-rosa-rodrigues-de-freitas\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com M\u00e1rcio Rosa Rodrigues de Freitas"},"content":{"rendered":"<p style=\"color: #1b6390;\">Preserva\u00e7\u00e3o dos polinizadores, uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia humana<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>\u201cDo montante do resultado da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o custo do servi\u00e7o ambiental prestado pela poliniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 na ordem de R$ 17 bilh\u00f5es\u201d, explica o diretor do Ibama.<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">O processo de log\u00edstica \u2013 colheita e processamento &#8211; dos diversos alimentos que dispomos nas prateleiras dos supermercados \u00e9, de alguma forma, algo relativamente claro para n\u00f3s, consumidores. Por\u00e9m, para al\u00e9m dessa quest\u00e3o do manejo humano com os alimentos, h\u00e1 um importante trabalho realizado por insetos, que n\u00e3o cobram nada pelo trabalho que exercem e geram uma economia anual de aproximadamente R$ 17 bilh\u00f5es por ano: trata-se dos polinizadores. \u201cEles (os polinizadores) s\u00e3o basicamente a base de algumas culturas agr\u00edcolas como, por exemplo, a fruticultura. Na fruticultura a import\u00e2ncia da poliniza\u00e7\u00e3o chega a 90% das esp\u00e9cies cultivadas, enquanto no geral da agricultura esse n\u00famero gira em torno de 70%\u201d, explica\u00a0<strong>M\u00e1rcio Rosa Rodrigues de Freitas<\/strong>, coordenador geral de\u00a0<strong>Avalia\u00e7\u00e3o e Controle de Subst\u00e2ncias Qu\u00edmicas e Produtos Perigosos do Ibama<\/strong>, em entrevista por telefone \u00e0<strong>\u00a0IHU On-Line.<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">\u201cOs pa\u00edses, na\u00a0<strong>Europa<\/strong>, que j\u00e1 tentaram valorizar isso do ponto de vista financeiro, estimam um valor na ordem de 10% do total da agricultura mundial, que em 2005 foi em torno de 153 bilh\u00f5es de euros. Se usarmos os mesmos dados para o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, admitindo que a import\u00e2ncia seja a mesma para a agricultura brasileira, conforme dados de 2011, cuja produ\u00e7\u00e3o foi na ordem de R$ 176 bilh\u00f5es, a economia que se gera \u00e9 de R$ 17 bilh\u00f5es\u201d, destaca\u00a0<strong>M\u00e1rcio de Freitas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">No Brasil h\u00e1 dois casos \u2014 em\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a0Minas Gerais<\/strong>\u00a0\u2014 de elimina\u00e7\u00e3o de comunidades de abelhas cujas causas est\u00e3o sendo estudadas, mas a suspeita est\u00e1 relacionada ao uso de agrot\u00f3xicos da fam\u00edlia dos neonicotinoides. Esse novos produtos qu\u00edmicos foram desenvolvidos com o intuito de serem menos agressivos; no entanto, a toxicidade se comporta de uma outra maneira. \u201cNo caso dos\u00a0<strong><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/505725-inseticidasdizimampolinizadores\" target=\"_blank\">neonicotinoides<\/a><\/strong>, o que se verificou foi o seguinte: eles t\u00eam uma toxicidade menor, mas, diferentemente da aguda (aquela que mata imediatamente os insetos), causam uma toxicidade cr\u00f4nica, ou seja, causam um efeito mais duradouro e t\u00eam um envenenamento cr\u00f4nico, e n\u00e3o agudo. Ent\u00e3o, no caso das abelhas, isso afeta o seu sentido de orienta\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 muito complicado, porque esse produto n\u00e3o mata a abelha imediatamente, mas a enfraquece, a deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 infesta\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Esse problema gera desorienta\u00e7\u00e3o, fen\u00f4meno que ficou conhecido como\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-arquivadas\/6910-um-fenomeno-misterioso-acomete-as-abelhas\" target=\"_blank\"><strong>\u2018colapso da colmeia\u2019<\/strong><\/a>\u201d, esclarece\u00a0<strong>M\u00e1rcio de Freitas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/abelha2.jpg\" alt=\" \" width=\"450\" height=\"671\" \/><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">\u00a0Fonte:\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.cienciaempauta.am.gov.br\/\">http:\/\/www.cienciaempauta.am.gov.br\/<\/a><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio Rosa Rodrigues de Freitas<\/strong>\u00a0(foto) \u00e9 coordenador geral de\u00a0<strong>Avalia\u00e7\u00e3o e Controle de Subst\u00e2ncias Qu\u00edmicas e Produtos Perigosos do Ibama<\/strong>. Possui gradua\u00e7\u00e3o em\u00a0<strong>Engenharia Civil\u00a0<\/strong>pela<strong>\u00a0Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul &#8211; PUCRS<\/strong>, especializa\u00e7\u00e3o em<strong>Sa\u00fade P\u00fablica<\/strong>\u00a0pela\u00a0<strong>Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; FSP\/USP<\/strong>e mestrado em\u00a0<strong>Meio Ambiente pela Universidade Luterana do Brasil &#8211; ULBRA-RS<\/strong>. \u00c9 especialista em\u00a0<strong>Recursos H\u00eddricos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/marcio-de-freitas.jpg\" alt=\" \" width=\"450\" height=\"376\" \/><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Fonte:\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/\">http:\/\/www2.camara.leg.br\/<\/a><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Cientistas do mundo todo concordam que a intoxica\u00e7\u00e3o dos polinizadores por agrot\u00f3xicos representa uma grave amea\u00e7a \u00e0 sobreviv\u00eancia humana. Por que isso acontece?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0Na verdade, essa concord\u00e2ncia de todos os cientistas n\u00e3o deixa d\u00favidas de que h\u00e1 uma\u00a0<strong><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/508137-estudos-ligam-sumico-de-abelhas-ao-uso-de-pesticidas\" target=\"_blank\">rela\u00e7\u00e3o entre o uso de agrot\u00f3xicos e o risco de desaparecimento dos polinizadores<\/a><\/strong>.\u00a0Entretanto, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica causa nem a \u00fanica quest\u00e3o com a qual n\u00f3s nos deparamos hoje. \u00c9 preciso esclarecer que a maior causa do desaparecimento de polinizadores ainda \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o dos seus h\u00e1bitats, que tem a ver, tamb\u00e9m, com a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, mas n\u00e3o necessariamente s\u00f3 pela quest\u00e3o do uso de agrot\u00f3xico. O agrot\u00f3xico \u00e9 colocado hoje como terceira causa do desaparecimento das esp\u00e9cies de polinizadores.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Import\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">A import\u00e2ncia dos polinizadores est\u00e1 relacionada com o servi\u00e7o ambiental que eles prestam. As estimativas que se t\u00eam \u00e9 que eles (os polinizadores) s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 73% das esp\u00e9cies agr\u00edcolas cultivadas atualmente no mundo, fora as esp\u00e9cies n\u00e3o cultivadas \u2014 florestas, matas nativas e a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade da flora. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a extin\u00e7\u00e3o desses animais coloca em risco a esp\u00e9cie humana, porque podemos perder uma biodiversidade grande com o fim de um servi\u00e7o ambiental que hoje \u00e9 gratuito. Isso sem d\u00favida vai amea\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, seja do ponto de vista econ\u00f4mico, seja do ponto de vista ambiental.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Que tipos de impactos o exterm\u00ednio dos polinizadores pode trazer \u00e0s nossas sociedades? Por que os polinizadores s\u00e3o t\u00e3o importantes para a agricultura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0Eles s\u00e3o basicamente a base de algumas culturas agr\u00edcolas como, por exemplo, a fruticultura. Na fruticultura a import\u00e2ncia da poliniza\u00e7\u00e3o chega a 90% das esp\u00e9cies cultivadas, enquanto no geral da agricultura esse n\u00famero gira em torno de 70%.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Os pa\u00edses, na\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/6667-abelhas-desaparecem-nos-eua-e-na-europa-provocando-prejuizos-de-bilhoes-de-dolares-a-agricultores\" target=\"_blank\"><strong>Europa<\/strong><\/a>, que j\u00e1 tentaram valorizar isso do ponto de vista financeiro, estimam um valor na ordem de 10% do total da agricultura mundial, que em 2005 foi em torno de 153 bilh\u00f5es de euros. Se usarmos os mesmos dados para o Brasil, admitindo que a import\u00e2ncia seja a mesma para a agricultura brasileira, conforme dados de 2011, cuja produ\u00e7\u00e3o foi na ordem de R$ 176 bilh\u00f5es, a economia que se gera \u00e9 de R$ 17 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Realidade no Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Isso significa dizer que desse montante, resultado da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o custo do servi\u00e7o ambiental prestado pela poliniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 na ordem de R$ 17 bilh\u00f5es. Ent\u00e3o n\u00f3s estamos falando de um servi\u00e7o ambiental que tem um valor econ\u00f4mico muito alto e que dificilmente conseguimos substituir. Os pa\u00edses que aceitaram perda de poliniza\u00e7\u00e3o significativa, como a\u00a0<strong>China<\/strong>, os pa\u00edses da<strong>\u00c1sia<\/strong>, enfrentaram problemas, pois n\u00e3o conseguiram contornar a situa\u00e7\u00e3o com a substitui\u00e7\u00e3o por meio da poliniza\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Do que se trata, exatamente, estes 10% relacionados \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0\u00c9 o valor do servi\u00e7o ambiental. Vamos considerar o seguinte: n\u00f3s plantamos e as abelhas polinizam e garantem a reprodu\u00e7\u00e3o dessas plantas. Caso os agricultores perdessem este\u00a0<strong>\u201cservi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, de fecunda\u00e7\u00e3o das plantas, o custo artificial dessa poliniza\u00e7\u00e3o seria (como j\u00e1 dito anteriormente) na ordem de R$ 17 bilh\u00f5es. O que eu estou dizendo \u00e9 que se pegarmos o valor da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0em 2011 e aplicarmos esse mesmo percentual, ter\u00edamos um valor na ordem de R$ 17 bilh\u00f5es. \u00c9 uma estimativa grosseira, mas \u00e9 para dar uma ordem da grandeza, da import\u00e2ncia do servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos retomar esse dado ao p\u00e9 da letra, mas podemos ter uma ideia.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Estados Unidos<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Nos\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-arquivadas\/8353-abelhas-desaparecem-das-colmeias-nos-estados-unidos\" target=\"_blank\"><strong>Estados Unidos<\/strong><\/a>, por exemplo, onde o servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 pago, nos \u00faltimos dez anos o valor da colmeia alugada subiu de 20 d\u00f3lares (porque eles alugam a colmeia para polinizar a cultura) para 150 d\u00f3lares, atualmente. Isso se deve \u00e0 perda de poliniza\u00e7\u00e3o que eles tiveram, o que significa dizer que, desde a extin\u00e7\u00e3o dos polinizadores, o aluguel das colmeias mais que quadruplicou.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Que estrat\u00e9gias est\u00e3o sendo realizadas no sentido de conscientizar a opini\u00e3o p\u00fablica (pol\u00edticos, secret\u00e1rios de Estado, sociedade civil, etc.) com rela\u00e7\u00e3o a este tema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00f3s temos discutido isso nos F\u00f3runs em que somos chamados a participar. O papel do Ibama \u00e9 o de controle ambiental, n\u00e3o propriamente de divulga\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Ent\u00e3o, dentro da nossa fun\u00e7\u00e3o de controle de regula\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos, n\u00f3s temos tomado algumas medidas de restri\u00e7\u00e3o ao uso desses produtos.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Estamos fazendo uma reavalia\u00e7\u00e3o ambiental dos produtos que est\u00e3o mais avaliados ao fen\u00f4meno de colapso das colmeias, que \u00e9 o grupo qu\u00edmico chamado neonicotinoides. Desde 2011 estamos trabalhando nisso, a partir de 2012 come\u00e7amos a reavalia\u00e7\u00e3o do imidacloprido e ainda esta semana devemos come\u00e7ar a reavalia\u00e7\u00e3o do tiametoxan e da clotianidina, que s\u00e3o outros dois ingredientes ativos de agrot\u00f3xicos. Esses tr\u00eas s\u00e3o ingredientes ativos do grupo qu\u00edmico dos neonicotinoides e est\u00e3o associados ao fen\u00f4meno de\u00a0<strong><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528925-colmeias-exterminadas-por-agrotoxicos-sao-problema-mundial\" target=\"_blank\">desaparecimento das colmeias<\/a>.<\/strong>\u00a0Tais produtos est\u00e3o sendo questionados no mundo inteiro, e o\u00a0<strong>Ibama<\/strong>\u00a0come\u00e7ou a fazer a reavalia\u00e7\u00e3o e a adotar as medidas de prote\u00e7\u00e3o antes da Europa e at\u00e9 mesmo dos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, que est\u00e3o come\u00e7ando agora a avaliar esses produtos.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Na<strong>\u00a0Europa<\/strong>, a proibi\u00e7\u00e3o desses produtos foi feita a partir de 2013. Ela estabeleceu a proibi\u00e7\u00e3o por dois anos, para fazer um estudo e verificar a rela\u00e7\u00e3o causal entre o uso dos produtos e o desaparecimento das abelhas. Como eu comentei, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dessa rela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma suspeita muito forte e j\u00e1 se tem mais ou menos claro que n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno isolado. Repito, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o uso dos agrot\u00f3xicos, mas uma s\u00e9rie de fatores, como o estresse da colmeia, as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a pr\u00f3pria perda de h\u00e1bitat das abelhas, o que leva ao enfraquecimento das col\u00f4nias e as deixam mais suscet\u00edveis \u00e0 incid\u00eancia de doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O que s\u00e3o os inseticidas do tipo\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528258-milhoes-de-abelhas-morrem-por-causa-de-pesticidas-neonicotinoides-fabricadas-pela-bayer-e-syngenta-e-94-de-milho-transgenico-nos-eua-sao-tratados-ou-com-pesticida-imidacloprid-ou-pesticida-clotianidina\" target=\"_blank\">neonicotinoides<\/a>?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0S\u00e3o um grupo qu\u00edmico de uso mais recente. N\u00f3s sempre nos referimos aos agrot\u00f3xicos como as mol\u00e9culas mais novas e as mol\u00e9culas mais antigas. Os neonicotinoides s\u00e3o mol\u00e9culas mais novas. Isso significa que eles t\u00eam uma toxicidade mais espec\u00edfica, no sentido de serem mais espec\u00edficos para os alvos que querem combater, menos gen\u00e9ricos, e com isso buscam trazer menor risco \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente, porque eles s\u00e3o direcionados a uma<strong>\u201cpraga espec\u00edfica\u201d<\/strong>. Ent\u00e3o, teoricamente, eles possuem uma menor toxicidade aos organismos n\u00e3o alvos e, por consequ\u00eancia, t\u00eam um comportamento ambiental normalmente mais amig\u00e1vel do que as outras mol\u00e9culas.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Toxicidade cr\u00f4nica<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Ou seja, eles t\u00eam uma toxicidade mais dirigida, uma vida menor no ambiente. Por\u00e9m, no caso dos neonicotinoides, o que se verificou foi o seguinte: eles t\u00eam uma toxicidade menor, mas, diferentemente da aguda (aquela que mata imediatamente os insetos), causam uma toxicidade cr\u00f4nica, ou seja, causam um efeito mais duradouro e t\u00eam um envenenamento cr\u00f4nico, e n\u00e3o agudo. Ent\u00e3o, no caso das abelhas, isso afeta o seu sentido de orienta\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 muito complicado, porque esse produto n\u00e3o mata a abelha imediatamente, mas a enfraquece, a deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 infesta\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Esse problema gera desorienta\u00e7\u00e3o, fen\u00f4meno que ficou conhecido como\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/42609-as-abelhas-sumiram-entrevista-especial-com-afonso-inacio-orth\" target=\"_blank\"><strong>\u201ccolapso da colmeia\u201d<\/strong><\/a>, porque a abelha sai e n\u00e3o volta para a colmeia, ela se desorienta.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Como est\u00e3o os estudos do Ibama em rela\u00e7\u00e3o aos neonicotinoides? J\u00e1 existe algum resultado das pesquisas? Quais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00f3s submetemos o imidacloprido, que foi o primeiro neonicotinoide, ao processo de reavalia\u00e7\u00e3o. Para tanto, h\u00e1 um rito. Primeiramente, as empresas fabricantes dos produtos s\u00e3o instadas a apresentar o que elas t\u00eam de estudos mais recentes em rela\u00e7\u00e3o a essas mol\u00e9culas que pretendem colocar no mercado. Depois, \u00e9 feita a an\u00e1lise dos estudos, e, se entendermos que os testes realizados n\u00e3o s\u00e3o suficientes para uma conclus\u00e3o, solicitamos novos estudos \u2014 o que corresponde a atual fase dos neonicotinoides no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>. As empresas est\u00e3o desenvolvendo estudos de campo, inclusive alguns no\u00a0<strong>Rio Grande do Sul<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Testes<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">N\u00f3s pedimos aos fabricantes que verifiquem se o res\u00edduo do agrot\u00f3xico aplicado no p\u00f3len, a quantidade presente nas amostras, \u00e9 capaz de intoxicar a abelha ou n\u00e3o. Ent\u00e3o, trata-se de um estudo de campo que demanda certo tempo para o desenvolvimento. Os testes come\u00e7aram a ser desenvolvidos ainda no final de 2013 e devem continuar at\u00e9 o final de 2015, quando devemos estar concluindo essa reavalia\u00e7\u00e3o do imidacloprido.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Os primeiros resultados s\u00f3 devem sair ao fim da pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0Eles v\u00e3o sendo entregues antes, v\u00e3o sendo realizados e conclu\u00eddos, mas n\u00f3s n\u00e3o recebemos ainda nenhum resultado concreto. J\u00e1 tivemos, em fevereiro, uma reuni\u00e3o com os pesquisadores envolvidos nisso, tanto brasileiros quanto europeus, e eles nos apresentaram os primeiros estudos que foram feitos nas culturas de melancia e cana-de-a\u00e7\u00facar, mas ainda estamos em uma fase de coletar os dados, e n\u00e3o propriamente de interpret\u00e1-los. Ainda n\u00e3o temos avalia\u00e7\u00e3o dos resultados dos ensaios, e eles simplesmente escreveram para n\u00f3s explicando como foram conduzidos os testes e os problemas que encontraram, porque realmente \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o nova. N\u00f3s estamos lidando com quantidades muito pequenas, pois normalmente os ensaios de res\u00edduos s\u00e3o feitos para sa\u00fade humana, cujas quantidades analisadas s\u00e3o muito maiores do que quando estamos trabalhando com insetos. Ent\u00e3o a escala \u00e9 completamente diferente, e \u00e9 um estudo novo, o qual o mundo ainda est\u00e1 estabelecendo metodologias e procedimento para fazer.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 De que maneira fatores como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica impactam no ecossistema onde as abelhas vivem? Em que medida esta \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para a mortalidade desses insetos? Que outros fatores influem?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0O problema maior que temos hoje s\u00e3o com as esp\u00e9cies nativas, que s\u00e3o diferentes das abelhas africanizadas, mais comuns na apicultura.\u00a0Entretanto, no<strong>\u00a0Brasil<\/strong>, h\u00e1 mais de tr\u00eas mil esp\u00e9cies de abelhas nativas que contribuem para\u00a0<strong><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529645-servicos-de-polinizacao-representam-10-do-valor-da-producao-agricola-mundial\" target=\"_blank\">poliniza\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong>\u00a0e que t\u00eam uma import\u00e2ncia ecol\u00f3gica muito grande. Ent\u00e3o, nesse estudo, estamos preocupados com as abelhas nativas at\u00e9 mais do que com a abelha africanizada.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Abelhas nativas<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">No caso da nativa, essa quest\u00e3o levantada \u00e9 mais complicada ainda, porque a abelha nativa sofre muito mais o impacto da perda do h\u00e1bitat natural do que a abelha africanizada. Ent\u00e3o o problema maior no<strong>\u00a0Brasil<\/strong>\u00a0\u00e9 a perda de diversidade de algumas esp\u00e9cies, em alguns casos at\u00e9 mesmo antes de conhec\u00ea-las. E isso est\u00e1 relacionado com o modelo agr\u00edcola brasileiro, que \u00e9 um modelo de agricultura intensiva.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">N\u00f3s temos uma perda grande quando falamos de fazendas de algod\u00e3o, por exemplo, no\u00a0<strong>Centro-Oeste<\/strong>, que chega a ter nove, dez e \u00e0s vezes at\u00e9 vinte mil hectares cont\u00ednuos de monocultura. Essa perda da vegeta\u00e7\u00e3o nativa obriga as abelhas a ir para dentro da lavoura e a sair da mata nativa, deixando-as, consequentemente, mais expostas ao agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>H\u00e1bitat<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">A falta de um h\u00e1bitat me parece ser, atualmente, a principal causa de mortandade de abelhas. A segunda s\u00e3o as doen\u00e7as, e nessa quest\u00e3o devemos incluir tanto a perda do h\u00e1bitat quanto a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. N\u00e3o me refiro \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica em si, mas o que n\u00f3s estamos vivendo dela, que \u00e9 bem documentado nos relat\u00f3rios do\u00a0<strong>IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas]<\/strong>, relacionados aos eventos clim\u00e1ticos cr\u00edticos. O que n\u00f3s temos vivido no<strong>\u00a0Brasil<\/strong>\u00a0muito claramente? S\u00e3o secas acentuadas e cheias acentuadas. Isso est\u00e1 escrito no relat\u00f3rio do\u00a0<strong>IPCC<\/strong>desde 2007 como sendo uma consequ\u00eancia j\u00e1 inicial das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Este ano, por exemplo, houve secas no\u00a0<strong>Sudeste<\/strong>\u00a0e cheias no Norte. No ano passado, tivemos efeitos de cheias na regi\u00e3o\u00a0<strong>Sudeste<\/strong>, o que causou toda aquela trag\u00e9dia de\u00a0<strong>Teres\u00f3polis<\/strong>, na serra do\u00a0<strong>Rio de Janeiro<\/strong>, e tivemos seca na<strong>\u00a0Amaz\u00f4nia<\/strong>. Ent\u00e3o, essas varia\u00e7\u00f5es bruscas e extremas de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas afetam demais todos os organismos vivos e os insetos em especial. Isso tamb\u00e9m contribui para um enfraquecimento das esp\u00e9cies, seja por falta de alimento no caso da seca, seja por uma suscetibilidade maior a fungos e \u00e0 umidade devido ao per\u00edodo de cheias, al\u00e9m da perda do h\u00e1bitat de alimento.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Esses s\u00e3o todos fatores, do ponto de vista pr\u00e1tico e relacionando-os com a quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos, que se somam e acabam determinando um risco maior a essa popula\u00e7\u00e3o de insetos.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Tendo em vista o trabalho do Ibama at\u00e9 este momento, qual o atual cen\u00e1rio brasileiro com respeito \u00e0s comunidades de polinizadores? Vivemos um momento cr\u00edtico como na Europa e na China?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00f3s temos um problema s\u00e9rio no pa\u00eds \u2014 o qual me parece ser de conhecimento de todos \u2014, que \u00e9 a nossa dificuldade de pesquisa, pela falta de dados hist\u00f3ricos e de levantamentos mais sistem\u00e1ticos. O grande problema de qualquer um que enfrenta essas quest\u00f5es \u2014 principalmente ambientais \u2014 \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o sistematizada e de dados confi\u00e1veis. Por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 um senso sobre a popula\u00e7\u00e3o de abelhas e de polinizadores, n\u00e3o h\u00e1 pesquisa, n\u00e3o h\u00e1 um levantamento confi\u00e1vel para que possamos dizer se ela est\u00e1 diminuindo ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Nos<strong>\u00a0Estados Unidos<\/strong>, eles identificaram o fen\u00f4meno porque v\u00eam fazendo estudos da popula\u00e7\u00e3o de polinizadores h\u00e1 mais de 50 anos, assim observaram que nos \u00faltimos dez anos houve um agravamento. Havia uma perda de cerca de 2% de col\u00f4nias por ano e passaram a perder de 15% a 20%. Ent\u00e3o isso foi claramente identificado e p\u00f4de ser lan\u00e7ado no sistema de alerta.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">No<strong>\u00a0Brasil<\/strong>, n\u00f3s estamos come\u00e7ando a organizar um pouco o setor de apicultura, que sempre foi um setor informal e, portanto, temos pouca informa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de enxames existentes. O n\u00famero de colmeias existentes no pa\u00eds, mesmo na apicultura, sem falar nas nativas, \u00e9 mais dif\u00edcil ainda de mensurar. Mas, se pensarmos s\u00f3 na apicultura, que \u00e9 uma atividade econ\u00f4mica e, portanto, tem uma certa gest\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o temos essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Dados<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Se pegarmos os n\u00fameros da\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o de Apicultura Brasileira<\/strong>, os dados apontam o contr\u00e1rio, isto \u00e9, a produ\u00e7\u00e3o de mel est\u00e1 subindo e, consequentemente, poder\u00edamos supor que a popula\u00e7\u00e3o de abelhas n\u00e3o est\u00e1 sofrendo impacto nenhum. Mas \u00e9 dif\u00edcil afirmar isso porque, em grande parte dos casos, a apicultura ainda \u00e9 uma atividade informal. Hoje n\u00f3s temos alguns estados, como o\u00a0<strong>Piau\u00ed<\/strong>, que j\u00e1 se desenvolveram muito por conta da apicultura, sendo uma alternativa econ\u00f4mica em termos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Essa mudan\u00e7a cultural de uma apicultura mais artesanal para uma mais industrial pode ser a raz\u00e3o para o aumento da produ\u00e7\u00e3o de mel, e n\u00e3o, necessariamente, uma rela\u00e7\u00e3o direta com a perda de colmeia. O que n\u00f3s estamos tentando estabelecer \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o com os pesquisadores e com a pr\u00f3pria apicultura, por isso temos tido alguns encontros com eles no sentido de que nos notifiquem a ocorr\u00eancia de problemas de perdas de colmeia. No estudo que fizemos, levantamos quase uma centena de casos e, \u00e0 medida que o tempo passou, recebemos mais algumas notifica\u00e7\u00f5es. Com base nessas notifica\u00e7\u00f5es verificamos que, de fato, havia uma ocorr\u00eancia alta de mortandade e perda de colmeias relacionadas especificamente ao agrot\u00f3xico. Encontramos uma rela\u00e7\u00e3o bastante alta que nos levou a come\u00e7ar os estudos l\u00e1 no final de 2010 e in\u00edcio de 2011. Mas n\u00e3o temos um sistema de alerta, um sistema de monitoramento, de acompanhamento da popula\u00e7\u00e3o de abelhas no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Colapso de Dist\u00farbio de Colmeia<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Sabemos que no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0n\u00e3o temos claramente identificado o fen\u00f4meno que ocorreu nos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>\u00a0e na<strong>\u00a0Europa<\/strong>\u00a0chamado de\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529117-colmeias-exterminadas-por-agrotoxicos-sao-problema-mundial\" target=\"_parent\"><strong>Colapso de Dist\u00farbio de Colmeia &#8211; CDC<\/strong><\/a>, que seria justamente o fen\u00f4meno do desaparecimento das abelhas. Tivemos dois casos muito pr\u00f3ximos disso que d\u00e3o ind\u00edcios de que ele pode ter ocorrido: um em\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0e outro em\u00a0<strong>Minas Gerais<\/strong>. Mas n\u00e3o temos uma comprova\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de que o fen\u00f4meno ocorreu no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, ao contr\u00e1rio da\u00a0<strong>Europa<\/strong>\u00a0e dos<strong>\u00a0Estados Unidos<\/strong>, onde o fen\u00f4meno est\u00e1 bem identificado.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">O que estamos fazendo \u00e9 mais no sentido preventivo, e sabemos que essa preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m existe em outros pa\u00edses latino-americanos. O\u00a0<strong>Uruguai<\/strong>\u00a0proibiu a aplica\u00e7\u00e3o de fipronil, que n\u00e3o \u00e9 um neonicotinoide, mas tamb\u00e9m \u00e9 um dos produtos cuja realiza\u00e7\u00e3o de testes estamos em via de iniciar, por ser tamb\u00e9m um inseticida desses grupos mais modernos associados \u00e0 mortandade de abelhas. A\u00a0<strong>Col\u00f4mbia<\/strong>\u00a0est\u00e1 tomando medidas de precau\u00e7\u00e3o e de gest\u00e3o do risco do uso do imidacloprido e do tiametoxan. No\u00a0<strong>Chile<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m existem algumas iniciativas, assim como na<strong>Argentina<\/strong>; ent\u00e3o a\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>\u00a0est\u00e1 de uma maneira geral preocupada com a possibilidade de ocorrer um fen\u00f4meno com o n\u00edvel de viol\u00eancia que sucedeu nos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>. Mas n\u00e3o temos ainda comprovado esse fen\u00f4meno aqui. Felizmente, estamos justamente trabalhando para prevenir e aprender um pouco com a experi\u00eancia negativa dos outros pa\u00edses antes que isso nos atinja.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>M\u00e1rcio de Freitas &#8211;<\/strong>\u00a0Colocamos o Ibama \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios pesquisadores que estejam trabalhando com isso e queiram trocar informa\u00e7\u00f5es conosco. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9, de fato, nos aproximarmos tamb\u00e9m da academia para buscar o estado da arte do ponto de vista da pesquisa com a popula\u00e7\u00e3o de abelhas e esses efeitos indesej\u00e1veis de agrot\u00f3xicos sobre a poliniza\u00e7\u00e3o. Para saber mais sobre esse assunto, basta acessar o site do\u00a0<strong>Ibama<\/strong>, na p\u00e1gina da\u00a0<strong>Diretoria de Qualidade Ambiental<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Fonte:\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/529928-preservacao-dos-polinizadores-uma-questao-de-sobrevivencia-humana-entrevista-especial-com-marcio-rosa-rodrigues-de-freitas\" target=\"_blank\">IHU On-Line<\/a><br \/>\n05.04.2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preserva\u00e7\u00e3o dos polinizadores, uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia humana \u201cDo montante do resultado da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"sabrina","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/sabrina\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Preserva\u00e7\u00e3o dos polinizadores, uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia humana \u201cDo montante do resultado da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}