{"id":15996,"date":"2015-02-15T12:58:55","date_gmt":"2015-02-15T12:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15996"},"modified":"2015-02-15T12:58:55","modified_gmt":"2015-02-15T12:58:55","slug":"conheca-o-pangolim-considerado-uma-iguaria-e-o-mamifero-mais-traficado-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conheca-o-pangolim-considerado-uma-iguaria-e-o-mamifero-mais-traficado-do-mundo\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o pangolim, considerado uma iguaria e o mam\u00edfero mais traficado do mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-15997\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O gentil e solit\u00e1rio pangolim tem uma l\u00edngua maior que seu pr\u00f3prio corpo e se enrola todo, parecendo uma bola, quando amea\u00e7ado. Mas sua maior amea\u00e7a atualmente \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o \u2500 ele \u00e9 o mam\u00edfero mais traficado no mundo.<\/p>\n<p>Em frente a um edif\u00edcio do governo perto da fronteira norte do Vietn\u00e3 com a China, um jovem ativista chamado Nguyen Van Thai tenta abrir uma fr\u00e1gil caixa de madeira com um fac\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele tira quatro sacos pl\u00e1sticos e os coloca no ch\u00e3o. De cada um deles, o garoto puxa uma bola escamosa escura, mais ou menos do tamanho e do peso de uma pedra redonda.<\/p>\n<p>Gradativamente \u2500 e com muito, muito cuidado \u2500 uma daquelas bolas come\u00e7a a se desenrolar, revelando dois olhinhos escuros, um focinho longo, uma cauda ainda mais comprida e uma barriga rosada. Trata-se do pangolim.<\/p>\n<p>O animal \u00e9 o \u00fanico mam\u00edfero totalmente coberto de escamas, que, quando amea\u00e7ado por predadores, simplesmente se enrola todo em uma bola para se proteger.<\/p>\n<p>Ele come 7 milh\u00f5es de formigas e cupins em um ano usando a l\u00edngua viscosa, que chega a ser maior do que seu pr\u00f3prio corpo. Sem nenhum dente na boca, o pangolim armazena pedras em seu est\u00f4mago que lhe ajudam a moer a comida.<\/p>\n<p>Apesar de ser um bicho not\u00e1vel, poucos j\u00e1 ouviram falar sobre o pangolim. E o motivo \u00e9 que eles raramente sobrevivem em cativeiro. Apenas seis zool\u00f3gicos no mundo \u2500 e somente um na Europa, em Leipzig, na Alemanha, t\u00eam um exemplar dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Os pangolins tamb\u00e9m se distinguem dos outros animais por outra particularidade: eles s\u00e3o os mam\u00edferos mais traficados do mundo.<\/p>\n<p><strong>Extin\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\" alignleft\" title=\"Conhe\u00e7a o mam\u00edfero mais traficado do mundo (Firdia Lisnawati\/AP)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IEoVYUcs5mdHpU5I293ZlaKWiXo=\/0x0:1674x1065\/220x140\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/06\/19\/indonesia_zoo_fran.jpg\" alt=\"Conhe\u00e7a o mam\u00edfero mais traficado do mundo (Firdia Lisnawati\/AP)\" width=\"299\" height=\"190\" \/>Enquanto a m\u00eddia se concentra nas situa\u00e7\u00f5es dos elefantes e dos rinocerontes, as &#8220;celebridades&#8221; do mundo animal, cerca de 100 mil pangolins por ano s\u00e3o retirados de seu meio natural e enviados \u00e0 China e ao Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Nesses dois pa\u00edses, a carne dos pangolins \u00e9 considerada uma iguaria, e as escamas deles s\u00e3o conhecidas por terem propriedades medicinais.<\/p>\n<p>Agora j\u00e1 n\u00e3o existem mais pangolins em grandes \u00e1reas do Sudeste da \u00c1sia, ent\u00e3o o alvo agora tem sido os pangolins da \u00c1frica. Todas as oito esp\u00e9cies do mam\u00edfero est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 o Pr\u00edncipe William, do Reino Unido, chegou a fazer um alerta recentemente: &#8220;O pangolim corre o risco de se tornar extinto antes que muitas pessoas sequer ou\u00e7am falar dele.&#8221;<\/p>\n<p>Os quatro pangolins que estavam na caixa aberta por Nguyen Van Thai haviam sido confiscados pelo Departamento de Prote\u00e7\u00e3o de Floresta do Vietn\u00e3 de dois traficantes. Eles haviam sido capturados na madrugada quando tentavam cruzar, de moto, a fronteira com a China pela floresta.<\/p>\n<p>Nguyen, que chefia uma ONG chamada &#8220;Salve a vida selvagem do Vietn\u00e3&#8221;, vai levar os pangolins para o centro de resgate que ele gerencia no parque nacional de Cuc Phuong, no sul da cidade de Han\u00f3i.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que seguimos rumo ao sul, o jovem ativista nos explica como os pangolins \u2500 que eram t\u00e3o comuns em sua inf\u00e2ncia \u2500 haviam sumido das florestas do Vietn\u00e3 e agora est\u00e3o amontoados em barcos ou caminh\u00f5es de pa\u00edses como <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/indonesia\/\">Indon\u00e9sia<\/a> e Mal\u00e1sia.<\/p>\n<p>Eles v\u00eam aos montes pesando muitas toneladas, mortos ou vivos, frescos e congelados. Os vivos s\u00e3o os que t\u00eam mais valor. Antes de vend\u00ea-los, os traficantes costumam encher os est\u00f4magos dos animais de cascalho ou amigo de arroz para aumentar o peso deles.<\/p>\n<p>No centro de resgate, vimos alguns pangolins sa\u00edrem de suas tocas \u00e0 noite, e eu comecei a entender por que aqueles que trabalham com esses bichinhos gostam tanto deles.<\/p>\n<p>Eles lembram uma alcachofra com pernas. S\u00e3o gentis, criaturas solit\u00e1rias com uma marcha de rolamento quase c\u00f3mica. Eles carregam seus filhotes em suas caudas e se enrolam em volta deles para proteg\u00ea-los. Eles usam essa cauda el\u00e1stica tamb\u00e9m para se prenderem aos ramos das \u00e1rvores ou para alcan\u00e7ar as profundezas dos formigueiros, onde ficam suas presas.<\/p>\n<p><strong>Iguaria<\/strong><br \/>\nNguyen diz que as autoridades \u00e0s vezes conseguem prender os traficantes, mas sempre com base em informa\u00e7\u00f5es passadas por quadrilhas rivais. Muito pouco ainda \u00e9 feito, opina ele, para acabar com o com\u00e9rcio ilegal de pangolins na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia seguinte, ele me levou para Han\u00f3i para mostrar o que ele estava querendo dizer. No per\u00edodo de uma hora, visitamos quatro farm\u00e1cias aleatoriamente no bairro mais movimentado da cidade. Produtos de escama de pangolim eram vendidos como cura para tudo, de c\u00e2ncer \u00e0 acne, passando por defici\u00eancia de leite materno.<\/p>\n<p>Eles pediam US$ 1,5 mil (R$ 4,2 mil) por um quilo do produto. Perguntamos por que era t\u00e3o caro, e uma mulher respondeu sem nenhum pudor: &#8220;Porque eles s\u00e3o raros e ilegais&#8221;.<\/p>\n<p>Com a mesma facilidade, encontramos restaurantes vendendo pangolins para comer por US$ 250 o quilo (R$ 687). O dono de um dos restaurantes explicou que um animal vivo poderia ser trazido para a nossa mesa, onde a garganta dele seria cortada e o sangue seria servido como um afrodis\u00edaco.<\/p>\n<p>Ele recomendou que ped\u00edssimos a carne refogada e a l\u00edngua cortada para uma sopa. Em seguida, preparou uma jarra de vinho de arroz com um pequeno pangolim morto dentro. Total da conta: US$ 200 (R$ 549). Foi uma vis\u00e3o repulsiva.<\/p>\n<p>O problema, reclamou Nguyen, n\u00e3o eram os pobres e analfabetos vietnamitas, e sim a elite mais rica do pa\u00eds \u2500 os oficiais do governo e os ricos que pediam pangolim apenas para mostrar status ou celebrar o fechamento de um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&#8220;Noventa milh\u00f5es de vietnamitas n\u00e3o podem mais ver pangolins em seu pr\u00f3prio pa\u00eds porque uns poucos ricos do governo ou empres\u00e1rios querem com\u00ea-los&#8221;, disse ele, irritado. &#8220;Isso \u00e9 nojento&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O gentil e solit\u00e1rio pangolim tem uma l\u00edngua maior que seu pr\u00f3prio corpo e se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pangolim.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O gentil e solit\u00e1rio pangolim tem uma l\u00edngua maior que seu pr\u00f3prio corpo e se","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15996"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15996\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15997"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}