{"id":15961,"date":"2015-02-14T19:55:56","date_gmt":"2015-02-14T19:55:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15961"},"modified":"2015-02-14T19:55:56","modified_gmt":"2015-02-14T19:55:56","slug":"o-todo-e-o-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-todo-e-o-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"O todo \u00e9 o meio ambiente"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marcus Eduardo de Oliveira*<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/natureza_holistica_550.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-98629\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/natureza_holistica_550.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p>Escreve Andrei Cechin, em A Natureza como Limite da Economia, que \u201cse a economia capta recursos de qualidade de uma fonte natural e devolve res\u00edduos sem qualidade para a natureza, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tratar a economia como um ciclo isolado\u201d. Pelo pressuposto, a economia \u00e9 apenas uma parte de um todo; o todo \u00e9 o meio ambiente. Logo, n\u00e3o h\u00e1 como escapar da seguinte pondera\u00e7\u00e3o: \u00e0 medida que acontece o crescimento econ\u00f4mico exponencial se dilapidam as bases da natureza, resultando em sens\u00edvel diminui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, agravando substancialmente os fundamentos naturais da vida.<\/p>\n<p>Refor\u00e7a-se assim a prerrogativa de que mais crescimento significa menos meio ambiente, tendo em vista que a biosfera \u00e9 finita, n\u00e3o cresce (e jamais ir\u00e1 crescer), al\u00e9m de ser fechada (com exce\u00e7\u00e3o do constante afluxo de energia solar) funcionando regiamente sob as leis da termodin\u00e2mica.<\/p>\n<p>Sintomaticamente, mais crescimento econ\u00f4mico responde pela exaust\u00e3o dos recursos naturais e energ\u00e9ticos e pela depreda\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 limitada a capacidade de o ecossistema terrestre suportar as press\u00f5es advindas do crescimento econ\u00f4mico. Os limites biof\u00edsicos constrangem o sistema econ\u00f4mico que, por sua vez, irrompe-se com for\u00e7a destrutiva, expondo o meio ambiente em constante degrada\u00e7\u00e3o, comprometendo a capacidade de a vida humana prosperar com o equil\u00edbrio desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, por oportuno, n\u00e3o perder de vista que os recursos naturais s\u00e3o, essencialmente, um conjunto de mat\u00e9ria e energia de qualidade atuando (entrando) no processo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Na sa\u00edda desse \u201ccano econ\u00f4mico\u201d, para usar aqui uma express\u00e3o do professor Cl\u00f3vis Cavalcanti, sobra res\u00edduo, polui\u00e7\u00e3o, calor e mat\u00e9ria dissipada. Do ponto de vista f\u00edsico, o processo econ\u00f4mico n\u00e3o cria mat\u00e9ria e energia.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ecol\u00f3gica mais preocupante est\u00e1 justamente no impacto dessa a\u00e7\u00e3o (a retirada de recursos naturais e a entrega de res\u00edduos p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o) gerada pela atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Esse res\u00edduo gerado deteriora o ambiente de v\u00e1rias maneiras: quimicamente, como no caso do merc\u00fario ou da chuva \u00e1cida; nuclearmente, como o lixo radioativo; ou fisicamente, como a acumula\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera.<\/p>\n<p>Raz\u00e3o pela qual o crescimento econ\u00f4mico \u2013 pelas bases da expans\u00e3o da capacidade produtiva \u2013 entendido como condi\u00e7\u00e3o para satisfazer as necessidades humanas, precisa urgentemente ser repensado, at\u00e9 mesmo porque o crescimento, per si, n\u00e3o atende em linhas gerais aos desejos ilimitados das pessoas.<\/p>\n<p>Seguindo essa linha, o desenvolvimento humano (melhoria da qualidade de vida) depender\u00e1, pois, da retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e n\u00e3o de seu crescimento. Ademais, qualquer subsistema \u2013 como \u00e9 o caso da economia -, em algum momento necessariamente deve parar de crescer e adaptar-se a uma taxa de equil\u00edbrio natural.<\/p>\n<p>Posto isto, a economia tradicional precisa aceitar um fato inexor\u00e1vel: \u00e9 imposs\u00edvel um crescimento ilimitado num sistema que depende da exist\u00eancia de recursos naturais finitos. Funda-se nesse argumento um fato imperioso: parar de crescer n\u00e3o significa parar de se desenvolver. \u00c9 perfeitamente poss\u00edvel prosperar (se desenvolver) sem crescer; \u00e9 fact\u00edvel, pois, avan\u00e7ar economicamente sem agredir o meio ambiente.<\/p>\n<p>Por sinal, prosperidade econ\u00f4mica, em seu significado mais elementar, deve ser entendida como sin\u00f4nimo de bem-estar, e n\u00e3o pode haver prosperidade \u2013 portanto, melhoria substancial na qualidade de vida das pessoas -, em ambientes constantemente expostos \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o, reduzidos, por exemplo, \u00e0 polui\u00e7\u00e3o decorrente da expans\u00e3o produtiva que esgota o patrim\u00f4nio natural (biomassa da floresta, fertiliza\u00e7\u00e3o do solo, disponibilidade de \u00e1gua, solo ar\u00e1vel etc).<\/p>\n<p>Decorre disso a necessidade de se promover a troca da busca incessante do crescimento (expans\u00e3o quantitativa) pelo desenvolvimento (melhoria qualitativa).<\/p>\n<p>Faz-se necess\u00e1rio, contudo, buscar um \u201cnovo modelo econ\u00f4mico\u201d capaz de assegurar a preserva\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o ecol\u00f3gico que responde pela continuidade da vida humana em bases mais sustent\u00e1veis, estando em conformidade com o conjunto te\u00f3rico que embasa a Ci\u00eancia Econ\u00f4mica \u2013 por\u00e9m, com uma nova roupagem \u2013 voltada \u00e0s ordens ecol\u00f3gicas, n\u00e3o \u00e0s mercadol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar esse objetivo, \u00e9 imprescind\u00edvel condenar a busca pelo crescimento econ\u00f4mico exponencial que \u201cpasseia livremente\u201d sobre as ru\u00ednas do capital natural (ar, floresta, solo, \u00e1gua) promovendo em seu rastro a mais agressiva destrui\u00e7\u00e3o dos elementares servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>Faz-se oportuno ponderar que no linguajar dos economistas ecol\u00f3gicos crescimento econ\u00f4mico vai s\u00f3 at\u00e9 certo \u201cponto\u201d (desconhecido). Uma vez ultrapassado esse \u201cponto\u201d n\u00e3o h\u00e1 melhorias, mas sim perdas significativas (crescimento desecon\u00f4mico), come\u00e7ando pela qualidade do ar que respiramos e pela completa destrui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o natural, afetando substancialmente o que se convenciona entender por qualidade de vida nas cidades, uma vez que os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos s\u00e3o expostos \u00e0 dilapida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Crescimento al\u00e9m dos limites \u00e9 sin\u00f4nimo de vida degradada, de ambiente natural destru\u00eddo. Que fique claro: todo e qualquer crescimento que se expande de forma incontrol\u00e1vel gera consequentemente desequil\u00edbrios ao meio ambiente.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, usada como paradigma de ascens\u00e3o (progresso econ\u00f4mico) no modo de consumir das pessoas, alimentada pela ideologia da propaganda \u201ccompre mais\u201d, consubstanciada na obsolesc\u00eancia programada (desgaste dos produtos de forma induzida cujo \u00fanico objetivo \u00e9 acelerar o tempo de rota\u00e7\u00e3o do capital \u201cfor\u00e7ando\u201d assim novas vendas), tem produzido muito estrago no tocante aos servi\u00e7os prestados pela natureza, configurando na express\u00e3o m\u00e1xima: mais economia significa menos meio ambiente. J\u00e1 passou da hora de abandonar esse modelo.<\/p>\n<p><strong>* Marcus Eduardo de Oliveira \u00e9 economista e professor, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edtica Internacional e mestrado em Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (USP).<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>Fonte: Mercado \u00c9tico &#8211; EcoD<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcus Eduardo de Oliveira* Escreve Andrei Cechin, em A Natureza como Limite da Economia, que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Marcus Eduardo de Oliveira* Escreve Andrei Cechin, em A Natureza como Limite da Economia, que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}