{"id":15939,"date":"2015-02-14T19:32:30","date_gmt":"2015-02-14T19:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15939"},"modified":"2015-02-14T19:43:31","modified_gmt":"2015-02-14T19:43:31","slug":"pesquisa-avalia-emissao-de-metano-por-bovinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-avalia-emissao-de-metano-por-bovinos\/","title":{"rendered":"Pesquisa avalia emiss\u00e3o de metano por bovinos que contribui para o aquecimento do planeta"},"content":{"rendered":"<div id=\"container\">\n<div id=\"conteudo\">\n<div id=\"coluna_centro\">\n<div class=\"noticia_view\">\n<div class=\"texto\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-15940\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O g\u00e1s metano \u00e9 considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento da Terra, logo depois do di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>), e estima-se que 70% das emiss\u00f5es desse g\u00e1s provenham de atividades humanas, entre as quais a pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Pesquisadores do Instituto de Zootecnia de S\u00e3o Paulo (IZ) conclu\u00edram recentemente um trabalho com foco no levantamento de indicadores para o melhoramento gen\u00e9tico dos bovinos nelore, levando-se em conta a mitiga\u00e7\u00e3o dos gases de efeito estufa (GEE) gerados na pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es do projeto<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/30117\/selecao-para-producao-de-carne-bovina-com-reducao-da-emissao-de-gases-de-efeito-estufa\/\" target=\"_blank\"> \u201cSele\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de carne bovina com redu\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa\u201d<\/a>, coordenado por Maria Eugenia Zerlotti Mercadante, foi a de que bovinos nelore que consomem menos para adquirir peso emitem quase tanto metano quanto os animais que precisam de mais alimento para chegar ao mesmo tamanho.<\/p>\n<p>O trabalho durou de 2011 a 2014 e foi selecionado em um edital voltado a quest\u00f5es de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na agropecu\u00e1ria, com apoio financeiro da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) para a consolida\u00e7\u00e3o das Redes Nacionais de Pesquisa em Agrobiodiversidade e Sustentabilidade Agropecu\u00e1ria (Repensa).<\/p>\n<p>O principal g\u00e1s de efeito estufa gerado na pecu\u00e1ria \u00e9 o metano ent\u00e9rico (CH4), produzido na digest\u00e3o dos ruminantes e eliminado por eructa\u00e7\u00e3o (arroto).<\/p>\n<div class=\"olho\">A pesquisadora ressaltou a necessidade de se ampliar os estudos de efici\u00eancia alimentar e de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa a fim de abranger a amplitude que o tema demanda.<\/div>\n<p>Saber quanto o rebanho bovino de corte emite desse g\u00e1s e os fatores que influenciam nas emiss\u00f5es s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es importantes para a sustentabilidade da atividade e o seu aprimoramento em busca da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, de acordo com a pesquisadora. \u201cAinda h\u00e1 pouca informa\u00e7\u00e3o a respeito das oportunidades de mitiga\u00e7\u00e3o por meio do melhoramento gen\u00e9tico animal\u201d, ressaltou Mercadante.<\/p>\n<p>A pesquisa concluiu que h\u00e1 uma similaridade da quantidade de metano emitida entre animais classificados como mais e menos eficientes, considerando a quantidade de alimentos que consomem para ganhar peso. Tanto os que ingerem mais alimentos como os que ingerem menos eliminaram na atmosfera, em m\u00e9dia, pouco mais de 140 gramas de metano por dia.<\/p>\n<p>\u201cA escolha do melhoramento, neste caso, deveria contemplar o animal mais eficiente, que vai economizar alimenta\u00e7\u00e3o e gerar menos fezes, entre outras vantagens financeiras e ambientais\u201d, disse a pesquisadora. Ou seja, apesar de apresentar emiss\u00e3o similar aos dos animais menos eficientes, os mais eficientes provocam menores impactos ambientais.<\/p>\n<p>Os resultados mais expressivos foram obtidos com os experimentos de gado em confinamento: o consumo dos mais eficientes foi, em m\u00e9dia, 10% menor e a digestibilidade, que \u00e9 a capacidade de absor\u00e7\u00e3o de nutrientes, 4% maior.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o foi feita pelo c\u00e1lculo do consumo alimentar residual (CAR), composto pela diferen\u00e7a entre o consumo observado e o predito, considerando o ganho m\u00e9dio di\u00e1rio e o peso metab\u00f3lico do animal (peso vivo elevado \u00e0 pot\u00eancia 0,75) em determinado per\u00edodo de tempo. Animais mais eficientes possuem baixo CAR, ocorrendo o contr\u00e1rio com os menos eficientes.<\/p>\n<p>Um dos frutos mais importantes do trabalho foi o levantamento de indicadores relacionados \u00e0 efici\u00eancia de CAR de cada animal. Descobriu-se que os mais eficientes apresentam maiores concentra\u00e7\u00f5es dos horm\u00f4nios insulina e IGF-I, al\u00e9m de menores concentra\u00e7\u00f5es de ureia no plasma sangu\u00edneo.<\/p>\n<p>\u201cEsses componentes podem ser indicadores de efici\u00eancia alimentar de bovinos nelore\u201d, afirmou Mercadante. Ela lembrou, no entanto, que o estudo se limitou a avaliar condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cria\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o necessariamente podem ser extrapoladas para outras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA pesquisa analisou animais em crescimento e pode apresentar resultados diferentes no caso de animais em termina\u00e7\u00e3o [fase final da cria\u00e7\u00e3o antes do abate]\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>O projeto analisou quatro safras, em um total de 464 animais em crescimento. Em duas delas, foram acompanhados 48 animais, 24 machos e 24 f\u00eameas em confinamento e no pasto.<\/p>\n<p><strong>Cocho autom\u00e1tico e cabresto coletor<\/strong><\/p>\n<p>Para fazer a medi\u00e7\u00e3o de metano emitida por animal, o grupo de pesquisa utilizou uma t\u00e9cnica desenvolvida na Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos, conhecida como g\u00e1s tra\u00e7ador SF6.<\/p>\n<p>Uma c\u00e1psula de hexafluoreto de enxofre (SF6), um g\u00e1s inerte, \u00e9 introduzida no r\u00famen do animal. Como ela apresenta uma taxa de libera\u00e7\u00e3o conhecida de SF6, a c\u00e1psula fornece uma medida refer\u00eancia. Nas an\u00e1lises em que s\u00e3o quantificados o metano e o SF6, se a quantidade do g\u00e1s de refer\u00eancia for fiel \u00e0 taxa de libera\u00e7\u00e3o da c\u00e1psula, ent\u00e3o a medi\u00e7\u00e3o de metano tamb\u00e9m ser\u00e1 confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>O bovino recebe um cabresto que possui um tubo pr\u00f3ximo ao focinho. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 aspirar o ar no entorno das narinas e boca do animal a uma taxa constante.<\/p>\n<p>O g\u00e1s coletado \u00e9 armazenado em uma canga tubular que \u00e9 analisada a cada 24 horas. As concentra\u00e7\u00f5es de metano e de SF6, encontradas na canga, s\u00e3o avaliadas por meio de cromatografia gasosa. As medi\u00e7\u00f5es foram realizadas por meio de parceria com a equipe do pesquisador Alexandre Berndt, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), em S\u00e3o Carlos (SP).<\/p>\n<div class=\"olho\">O trabalho incluiu ainda estudos de Economia, nos quais foram avaliados custos e receitas advindas da emiss\u00e3o de metano, crescimento e efici\u00eancia alimentar.<\/div>\n<p>Para as estimativas de consumo de mat\u00e9ria seca individual em pastagem foram utilizados indicadores externos adicionados \u00e0 dieta ou introduzidos no trato digest\u00f3rio do animal (\u00f3xido de cromo para estimar a produ\u00e7\u00e3o fecal e di\u00f3xido de tit\u00e2nio para estimar o consumo de suplemento) e um indicador interno (fibra em detergente neutro indigest\u00edvel, para estimar o consumo de mat\u00e9ria seca).<\/p>\n<p>No mesmo estudo realizado em confinamento, os pesquisadores contaram com um aux\u00edlio tecnol\u00f3gico de um cocho automatizado. Denominado comercialmente de GrowSafe, o equipamento canadense reconhece o animal que est\u00e1 se alimentando por meio do brinco com tecnologia de radiofrequ\u00eancia (RFID) e faz a medi\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do consumo de cada animal.<\/p>\n<p>\u201cO GrowSafe elimina a necessidade de baias individuais para fazer essa medida, permitindo mais liberdade ao animal e a reprodu\u00e7\u00e3o de um ambiente mais pr\u00f3ximo da realidade da cria\u00e7\u00e3o\u201d, explicou a pesquisadora do IZ.<\/p>\n<p>O equipamento foi adquirido por meio do Projeto Tem\u00e1tico \u201cFerramentas gen\u00f4micas no melhoramento gen\u00e9tico de caracter\u00edsticas de import\u00e2ncia econ\u00f4mica direta em bovinos da ra\u00e7a Nelore\u201d, coordenado pela professora L\u00facia Galv\u00e3o de Albuquerque, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal (SP).<\/p>\n<p>O trabalho incluiu ainda estudos de Economia, nos quais foram avaliados custos e receitas advindas da emiss\u00e3o de metano, crescimento e efici\u00eancia alimentar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante saber como cada uma dessas caracter\u00edsticas influenciam economicamente na produ\u00e7\u00e3o e, portanto, qual o peso que cada uma deve ter em um programa de melhoramento gen\u00e9tico\u201d, comentou Mercadante.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressaltou a necessidade de se ampliar os estudos de efici\u00eancia alimentar e de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa a fim de abranger a amplitude que o tema demanda. \u201cTemos somente 4 mil animais j\u00e1 avaliados no Brasil, o que \u00e9 pouco ante o nosso rebanho, e as condi\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito diferentes em cada regi\u00e3o do pa\u00eds\u201d, disse.<\/p>\n<p><em>(Por Fabio Reynol, da Ag\u00eancia Fapesp)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O g\u00e1s metano \u00e9 considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento da Terra, logo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15940,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/boi_metano.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O g\u00e1s metano \u00e9 considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento da Terra, logo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15939"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15939\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}