{"id":158,"date":"2014-05-03T03:37:07","date_gmt":"2014-05-03T03:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=158"},"modified":"2014-06-01T16:24:05","modified_gmt":"2014-06-01T16:24:05","slug":"no-brasil-contaminacao-da-agua-e-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/no-brasil-contaminacao-da-agua-e-pior\/","title":{"rendered":"No Brasil, contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 pior"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #1b6390;\">Por Anne Vigna, para a Ag\u00eancia P\u00fablica<\/span><\/p>\n<p><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Wilson-Jardim-30-06-08-perri-DSC_0416-reduzida-600x380.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Wilson-Jardim-30-06-08-perri-DSC_0416-reduzida-600x380.jpg\" alt=\" \" width=\"450\" height=\"285\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">\n<p style=\"color: #1b6390;\">Um estudo recente feito em mananciais pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancias e Tecnologias Anal\u00edticas Avan\u00e7adas (INCTAA), da Unicamp, concluiu que a \u00e1gua no Brasil ainda precisa melhorar muito. A cafe\u00edna foi usada como indicador da presen\u00e7a de contaminantes, pois sua concentra\u00e7\u00e3o permite determinar quanto de esgoto foi jogado nos mananciais. Respons\u00e1vel pela pesquisa, conclu\u00edda em setembro, Wilson Jardim, doutor em Ci\u00eancias Ambientais pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, e professor do Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp, acredita que a popula\u00e7\u00e3o tem que pressionar as concession\u00e1rias respons\u00e1veis pelo tratamento para obter \u00e1gua de melhor qualidade. Na entrevista a seguir, ele explica por que a \u00e1gua engarrafada n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Voc\u00ea aconselha a beber \u00e1gua envasada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">N\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio. Os vendedores de \u00e1gua envasada dizem que \u201ca \u00e1gua da torneira \u00e9 muito ruim\u201d. Na verdade, o produto deles n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel. Fizemos estudos com \u00e1gua envasada e a quantidade de ftalato que uma pessoa absorve ao beb\u00ea-la \u00e9 muito grande. O ftalato \u00e9 uma classe de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas agregadas a uma s\u00e9rie de produtos comuns no consumo, como, por exemplo, as embalagens, o filme transparente e as garrafas descart\u00e1veis. Como aumentou muito o uso de embalagens, estamos mais expostos ao ftalato, que tamb\u00e9m tem propriedades de interferentes end\u00f3crinos. Ao beber \u00e1gua envasada, talvez voc\u00ea esteja trocando seis por meia d\u00fazia. A pessoa pode se sentir mais segura ao fazer isso, mas esse sentimento n\u00e3o tem base cient\u00edfica. Dependendo do tempo em que foi engarrafada e do tempo de prateleira, essa \u00e1gua libera muito ftalato. Tamb\u00e9m pode ter Bisfenol A (BPA), dependendo da resina [do recipiente]. Quando voc\u00ea faz um estudo de ciclo de vida, de sustentabilidade, analisando conte\u00fado energ\u00e9tico e produ\u00e7\u00e3o de CO2, a \u00e1gua da torneira ganha de dez a zero da envasada, que tem que ser produzida e transportada. \u00c9 uma ind\u00fastria que goza de uma falsa reputa\u00e7\u00e3o: s\u00e3o produtos altamente impactantes que t\u00eam a fama de serem ben\u00e9ficos. \u00c9 um mito. N\u00e3o h\u00e1 grandes vantagens por causa da embalagem, que vai ficar t\u00f3xica com o tempo. Quando compro \u00e1gua envasada, s\u00f3 compro em vidro, nunca em pl\u00e1stico. V\u00e1rios estudos no estado de S\u00e3o Paulo, no Aqu\u00edfero Guarani, mas tamb\u00e9m na China ou Espanha comprovam que as \u00e1guas subterr\u00e2neas tamb\u00e9m t\u00eam compostos, em concentra\u00e7\u00e3o bem menor do que a das \u00e1guas superficiais.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>As pessoas podem melhorar a \u00e1gua em casa com algum tratamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">\u00c9 uma pergunta recorrente. Pode-se colocar um filtro, mas isso exige uma manuten\u00e7\u00e3o rigorosa e constante, sen\u00e3o pode se tornar algo pior ainda. A melhor coisa que um indiv\u00edduo pode fazer \u00e9 pressionar a concession\u00e1ria da sua cidade para fornecer uma \u00e1gua melhor. \u00c9 preciso exercer a cidadania.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>O que s\u00e3o os contaminantes emergentes e interferentes end\u00f3crinos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Os contaminantes emergentes envolvem mais de mil subst\u00e2ncias novas a cada ano, e os interferentes end\u00f3crinos fazem parte desses compostos. Entre os contaminantes emergentes est\u00e3o, por exemplo, nanomateriais, fragr\u00e2ncias, antibi\u00f3ticos, agrot\u00f3xicos, protetores solares, rem\u00e9dios, drogas l\u00edcitas e il\u00edcitas, horm\u00f4nios sint\u00e9ticos, p\u00edlulas anticoncepcionais e produtos de higiene pessoal. \u00c9 um grupo muito grande de subst\u00e2ncias que, hoje, por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es \u2013 como pouco saneamento e alta densidade habitacional \u2013 virou motivo de grande preocupa\u00e7\u00e3o. Nossa exposi\u00e7\u00e3o a eles aumentou muito. Sabemos muito pouco sobre a toxicidade desses compostos e sobre o seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o no corpo humano e nos organismos aqu\u00e1ticos. O sistema end\u00f3crino humano controla a reprodu\u00e7\u00e3o sexual e o crescimento. Hoje temos cerca de 800 compostos que podem perturbar o nosso sistema, embora n\u00e3o tenham sido criados para esse fim. Acabam atuando desse modo por uma quest\u00e3o bioqu\u00edmica, de similaridade de mol\u00e9culas. Podem alterar a reprodu\u00e7\u00e3o humana, antecipar a idade da primeira menstrua\u00e7\u00e3o das meninas \u2013 o que foi observado em v\u00e1rios pa\u00edses \u2013 ou provocar doen\u00e7as como c\u00e2ncer de tireoide, de test\u00edculo, de \u00fatero e de mama, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Esses contaminantes est\u00e3o ausentes da portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que controla a qualidade da \u00e1gua pot\u00e1vel. Isso acontece no mundo todo? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Sim, acontece em todos os pa\u00edses. Aqui, a portaria \u00e9 extremamente conservadora e existe uma in\u00e9rcia muito grande. Sabemos que as revis\u00f5es da portaria s\u00e3o processos demorados. H\u00e1 um lobby fort\u00edssimo [contra isso], porque o processo implica custos adicionais. Mas atualmente todos os pa\u00edses est\u00e3o repensando essas novas mol\u00e9culas e, aos poucos, os novos conhecimentos s\u00e3o incorporados.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>A presen\u00e7a desses contaminantes \u00e9 maior no Brasil do que em outros pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">O Brasil tem problemas de primeiro e de terceiro mundo. O brasileiro consome como um pa\u00eds europeu e tem o saneamento de um pa\u00eds africano. Temos coliformes fecais como no Haiti e contaminantes emergentes como nos Estados Unidos. Temos pouco saneamento e nossos mananciais s\u00e3o muitos contaminados comparativamente com outros pa\u00edses. A cafe\u00edna \u00e9 um excelente tra\u00e7ador de outros compostos. Sua concentra\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 de dez a cem vezes maior do que a encontrada em outros pa\u00edses, e isso se reflete na \u00e1gua de abastecimento. Grande parte desses horm\u00f4nios \u00e9 removida com tratamento convencional. Mas, quando h\u00e1 muita quantidade e o tratamento elimina 95% disso, 5% ainda \u00e9 muito? \u00c9 muito.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>A partir de que n\u00edvel a \u00e1gua fica contaminada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">A subst\u00e2ncia que imita o horm\u00f4nio funciona em uma quantidade muito baixa. Foi feito um experimento no Canad\u00e1 em que uma pesquisadora colocou 2 nanogramas (bilion\u00e9simos de grama) de horm\u00f4nios sint\u00e9ticos por litro num lago. Isso devastou uma popula\u00e7\u00e3o de peixes e afetou duas outras esp\u00e9cies. \u201cPouco\u201d \u00e9 muito relativo. O que seria um n\u00edvel seguro? N\u00e3o sabemos hoje. \u00c9 importante lembrar que a toxicologia n\u00e3o trabalha com mistura, trabalha com uma subst\u00e2ncia \u00fanica. Quando algu\u00e9m bebe \u00e1gua, n\u00e3o est\u00e1 bebendo um composto, mas mais de mil compostos. Os ensaios para avaliar o risco n\u00e3o s\u00e3o feitos a partir de uma mistura, e a vida real \u00e9 mistura. A toxicologia est\u00e1 um pouco atrasada nessa quest\u00e3o. Temos que trabalhar com um novo paradigma e adaptar a metodologia.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\"><strong>Tecnicamente falando, os tratamentos de \u00e1gua podem remover essas subst\u00e2ncias?<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Sim. Al\u00e9m do tratamento convencional, existem hoje sistemas adicionais. Pode ser um tratamento com filtragem fina, com a tecnologia de membrana, ou um tratamento mais destrutivo, \u00e0 base de raios ultravioleta ou usando o oz\u00f4nio. Existem jeitos de reduzir ou eliminar esses compostos, s\u00f3 que isso implica um custo adicional para a produtora de \u00e1gua. E nada disso ainda \u00e9 feito aqui no Brasil.<br \/>\nPolui\u00e7\u00e3o escondida.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">\n<p style=\"color: #1b6390;\"><em><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Infografico-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Infografico-3.jpg\" alt=\" \" width=\"450\" height=\"815\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">Fonte: E<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/noticias\/brasil-contaminacao-da-agua-e-pior\/\" target=\"_blank\">nvolverde<\/a>\u00a0&#8211;\u00a0<em><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.apublica.org\/2014\/03\/brasil-contaminacao-de-mananciais-e-pior\/\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a><\/em><br \/>\n23.03.2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Anne Vigna, para a Ag\u00eancia P\u00fablica Um estudo recente feito em mananciais pelo Instituto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"sabrina","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/sabrina\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Anne Vigna, para a Ag\u00eancia P\u00fablica Um estudo recente feito em mananciais pelo Instituto","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}