{"id":15781,"date":"2015-02-12T20:00:02","date_gmt":"2015-02-12T20:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15781"},"modified":"2015-02-12T11:28:21","modified_gmt":"2015-02-12T11:28:21","slug":"estudos-acham-centenas-de-pontos-ligados-a-obesidade-no-genoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudos-acham-centenas-de-pontos-ligados-a-obesidade-no-genoma\/","title":{"rendered":"Estudos acham centenas de pontos ligados \u00e0 obesidade no genoma"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-15782\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dois gigantescos estudos que envolveram 300 mil pessoas abrem as portas a uma nova abordagem para a obesidade, uma verdadeira epidemia global que afeta mais de 600 milh\u00f5es de seres humanos segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Ao encontrar mais de 140 novos pontos no genoma associados a v\u00e1rios tra\u00e7os caracter\u00edsticos da doen\u00e7a \u2014 refor\u00e7ando enormemente as teorias da origem gen\u00e9tica para o problema \u2014, cientistas do cons\u00f3rcio Giant (sigla em ingl\u00eas para \u201cinvestiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de tra\u00e7os antropom\u00e9tricos\u201d) d\u00e3o o primeiro passo em dire\u00e7\u00e3o do desenvolvimento de novas drogas e estrat\u00e9gias que afetem a a\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 governada por esses genes. Isso se traduz em tratamentos individualizados da obesidade no lugar das dietas e das recomenda\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas para o controle da balan\u00e7a.<\/p>\n<p>Frequentemente associada a riscos aumentados de problemas cardiovasculares e esquel\u00e9ticos e males como diabetes e alguns tipos de c\u00e2ncer, a doen\u00e7a passou recentemente a ser considerada at\u00e9 um tipo de defici\u00eancia no \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia. Ainda segundo a OMS, os 600 milh\u00f5es de obesos fazem parte do grupo de 1,9 bilh\u00e3o de adultos est\u00e3o acima do peso no planeta, enquanto 42 milh\u00f5es de crian\u00e7as com menos de 5 anos tamb\u00e9m tinham o \u00edndice de massa corporal (IMC, par\u00e2metro usado para definir a obesidade) acima do recomendado em 2013.<\/p>\n<p><strong>\u2018Encontrar genes \u00e9 s\u00f3 o fim do come\u00e7o\u2019<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 no Brasil, dados da pesquisa Vigitel 2013 (Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico) revelaram que 50,8% dos brasileiros est\u00e3o acima do peso e que, destes, 17,5% s\u00e3o obesos.<\/p>\n<p>\u2014 Encontrar os genes que aumentam o risco para a obesidade \u00e9 apenas o fim do come\u00e7o \u2014 diz Ruth Loos, professora de medicina preventiva do Hospital Monte Sinai, nos EUA, e uma das principais autoras dos trabalhos publicados na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista \u201cNature\u201d. \u2014 Um dos maiores desafios agora \u00e9 aprender sobre a fun\u00e7\u00e3o dessas varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e como elas de fato aumentam a suscetibilidade das pessoas a ganhar peso. Este ser\u00e1 um pr\u00f3ximo passo cr\u00edtico, que precisar\u00e1 da colabora\u00e7\u00e3o de cientistas com uma vasta gama de especialidades antes que nossas descobertas possam ser usadas para a preven\u00e7\u00e3o da obesidade ou o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de tratamento.<\/p>\n<p>Num dos estudos da \u201cNature\u201d, pesquisadores focaram os lugares onde a gordura \u00e9 armazenada no corpo, um dos fatores determinantes para os riscos que ela traz \u00e0 sa\u00fade. Um dos tra\u00e7os observ\u00e1veis associados \u00e0s varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas foi a propor\u00e7\u00e3o entre as circunfer\u00eancias da cintura e do quadril. Pessoas com cinturas maiores que os quadris t\u00eam mais gordura acumulada em torno de seus \u00f3rg\u00e3os abdominais, o que eleva os riscos de terem problemas metab\u00f3licos, como diabetes do tipo 2, e cardiovasculares, quando comparadas com aquelas cuja gordura se concentra mais nos quadris ou \u00e9 distribu\u00edda mais equilibradamente por todo corpo. Ao todo, os cientistas identificaram 49 genes, dos quais 33 novos, que influenciam nesta propor\u00e7\u00e3o entre cintura e quadril. Destes, 20 afetam de forma diferente homens e mulheres, com elas sofrendo influ\u00eancias mais fortes de 19 e eles de apenas um.<\/p>\n<p>\u2014 Ao encontrarmos as varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que t\u00eam um papel importante na distribui\u00e7\u00e3o da gordura corporal e as maneiras como esta distribui\u00e7\u00e3o difere entre homens e mulheres, esperamos poder focar nos processos biol\u00f3gicos fundamentais por tr\u00e1s disso \u2014 destaca Cecilia Lindgren, pesquisadora do Instituto Broad, mantido em conjunto pelo MIT e a Universidade de Harvard, nos EUA, professora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e tamb\u00e9m uma das principais autoras dos estudos.<\/p>\n<p>A outra pesquisa procurou por associa\u00e7\u00f5es diretas entre a gen\u00e9tica e o \u00edndice de massa corporal, identificando 97 regi\u00f5es no genoma relacionadas a altos IMCs, das quais 56 s\u00e3o novas. Segundo os pesquisadores, esse n\u00famero mostra que a predisposi\u00e7\u00e3o para a obesidade n\u00e3o pode ser atribu\u00edda \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um \u00fanico gene, refor\u00e7ando a ideia de que eventuais futuros tratamentos com base nas descobertas dever\u00e3o ser administrados caso a caso.<\/p>\n<p>\u2014 O grande n\u00famero de genes torna menos prov\u00e1vel que uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para derrotar a obesidade funcione para todos e abre a porta para poss\u00edveis caminhos em que podemos usar essas pistas gen\u00e9ticas para ajudar na batalha contra ela \u2014 comenta Elizabeth Speliotes, professora da Universidade de Michigan, nos EUA, e autora s\u00eanior do segundo estudo.<span id=\"x21_477220031\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><strong>Mais dados sobre doen\u00e7as correlatas<\/strong><\/p>\n<p>Levando mais \u00e0 frente esses achados, os pesquisadores descobriram que algumas das varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas associadas \u00e0 tend\u00eancia para a obesidade provavelmente tamb\u00e9m est\u00e3o ligadas a processos cerebrais que controlam o apetite e o uso da energia pelo corpo. Assim, eles esperam que, uma vez que tais mecanismos sejam mais bem compreendidos, possa-se explicar por que nem todas as pessoas obesas desenvolvem doen\u00e7as metab\u00f3licas como diabetes e colesterol alto. Al\u00e9m disso, espera-se que os achados ajudem no desenvolvimento de tratamentos para prevenir a obesidade e o aparecimento dessas doen\u00e7as em indiv\u00edduos que j\u00e1 s\u00e3o obesos.<\/p>\n<p>\u2014 Esse conhecimento da liga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica com a obesidade permitir\u00e1, em futuro pr\u00f3ximo, que o indiv\u00edduo obeso, ap\u00f3s uma an\u00e1lise de seu genoma, tenha um tratamento individualizado, livrando-se de regimes que na maior parte das vezes n\u00e3o resolvem o problema. Ser\u00e1 a medicina personalizada para a obesidade \u2014 aposta Celia Koiffmann, professora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP.<\/p>\n<p><em>Colaborou Antonella Zugliani<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois gigantescos estudos que envolveram 300 mil pessoas abrem as portas a uma nova abordagem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15782,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/obedidade_genima.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Dois gigantescos estudos que envolveram 300 mil pessoas abrem as portas a uma nova abordagem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15781"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15781\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}