{"id":15751,"date":"2015-02-12T10:57:48","date_gmt":"2015-02-12T10:57:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15751"},"modified":"2015-02-12T10:57:48","modified_gmt":"2015-02-12T10:57:48","slug":"cerca-de-1-680-km%c2%b2-de-floresta-tropical-foram-perdidos-para-o-garimpo-ilegal-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cerca-de-1-680-km%c2%b2-de-floresta-tropical-foram-perdidos-para-o-garimpo-ilegal-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Cerca de 1.680 km\u00b2 de floresta tropical foram perdidos para o garimpo ilegal na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-15759\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Maria Cec\u00edlia Wei de Brito*<\/p>\n<p class=\"capitalize\">Ao se casar, a cientista ambiental Annie Leonard recusou-se a buscar em uma joalheria da moda o seu anel de ouro, novo em folha, como costuma acontecer \u00e0 maioria dos noivos nesse momento, repleto de simbolismos. Preferiu garimpar em um antiqu\u00e1rio uma pe\u00e7a usada, que lhe ornasse o dedo anular. O epis\u00f3dio \u00e9 descrito em seu extraordin\u00e1rio livro <em>A Hist\u00f3ria das Coisas<\/em> (Editora Zahar), em que a autora faz uma an\u00e1lise sobre a origem das coisas que consumimos no dia a dia. Ela relaciona essa origem aos processos produtivos, nem sempre limpos, como ocorre com o algod\u00e3o de nossas prosaicas camisetas b\u00e1sicas, ou mesmo o ouro, cuja extra\u00e7\u00e3o ao redor do mundo ainda deixa um rastro obscuro de devasta\u00e7\u00e3o ambiental, social, humana.<\/p>\n<p>Ao optar em n\u00e3o estimular o consumo do metal, nossa protagonista rompeu com cadeia produtiva nefanda na qual o ouro costuma estar metido.<\/p>\n<p>Embora haja iniciativas ao redor do mundo que tentam limpar a pegada do metal precioso, fato \u00e9 que para a Am\u00e9rica Latina o tema carece de emergencial revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre 2001 e 2013, cerca de 1.680 km\u00b2 de floresta tropical, algo como a cidade de S\u00e3o Paulo, foram perdidos para a atividade ilegal na regi\u00e3o, conforme recente estudo feito pela Universidade de Porto Rico, liderado pela pesquisadora Nora \u00c1lvarez-Berr\u00edos e publicado na revista <em>Environmental Research Letters<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, nas florestas tropicais do continente sul-americano, a maior parte (89%) do garimpo ocorre em quatro regi\u00f5es, sobretudo nas florestas peruanas e no interior da Col\u00f4mbia. No Brasil, o epicentro da destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 situado entre os rios Tapaj\u00f3s e Xingu, no Par\u00e1. Em uma d\u00e9cada, o n\u00famero de garimpeiros no pa\u00eds praticamente dobrou e a atividade ilegal amea\u00e7a rios, florestas e popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas.<\/p>\n<p>O uso do merc\u00fario \u00e9 indiscriminado e corre solto na floresta, sem controle do estado. As condi\u00e7\u00f5es nos garimpos s\u00e3o sub-humanas: drogas, explora\u00e7\u00e3o sexual e trabalho escravo s\u00e3o mazelas que costumam acompanhar a extra\u00e7\u00e3o ilegal do ouro na floresta.<\/p>\n<p>E o problema tamb\u00e9m mancha zonas de fronteira, a exemplo da interse\u00e7\u00e3o entre o estado do Amap\u00e1 e a Guiana Francesa. Ali, h\u00e1 d\u00e9cadas v\u00eam-se tentando conter a explos\u00e3o do garimpo ilegal naquela que \u00e9 uma das regi\u00f5es mais ricas em min\u00e9rio do mundo.<\/p>\n<p>Depois de se arrastar por seis anos nos corredores do Congresso Nacional, finalmente o Brasil ratificou um acordo com a Fran\u00e7a, em que os dois pa\u00edses se comprometem em atuar em conjunto contra o garimpo ilegal de ouro em uma faixa de 150 quil\u00f4metros em ambos os lados da fronteira entre a Guiana e o estado do Amap\u00e1. L\u00e1, o conflito social gerado pelo garimpo ilegal j\u00e1 matou gente e gerou mal-estar entre as autoridades nacionais.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o ilegal do ouro amea\u00e7a a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio ambiental do Planalto das Guianas e compromete a sa\u00fade e a seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es que extraem os seus meios de subsist\u00eancia da floresta. Por isso \u00e9 preciso implantar um regime interno completo de regulamenta\u00e7\u00e3o e controle das atividades de pesquisa e lavra de ouro nas \u00e1reas protegidas ou de interesse patrimonial. Falta agora desenhar o plano de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao regressar do recesso de fim de ano, o que vi na imprensa sobre o tema do garimpo ilegal foi uma declara\u00e7\u00e3o do governo dizendo que a Pol\u00edcia Federal est\u00e1 em campo e que v\u00eam a\u00ed mais cenas desse cap\u00edtulo. Me pus a pensar.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00e3o veremos por parte do governo brasileiro iniciativas que apontem para al\u00e9m da repress\u00e3o pura e simples aos miser\u00e1veis garimpeiros e seus sonhos dourados de enriquecimento? Pois s\u00e3o eles que acabam presos nas opera\u00e7\u00f5es. A abomin\u00e1vel teia que os move segue blindada, bem longe da mis\u00e9ria humana que se oculta na floresta. N\u00e3o haver\u00e1 na nenhuma forma de inclus\u00e3o desses contingentes que agem na ilegalidade amaz\u00f4nica?<\/p>\n<p>Pelo visto, o governo vai apostar no licenciamento como resposta a esse drama socioambiental. Em breve, vamos ouvir os governadores da Amaz\u00f4nia, de olho no que podem haurir, fazendo coro ao \u201cLegalize J\u00e1\u201d do garimpo.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, simples mortais, fica a recomenda\u00e7\u00e3o dos estudiosos porto-riquenhos para que evitemos o consumo desnecess\u00e1rio de ouro ou mesmo o investimento financeiro nesse metal como forma de desestimular cadeias produtivas que destroem o ambiente em que se instalam. Investigar a origem das coisas que povoam nosso consumo tamb\u00e9m pode revelar surpresas. Nem sempre agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p><em><strong>*Maria Cec\u00edlia Wey de Brito<\/strong> \u00e9 secret\u00e1ria-geral do WWF-Brasil. Mestre em Ci\u00eancia Ambiental e graduada em Engenheira Agr\u00f4noma pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Cec\u00edlia Wei de Brito* Ao se casar, a cientista ambiental Annie Leonard recusou-se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15759,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mineracao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Maria Cec\u00edlia Wei de Brito* Ao se casar, a cientista ambiental Annie Leonard recusou-se","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15751"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15751\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}