{"id":15707,"date":"2015-02-10T21:00:55","date_gmt":"2015-02-10T21:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15707"},"modified":"2015-02-10T13:03:11","modified_gmt":"2015-02-10T13:03:11","slug":"nova-especie-de-peixe-descoberta-no-brasil-ja-esta-ameacado-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-especie-de-peixe-descoberta-no-brasil-ja-esta-ameacado-de-extincao\/","title":{"rendered":"Nova esp\u00e9cie de peixe descoberta no Brasil j\u00e1 est\u00e1 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-15708\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0de peixe trogl\u00f3bio, isto \u00e9, que vive exclusivamente em ambientes subterr\u00e2neos (como cavernas), foi descoberta na Gruta da Tarimba, em Mamba\u00ed (GO), a 500 km de Goi\u00e2nia. O peixe foi descrito oficialmente em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/zool\/v31n6\/06.pdf\" target=\"_blank\">artigo<\/a>\u00a0na revista da Sociedade Brasileira de Zoologia e batizado de\u00a0<em>Ituglanis boticario<\/em>, em homenagem \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza, institui\u00e7\u00e3o que financiou o projeto no qual a esp\u00e9cie\u00a0foi descoberta.<\/p>\n<p>De acordo com a professora doutora Maria Elina Bichuette, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (Ufscar), uma das respons\u00e1veis pela pesquisa, a homenagem visa a\u00a0 valorizar o incentivo a projetos de conserva\u00e7\u00e3o da natureza, que \u00e9 escasso no Brasil.\u00a0 \u201cNosso pa\u00eds tem uma riqueza natural muito grande e temos ecossistemas que est\u00e3o sendo destru\u00eddos antes mesmo de serem conhecidos, por isso \u00e9 extremamente importante incentivar novas pesquisas\u201d, conta. Ela destaca que o Brasil tem potencial para muitas outras descobertas de\u00a0esp\u00e9cies\u00a0trogl\u00f3bias. \u201cAtualmente temos em torno de 10 a 12 mil cavernas cadastradas, mas podemos chegar a mais de 100 mil\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A diretora executiva da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, Malu Nunes, acredita que o apoio a iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza tamb\u00e9m auxilia na elabora\u00e7\u00e3o e melhoria das pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO levantamento de dados relevantes oferece subs\u00eddios para que o governo possa tomar decis\u00f5es importantes para prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, como a defini\u00e7\u00e3o do status de conserva\u00e7\u00e3o de\u00a0esp\u00e9cies\u00a0da fauna e da flora, a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o adequada dessas \u00e1reas\u201d, ressalta Malu.<\/p>\n<p>O projeto que descobriu a\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0\u00e9 um exemplo dessa integra\u00e7\u00e3o entre pesquisa cient\u00edfica e proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica. Pedro Pereira Rizzato, doutorando da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e integrante da equipe de pesquisa, explica que a regi\u00e3o da Tarimba foi identificada como um\u00a0<em>hotspot\u00a0<\/em>de fauna subterr\u00e2nea brasileira. Os\u00a0<em>hotspots\u00a0<\/em>s\u00e3o \u00e1reas que concentram alto n\u00edvel de biodiversidade \u2013 com parcela significativa dela sendo end\u00eamica \u2013 e que j\u00e1 perderam mais de 75% de sua vegeta\u00e7\u00e3o original. \u201cCom a an\u00e1lise que fizemos, percebemos a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e enviamos uma carta ao ICMBio propondo a cria\u00e7\u00e3o de uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral para proteger o local\u201d, explica. O Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o do governo brasileiro respons\u00e1vel pela gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais, como os parques nacionais.<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7as \u00e0\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0novo\u00a0peixe j\u00e1 pode ser considerado amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o por conta n\u00e3o s\u00f3 do seu endemismo (ocorre apenas na regi\u00e3o da Gruta da Tarimba) como tamb\u00e9m por causa da degrada\u00e7\u00e3o do ambiente no entorno da caverna, que vem sendo explorado recentemente para dar lugar a pastagens. \u201cA deteriora\u00e7\u00e3o diminui a capacidade desse ambiente de drenar a \u00e1gua para dentro da caverna, o que reduz a quantidade de alimento dispon\u00edvel no seu interior, prejudicando as\u00a0esp\u00e9cies\u00a0que vivem ali\u201d, afirma Maria Elina. Al\u00e9m disso, a urina do gado aumenta a concentra\u00e7\u00e3o de ureia e am\u00f4nia na \u00e1gua, o que pode chegar at\u00e9 a matar os peixes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/image003.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-129188\" title=\"Nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0de peixe \u00e9 descoberta no Brasil\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/image003.jpg\" alt=\"image003 Nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0de peixe \u00e9 descoberta no Brasil\" width=\"640\" height=\"424\" \/><\/a><\/p>\n<p>A pesquisadora destaca ainda que o\u00a0<em>Ituglanis boticario<\/em>\u00a0possui papel biol\u00f3gico muito importante na caverna por ser um predador de topo de cadeia. \u201cEle \u00e9 carn\u00edvoro, alimentando-se de invertebrados como larvas e besouros. Se voc\u00ea retira-lo da caverna, criar\u00e1 grande desequil\u00edbrio, pois eles exercem controle populacional de diversasesp\u00e9cies\u201d, explica. Segundo a pesquisadora, nas duas grutas onde foi encontrada a\u00a0novaesp\u00e9cie\u00a0(Tarimba e\u00a0Nova\u00a0Esperan\u00e7a), o peixe reina soberano. \u201cN\u00e3o existem outros tipos de peixes ali, por isso se o\u00a0<em>Ituglanis\u00a0<\/em>n\u00e3o for conservado, todo o ecossistema estar\u00e1 em risco e poder\u00e1 ser\u00e1 perdido\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas da\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<em>Ituglanis botic\u00e1rio,<\/em>\u00a0que n\u00e3o passa dos 10 cent\u00edmetros, possui bigodes alongados, olhos pequenos e pouca pigmenta\u00e7\u00e3o, sendo que seu corpo geralmente apresenta cores mais claras. Uma caracter\u00edstica bem pr\u00f3pria da\u00a0esp\u00e9cie\u00a0\u00e9 a presen\u00e7a de odontoides, pequenos dentes bem desenvolvidos localizados pr\u00f3ximos \u00e0s br\u00e2nquias e que s\u00e3o utilizados para a fixa\u00e7\u00e3o do animal, evitando que seja levado em correntezas.<\/p>\n<p>A\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0pertence ao g\u00eanero\u00a0<em>Ituglanis<\/em>, o qual concentra peixes que vivem apenas em cavernas. Diferente dos peixes que ocorrem em regi\u00f5es abertas, como rios e mares, que procuram ficar mais entocados, o\u00a0<em>Ituglanis boticario<\/em>, assim como as demaisesp\u00e9cies\u00a0do g\u00eanero, est\u00e1 sempre em atividade, explorando o ambiente em que vive. \u201cIsso acontece por terem menos alimento dentro das cavernas, ent\u00e3o eles precisam procurar mais\u201d, explica Rizzato. Al\u00e9m disso, a vis\u00e3o dos peixes desse g\u00eanero \u00e9 menos desenvolvida do que em outras\u00a0esp\u00e9cies. Por outro lado, os peixes desse g\u00eanero, incluindo a\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie, t\u00eam compensa\u00e7\u00e3o sensorial, percebendo melhor cheiros e possuem canais sensoriais na pele que permitem estar alertas para qualquer dist\u00farbio na \u00e1gua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0de peixe trogl\u00f3bio, isto \u00e9, que vive exclusivamente em ambientes subterr\u00e2neos (como cavernas), foi descoberta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15708,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tuglanis-boticario.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma\u00a0nova\u00a0esp\u00e9cie\u00a0de peixe trogl\u00f3bio, isto \u00e9, que vive exclusivamente em ambientes subterr\u00e2neos (como cavernas), foi descoberta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15707"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15707\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}