{"id":15562,"date":"2015-02-08T14:12:12","date_gmt":"2015-02-08T14:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15562"},"modified":"2015-02-08T14:12:12","modified_gmt":"2015-02-08T14:12:12","slug":"o-aquecimento-global-nao-e-o-vilao-da-crise-hidrica-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-aquecimento-global-nao-e-o-vilao-da-crise-hidrica-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"\u201cO aquecimento global n\u00e3o \u00e9 o vil\u00e3o da crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-15563\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para o meteorologista Augusto Jos\u00e9 Pereira Filho, professor da USP, a falta de nuvens \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para a seca que atinge o Sudeste. Nesta entrevista, ele afirma que o fen\u00f4meno \u00e9 causado por fatores como a era geol\u00f3gica em que vivemos e o movimento atmosf\u00e9rico natural do planeta. A pr\u00f3xima estiagem, diz ele, j\u00e1 tem data para ocorrer: entre 2019 e 2024<\/strong><\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica que afeta o Sudeste levou a uma busca por explica\u00e7\u00f5es para a aus\u00eancia das chuvas. A hip\u00f3tese mais forte, segundo meteorologistas e ativistas,\u00a0\u00e9 que o aquecimento global seja a raz\u00e3o por tr\u00e1s do calor e seca sem precedentes. O planeta estaria sofrendo as consequ\u00eancias das emiss\u00f5es do CO<sub>2<\/sub>\u00a0causadas pelo homem: temperaturas extremas, desequil\u00edbrio ambiental, falta d\u2019\u00e1gua. Na \u00faltima quinta-feira, o Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) alertou que a estiagem e a crise h\u00eddrica de v\u00e1rios pa\u00edses, provocadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pode levar a conflitos entre as na\u00e7\u00f5es. Para Augusto Jos\u00e9 Pereira Filho, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo e um dos maiores especialistas do Brasil em recursos h\u00eddricos e previs\u00f5es clim\u00e1ticas, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 outra.<\/p>\n<p>Com sua experi\u00eancia de meteorologista com t\u00edtulos e qualifica\u00e7\u00f5es em institui\u00e7\u00f5es como a Organiza\u00e7\u00e3o\u00a0Meteorol\u00f3gica Mundial (WMO, na sigla em ingl\u00eas), Pereira Filho desmente as rela\u00e7\u00f5es entre a estiagem que vivemos e o desmatamento da Amaz\u00f4nia ou o ac\u00famulo de CO\u2082. Em seu gabinete da universidade, rodeado por dados de radares, sat\u00e9lites e dados dos mil\u00edmetros de chuva que caem na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, prev\u00ea com a precis\u00e3o que a ci\u00eancia atual \u00e9 capaz de oferecer\u00a0que essa crise se tornar\u00e1 rotina: a pr\u00f3xima deve atingir o Sudeste entre 2019 e 2024.<\/p>\n<p>\u201cEsse fen\u00f4meno \u00e9 causado por fatores como a era geol\u00f3gica em que vivemos e o movimento atmosf\u00e9rico natural do planeta. Trata-se de um ciclo que tem ocorrido a cada cinco ou dez anos\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o do homem \u2014\u00a0<\/strong>O cientista tamb\u00e9m questiona a certeza de que o homem est\u00e1 por tr\u00e1s do aquecimento global. Nosso impacto, diz Pereira Filho,\u00a0\u00e9 determinante apenas localmente. Para o planeta, somos um dos in\u00fameros e complexos fatores a influir em suas condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas \u2014 e estamos longe de ser os mais fortes.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, Pereira Filho afirma que ainda existem incertezas\u00a0sobre o funcionamento de mecanismos clim\u00e1ticos e meteorol\u00f3gicos b\u00e1sicos, como o ciclo da \u00e1gua ou das nuvens. Nessa \u00e1rea, a ci\u00eancia esbarra em limita\u00e7\u00f5es que tornam\u00a0imposs\u00edvel afirmar que h\u00e1 apenas uma causa para explicar nevascas, secas ou tempestades inesperadas. S\u00e3o conjuntos de fatores que, unidos, trabalham para gerar as temperaturas e eventos\u00a0que conhecemos. E, \u00e0s vezes, eles surpreendem.<\/p>\n<p><strong>Na \u00faltima quinta-feira, o Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) alertou que a seca e a crise h\u00eddrica de v\u00e1rios pa\u00edses, causadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pode levar a conflitos. H\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre o <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/ano-de-2014-e-o-mais-quente-ja-registrado-diz-nasa\">aquecimento global<\/a> e a seca que o Sudeste\u00a0enfrenta?\u00a0<\/strong>O aquecimento global n\u00e3o \u00e9 o vil\u00e3o da crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo. Essa crise acontece porque as nuvens sumiram justamente na esta\u00e7\u00e3o chuvosa de S\u00e3o Paulo. A regi\u00e3o metropolitana \u00e9 uma ilha de calor, isto \u00e9, mais quente do que o seu entorno por causa da polui\u00e7\u00e3o,\u00a0concreto e asfalto. Esse fen\u00f4meno favorece as chuvas e, por isso, chove muito mais na cidade que no passado.\u00a0Os anos de 2010 a 2013\u00a0est\u00e3o entre os dez mais chuvosos da hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Como pode estar mais seco e chover mais? N\u00e3o h\u00e1 falta de chuva?\u00a0<\/strong>Est\u00e1 chovendo mais, mas nos lugares errados. Chove sobre a capital, que \u00e9 uma ilha de calor, mas n\u00e3o est\u00e1 chovendo sobre o sistema Cantareira. S\u00e3o regi\u00f5es que passam por situa\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas diferentes. O ano de 2014 n\u00e3o \u00e9 o ano mais seco da hist\u00f3ria da cidade de S\u00e3o Paulo, mas o 13.\u00ba no ranking.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o por que essa seca \u00e9 vista como hist\u00f3rica? <\/strong>A regi\u00e3o metropolitana est\u00e1 mais quente, mais seca e com poucas nuvens. Assim, quando a chuva se forma, s\u00e3o tempestades\u00a0intensas devido ao excesso de calor e umidade trazida pela brisa do mar \u2014 que evaporam rapidamente por causa das altas temperaturas. Al\u00e9m disso, com o calor, as pessoas consomem mais \u00e1gua, agravando sua falta nos reservat\u00f3rios. Em janeiro, de acordo com nossas medi\u00e7\u00f5es, choveu acima da m\u00e9dia na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que em janeiro em S\u00e3o Paulo houve apenas 156,2 mil\u00edmetros de precipita\u00e7\u00e3o, abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica (de 1943 a 2015) de 262,4 mil\u00edmetros. Por que o senhor diz que choveu mais?\u00a0<\/strong>A esta\u00e7\u00e3o do IAG\u00a0tem dados diferentes, que mostram que choveu 261 mil\u00edmetros, ou seja, 40 mil\u00edmetros acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica (de 1933 a 2014) de 220 mil\u00edmetros. Essa diferen\u00e7a nas medi\u00e7\u00f5es acontece porque a esta\u00e7\u00e3o do Inmet est\u00e1 no mirante de Santana, um lugar que se modificou muito nos \u00faltimos sessenta anos, com ocupa\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00f5es. J\u00e1 a esta\u00e7\u00e3o do IAG est\u00e1 sobre um lago no Parque do Estado, na capital. Como essa \u00e9 uma \u00e1rea protegida, ela n\u00e3o sofreu altera\u00e7\u00f5es significativas desde que foi constru\u00edda e, assim, \u00e9 capaz de registrar apenas as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em meteorologia, sutilezas como essas s\u00e3o muito importantes.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confiar nos dados?\u00a0<\/strong>\u00c9 prudente saber de onde v\u00eam. Esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, pluvi\u00f4metros, radares e sat\u00e9lites s\u00e3o equipamentos sens\u00edveis e que precisam de manuten\u00e7\u00e3o constante. \u00c9 dif\u00edcil conhecer as condi\u00e7\u00f5es de todos os equipamentos para saber exatamente a qualidade dos dados. Pode haver interfer\u00eancias de todo o tipo nas informa\u00e7\u00f5es. Se um pluvi\u00f4metro est\u00e1 no meio da floresta e um passarinho faz seu ninho sobre ele, os dados s\u00e3o alterados.<\/p>\n<p><strong>Outra hip\u00f3tese levantada sobre as causas da seca no Sudeste \u00e9 o desmatamento na Amaz\u00f4nia. H\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/strong>N\u00e3o tem nada a ver uma coisa com a outra. O papel da Amaz\u00f4nia \u00e9 transferir a umidade do\u00a0Atl\u00e2ntico para o Sudeste e Sul. A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma d\u00e1diva do Oceano Atl\u00e2ntico. A floresta tamb\u00e9m sofreu com a falta de chuvas. A seca est\u00e1 relacionada, entre outros fatores, \u00e0 aus\u00eancia da\u00a0<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/por-que-a-chuva-de-sao-paulo-nao-chega-ao-cantareira\">Zona de Converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico Sul<\/a>. Esse fen\u00f4meno, caracterizado por nuvens e massas de ar frio que atraem a umidade da Amaz\u00f4nia e a injeta no Sudeste, trazendo chuvas, de in\u00edcio se deslocou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Bahia e, em seguida, deixou de acontecer.<\/p>\n<p><strong>Tornou-se um consenso entre os cientistas atribuir a responsabilidade pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao homem. Qual nossa parcela de culpa na estiagem de S\u00e3o Paulo?\u00a0<\/strong>\u00c9 mais plaus\u00edvel associar a estiagem a uma varia\u00e7\u00e3o natural que a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. Dito isto, a ilha de calor que \u00e9 a regi\u00e3o metropolitana tem origem humana. Nosso impacto \u00e9 significativo nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas de S\u00e3o Paulo e, como a regi\u00e3o est\u00e1 delimitada, essa a\u00e7\u00e3o pode ser medida e calculada. E pode tamb\u00e9m ser revertida com educa\u00e7\u00e3o ambiental e um melhor monitoramento h\u00eddrico e meteorol\u00f3gico. Claro que, como tudo no planeta est\u00e1 interligado, essas mudan\u00e7as locais t\u00eam algum impacto no sistema global. Mas h\u00e1 muitos outros fatores mais importantes para modificar o clima mundial.<\/p>\n<p><strong>Quais seriam esses outros fatores?\u00a0<\/strong>Os mais importantes s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es\u00a0do movimento da\u00a0Terra em torno do Sol, que modificam a quantidade de nuvens e gelo, a circula\u00e7\u00e3o da atmosfera e dos oceanos.\u00a0N\u00e3o sabemos ao certo nem como se d\u00e1 o ciclo das \u00e1guas no planeta. A compreens\u00e3o de todos esses fatores ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita. A meteorologia \u00e9 uma ci\u00eancia recente. Basta lembrar que radares e sat\u00e9lites s\u00e3o tecnologias do s\u00e9culo XX. S\u00e3o necess\u00e1rios dados muito confi\u00e1veis para fazer afirma\u00e7\u00f5es como a de que o homem \u00e9 respons\u00e1vel pelo aquecimento que vivemos \u2013 e eles ainda s\u00e3o limitados, incompletos e imprecisos. Al\u00e9m disso, todas essas condi\u00e7\u00f5es funcionam em escalas de tempo imensas. An\u00e1lises geol\u00f3gicas sugerem que a temperatura global, durante a maior parte da hist\u00f3ria da Terra, foi entre 8 e 15 graus Celsius maior que na atualidade. N\u00e3o sabemos se o que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9, simplesmente, um processo natural do planeta. Por isso, qualquer afirma\u00e7\u00e3o de longo prazo \u00e9 discut\u00edvel: o sistema clim\u00e1tico est\u00e1 al\u00e9m da compreens\u00e3o atual da ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que o CO\u2082 est\u00e1 por tr\u00e1s do atual aquecimento?<\/strong> O CO\u2082 n\u00e3o \u00e9 um vil\u00e3o. Esquecemos que essa mol\u00e9cula \u00e9 o tijolo fundamental da vida, necess\u00e1rio para todos os seres vivos do planeta. A maior parte do CO\u2082 do planeta est\u00e1 nos oceanos, que s\u00e3o um dep\u00f3sito natural de material org\u00e2nico. Al\u00e9m disso, ele tem um ciclo anual, aumenta durante o inverno e diminui no ver\u00e3o. \u00c9 como se o planeta passasse por um processo de lavagem durante os meses quentes. Estamos percebendo que ele est\u00e1 aumentado, mas n\u00e3o \u00e9 o CO\u2082 que determina a temperatura. S\u00e3o as nuvens,\u00a0e ainda n\u00e3o temos um mapa confi\u00e1vel sobre sua quantidade e distribui\u00e7\u00e3o no globo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 ind\u00edcios de que o Hemisf\u00e9rio Sul est\u00e1 aquecido, com a camada de gelo mais fina. Isso revela o aquecimento do planeta?\u00a0<\/strong>A quantidade de gelo do \u00c1rtico, no Norte, e da Ant\u00e1rtica, no Sul, tamb\u00e9m varia durante as esta\u00e7\u00f5es do ano. Diminui no ver\u00e3o e aumenta no inverno. O que as an\u00e1lises internacionais demonstram \u00e9 que a Ant\u00e1rtica est\u00e1 um pouco mais fria, ou seja, com mais gelo, e o Hemisf\u00e9rio Norte, um pouco mais quente. No entanto, essas medi\u00e7\u00f5es est\u00e3o dentro das margens de incertezas.<\/p>\n<p><strong>Se h\u00e1 tantas incertezas, a seca e a crise h\u00eddrica do Sudeste poderiam ter sido previstas?\u00a0<\/strong>Nenhum meteorologista se atreve a fazer previs\u00f5es para al\u00e9m de duas semanas. O sistema atmosf\u00e9rico \u00e9 ca\u00f3tico e um dia \u00e9 capaz de mudar tudo. No entanto, havia progn\u00f3sticos clim\u00e1ticos que indicavam chuvas pr\u00f3ximas ao normal para o in\u00edcio de 2014 \u2013 elas ficaram abaixo. Per\u00edodos de estiagem em S\u00e3o Paulo ocorreram entre 4 e 11 anos nas \u00faltima seis d\u00e9cadas. Ou seja, depois de 2014 e 2015, a pr\u00f3xima poder\u00e1 ocorrer entre o fim desta d\u00e9cada e meados da pr\u00f3xima.<\/p>\n<p><strong>E ela ser\u00e1 pior? <\/strong>Dada a crescente demanda por \u00e1gua e a escassez desse recurso, agravada pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a\u00a0pr\u00f3xima estiagem poder\u00e1 ser mais impactante.<b> <\/b>De acordo com as medi\u00e7\u00f5es do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da USP (IAG), entre 1936 e 2005\u00a0a temperatura m\u00e9dia da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo\u00a0aumentou 2,1 graus Celsius. Os meses de calor, que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX iam de dezembro a fevereiro, hoje se estendem de setembro a mar\u00e7o. Nesse mesmo per\u00edodo de quase setenta\u00a0anos, devido \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, a umidade relativa do ar caiu 7%.<\/p>\n<p><strong>E o que podemos fazer, j\u00e1 que estamos \u00e0 merc\u00ea das condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas?\u00a0<\/strong>O racionamento em S\u00e3o Paulo deveria ter come\u00e7ado em janeiro de 2014, para amenizar a crise que estamos vivendo. No entanto, contou-se com a chuva,\u00a0que n\u00e3o veio. Temos recursos h\u00eddricos limitados. Fizemos um levantamento com os dados da Sabesp de 2003 a 2013 que mostram que, na \u00faltima d\u00e9cada, o consumo aumentou 15% e a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, apenas 11%. Assim, se nada for feito, nos pr\u00f3ximos 20 anos ser\u00e1 necess\u00e1ria uma nova Cantareira para abastecer a regi\u00e3o metropolitana. Ou poder\u00edamos reduzir o consumo e aumentar a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, o que seria mais barato e sustent\u00e1vel. Mas isso demanda um investimento pesado do governo e da sociedade em educa\u00e7\u00e3o ambiental e na melhora do sistema de monitoramento da Sabesp, com a integra\u00e7\u00e3o de dados de esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, radares e mapas h\u00eddricos. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio haver uma Pol\u00edtica Nacional de Meteorologia e Climatologia como, ali\u00e1s, qualquer pa\u00eds desenvolvido tem. S\u00f3 com a integra\u00e7\u00e3o dos equipamentos, recursos e profissionais ser\u00e1 poss\u00edvel evitar situa\u00e7\u00f5es como essa e outras mais recorrentes, como as enchentes. A meteorologia \u00e9 um servi\u00e7o fundamental, com impacto imenso na vida das pessoas, na economia e no desenvolvimento das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o meteorologista Augusto Jos\u00e9 Pereira Filho, professor da USP, a falta de nuvens \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15563,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/augusto_jose_pereira.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para o meteorologista Augusto Jos\u00e9 Pereira Filho, professor da USP, a falta de nuvens \u00e9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15562"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15562\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}