{"id":15478,"date":"2015-02-07T00:00:23","date_gmt":"2015-02-07T00:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15478"},"modified":"2015-02-06T22:41:33","modified_gmt":"2015-02-06T22:41:33","slug":"os-pequenos-negocios-na-linha-de-frente-do-desenvolvimento-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-pequenos-negocios-na-linha-de-frente-do-desenvolvimento-sustentavel\/","title":{"rendered":"Os pequenos neg\u00f3cios na linha de frente do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-129063 \" title=\"Os pequenos neg\u00f3cios na linha de frente do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/jose_guilherme_sebra_Henrique_550.jpg\" alt=\"jose guilherme sebra Henrique 550 Os pequenos neg\u00f3cios na linha de frente do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\" width=\"639\" height=\"480\" \/><\/p>\n<p><small><i>Por Henrique Andrade Camargo e Reinaldo Canto*<\/i><\/small><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<p>Pode parecer coisa de maluco, como muitos diriam, imaginar que os micro e pequenos neg\u00f3cios poderiam trilhar o espinhoso caminho do desenvolvimento sustent\u00e1vel sem perder a sua viabilidade econ\u00f4mica. Para o superintendente do Sebrae-MT, Jos\u00e9 Guilherme Barbosa Ribeiro, esse sonho n\u00e3o vem de hoje e quanto mais olharmos para tr\u00e1s na trajet\u00f3ria desse carioca que h\u00e1 mais de 30 anos deixou sua cidade natal para viver e desbravar terras matogrossenses, mais pareceria loucura imaginar uma oficina mec\u00e2nica, uma sorveteria ou um pequeno hotel fazendo essa op\u00e7\u00e3o. O pior (ou melhor) \u00e9 que ele j\u00e1 pensava assim quando chegou em Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s trabalhar em grandes empresas, o ent\u00e3o jovem formado em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas mudou para o Centro-Oeste para assumir como diretor t\u00e9cnico no CEAG-MT (Centro de Apoio Geral de Mato Grosso), \u00f3rg\u00e3o que mais tarde se transformaria no Sebrae.<\/p>\n<p>N\u00e3o sem vencer muitos obst\u00e1culos e desconfian\u00e7as, a \u201cloucura\u201d de Jos\u00e9 Guilherme foi respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do Centro de Eventos do Pantanal e pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade, duas obras refer\u00eancia no que se refere ao conceito de constru\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O \u00e1rduo trabalho transformou o Sebrae de Mato Grosso em base dos estudos e pesquisas da sustentabilidade no cen\u00e1rio das micro e pequenas empresas, o que contribuiu para ampliar para mais de 700 pontos de atendimento em todo o Brasil dentro do Sistema Sebrae.<\/p>\n<p>A bela trajet\u00f3ria desse \u201cmaluquinho\u201d, como o pr\u00f3prio Jos\u00e9 Guilherme diz que era chamado, para a posi\u00e7\u00e3o de apoio e respeito que adquiriu ao longo do tempo voc\u00ea confere abaixo na entrevista realizada a duas cabe\u00e7as e quatro m\u00e3os por Henrique Andrade de Camargo, do Mercado \u00c9tico, e Reinaldo Canto, da Envolverde.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Guilherme, como as micro e pequenas empresas do pa\u00eds podem fazer diferen\u00e7a em quest\u00f5es ligadas \u00e0 sustentabilidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Guilherme Barbosa Ribeiro &#8211;<\/strong> Hoje temos aproximadamente 9 milh\u00f5es de micro e pequenas empresas. A sustentabilidade deve ser um assunto transversal nas empresas, uma responsabilidade cidad\u00e3. Estamos vendo essa falta de \u00e1gua na regi\u00e3o sudeste, mas lembre-se que temos 1 milh\u00e3o de empresas no segmento de bares e restaurantes. Imagine se fizermos um bom trabalho nesse segmento empresarial o que eles podem economizar de luz, \u00e1gua e principalmente na redu\u00e7\u00e3o e menos res\u00edduos. Portanto as micro e pequenas empresas est\u00e3o inseridas no tema da sustentabilidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pequenos empreendedores que aplicam os princ\u00edpios da sustentabilidade nos seus neg\u00f3cios acabam levando isso para dentro de suas casas. Mais ainda, os clientes desses estabelecimentos vendo a boa pr\u00e1tica no local tamb\u00e9m podem se inspirar e adotar isso nona pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p><strong>E em que p\u00e9 elas est\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JG &#8211;<\/strong> O est\u00e1gio \u00e9 o seguinte, sendo pequeno ou grande, o que regula \u00e9 o mercado. Vou dar um exemplo bem simples: o cinto de seguran\u00e7a. Quando as escolas come\u00e7aram a ter ensinamentos de tr\u00e2nsito, o que aconteceu? As crian\u00e7as aprenderam que existe regra para andar de carro. Elas come\u00e7aram a cobrar dos pais que usassem cinto de seguran\u00e7a, que n\u00e3o ultrapassassem a final vermelho etc.<\/p>\n<p>Hoje quando jovens t\u00eam uma consci\u00eancia mais cr\u00edtica, uma consci\u00eancia cidad\u00e3, eles mesmo come\u00e7am a exigir as coisas. Ent\u00e3o tem que regular.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o pequenos exemplos que parecem bobos, mas que s\u00e3o impactantes. S\u00e3o Paulo por exemplo, \u00e9 uma grande vitrine para o Brasil. Quando todo mundo anda de bicicleta, isso acaba fazendo com eu outras cidades adotem a mesma medida. Exige tamb\u00e9m novas posturas das empresas. Antes aqui n\u00e3o t\u00ednhamos banheiro com chuveiro. A partir do momento que os funcion\u00e1rios adotaram a bicicleta como meio de transporte eu tive que fazer um vesti\u00e1rio pra que eles sentissem bem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Enfim, \u00e9 o mercado que define essas coisas. No caso das empresas, normalmente as pequenas empresas s\u00e3o fornecedoras e grandes corpora\u00e7\u00f5es. As grandes hoje j\u00e1 tem os conselhos de acionistas que exigem comportamentos sustent\u00e1veis de seus fornecedores. Assim, se uma auditoria percebe que os fornecedores, que s\u00e3o pequenas e m\u00e9dias empresas, n\u00e3o t\u00eam as pr\u00e1ticas sust\u00e1veis isso \u00e9 um ponto de que vai para o conselho. Se bate isso na m\u00eddia, pode ter implica\u00e7\u00f5es no valor da empresa. As m\u00e1s pr\u00e1ticas implicam em um tremendo risco: podem ter a\u00e7\u00f5es trabalhistas, do poder p\u00fablico. \u00c9 preju\u00edzo.<\/p>\n<p><strong>Ser sustent\u00e1vel necessariamente custa mais para o pequeno empres\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JG \u2013<\/strong> Hoje, se o cliente souber que uma empresa \u00e9 genu\u00edna, que aquelas pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o apenas marketing verde, ele at\u00e9 pagar mais. Agora, o quanto mais \u00e9 uma quest\u00e3o de mercado. Mas o mais importante \u00e9 que tempos atr\u00e1s o consumidor nem pensava nessa possibilidade. Hoje ele j\u00e1 pensa que a empresa pode dar uma contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m agrega valor \u00e0 marca. Mas isso s\u00f3 falando do lado econ\u00f4mico. E o lado cidad\u00e3o? Essas coisas acontecem com muita frequ\u00eancia em outras sociedades, com cultura, digamos, mais desenvolvida.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds continental como o nosso, se tivermos equil\u00edbrio podemos levar grande vantagem. Ser\u00e1 que vou ter que derrubar uma mata para colocar pasto? Um dos fen\u00f4menos da chuva \u00e9 que as florestas tiram a \u00e1gua do subsolo, fazem a fotoss\u00edntese e jogam essa \u00e1gua na atmosfera, que depois condensa e volta em forma dechuva.<\/p>\n<p>Temos que criar solu\u00e7\u00f5es alternativas. \u00c9 preciso gerar atividades produtivas para que o fazendeiro do Cerrado, por exemplo, sobreviva sem precisar derrubar a mata. Ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de criar gado, por que n\u00e3o faz um a\u00e7udezinho e vai criar peixe? Ou, quem sabe, talvez a mata em p\u00e9 tenha muito mais valor comercial do que se cortar tudo. Imagine o que n\u00e3o pode sair de cosm\u00e9ticos e medicamentos dali. S\u00e3o solu\u00e7\u00f5es que temos que buscar.<\/p>\n<p><strong>O que o Sebrae pode fazer no que diz respeito a pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JG &#8211;<\/strong> Temos uma \u00c1rea aqui que se chama exatamente Pol\u00edticas P\u00fablicas. Existe uma lei que se chama Lei da Micro e Eequena Empresa.<\/p>\n<p>Estamos fazendo um trabalho para implementar essa lei. Ela fala v\u00e1rias coisas,uma delas \u00e9 que as compras, desde que os editais sejam feitos de determinada maneira e tenham determinadas caracter\u00edsticas, podem ser feitas preferencialmente com micro e pequenas empresas.<br \/>\nIsso \u00e9 a base do desenvolvimento local e sustent\u00e1vel. Hoje amaior parte das prefeituras fazem licita\u00e7\u00f5es abertas. A\u00ed participar grande e pequena empresa. E at\u00e9 de outros estados. Como essas empresas de outros estados costumam trabalhar com volumes maiores, acabam ganhando as licita\u00e7\u00f5es. Ora, o fornecimento a partir da\u00ed vem de outros estados. Ent\u00e3o veja o impacto ambiental que isso vai causar. Al\u00e9m disso vai gerar emprego, tecnologia e impostos no estado de origem. Olha, como num pa\u00eds de desigualdade t\u00e3o berrante voc\u00ea vai fazer equidade? Ent\u00e3o a Lei Geral trata disso. Estamos fazendo isso para todo o Brasil para que eles preferencialmente comprem na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m acaba tendo o controle da pr\u00f3pria sociedade, que pode ficar de olho nas despesas p\u00fablicas, porque sabe o pre\u00e7o que as empresas para praticam. E as pr\u00f3prias empresas v\u00e3o ficar atentas para n\u00e3o ficarem queimadas com a sociedade. E estamos fazendo esse trabalho n\u00e3o s\u00f3 pra produtos manufaturados, mas para todos os agr\u00edcolas tamb\u00e9m, principalmente na alimenta\u00e7\u00e3o escolar. N\u00e3o tem sentido, por exemplo, que uma escola de uma pequena cidade adoce uma merenda com produto artificial, que normalmente vem de outro estado, se ali tem uma fabrica de a\u00e7\u00facar mascavo. Porque n\u00e3o prestigiar a pequena empresa da cidade? Isso d\u00e1 sustentabilidade econ\u00f4mica para ela e sustentabilidade social para os habitantes. Enfim, \u00e9 esse equil\u00edbrio que a gente tem que buscar.<\/p>\n<p><em>Fonte: Mercado \u00c9tico<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Henrique Andrade Camargo e Reinaldo Canto* Pode parecer coisa de maluco, como muitos diriam,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Henrique Andrade Camargo e Reinaldo Canto* Pode parecer coisa de maluco, como muitos diriam,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15478\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}