{"id":15258,"date":"2015-02-02T17:41:00","date_gmt":"2015-02-02T17:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15258"},"modified":"2015-02-02T17:44:35","modified_gmt":"2015-02-02T17:44:35","slug":"em-cenarios-de-emergencia-a-tecnologia-pode-contribuir-para-minimizar-o-risco-da-falta-dagua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/em-cenarios-de-emergencia-a-tecnologia-pode-contribuir-para-minimizar-o-risco-da-falta-dagua\/","title":{"rendered":"Em cen\u00e1rios de emerg\u00eancia, a tecnologia pode contribuir para minimizar o risco da falta d\u2019\u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/seca_ciencia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-15259\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/seca_ciencia.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/seca_ciencia.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/seca_ciencia-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>\u00c9 perfeitamente poss\u00edvel tirar \u00e1gua\u00a0do ar. Depois dos oceanos, lagos,\u00a0rios e aqu\u00edferos, h\u00e1 outra grande\u00a0reserva de \u00e1gua na atmosfera terrestre,\u00a0sob a forma de vapor. H\u00e1\u00a0d\u00e9cadas, cientistas e t\u00e9cnicos de\u00a0v\u00e1rios pa\u00edses trabalham na constru\u00e7\u00e3o\u00a0de m\u00e1quinas que convertem\u00a0a umidade do ar em \u00e1gua. Al\u00e9m dessa possibilidade, h\u00e1 v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas emergenciais dispon\u00edveis para mitigar um cen\u00e1rio grave de falta d\u2019\u00e1gua. No Brasil, \u00e0s voltas com a pior seca j\u00e1 registrada no Sudeste e crises em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, algumas estrat\u00e9gias j\u00e1 est\u00e3o sendo aplicadas. O problema \u00e9 que, em geral, as tecnologias engenhosas custam mais caro.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, por exemplo,\u00a0o engenheiro mecatr\u00f4nico\u00a0Pedro Ricardo Paulino, de Valinhos\u00a0(SP), foi \u00e0 Secretaria de Saneamento\u00a0e Recursos H\u00eddricos\u00a0do Estado de S\u00e3o Paulo oferecer\u00a0a Waterair ao governo. Sua m\u00e1quina,\u00a0patenteada em 2010, capta\u00a0a umidade do ar e transforma vapor\u00a0em \u00e1gua por meio de osmose\u00a0reversa sob alta press\u00e3o. Na sequ\u00eancia,\u00a0o l\u00edquido \u00e9 desinfetado das\u00a0bact\u00e9rias por uma sofisticada filtragem\u00a0ultravioleta.<\/p>\n<p>A proposta de Paulino \u00e9 aumentar\u00a0a escala do funcionamento\u00a0da Waterair instalando 40 usinas\u00a0nas avenidas marginais da\u00a0capital, ao longo dos rios Tiet\u00ea\u00a0e Pinheiros, para produzir 2 milh\u00f5es\u00a0de litros de \u00e1gua por dia,\u00a0em cada uma, e abastecer 500 mil\u00a0pessoas. A alta umidade do ar nas\u00a0margens dos rios (entre 50% e\u00a090%), segundo Paulino, viabilizaria\u00a0o projeto.<\/p>\n<p>\u201cA proposta est\u00e1 sendo analisada\u00a0e ainda n\u00e3o temos uma resposta.\u00a0\u00c9 dif\u00edcil estimar o custo de\u00a0cada usina, que depende da dimens\u00e3o geral do projeto\u201d, conta Paulino \u00e0 PLANETA. \u201cNossos equipamentos despertaram a aten\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses e estamos trabalhando com o governo dos Emirados \u00c1rabes Unidos para construir uma usina com capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 150 milh\u00f5es de litros por dia\u201d, afirma o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>\u00c1gua do ar<\/strong><\/p>\n<p>O Waterair funciona ligado a uma tomada el\u00e9trica e \u00e9 fabricado em dois tamanhos. O menor produz 30 litros por dia e custa R$ 7 mil. O maior produz 5 mil litros por dia e vale R$ 350 mil. Segundo Paulino, a diferen\u00e7a entre o seu invento e os outros do mercado \u00e9 que ele produz \u00e1gua pot\u00e1vel mineralizada, enquanto os demais equipamentos produzem apenas \u00e1gua condensada est\u00e9ril. O problema \u00e9 o custo da energia. \u201cTirar \u00e1gua do ar s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel quando \u00e9 imposs\u00edvel retirar o recurso de fontes normais\u201d, admite Paulino.<\/p>\n<p>Em teoria, encher um reservat\u00f3rio\u00a0de mil litros em S\u00e3o Paulo\u00a0(o suficiente para uma fam\u00edlia\u00a0de quatro pessoas) custaria R$\u00a0170 mil, uma vez que o gasto de\u00a0energia el\u00e9trica para fazer um litro de \u00e1gua \u00e9 de R$ 0,17. O pre\u00e7o \u00e9 muito superior ao da distribuidora de \u00e1gua do Estado, a Sabesp, que cobra R$ 7,25 (incluindo a tarifa de esgoto) para distribuir a mesma quantidade. Apesar do custo, a procura pelos aparelhos da Waterair aumentou 500% nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Nos EUA, h\u00e1 v\u00e1rios tipos de\u00a0m\u00e1quinas condensadoras da umidade\u00a0do ar. Jonathan Wright e\u00a0David Richards criaram a Aqua-\u00a0Magic, cuja maior vantagem \u00e9\u00a0a mobilidade, pois est\u00e1 instalada\u00a0num trailer que pode ser puxado\u00a0por um ve\u00edculo. Em 2005,\u00a0o aparelho provou ser muito valioso\u00a0para suprir de \u00e1gua pot\u00e1vel\u00a0as v\u00edtimas do furac\u00e3o Katrina, em\u00a0Nova Orleans. A m\u00e1quina custa\u00a0US$ 28 mil a unidade, produz\u00a0at\u00e9 120 litros de \u00e1gua purificada\u00a0em 24 horas, mas tem uma desvantagem:\u00a0funciona consumindo\u00a012 gal\u00f5es de \u00f3leo diesel. Al\u00e9m do\u00a0custo do combust\u00edvel, h\u00e1 o problema\u00a0suplementar de emiss\u00e3o de\u00a0g\u00e1s carb\u00f4nico e de poluentes na\u00a0atmosfera.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos EUA, a Aquasciences\u00a0desenvolveu um produto\u00a0similar para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia,\u00a0a Emergency Water Sta tion (EWS), um trailer de 12 metros de comprimento capaz de extrair maiores quantidades de \u00e1gua da atmosfera e produzir 2.600 litros de \u00e1gua por dia, o suficiente para suprir as necessidades de 5.200 pessoas. Concebido para o transporte por via a\u00e9rea, mar\u00edtima ou terrestre em um cont\u00eainer mar\u00edtimo convencional, o EWS \u00e9 alimentado por geradores el\u00e9tricos independentes ou pela rede p\u00fablica. Tamb\u00e9m gasta energia.<\/p>\n<p>J\u00e1 a m\u00e1quina Nerios.S3, fabricada\u00a0pela francesa Eolewater, gera 150\u00a0litros de \u00e1gua pot\u00e1vel por dia, possui\u00a0um tanque de 1.000 litros e oferece a\u00a0vantagem de ser autossufi ciente em\u00a0energia gra\u00e7as ao uso de pain\u00e9is solares.<\/p>\n<p>No Brasil, tamb\u00e9m h\u00e1 a chinesa\u00a0Aozow, vendida pela Ecomart,\u00a0que produz, em m\u00e9dia, 12 litros em\u00a024 horas. A Watermill, da canadense\u00a0Element Four, condensa a mesma\u00a0quantidade por dia por R$ 0,60\u00a0o litro. A companhia que produz o\u00a0equipamento diz que oferece n\u00e3o somente\u00a0uma alternativa para as \u00e1guas\u00a0minerais engarrafadas dos pa\u00edses desenvolvidos\u00a0como uma solu\u00e7\u00e3o para\u00a0milh\u00f5es de pessoas no mundo que\u00a0t\u00eam o seu suprimento di\u00e1rio de \u00e1gua racionado.<\/p>\n<p><strong>Re\u00faso pot\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil h\u00e1 dois projetos industriais de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de re\u00faso a partir do esgoto. O Aquapolo, da Sabesp e da Odebrecht Ambiental, converte a \u00e1gua de esgoto do rio Tiet\u00ea em insumo para as ind\u00fastrias do polo petroqu\u00edmico de Capuava, em Mau\u00e1. No Rio de Janeiro, a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de Alegria, da companhia estadual de \u00e1guas Cedae, transforma esgoto em \u00e1gua de re\u00faso para o Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro, em Itabora\u00ed.<\/p>\n<p>Agora, a seca no Sudeste induziu ao uso de \u00e1gua reciclada tamb\u00e9m para abastecimento da popula\u00e7\u00e3o. O governo paulista j\u00e1 decidiu refor\u00e7ar os reservat\u00f3rios que abastecem Campinas e S\u00e3o Paulo com \u00e1gua de re\u00faso. Para tanto, duas Esta\u00e7\u00f5es de Produ\u00e7\u00e3o de \u00c1gua de Re\u00faso ser\u00e3o constru\u00eddas na capital para tratar o esgoto do rio Pinheiros e despejar \u00e1gua reciclada nas represas de Guarapiranga, na zona sul da capital, e Isolina, no rio Cotia, em Barueri.<\/p>\n<p>Embora tenha 99% de pureza,\u00a0a \u00e1gua de re\u00faso n\u00e3o \u00e9 pot\u00e1vel,\u00a0exigindo tratamento suplementar.\u00a0Uma vez jogada e dilu\u00edda\u00a0nos reservat\u00f3rios, ser\u00e1 novamente\u00a0tratada e purifi cada, adquirindo,\u00a0ent\u00e3o, potabilidade. \u201cA \u00e1gua de\u00a0re\u00faso precisa de alto n\u00edvel de tratamento\u00a0para ser jogada nas represas,\u00a0mas o problema \u00e9 f\u00e1cil de\u00a0equacionar\u201d, dis Benedito Braga,\u00a0presidente do Conselho Mundial\u00a0da \u00c1gua.<\/p>\n<p>Em Campinas, a Sociedade de\u00a0Abastecimento de \u00c1gua e Esgoto\u00a0vai reformar a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento\u00a0de Esgoto Anhumas\u00a0para produzir \u00e1gua de re\u00faso, que\u00a0ser\u00e1 jogada no rio Atibaia com 99% de pureza. Uma adutora de 19 quil\u00f4metros de extens\u00e3o unir\u00e1 a Esta\u00e7\u00e3o Produtora de \u00c1gua de Re\u00faso ao rio Capivari, aumentando em 290 litros por segundo a sua vaz\u00e3o e incrementando em 600 litros por segundo a capacidade de fornecimento do rio Atibaia. Os dois rios integram a Bacia do Piracicaba, Capivari e Jundia\u00ed e abastecem o Sistema Cantareira, que no interior de S\u00e3o Paulo atende mais de 5,5 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p><strong>Dessaliniza\u00e7\u00e3o cara<\/strong><\/p>\n<p>Outra alternativa poss\u00edvel \u00e9 a dessaliniza\u00e7\u00e3o, para muitos a grande solu\u00e7\u00e3o para o abastecimento futuro dos 9 bilh\u00f5es de habitantes do planeta. H\u00e1 duas tecnologias em uso: a destila\u00e7\u00e3o por energia t\u00e9rmica (evapora\u00e7\u00e3o) e a osmose reversa, por meio de \u00a0alta press\u00e3o e membranas de filtragem do sal da \u00e1gua. Existem 13,8 mil plantas de dessaliniza\u00e7\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o no mundo. A maior, do Ocidente, est\u00e1 sendo erguida em Carlsbad, na Calif\u00f3rnia, para produzir 50 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua doce por dia. Outras 17 usinas est\u00e3o sendo constru\u00eddas no Estado. Em Israel, 40% da \u00e1gua pot\u00e1vel consumida \u00e9 dessalinizada, produzida por 39 usinas. Em 2013, foi inaugurada a planta de Sorek, a maior do pa\u00eds, que produzir\u00e1 200 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos do insumo por ano.<\/p>\n<p>O inconveniente \u00e9 o alto custo\u00a0energ\u00e9tico e financeiro. Hoje, o gasto\u00a0energ\u00e9tico para se produzir um metro\u00a0c\u00fabico de \u00e1gua do mar dessalinizada\u00a0gira em torno de 8 quilowatts-hora\u00a0(kWh). Soma-se a isso o custo de\u00a0constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das plantas,\u00a0em geral dependentes de combust\u00edveis\u00a0f\u00f3sseis, como \u00f3leo diesel. Mas quando n\u00e3o h\u00e1 fontes de\u00a0\u00e1gua dispon\u00edveis, como na Austr\u00e1lia, em ilhas do Caribe ou no Oriente M\u00e9dio (onde 75% da \u00e1gua dessalinizada do mundo \u00e9 produzida), o processo n\u00e3o s\u00f3 compensa como \u00e9 a melhor alternativa.<\/p>\n<p>Tal como no Oriente M\u00e9dio, a\u00a0regi\u00e3o semi\u00e1rida do nordeste brasileiro,\u00a0que ocupa 11% do territ\u00f3rio\u00a0nacional, carece de recursos h\u00eddricos.\u00a0Al\u00e9m da falta de chuvas e seca, v\u00e1rias\u00a0das poucas fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel\u00a0dispon\u00edveis j\u00e1 est\u00e3o contaminadas.\u00a0H\u00e1, no entanto, reservas subterr\u00e2neas\u00a0de \u00e1gua salgada (salobra). Por caracter\u00edsticas\u00a0de forma\u00e7\u00e3o do terreno,\u00a090% dos po\u00e7os na regi\u00e3o oferecem\u00a0\u00e1gua salobra.<\/p>\n<p>Em 2004, o governo federal criou\u00a0o Projeto \u00c1gua Doce, coordenado\u00a0pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente,\u00a0para abastecer com \u00e1gua dessalinizada\u00a0100 mil pessoas de 150 comunidades\u00a0em dez Estados. O plano pretende\u00a0investir R$ 168 milh\u00f5es para\u00a0implantar 1,2 mil sistemas de dessaliniza\u00e7\u00e3o.\u00a0Mas, at\u00e9 agora, o programa\u00a0construiu apenas 65 usinas de dessaliniza\u00e7\u00e3o,\u00a0a maioria delas na Para\u00edba,\u00a0em Pernambuco e no Rio Grande\u00a0do Norte.<\/p>\n<p>Na costa brasileira, o \u00e1rido arquip\u00e9lago\u00a0de Fernando de Noronha j\u00e1\u00a0conta com uma miniplanta para tratamento\u00a0da \u00e1gua do mar, or\u00e7ada em\u00a0R$ 2,5 milh\u00f5es. Movida por um gerador\u00a0el\u00e9trico a diesel, a miniusina\u00a0aumentou a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na\u00a0ilha de 5,6 litros por segundo para\u00a015 litros por segundo, volume necess\u00e1rio\u00a0para atender o turismo local.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o Cons\u00f3rcio PCJ\u00a0(formado por 43 prefeituras nas bacias\u00a0dos rios Piracicaba, Capivari e\u00a0Jundia\u00ed) prop\u00f4s ao governo estadual a instala\u00e7\u00e3o de uma usina de dessaliniza\u00e7\u00e3o\u00a0em Bertioga, que seria alimentada\u00a0por usinas e\u00f3licas, para reciclar\u00a0a \u00e1gua do mar, bombe\u00e1-la para\u00a0cima da Serra do Mar e jog\u00e1-la no\u00a0sistema Jaguari-Jacare\u00ed para abastecer\u00a0a represa da Cantareira, na capital.<\/p>\n<p>O projeto foi or\u00e7ado em R$ 6,1\u00a0bilh\u00f5es. O estudo estima que o uso\u00a0de tecnologia de osmose reversa na\u00a0dessalinizac\u00e3o implicaria gastos da\u00a0ordem de 26% do total, enquanto a\u00a0tecnologia de evapora\u00e7\u00e3o consumiria\u00a041% do or\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Pele protetora<\/strong><\/p>\n<p>Em lagos e represas, a maior perda de \u00e1gua ocorre por evapora\u00e7\u00e3o. Entretanto, existem m\u00e9todos para reduzi-la e manter a \u00e1gua por mais tempo nos reservat\u00f3rios, que ganham sobrevida na estiagem. Entre as tecnologias conhecidas\u00a0destacam-se a instala\u00e7\u00e3o de quebra-\u00a0ventos, o sombreamento e a cobertura\u00a0da \u00e1gua com placas fl utuantes,\u00a0lonas ou filmes ultrafinos. Essas\u00a0t\u00e9cnicas n\u00e3o impedem a forma\u00e7\u00e3o\u00a0de chuvas, porque a \u00e1gua continua\u00a0a evaporar, mas sem d\u00favida a diminuem.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo que emprega filmes ultrafinos, um dos mais baratos, \u00e9 capaz\u00a0de reduzir a evapora\u00e7\u00e3o em at\u00e9\u00a050%. Um filme espalhado sobre a\u00a0\u00e1gua atenua a formac\u00e3o de ondas e\u00a0diminui a \u00e1rea de superf\u00edcie l\u00edquida\u00a0exposta ao vento e ao sol, reduzindo\u00a0a evapora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica foi testada por mais de\u00a050 anos e apresenta baixo impacto\u00a0ambiental, podendo ser usado\u00a0em reservat\u00f3rios para abastecimento\u00a0da popula\u00e7\u00e3o ou com vida aqu\u00e1tica.\u00a0O desmanche do filme provocado\u00a0pelo vento e por atividades como\u00a0pesca, nata\u00e7\u00e3o e navega\u00e7\u00e3o diminui\u00a0a efici\u00eancia do m\u00e9todo, mas, por outro\u00a0lado, nenhuma dessas atividades\u00a0precisa ser interrompida.<\/p>\n<p>No Brasil, o engenheiro qu\u00edmico\u00a0Marcos Gugliotti criou um p\u00f3 qu\u00edmico\u00a0fino, formado por alco\u00f3is graxos\u00a0e calc\u00e1rio agr\u00edcola, que protege o\u00a0espelho d\u2019\u00e1gua. Os alco\u00f3is t\u00eam orit gem natural e formam um filme de baixa toxicidade, reduzindo a evapora\u00e7\u00e3o sem alterar a troca natural de g\u00e1s carb\u00f4nico e oxig\u00eanio com a atmosfera. Aplica-se um quilo do produto por hectare (10.000 metros quadrados) de superf\u00edcie l\u00edquida, ou 100 quilos por um quil\u00f4metro quadrado. Como o p\u00f3 \u00e9 at\u00f3xico e biodegrad\u00e1vel, recomenda-se aplica\u00e7\u00e3o a cada 48 horas, mas o per\u00edodo pode variar dependendo do clima.<\/p>\n<p>Um teste de impacto ambiental\u00a0em \u00e1rea isolada na represa de\u00a0S\u00e3o Carlos (SP) confirmou que\u00a0o produto \u00e9 seguro para o meio\u00a0ambiente. Outro teste de efi ci\u00eancia,\u00a0no espelho d\u2019\u00e1gua de 13.000\u00a0metros quadrados do Congresso\u00a0Nacional, em Bras\u00edlia, indicou\u00a0uma redu\u00e7\u00e3o de 21% na evapora\u00e7\u00e3o.\u00a0Em uma semana, a aplica\u00e7\u00e3o\u00a0manual de apenas 3,9 quilos do\u00a0produto gerou uma economia de\u00a080 mil litros. An\u00e1lises feitas antes e depois\u00a0da aplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o indicaram altera\u00e7\u00e3o\u00a0significativa na qualidade\u00a0da \u00e1gua. Gugliotti tem recebido\u00a0pedidos do Brasil e do exterior e\u00a0busca parceria com ind\u00fastrias\u00a0qu\u00edmicas para fabricar e vender o\u00a0produto.<\/p>\n<p><strong>Turbinas d\u2019\u00e1gua e vento<\/strong><\/p>\n<p>Uma das alternativas vision\u00e1rias para evitar o grande gasto de energia nas m\u00e1quinas que extraem \u00e1gua do ar foi desenvolvida pelo franc\u00eas Marc Parente, fundador da Eolewater, fabricante de turbinas e\u00f3licas de condensa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do ar. Em 2011, a companhia instalou uma dessas turbinas no deserto de Abu Dhabi, nos Emirados \u00c1rabes, para produzir 1.000 litros de \u00e1gua por dia. Como qualquer outra turbina e\u00f3lica, a WMS1000 produz eletricidade, que ao mesmo tempo propulsiona a transforma\u00e7\u00e3o de ar em \u00e1gua. O ar sugado pelo nariz da turbina \u00e9 direcionado para um condensador el\u00e9trico, localizado atr\u00e1s das h\u00e9lices. A \u00e1gua produzida \u00e9 armazenada em um tanque na base. Uma \u00fanica turbina pode abastecer uma pequena aldeia ou cidade de 2.000 a 3.000 pessoas.<\/p>\n<p>A holandesa Dutch\u00a0Rainmaker seguiu o mesmo\u00a0caminho com a turbina\u00a0e\u00f3lica AW75. Nela,\u00a0o ar \u00e9 direcionado para\u00a0um trocador de calor, em\u00a0cuja superf\u00edcie \u00e9 resfriado\u00a0e condensado quando\u00a0a temperatura cai abaixo\u00a0do ponto de orvalho.\u00a0A turbina produz\u00a0at\u00e9 7.500 litros de \u00e1gua\u00a0pot\u00e1vel por dia. Em car\u00e1ter\u00a0experimental, a\u00a0Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o\u00a0Ambiental do Kuwait\u00a0instalou uma unidade em Um Al\u00a0Himam. O funcionado da m\u00e1quina\u00a0numa regi\u00e3o quente e des\u00e9rtica prova\u00a0que essa tecnologia pode resolver\u00a0problemas de falta d\u2019\u00e1gua em v\u00e1rias\u00a0partes do mundo.<\/p>\n<p>J\u00e1 o inventor australiano Max Whisson\u00a0desenhou outra m\u00e1quina, o Moinho\u00a0de Vento Whisson, uma turbina de vento\u00a0ligada a um compressor de refrigera\u00e7\u00e3o.\u00a0O aparelho utiliza l\u00edquido refrigerante\u00a0para resfriar suas l\u00e2minas verticais,\u00a0nas quais o vapor se condensa em forma\u00a0de gotas de \u00e1gua. A m\u00e1quina pode\u00a0coletar at\u00e9 11.800 litros de \u00e1gua do ar\u00a0por dia. Por enquanto, o aparelho est\u00e1\u00a0em fase de testes de prot\u00f3tipos e o inventor\u00a0busca um investidor que financie\u00a0a fabrica\u00e7\u00e3o. Os problemas de manuten\u00e7\u00e3o\u00a0delicada s\u00e3o a maior amea\u00e7a\u00a0para as turbinas d\u2019\u00e1gua e\u00f3licas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/08\/img-358155-aliados-contra-seca.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"954\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/08\/img-358156-aliados-contra-seca.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"851\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/08\/img-358157-aliados-contra-seca.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"584\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/08\/img-358158-aliados-contra-seca.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"791\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/23\/img-358200-aliados-contra-seca.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"605\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/01\/23\/img-358201-aliados-contra-seca.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"740\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 perfeitamente poss\u00edvel tirar \u00e1gua\u00a0do ar. 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