{"id":15252,"date":"2015-02-02T17:10:23","date_gmt":"2015-02-02T17:10:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15252"},"modified":"2015-02-02T17:10:23","modified_gmt":"2015-02-02T17:10:23","slug":"risco-de-colapso-hidrico-no-pais-traz-reflexao-ao-dia-mundial-das-areas-umidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/risco-de-colapso-hidrico-no-pais-traz-reflexao-ao-dia-mundial-das-areas-umidas\/","title":{"rendered":"Risco de colapso h\u00eddrico no pa\u00eds traz reflex\u00e3o ao Dia Mundial das \u00c1reas \u00damidas"},"content":{"rendered":"<div id=\"container\">\n<div id=\"conteudo\">\n<div id=\"coluna_centro\">\n<div class=\"noticia_view\">\n<div class=\"texto\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pantanal.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-15253\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pantanal.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pantanal.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/pantanal-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>A falta de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 um problema somente em S\u00e3o Paulo. H\u00e1 uma crise de abastecimento que j\u00e1 castiga cinco das dez maiores regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds. Nem tampouco \u00e9 um flagelo brasileiro. Estima-se que 884 milh\u00f5es de pessoas (12% da popula\u00e7\u00e3o mundial) vivam sem \u00e1gua pot\u00e1vel e 2,5 bilh\u00f5es (dois quintos da popula\u00e7\u00e3o) n\u00e3o t\u00eam acesso a saneamento b\u00e1sico. E, apesar do iminente colapso global do mais importante recurso natural para a vida na Terra, seguimos numa escalada vertiginosa rumo \u00e0 destruiMa\u00e7\u00e3o dos mananciais.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso das \u00e1reas \u00famidas, cujo dia mundial \u00e9 comemorado nesta segunda-feira, 2 de fevereiro. Se bem que comemorar talvez n\u00e3o seja o mais apropriado frente \u00e0 realidade. Cientistas ligados \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o de Ramsar sobre \u00c1reas \u00damidas alertam que esses reservat\u00f3rios de \u00e1gua e biodiversidade est\u00e3o em decl\u00ednio em todo o planeta. Cerca de 64% dessas \u00e1reas j\u00e1 despareceram desde 1900. S\u00e3o p\u00e2ntanos, charcos, turfas ou locais de ac\u00famulo de \u00e1gua, permanentes ou tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas o conceito de \u00e1rea \u00famida n\u00e3o se restringe a locais onde ocorre a \u00e1gua doce. Mesmo a \u00e1gua salobra ou salgada &#8211; incluindo \u00e1rea de \u00e1gua mar\u00edtima em regi\u00f5es com menos de seis metros de profundidade na mar\u00e9 baixa &#8211; entram nesse crit\u00e9rio internacional de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"olho\">Dos 370 mil quil\u00f4metros quadrados da Bacia do Alto Paraguai no Brasil, que inclui todo o Pantanal e parte do Cerrado, cerca de 2 mil Km\u00b2 foram desmatados desde 2010.<\/div>\n<p>Essas \u00e1reas t\u00eam um papel fundamental na ciclagem da \u00e1gua. \u00c9 como se fossem filtros que ajudam a manter limpos os estoques h\u00eddricos. Tamb\u00e9m s\u00e3o importantes na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, servindo de abrigo para milhares de esp\u00e9cies, e para a regula\u00e7\u00e3o do clima.<\/p>\n<p><strong>Heran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, a mais expressiva dessas \u00e1reas \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.ecodesenvolvimento.org\/posts\/2011\/junho\/bioma-pantanal?tag=biodiversidade\" target=\"_self\">Pantanal<\/a>, maior plan\u00edcie inund\u00e1vel do mundo, com 148 mil km\u00b2 de extens\u00e3o e uma biodiversidade ainda n\u00e3o completamente mapeada. O bioma foi decretado Patrim\u00f4nio Nacional, pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, e Patrim\u00f4nio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 2000. O pa\u00eds divide com Paraguai e Bol\u00edvia a responsabilidade de aproveitar de forma sustent\u00e1vel e legar esse tesouro para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Mas n\u00e3o tem sido f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Embora seja um local que abriga v\u00e1rias experi\u00eancias de conserva\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais, muitas delas conduzidas pelo WWF-Brasil, o Pantanal sofre amea\u00e7as que colocam seu destino em risco.<\/p>\n<p>Um estudo, englobando 30 pesquisadores de Brasil, Bol\u00edvia, Paraguai e Argentina, realizado pelo WWF-Brasil, TNC e Centro de Pesquisas do Pantanal, apontou as principais amea\u00e7as ao fr\u00e1gil equil\u00edbrio ambiental do bioma. Desmatamento, eros\u00f5es e sedimenta\u00e7\u00e3o por manejo inadequado de terras para agropecu\u00e1ria; crescimento urbano e populacional associada a obras de infraestrutura, como rodovias, barragens, portos e hidrovias e barramentos hidrel\u00e9tricos podem alterar o regime h\u00eddrico natural do Pantanal.<\/p>\n<p>Dos 370 mil quil\u00f4metros quadrados da Bacia do Alto Paraguai no Brasil, que inclui todo o Pantanal e parte do Cerrado, cerca de 2 mil Km\u00b2 foram desmatados desde 2010. Restam ainda 85,7% da vegeta\u00e7\u00e3o original na plan\u00edcie pantaneira e apenas 40% do planalto, \u00e1reas altas da bacia onde encontra-se o Cerrado. A pecu\u00e1ria segue como forma de uso preponderante, mas vem perdendo espa\u00e7o para a agricultura, que cresce sobre antigas \u00e1reas de pastagem. As terras plantadas com eucalipto aumentaram em 22%, segundo o estudo, inclusive sobre \u00e1reas antes ocupadas por agricultura e pastagens.<\/p>\n<p><strong>E<\/strong><strong>ros\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Infraestrutura mal implantada, pecu\u00e1ria mal manejada ou em locais inadequadas amplificam perdas de solo. As vo\u00e7orocas s\u00e3o registradas em v\u00e1rias regi\u00f5es de cabeceiras do Pantanal. Outras amea\u00e7as despontam no cen\u00e1rio. Entre elas a hidrovia Paran\u00e1-Paraguai, meta dos pa\u00edses da Bacia do Rio da Prata desde os anos 1990 para tornar os rios Paraguai e Paran\u00e1 canais de navega\u00e7\u00e3o industrial. Para isso, seriam necess\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es de engenharia, derrocamento e dragagem ao longo 3.400 Km desde o Brasil (C\u00e1ceres) at\u00e9 o Uruguai (Nova Palmira). A obra faz parte do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento, do governo federal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os estudos pr\u00e9vios para licenciamento de hidrel\u00e9tricas j\u00e1 come\u00e7aram, pelo menos no lado brasileiro do pantanal. E o novo C\u00f3digo Florestal, aprovado em 2012, assegura aos estados o poder para regular o uso de pantanais e demais \u00e1reas \u00famidas.<\/p>\n<div class=\"olho\">Implementar a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o, como a\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e solo, o manejo e recupera\u00e7\u00e3o de pastagens e a remunera\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os ambientais, devem ser prioridades dos governos.<\/div>\n<p>&#8220;Nossa vis\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o para o Pantanal \u00e9 a de tentar ao m\u00e1ximo manter a biodiversidade biol\u00f3gica e os processos ecol\u00f3gicos em toda a bacia e, ao mesmo tempo, promover oportunidades de desenvolvimento sustent\u00e1vel para a regi\u00e3o, tornando a regi\u00e3o um exemplo de uso racional de \u00e1reas \u00famidas para o mundo&#8221;, afirma J\u00falio C\u00e9sar Sampaio, coordenador do Programa Cerrado-Pantanal, do WWF-Brasil.<\/p>\n<p>Segundo ele, \u00e9 preciso aumentar a \u00e1rea protegida p\u00fablica e privada no bioma. Hoje, apenas 11% da bacia est\u00e3o sob o amparo da lei. Implementar a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o, como a\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e solo, o manejo e recupera\u00e7\u00e3o de pastagens e a remunera\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os ambientais, devem ser prioridades dos governos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s apoiamos a certifica\u00e7\u00e3o de 120 mil hectares com pecu\u00e1ria org\u00e2nica no Mato Grosso do Sul, produzida com crit\u00e9rios de responsabilidade socioambiental e remunerando a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel no pantanal. \u00c9 preciso dar escala a essas experi\u00eancias&#8221;, destaca. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apoia o Pacto em defesa das Cabeceiras do Pantanal, alian\u00e7a de setores p\u00fablico e privado de 25 munic\u00edpios para o desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/p>\n<p>Sampaio tamb\u00e9m defende o estudo e implanta\u00e7\u00e3o de mais S\u00edtios Ramsar na bacia do Pantanal e no Brasil. \u00c9 que ao serem conservados esses s\u00edtios tamb\u00e9m ajudam a manter todas as nascentes localizadas \u00e0 montante do curso h\u00eddrico, al\u00e9m de representarem \u00e1reas importantes que contribuem para um compromisso global de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falta de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 um problema somente em S\u00e3o Paulo. 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