{"id":152452,"date":"2021-08-28T12:49:51","date_gmt":"2021-08-28T15:49:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=152452"},"modified":"2021-09-03T15:55:12","modified_gmt":"2021-09-03T18:55:12","slug":"aquecimento-do-mar-pode-dizimar-biodiversidade-de-ilhas-oceanicas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-do-mar-pode-dizimar-biodiversidade-de-ilhas-oceanicas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Aquecimento do mar pode dizimar biodiversidade de ilhas oce\u00e2nicas brasileiras"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-do-mar-pode-dizimar-biodiversidade-de-ilhas-oceanicas-brasileiras\/coral_ocas\/\" rel=\"attachment wp-att-152453\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-152453\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Alta de 2\u00baC a 3\u00baC na temperatura da \u00e1gua provocaria dist\u00farbios na cadeia tr\u00f3fica do Atol das Rocas e outros ecossistemas recifais do Atl\u00e2ntico Sul, revela estudo pioneiro.<\/h2>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Quatro ilhas oce\u00e2nicas espalham-se pela costa tropical do Brasil: os arquip\u00e9lagos de Trindade e Martim Vaz, no Esp\u00edrito Santo; os de Fernando de Noronha e de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, em Pernambuco; e o Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte. Este bioma \u00e9 marcado pelos ecossistemas recifais ou por cost\u00f5es rochosos, s\u00e3o\u00a0ricos em biodiversidade e fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, mas muito sens\u00edveis \u00e0s atividades humanas ou a qualquer perturba\u00e7\u00e3o do ambiente. Por isso, est\u00e3o protegidos como unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Entretanto, por mais conservadas que possam estar, as ilhas permanecem vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a exemplo do aumento da temperatura do mar.<\/p>\n<p>Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)\u00a0identificaram que, se o aquecimento do mar chegar a 3\u00baC at\u00e9 2100, as ilhas oce\u00e2nicas podem perder quase 50% de sua biodiversidade. Nesse cen\u00e1rio projetado pelo Painel Intergovernamental sobre<strong>\u00a0<\/strong>Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), o desequil\u00edbrio clim\u00e1tico resultaria em per\u00edodos mais longos de calor nos oceanos. O\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10021-021-00691-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo foi publicado em 18 de agosto<\/a>, na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Ecosystems<\/em>, e divulgado pela Ag\u00eancia Bori.<\/p>\n<p>\u201cEm vez de durar um m\u00eas e meio, a \u00e1gua continuar\u00e1 quente por tr\u00eas meses. Se essa dura\u00e7\u00e3o acontecer, a previs\u00e3o \u00e9 que as esp\u00e9cies mais sens\u00edveis, como os corais, passem a sofrer e morrer mais. Se morrem os corais, morre parte do recife e sofrem outras esp\u00e9cies\u201d, explica Leonardo Capitani, doutorando em Ecologia na UFRN e principal autor do estudo. &#8220;A perda ou a modifica\u00e7\u00e3o desses ecossistemas pode derivar em altera\u00e7\u00f5es no ciclo biol\u00f3gico dos peixes, das lagostas, dos camar\u00f5es. Por isso nos preocupamos com as poss\u00edveis consequ\u00eancias de perder esses ecossistemas no oceano Atl\u00e2ntico.\u201d<\/p>\n<p>O branqueamento dos corais \u00e9 o impacto mais vis\u00edvel das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para os ecossistemas recifais nos \u00faltimos 30 anos, afirma Capitani. \u201cSe a \u00e1gua fica quente por muito tempo, acima de 30\u00baC, os corais se estressam, come\u00e7am a branquear e isso cria uma mortalidade. Se morrem, ocorre uma mudan\u00e7a no ecossistema. Os peixes e os invertebrados n\u00e3o encontram mais a casa onde se reproduzem e se alimentam.\u201d<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno j\u00e1 acontece com frequ\u00eancia no oceano Pac\u00edfico, como na Grande Barreira de Corais, na Austr\u00e1lia; e no \u00cdndico, caso das Maldivas. Nas ilhas oce\u00e2nicas do Atl\u00e2ntico, Capitani observa que os recifes ainda t\u00eam conseguido se recuperar na medida em que a temperatura diminua novamente.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium css-ap3tdr\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-1yt2mm0\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=320&amp;h=233\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=360&amp;h=262\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=430&amp;h=312\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=500&amp;h=363\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=768&amp;h=558\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=900&amp;h=654\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=1024&amp;h=743\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=664&amp;h=482\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=710&amp;h=516\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"infogr\u00e1fico com a janela de temperatura do mar que certas esp\u00e9cies do Atol das Rocas conseguem ...\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.webp?w=710&amp;h=516\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"infogr\u00e1fico com a janela de temperatura do mar que certas esp\u00e9cies do Atol das Rocas conseguem ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/infografico-especies.jpg?w=710&amp;h=516\" alt=\"infogr\u00e1fico com a janela de temperatura do mar que certas esp\u00e9cies do Atol das Rocas conseguem ...\" width=\"640\" height=\"465\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte estimou a janela de temperatura que esp\u00e9cies que habitam o Atol das Rocas poderiam viver. Apenas esp\u00e9cies mais resistentes, como zoopl\u00e2ncton e fitopl\u00e2ncton, suportariam aumentos superiores a 2<sup>o<\/sup>C na temperatura m\u00e9dia da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Gr\u00e1fico republicado com permiss\u00e3o da revista cient\u00edfica\u00a0<em>Ecosystems<\/em>, publicada pela SpringerNature.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">ARTE DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">CAPITANI, L., DE ARAUJO, J.N., VIEIRA, E.A. ET AL<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Atol das Rocas, Fernando de Noronha e o arquip\u00e9lago de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo s\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas por se situarem na faixa tropical, segundo Carlos Eduardo Ferreira, professor de biologia marinha da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Programa de Estudos de Longa Dura\u00e7\u00e3o das Ilhas Oce\u00e2nicas (Peld-Iloc).<\/p>\n<p>\u201cTemos uma influ\u00eancia maior de ressurg\u00eancias [subida de \u00e1guas subsupericiais] e a estrutura da ilha \u00e9 diferente. A plataforma \u00e9 muito curta, ent\u00e3o tem influ\u00eancia de \u00e1rea profunda\u201d, analisa Ferreira. \u201cOutra susceptibilidade est\u00e1 relacionada com impactos antr\u00f3picos. Noronha tem quase todos os tipos que vemos na costa, em menor intensidade \u2013\u00a0polui\u00e7\u00e3o, pesca. Esses efeitos no sistema afetam a resili\u00eancia do ambiente frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>Criado e financiado h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o Peld realiza o monitoramento de longo prazo dos biomas do Brasil. A partir de 2012, o programa incorporou o bioma das ilhas oce\u00e2nicas, ap\u00f3s um trabalho da rede SISBiota Mar, tamb\u00e9m apoiada pelo CNPq, identificar que s\u00e3o as menos impactadas no ecossistema marinho.<\/p>\n<p>\u201cToda a costa j\u00e1 foi igual \u00e0s ilhas em termos de abund\u00e2ncia de biomassa, mas perdeu principalmente por causa da pesca excessiva. As ilhas oce\u00e2nicas ainda s\u00e3o um ref\u00fagio interessante de preservar e estudar. Como est\u00e3o mais isoladas da costa e t\u00eam uma popula\u00e7\u00e3o pequena, sempre estiveram mais preservadas\u201d, observa Ferreira.<\/p>\n<p>Nos estudos de longo prazo das ilhas oce\u00e2nicas, os pesquisadores monitoram anualmente a abund\u00e2ncia das esp\u00e9cies, os processos ecol\u00f3gicos mais importantes e os impactos por atividades humanas e pela crise clim\u00e1tica. \u201cO trabalho do Guilherme [Longo] e do [Leonardo] Capitani entrou justamente a\u00ed, tentando modelar, no caso, um ambiente pristino para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, considera Ferreira. \u201cA ideia \u00e9 estender esse tipo de modelo para outras ilhas, incluindo o sinergismo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com os impactos antr\u00f3picos.\u201d<\/p>\n<p>Leandro Capitani \u00e9 um cientista italiano graduado em Ci\u00eancias Ambientais pela Universidade de Barcelona, na Espanha, em 2014. No ano seguinte, mudou-se para o Brasil. No mestrado em ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu um modelo ecotr\u00f3fico do baixo rio Tapaj\u00f3s, na Amaz\u00f4nia, com an\u00e1lises dos impactos da pesca e do desmatamento na cadeia alimentar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium css-ap3tdr\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr css-xtlfnl\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=320&amp;h=354\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 320px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=360&amp;h=398\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 360px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=430&amp;h=476\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 430px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=500&amp;h=553\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 500px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=768&amp;h=849\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=900&amp;h=995\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 900px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=1024&amp;h=1132\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=664&amp;h=734\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=710&amp;h=785\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1600px)\" \/><source title=\"gr\u00e1fico de teia alimentar no atol das rocas, brasil\" srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.webp?w=710&amp;h=785\" type=\"image\/webp\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"gr\u00e1fico de teia alimentar no atol das rocas, brasil\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/teia-alimentar-final-v2_1.jpg?w=710&amp;h=785\" alt=\"gr\u00e1fico de teia alimentar no atol das rocas, brasil\" width=\"640\" height=\"709\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Proje\u00e7\u00e3o mostra como a teia alimentar do Atol das Rocas se comportar\u00e1 caso o mar aque\u00e7a 3<sup>o<\/sup>C. Esp\u00e9cies mais sens\u00edveis, como o coral\u00a0<em>Siderastrea stellata<\/em>, podem sumir. Outras, mais resistentes, sobreviver\u00e3o, mas em menor quantidade \u2013 vide a diferen\u00e7a de biomassa em todos os seres nos dois cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Gr\u00e1fico republicado com permiss\u00e3o da revista\u00a0<em>Ecosystems<\/em>, publicada pela SpringerNature.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">CAPITANI, L., DE ARAUJO, J.N., VIEIRA, E.A. ET AL<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Em 2017, mudou-se para o Rio Grande do Norte, para realizar seu doutorado na UFRN com orienta\u00e7\u00e3o dos professores Ronaldo Angelini, do departamento de Engenharia Civil, e de Guilherme Longo, do Laborat\u00f3rio de Ecologia Marinha \u2013 coautores do estudo publicado na\u00a0<em>Ecosystems<\/em>. Para entender os efeitos do aquecimento do oceano nos ecossistemas recifais, os cientistas escolheram como foco da pesquisa o Atol das Rocas, um lugar extremamente preservado a 263 km de Natal,\u00a0sob o restritivo status de reserva biol\u00f3gica (Rebio).<\/p>\n<p>A partir de bancos de dados e de pesquisas bibliogr\u00e1ficas, Capitani fez um levantamento de todas as esp\u00e9cies que vivem no Atol das Rocas. Depois, selecionou as mais importantes do ponto de vista cient\u00edfico,\u00a0para a constru\u00e7\u00e3o do modelo matem\u00e1tico da teia alimentar. As informa\u00e7\u00f5es obtidas nos estudos e os monitoramentos do Peld-Iloc, do qual Longo faz parte, foram cruciais para calibrar o modelo e \u201crepresentar a din\u00e2mica das esp\u00e9cies ao longo do tempo\u201d \u2013 as algas, os corais, os invertebrados, os peixes, as aves. O estudo identificou que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o houve mudan\u00e7as ou varia\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 abund\u00e2ncia da biodiversidade em Atol das Rocas. Os corais, por exemplo, branqueiam em per\u00edodos de \u00e1guas quentes, mas ainda se recuperam.<\/p>\n<p>\u201cPor estar bem isolado no oceano, com as correntezas que v\u00eam do Atl\u00e2ntico aberto, o Atol das Rocas \u00e9 um sistema que consegue se sustentar e sobreviver, mesmo com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que pouco a pouco est\u00e3o acontecendo\u201d, observa Capitani. \u201cMas provavelmente nos pr\u00f3ximos 30, 40 anos, um pouquinho de aumento na temperatura da \u00e1gua ocorrer\u00e1 no Atol das Rocas. Por enquanto, est\u00e1 bastante saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Santu\u00e1rio de vida no Atl\u00e2ntico<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cO atol tem uma alta produtividade biol\u00f3gica. \u00c9 uma \u00e1rea de ber\u00e7\u00e1rio, de repouso, de forrageio e de reprodu\u00e7\u00e3o de milhares de esp\u00e9cies. \u00c9 um santu\u00e1rio de vida\u201d, define Mauriz\u00e9lia Brito, chefe da Rebio Atol das Rocas e servidora do Instituto Chico Mendes para Biodiversidade (ICMBio). \u201cOnde voc\u00ea pisa tem vida. Essa \u00e9 a import\u00e2ncia do atol, de perpetuar milhares de vidas. E temos que ter a consci\u00eancia de que esse lugar \u00e9 especial, \u00e9 fr\u00e1gil, \u00e9 maternidade. N\u00f3s n\u00e3o podemos, em hip\u00f3tese alguma, correr o risco de alterar o ambiente, a ecologia, esse ecossistema. Temos que ter muitos cuidados nas nossas a\u00e7\u00f5es, nos nossos pensamentos, nas nossas cobran\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>Depois de navegar 43 horas, com muito vento, a potiguar Mauriz\u00e9lia Brito avistou pela primeira vez o Atol das Rocas h\u00e1 30 anos. A \u00e1gua se tornava mais l\u00edmpida conforme se aproximava. Peixes nadavam ao redor do barco, tartarugas subiam \u00e0 superf\u00edcie para respirar, aves sobrevoavam o atol. Quando pisou na areia branca, j\u00e1 estava decidida que jamais abandonaria o lugar. Neste ano, Brito completa tr\u00eas d\u00e9cadas na luta pela conserva\u00e7\u00e3o do \u00fanico atol da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Brito soube pela primeira vez do Atol das Rocas quando era adolescente, por meio de fotos. Seu pai era delegado substituto do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF, onde Brito come\u00e7ou a trabalhar quando tinha 19 anos. Aos 25, foi nomeada chefe substituta da Reserva Biol\u00f3gica Atol das Rocas, criada em junho de 1979, mas implementada apenas em 1991. Em 1995, Brito assumiu a chefia da Rebio.<\/p>\n<p>\u201cQuando ocupamos a reserva, em 1991, tinha uma m\u00e9dia de 280 dias de pesca por ano, at\u00e9 13 embarca\u00e7\u00f5es pescando de rede, compressor, linha de fundo, arp\u00e3o, linha de espera. S\u00f3 n\u00e3o vinham no Natal e no Ano Novo. Ca\u00e7avam dentro das piscinas. Desciam nas ilhas para pegar os caranguejos. Pegavam os filhotes das aves, para fazer isca viva, e os ovos. Matavam as tartarugas e levavam os ovos, as carnes. Era muito impactante\u201d, lembra Brito, em uma v\u00eddeo-chamada da esta\u00e7\u00e3o do ICMBio no Atol das Rocas. \u201cCom o passar dos anos, conseguimos inibir a pesca, que \u00e9 totalmente ilegal no atol e nas \u00e1reas que circundam a reserva, a at\u00e9 mil metros de profundidade. N\u00e3o pode pesca, ca\u00e7a, coleta, turismo, nada de valor comercial, s\u00f3 de valor de conserva\u00e7\u00e3o e cient\u00edfico.\u201d<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o mais restrita da unidade de conserva\u00e7\u00e3o permitiu que a natureza se regenerasse. Os 35 mil hectares de Atol das Rocas \u00e9 ref\u00fagio para 11 esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como as tartaruga-cabe\u00e7uda, o coral-de-fogo, o tubar\u00e3o-lim\u00e3o, duas esp\u00e9cies de caranguejo e a gorg\u00f4nia, um peixe end\u00eamico da ilha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--small\">\n<h3>\u201cSe a temperatura mudar rapidamente e tivermos um ver\u00e3o muito quente, isso pode derivar em uma altera\u00e7\u00e3o bem grande das esp\u00e9cies que vivem no Atol das Rocas\u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">LEONARDO CAPITANI<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">PESQUISADOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>\u201cO caranguejo-terrestre s\u00f3 ocorre em ilhas oce\u00e2nicas. Eram no m\u00e1ximo 170 indiv\u00edduos. Hoje, se sentar no degrau da casa, conto centenas. A meio palmo d\u2019\u00e1gua, embaixo de uma laje, voc\u00ea n\u00e3o consegue contar a quantidade de lagostas, de dent\u00e3o, de guarajuba, de tudo que imaginar\u201d, diz Brito. \u201cSei onde est\u00e3o as tocas dos polvos. No deck da nossa casa tem mais de 50 filhotes de viuvinhas, que resolveram que os ninhos delas seriam aqui. A quantidade de tubar\u00e3o-lixa, lim\u00e3o, dois tigres que est\u00e3o rondando. Na \u00e9poca da reprodu\u00e7\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea baleia jubarte. A paz do atol e a quest\u00e3o de n\u00e3o ter mais a pesca mudou demais esse ambiente.\u201d<\/p>\n<p>Brito considera que a pesquisa em Atol das Rocas \u00e9 um aspecto fundamental da conserva\u00e7\u00e3o, para garantir uma gest\u00e3o ambiental mais eficiente. Os estudos s\u00e3o fomentados pelo ICMBio, que fornece toda a estrutura necess\u00e1ria. Os pesquisadores passam um plano de trabalho e Brito organiza o roteiro, de forma que o ecossistema n\u00e3o seja perturbado.<\/p>\n<p>Apesar da prote\u00e7\u00e3o resguardada pela reserva, o Atol das Rocas sente press\u00f5es externas e eventos extremos. O lixo marinho \u00e9 um problema que persiste. Na mar\u00e9 baixa, Brito percorre as duas ilhas para recolher o que chegou pelo mar \u2013 \u201cl\u00e2mpada, garrafa PET, tampinha, seringa, vidro, n\u00e1ilon, isopor e bichos associados, esp\u00e9cies ex\u00f3ticas que n\u00e3o podem ficar aqui\u201d.<\/p>\n<p>O aumento do n\u00edvel do mar tamb\u00e9m \u00e9 sentido nas ilhas. O farol do atol, constru\u00eddo em 1934, era no meio da ilha, mas hoje est\u00e1 dentro d\u2019\u00e1gua. Em 1993, Brito e o ent\u00e3o chefe da Rebio, Gilberto Salles, constru\u00edram a primeira casa no Atol, em um lugar mais seguro naquela \u00e9poca, onde o aterro se instalara. Quando o aterro come\u00e7ou a sair,\u00a0tiveram de mudar a casa de lugar. Em 1996, Brito mudou a moradia para a ilha do lado. Tr\u00eas anos atr\u00e1s, as varandas de tr\u00e1s e da frente j\u00e1 haviam sido tomadas pela \u00e1gua. A casa pendeu e trincou. Ficou como dep\u00f3sito, segura por sacos de areia e pedra, at\u00e9 ser desmontada. Na casa de hoje, n\u00e3o havia faixa de terra 30 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Os efeitos do aquecimento do oceano, identificados pelo estudo de Capitani, j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis no Atol das Rocas. Assim que \u00e9 informada sobre um pico de temperatura, por exemplo, devido ao El Ni\u00f1o ou ao La Ni\u00f1a, a situa\u00e7\u00e3o nas ilhas come\u00e7a a ser monitorada. Em 1994, houve um evento cr\u00edtico de branqueamento dos corais. Mas o ecossistema tem sido resiliente e \u201co atol est\u00e1 bem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAqui \u00e9 um ambiente recifal. Se o recife est\u00e1 doente, tudo ao redor adoece tamb\u00e9m. Quando a temperatura aumenta, vemos muitas po\u00e7as de mar\u00e9 e lugares pequenos com bichos mortos. S\u00e3o peixes, moluscos, crust\u00e1ceos. Muitas vezes as moreias tentam sair das tocas, mas morrem. As aves mexem o bico para poder resfriar. Os corais v\u00e3o ficando p\u00e1lidos, mas essas mesmas col\u00f4nias se recuperam\u201d, observa Brito. \u201cN\u00e3o vejo diminui\u00e7\u00e3o de peixes, mesmo nos ambientes que estavam mais quentes, com temperatura de 32\u00baC. Quando o mar esfria, tudo volta ao normal. N\u00e3o sei como ser\u00e1 se continuar aquecendo da forma da proje\u00e7\u00e3o, mas todo mundo fala que ter\u00e3o impactos.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Amea\u00e7as do clima ao atol<\/strong><\/h3>\n<p>Capitani projetou os efeitos do aumento da temperatura conforme os patamares de concentra\u00e7\u00e3o representativos (RCP) 2.6, 4.5 e 8.5 do IPCC, que indicariam, respectivamente, aumento de 0,5\u00baC, 1,3\u00baC e 3\u00baC na temperatura do mar em Atol das Rocas at\u00e9 2100 \u2013 hoje, a \u00e1gua na ilha tem em m\u00e9dia 27,3\u00baC. \u201cSe a temperatura do oceano Atl\u00e2ntico n\u00e3o tiver um aumento t\u00e3o forte, as esp\u00e9cies conseguir\u00e3o se adaptar. Agora, se a temperatura mudar rapidamente e tivermos um ver\u00e3o muito quente, isso pode derivar em uma altera\u00e7\u00e3o bem grande das esp\u00e9cies que vivem no Atol das Rocas\u201d, conclui Capitani.<\/p>\n<p>No caso da alta em 0,5\u00baC, o impacto seria significativamente menor. As esp\u00e9cies conseguiriam se adaptar e n\u00e3o haveria grandes altera\u00e7\u00f5es nos h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. O cen\u00e1rio de aumento de 1,3\u00baC \u00e9 similar ao de 0,5\u00baC, sem mudan\u00e7as significativas no ecossistema. Agora, caso ocorra uma eleva\u00e7\u00e3o de 2\u00baC a 3\u00baC na temperatura da \u00e1gua, Atol das Rocas ser\u00e1 duramente impactado.<\/p>\n<p>\u201cA temperatura \u00e9 um fator abi\u00f3tico, uma caracter\u00edstica ambiental importante para regular tudo\u201d, explica o bi\u00f3logo. \u201cO ser humano regula a pr\u00f3pria temperatura, com rela\u00e7\u00e3o ao ambiente externo. Mas os peixes n\u00e3o conseguem. Se tem uma temperatura da \u00e1gua mais alta, eles procuram outros lugares onde se sintam bem. E come\u00e7am a ter algumas altera\u00e7\u00f5es [no ecossistema].\u201d<\/p>\n<p>Segundo o estudo, o est\u00e1gio mais cr\u00edtico das mudan\u00e7as ocorreria a partir de 2075. \u201c\u00c9 quando as esp\u00e9cies come\u00e7am a ter uma menor taxa de consumo, ou seja, a se alimentar menos. Por isso, no cen\u00e1rio 8.5 observamos que, at\u00e9 o final de 2100, o total de abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies no ecossistema diminuiria em 44%\u201d, diz Capitani. \u201cEsperamos que at\u00e9 2075 o ecossistema possa se adaptar. As nossas proje\u00e7\u00f5es s\u00e3o no sentido de que, se n\u00e3o mudar nada em termos de adapta\u00e7\u00e3o e de evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, acontecer\u00e1 isso. Agora, se as esp\u00e9cies conseguirem encontrar lugares para se proteger e novas formas de comer, provavelmente teremos mudan\u00e7as menores no pior cen\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--small\">\n<h3>\u201cOnde voc\u00ea pisa tem vida. E essa \u00e9 a import\u00e2ncia do atol, de perpetuar milhares de vidas. E temos que ter a consci\u00eancia de que esse lugar \u00e9 especial, \u00e9 fr\u00e1gil, \u00e9 maternidade\u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">MAURIZ\u00c9LIA BRITO<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">CHEFE DA RESERVA BIOL\u00d3GICA ATOL DAS ROCAS<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph css-0\">\n<div>\n<p>Algas, fitopl\u00e2nctons e zoopl\u00e2nctons s\u00e3o mais resistentes e se adaptam melhor \u00e0s temperaturas mais altas. Tubar\u00f5es,<strong>\u00a0<\/strong>peixes predadores, invert\u00edvoros, herb\u00edvoros e detrit\u00edvoros, tartarugas e moluscos t\u00eam menor capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que mostra um gr\u00e1fico do indicativo de toler\u00e2ncia t\u00e9rmica das esp\u00e9cies do Atol das Rocas, publicado no artigo.<\/p>\n<p>\u201cOs peixes que comem algas s\u00e3o bem sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as da temperatura. O\u00a0<em>Stegastes rocasensis\u00a0<\/em>(peixe-donzela)<em>\u00a0<\/em>\u00e9 end\u00eamico do Atol das Rocas e de Fernando de Noronha e se adaptou somente a esses lugares\u201d, diz Capitani. \u201cPor isso, \u00e9 uma das esp\u00e9cies mais sens\u00edveis, que sofre se aumentar muito a temperatura da \u00e1gua do mar.\u201d<\/p>\n<p>O estudo constatou que o aquecimento do oceano enfraquece as rela\u00e7\u00f5es tr\u00f3ficas. Capitani destaca as altera\u00e7\u00f5es entre as esp\u00e9cies que se alimentam de algas \u2013 um elemento essencial para o Atol das Rocas, assim como os corais. \u201cAlgumas algas est\u00e3o adaptadas a essa varia\u00e7\u00e3o de temperatura, mas s\u00e3o controladas pelos peixes herb\u00edvoros e pelos invertebrados que vivem no fundo do atol. Se os peixes herb\u00edvoros diminu\u00edrem, por serem sens\u00edveis \u00e0 temperatura, as algas se beneficiariam um pouco, porque poderiam crescer mais sem serem comidas.\u201d<\/p>\n<p>No Atol das Rocas, as algas e os corais competem por espa\u00e7o nas pedras e buracos das ilhas. Ao contr\u00e1rio das algas, os corais sofrem mais mortalidade no pior cen\u00e1rio de aumento da temperatura analisado. \u201cSe tivesse bastante alga, n\u00e3o teria espa\u00e7o para corais\u201d, continua Capitani. \u201cPor isso, se o aumento da temperatura cria uma mudan\u00e7a na estrutura do ecossistema, porque diminui os peixes que controlam as algas, muda tamb\u00e9m o ecossistema, porque ter\u00e1 mais capacidade de a alga colonizar o ambiente, deixando menos espa\u00e7o para os corais, que j\u00e1 sofrem.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Capitani, as proje\u00e7\u00f5es desenvolvidas no estudo podem ser representativas para as demais ilhas oce\u00e2nicas brasileiras \u2013 os arquip\u00e9lagos de Trindade e Martim Vaz, Fernando de Noronha e S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo. \u201cS\u00e3o ilhas afastadas da costa brasileira e que possuem mais ou menos as mesmas esp\u00e9cies que Atol das Rocas. Com cautela cient\u00edfica, esperamos resultados parecidos para todo tipo de ilha que tenha caracter\u00edsticas similares\u201d, considera. \u201cNossos resultados t\u00eam a mesma indica\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as de outros grandes estudos. Para o oceano Atl\u00e2ntico, a queda de abund\u00e2ncia de organismos marinhos ser\u00e1 entre 25% e 50% na faixa tropical do Atl\u00e2ntico, da Bahia ao Amap\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>Para Carlos Eduardo Ferreira, coordenador do Peld-Iloc, os modelos desenvolvidos no estudo de Capitani s\u00e3o importantes tanto \u201cpara entender como a cadeia tr\u00f3fica vai se comportar frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, como para a gest\u00e3o ambiental. Ferreira considera interessante que o modelo seja adaptado e aplicado para as demais ilhas oce\u00e2nicas brasileiras. Como o modelo da cadeia tr\u00f3fica utiliza um programa bem estabelecido, o Ecopath, ele acredita que n\u00e3o seria uma adapta\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. O fato de o Peld j\u00e1 possuir boa parte dos dados reduziria os custos do trabalho. O investimento maior seria em profissionais e computadores otimizados para trabalhar na modelagem.<\/p>\n<p>\u201cModelos de previs\u00e3o s\u00e3o important\u00edssimos, mas temos muito pouco disso aplicado para os ecossistemas marinhos no Brasil. Esse trabalho \u00e9 pioneiro. O modelo serve para trabalharmos nas prioridades de manejo e conserva\u00e7\u00e3o antes de chegar no ponto cr\u00edtico e, assim, evitar essas tend\u00eancias\u201d, explica Ferreira. \u201cPrecisamos replic\u00e1-lo nos diferentes sistemas, visando previs\u00f5es em cima de impactos de mudan\u00e7as globais \u2013 temperatura, pH \u2013 e antropog\u00eanicos \u2013\u00a0quantidade de pesca, eutrofiza\u00e7\u00e3o, introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alta de 2\u00baC a 3\u00baC na temperatura da \u00e1gua provocaria dist\u00farbios na cadeia tr\u00f3fica do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":152453,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3,1],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/coral_ocas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Alta de 2\u00baC a 3\u00baC na temperatura da \u00e1gua provocaria dist\u00farbios na cadeia tr\u00f3fica do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152452"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152452"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":152455,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152452\/revisions\/152455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}