{"id":152167,"date":"2021-08-24T10:00:46","date_gmt":"2021-08-24T13:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=152167"},"modified":"2021-08-23T19:17:33","modified_gmt":"2021-08-23T22:17:33","slug":"genetica-revela-os-segredos-da-welwitschia-a-planta-que-beira-a-imortalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/genetica-revela-os-segredos-da-welwitschia-a-planta-que-beira-a-imortalidade\/","title":{"rendered":"Gen\u00e9tica revela os segredos da \u2018Welwitschia\u2019, a planta que beira a imortalidade"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=152168\" rel=\"attachment wp-att-152168\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-152168\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Esp\u00e9cie considerada a mais longeva do mundo vegetal \u00e9 capaz de sobreviver em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas gra\u00e7as a seus genes duplicados<\/h2>\n<p class=\"\">Quando Joseph Dalton Hooker, diretor (1865-85)\u00a0do Real Jardim Bot\u00e2nico Kew,\u00a0em Londres, viu pela primeira vez um exemplar da Welwitschia, n\u00e3o se conteve: \u201c\u00c9 sem d\u00favida a planta mais maravilhosa que j\u00e1 se trouxe a este pa\u00eds, e uma das mais feias\u201d. Esta esp\u00e9cie, descrita formalmente pela primeira vez em 1863, foi alvo de controv\u00e9rsia quase desde seu descobrimento. Sabe-se que \u00e9 capaz de resistir durante milhares de anos em condi\u00e7\u00f5es dur\u00edssimas, o que faz dela a planta mais longeva do planeta. Agora, uma an\u00e1lise gen\u00e9tica publicada na\u00a0<i>Nature Communications<\/i><i>\u00a0<\/i>permite conhecer novos dados sobre esta curiosa esp\u00e9cie. Por exemplo, que seu genoma duplicado permite que alguns de seus genes se dediquem a tarefas que n\u00e3o entrariam nas suas fun\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, a planta pode ativar certas prote\u00ednas para se proteger das condi\u00e7\u00f5es extremas onde vive, e tem um crescimento lento, mas sustentado, ao longo de toda a sua vida.<\/p>\n<p class=\"\">A Welwitschia \u00e9 um ser vivo que habita o noroeste da\u00a0Nam\u00edbia\u00a0e o sudoeste de Angola. Apesar de ficar perto do Atl\u00e2ntico, estas \u00e1reas s\u00e3o des\u00e9rticas, e o n\u00edvel de precipita\u00e7\u00f5es ali \u00e9 inferior a cinco cent\u00edmetros por ano. Sua forma tamb\u00e9m \u00e9 muito caracter\u00edstica, j\u00e1 que conta unicamente com duas folhas, que podem crescer de 10 a 13 cent\u00edmetros por ano. \u00c0 medida que isso ocorre, os extremos das folhas se esfarrapam e se enroscam entre si, o que \u00e0s vezes lhe d\u00e1 um aspecto similar ao de um polvo\u2015seu nome popular em portugu\u00eas \u00e9 justamente \u201cpolvo do deserto\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">A an\u00e1lise do genoma da Welwitschia mostrou que esta planta tem todos seus genes em dose dupla, o que os especialistas chamam de \u201credund\u00e2ncia gen\u00e9tica\u201d. Andrew Leitch, pesquisador da\u00a0Universidade Queen Mary\u00a0de Londres e um dos autores do estudo, explica que essa duplicidade, ao longo de milh\u00f5es de anos, permitiu que esses genes se dedicassem a tarefas parcialmente diferentes das que lhes corresponderiam: \u201cAs c\u00f3pias duplicadas podem assumir novas fun\u00e7\u00f5es e fazer coisas novas, que seriam imposs\u00edveis se s\u00f3 houvesse uma vers\u00e3o do gene. Tais adapta\u00e7\u00f5es impulsionaram a evolu\u00e7\u00e3o das plantas\u201d. Assim, por exemplo, os pesquisadores acreditam que as folhas s\u00e3o capazes de absorver parte da umidade da n\u00e9voa que se forma no come\u00e7o da manh\u00e3 no deserto.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block a_q a_q__b | border-box\">\n<div>\u00c0 medida que a planta vai crescendo, os extremos das folhas se esfarrapam e se enroscam entre si, o que \u00e0s vezes lhe d\u00e1 um aspecto similar ao de um polvo<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Essa duplicidade surgiu h\u00e1 aproximadamente 86 milh\u00f5es de anos, provocada pelo estresse de estarem constantemente submetidas a condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas (de temperatura, radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, salinidade etc.). Perante essas amea\u00e7as perenes, a Welwitschia sempre mant\u00e9m ativadas uma s\u00e9rie de prote\u00ednas que lhe permitem controlar o estresse provocado por tais condi\u00e7\u00f5es. Leitch faz uma analogia culin\u00e1ria: \u201cQuando se coloca um ovo na \u00e1gua quente, as prote\u00ednas do ovo se desnaturam e a clara endurece. Esta desnatura\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema para as plantas e os animais que vivem em condi\u00e7\u00f5es de calor extremo, e a Welwitschia ativa certos genes para evitar que isto ocorra\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">Al\u00e9m disso, diferentemente das demais plantas, o crescimento da Welwitschia n\u00e3o se produz nos extremos das folhas, e sim em sua base. Esta zona est\u00e1 fortemente protegida por dois l\u00e1bios lenhosos que se encarregam de cobrir o meristema basal, a parte que fornece as novas c\u00e9lulas. Esta esp\u00e9cie de bulbo \u00e9 formado por um tecido praticamente embrion\u00e1rio, ainda pouco diferenciado, que muito lentamente vai se transformando em tecido para as folhas. Enquanto esse bulbo est\u00e1 vivo, a planta nunca para de crescer. Ali\u00e1s, seu nome em afric\u00e2ner (l\u00edngua de origem europeia falada no sul da \u00c1frica) \u00e9\u00a0<i>tweeblaarkanniedood<\/i>, que significa literalmente \u201cduas folhas que n\u00e3o podem morrer\u201d. Tanto \u00e9 que os pesquisadores tiveram que comprovar a idade de alguns esp\u00e9cimes com exames de carbono-14, geralmente usados para datar restos f\u00f3sseis. Os resultados confirmaram que alguns indiv\u00edduos tinham mais de 1.500 anos de idade.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img loading=\"lazy\" class=\"lazyload block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/D-9UDa_sC5h0jdi3HR4At6ZE0Yw=\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OKW325MZNJATNF5J2TNTNWLXXE.jpg\" srcset=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/D-9UDa_sC5h0jdi3HR4At6ZE0Yw=\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OKW325MZNJATNF5J2TNTNWLXXE.jpg 414w,https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/ekodPiT8fk1S7xRPTvO7nK46Afc=\/828x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OKW325MZNJATNF5J2TNTNWLXXE.jpg 640w,https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/IZ_hbzuJJVEhO87lp31fp9X1UsU=\/980x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OKW325MZNJATNF5J2TNTNWLXXE.jpg 1000w,https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/HHDysS2iduV1pVjo1ygi6P89_FQ=\/1960x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OKW325MZNJATNF5J2TNTNWLXXE.jpg 1960w\" alt=\"L\u00e1bios de madeira que protegem a zona crucial para o crescimento de uma \u2018Welwitschia\u2019. \" width=\"639\" height=\"479\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">L\u00e1bios de madeira que protegem a zona crucial para o crescimento de uma \u2018Welwitschia\u2019.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">ANDREW LEITCH<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Leitch considera que este descobrimento pode ser chave em m\u00e9dio e longo prazo para a sobreviv\u00eancia da nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie. \u201cIdentificar genes que permitam sobreviver em condi\u00e7\u00f5es hostis ser\u00e1 \u00fatil quando procurarmos cultivar em zonas cada vez mais marginais do planeta, algo que teremos que fazer para alimentar\u00a0os nove bilh\u00f5es de pessoas que seremos dentro de 50 anos com uma dieta de alto n\u00edvel, al\u00e9m de encontrar espa\u00e7o para os biocombust\u00edveis. Tudo isso em um contexto de\u00a0mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u00a0e mudan\u00e7as nas precipita\u00e7\u00f5es e temperaturas\u201d, observa.<\/p>\n<p class=\"\">Sobre esta poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o, Alfonso Bl\u00e1zquez, pesquisador e professor do departamento de Biologia da\u00a0Universidade Aut\u00f4noma de Madri, que n\u00e3o participou do estudo, tem algumas d\u00favidas. \u201cSuperexpressar apenas um ou dois genes em cultivos comerciais provavelmente n\u00e3o consiga o mesmo efeito, porque esta planta tem um monte de genes de prote\u00e7\u00e3o ativados ao mesmo tempo, embora talvez venham a adquirir algum tipo de resist\u00eancia maior ao calor ou \u00e0 falta de umidade. Isso pode ser uma aplica\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria que \u00e9 preciso pesquisar\u201d, pondera.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cie considerada a mais longeva do mundo vegetal \u00e9 capaz de sobreviver em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":152168,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/planta-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":14,"uagb_excerpt":"Esp\u00e9cie considerada a mais longeva do mundo vegetal \u00e9 capaz de sobreviver em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152167"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152167"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152167\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":152171,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152167\/revisions\/152171"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152168"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}