{"id":15215,"date":"2015-02-02T10:00:30","date_gmt":"2015-02-02T10:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15215"},"modified":"2015-02-01T23:56:34","modified_gmt":"2015-02-01T23:56:34","slug":"casos-de-febre-chicungunha-chegam-a-116-milhao-no-continente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/casos-de-febre-chicungunha-chegam-a-116-milhao-no-continente\/","title":{"rendered":"Casos de febre chicungunha chegam a 1,16 milh\u00e3o no continente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/febre_chicungunha.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-15216\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/febre_chicungunha.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/febre_chicungunha.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/febre_chicungunha-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>H\u00e1 cerca de um ano, a febre chicungunha aportava nas Am\u00e9ricas. Por se tratar de uma doen\u00e7a nova \u2014 contra a qual n\u00e3o h\u00e1 vacina nem imunidade na popula\u00e7\u00e3o local \u2014, ela fez alarde. Pouco a pouco, a preocupa\u00e7\u00e3o diminuiu e foi engolida pela aten\u00e7\u00e3o dada ao ebola, muito mais letal e fora de controle em pa\u00edses do Oeste Africano. Nesse meio tempo, o n\u00famero de casos no continente americano rapidamente passou de 111, em janeiro de 2014, para impressionante 1,16 milh\u00e3o, entre suspeitos e confirmados, at\u00e9 23 de janeiro, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Nem mesmo o ebola tem velocidade de propaga\u00e7\u00e3o t\u00e3o acelerada: 22 mil casos foram registrados entre o in\u00edcio da epidemia, em mar\u00e7o passado, e a \u00faltima quarta-feira, segundo a OMS. Al\u00e9m disso, com poucas e controladas exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 circunscrito \u00e0 \u00c1frica. O chicungunha, por\u00e9m, est\u00e1 pr\u00f3ximo e j\u00e1 deflagrou surtos em cidades brasileiras. Poucos morrem pela doen\u00e7a (foram 172 registros no continente, contra oito mil mortes por ebola na \u00c1frica), mas seus sintomas s\u00e3o fortes: febre alta e dores articulares, em princ\u00edpio; dores de cabe\u00e7a e musculares, n\u00e1useas, v\u00f4mitos, erup\u00e7\u00f5es e vermelhid\u00e3o na pele e, eventualmente, conjuntivite. O pior \u00e9 que podem perdurar meses, \u00e0s vezes, mais de um ano.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 verdade que o ebola mata muito mais, mas n\u00e3o podemos avaliar a intensidade de uma epidemia e a necessidade de aten\u00e7\u00e3o s\u00f3 pela taxa de letalidade. O chicungunha avan\u00e7a rapidamente pelo continente e vem causando enorme sofrimento aos doentes \u2014 comenta Celso Ramos, infectologista do Hospital Universit\u00e1rio Clementino Fraga Filho, no Rio. \u2014 Al\u00e9m disso, tem provocado colapsos em sistemas de sa\u00fade de alguns pa\u00edses caribenhos, devido ao n\u00famero enorme e repentino de pacientes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/infograficos.oglobo.globo.com\/sociedade\/ocorrencia-da-febre-nas-americas.html\" rel=\"external\">VEJA INFOGR\u00c1FICO SOBRE O AVAN\u00c7O DA DOEN\u00c7A<\/a><\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo franc\u00eas Jean-Fran\u00e7ois V\u00e9ran viu de perto esse cen\u00e1rio. Morador do Rio, ele foi enviado pela ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras ao Haiti em maio do ano passado a fim de realizar uma pesquisa sobre a dengue. Chegando l\u00e1, exatamente quando houve a declara\u00e7\u00e3o oficial da epidemia de chicungunha, seu foco de trabalho mudou.<\/p>\n<p>\u2014 Eu j\u00e1 tinha trabalhado no Haiti no pico da epidemia de c\u00f3lera, quando aprendi um ditado popular: \u201cos micr\u00f3bios n\u00e3o matam os haitianos\u201d. Era uma esp\u00e9cie de grito de orgulho nacional da capacidade do povo de resistir a esse mal, j\u00e1 que tantos outros o abatiam. Mas, no caso do chicungunha, o sofrimento \u00e9 grande demais. Ouvia-os dizendo nunca terem sentido dores t\u00e3o fortes. Andava pelas casas de L\u00e9og\u00e2ne, e todas tinham pelo menos um doente completamente prostrado \u2014 relata o pesquisador.<\/p>\n<p>O Haiti registrou mais de 64 mil casos at\u00e9 o \u00faltimo dia 23, n\u00famero que V\u00e9ran acredita estar subestimado. Ele cita que, entre a primeira e a \u00faltima semanas de maio, 41% da popula\u00e7\u00e3o local foram infectados; al\u00e9m disso, 241 dos 400 profissionais de sa\u00fade (60%) estavam entre eles. Algumas cidades do pa\u00eds chegaram a ficar desabastecidas de paracetamol, um dos rem\u00e9dios indicados no tratamento. Na ocasi\u00e3o, V\u00e9ran se somou \u00e0s v\u00edtimas:<\/p>\n<p>\u2014 Tentamos nos proteger, mas a presen\u00e7a do mosquito era generalizada. Fiquei incapacitado quatro dias inteiros. Depois, como precisava concluir a pesquisa, fui a campo, mas continuei com dores na coluna e nas m\u00e3os por tr\u00eas a quatro meses.<\/p>\n<p><strong>NO BRASIL, PICO DE TRANSMISS\u00c3O EST\u00c1 POR VIR<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e9ran destaca que a coexist\u00eancia do chicungunha e da dengue \u00e9 um desafio s\u00e9rio para a preven\u00e7\u00e3o e o controle vetorial. Isso porque ambos os v\u00edrus s\u00e3o transmitidos pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus e, por isso, t\u00eam padr\u00f5es de infec\u00e7\u00e3o parecidos, embora sejam doen\u00e7as diferentes.<\/p>\n<p>Anteriormente, os focos principais de infec\u00e7\u00e3o por chicungunha eram a \u00c1sia e a \u00c1frica. Em dezembro de 2013 foi registrado o primeiro caso na ilha caribenha de Saint Martin, e, desde ent\u00e3o, a doen\u00e7a tomou grandes propor\u00e7\u00f5es nas Am\u00e9ricas, inclusive com alguns (poucos) casos aut\u00f3ctones nos Estados Unidos. A estimativa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a melhorar na Am\u00e9rica Central, onde j\u00e1 ocorreu o pico epid\u00eamico, e piorar no Sul, alerta Pilar Ram\u00f3n-Pardo, assessora regional de manejo cl\u00ednico de doen\u00e7as infecciosas da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade, ligada \u00e0 OMS.<\/p>\n<p>\u2014 A febre ter\u00e1 grande impacto este ano e nos pr\u00f3ximos, quando esperamos ver as consequ\u00eancias das sequelas cr\u00f4nicas \u2014 afirma Pilar. \u2014 A urbaniza\u00e7\u00e3o descontrolada e sem planejamento, a falta de servi\u00e7os b\u00e1sicos e de gest\u00e3o ambiental, assim como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, s\u00e3o alguns fatores que contribuem para que o problema continue crescendo, apesar dos esfor\u00e7os dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Superintendente de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Secretaria de Sa\u00fade do Estado do Rio, Alexandre Chieppe diz estar bastante atento \u00e0 situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A possibilidade de epidemias explosivas de chicungunha \u00e9 muito grande, pois o risco de propaga\u00e7\u00e3o \u00e9 maior que o da dengue, e \u00e9 um v\u00edrus contra o qual a popula\u00e7\u00e3o brasileira ainda n\u00e3o tem imunidade \u2014 explica. \u2014 O per\u00edodo de janeiro a maio preocupa muito, especialmente a partir de mar\u00e7o, quando o calor diminui, e as chuvas s\u00e3o mais regulares. O pico de transmiss\u00e3o est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p>Por enquanto, o estado registrou 44 casos, todos importados. Este m\u00eas houve tr\u00eas notifica\u00e7\u00f5es. O ver\u00e3o seco que vem incomodando cariocas pode, ao menos, minimizar o risco de dissemina\u00e7\u00e3o dos mosquitos, j\u00e1 que eles proliferam em locais de \u00e1gua parada. Os n\u00fameros de dengue, ressalta Chieppe, j\u00e1 s\u00e3o os mais animadores dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tamb\u00e9m alerta para a possibilidade de novas ocorr\u00eancias e refor\u00e7a: a elimina\u00e7\u00e3o dos criadouros dos mosquitos transmissores \u00e9 a melhor forma de preven\u00e7\u00e3o, especialmente pelo controle de locais de \u00e1gua parada e sem prote\u00e7\u00e3o. Em dezembro, o \u00f3rg\u00e3o distribuiu R$ 150 milh\u00f5es a estados e munic\u00edpios para o refor\u00e7o das a\u00e7\u00f5es de controle. No pr\u00f3ximo dia 7, promover\u00e1 o segundo Dia D de mobiliza\u00e7\u00e3o contra o mosquito Aedes aegypti.<\/p>\n<p><strong>SURTOS EM FEIRA DE SANTANA E OIAPOQUE<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o carioca n\u00e3o se compara \u00e0s de Oiapoque (AP) e Feira de Santana (BA). Segundo as vigil\u00e2ncias de sa\u00fade locais, at\u00e9 meados de janeiro foram confirmados 1.552 e 1.009 casos, respectivamente, quase o total do Brasil. Fam\u00edlias inteiras foram tomadas pela doen\u00e7a, que, no original (chikungunya), na l\u00edngua do povo makonde, da Tanz\u00e2nia, significa \u201caqueles que se dobram\u201d, alus\u00e3o \u00e0s fortes dores caracter\u00edsticas. Foi na Tanz\u00e2nia que se registrou o primeiro surto, em 1952.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tratamento espec\u00edfico al\u00e9m de repouso e do uso de analg\u00e9sicos e anti-inflamat\u00f3rios. Testes r\u00e1pidos de diagn\u00f3stico s\u00e3o caros e inexistentes na maioria dos pa\u00edses. Tampouco existe vacina. Al\u00e9m de integrante do grupo de trabalho da ONG Global Virus Network (GVN) contra o chicungunha, Scott Weaver \u00e9 coordenador de uma pesquisa de imunizante pela Universidade do Texas (EUA) e diz haver nove projetos internacionais em curso, dois deles j\u00e1 sendo testados em humanos. Ele explica que h\u00e1 apenas um v\u00edrus da febre (a dengue tem quatro), o que facilitaria o desenvolvimento do produto:<\/p>\n<p>\u2014 O empecilho financeiro \u00e9 maior que o cient\u00edfico. As grandes farmac\u00eauticas resistem ao investimento. Um dos motivos \u00e9 que, ap\u00f3s a epidemia, a popula\u00e7\u00e3o se torna imune ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>Por isso, uma das propostas do grupo de trabalho da GVN \u00e9 cobrar a\u00e7\u00f5es mais integradas:<\/p>\n<p>\u2014 A seriedade do ebola nos for\u00e7ou a pensar em formas de viabilizar a vacina, mesmo num cen\u00e1rio de mercado incerto. Cons\u00f3rcios internacionais de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es e ind\u00fastrias s\u00e3o necess\u00e1rios, pois a dissemina\u00e7\u00e3o de v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 um problema isolado, representa uma amea\u00e7a global.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de um ano, a febre chicungunha aportava nas Am\u00e9ricas. 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