{"id":1519,"date":"2014-06-17T10:00:29","date_gmt":"2014-06-17T10:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1519"},"modified":"2014-06-16T23:59:58","modified_gmt":"2014-06-16T23:59:58","slug":"chuva-de-calcio-e-aluminio-para-explicar-diferencas-entre-os-dois-lados-da-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/chuva-de-calcio-e-aluminio-para-explicar-diferencas-entre-os-dois-lados-da-lua\/","title":{"rendered":"Chuva de c\u00e1lcio e alum\u00ednio para explicar diferen\u00e7as entre os dois lados da Lua"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1520\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>H\u00e1 55 anos, quando foi visto pela primeira vez, o lado oculto da Lua surpreendeu pela aus\u00eancia dos grandes mares de basalto que existem no lado vis\u00edvel. Uma explica\u00e7\u00e3o \u00e9 avan\u00e7ada agora.<\/p>\n<p>Mais montanhoso, com muitas crateras e uma crosta mais espessa, o lado oculto da Lua tem caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas muito diferentes do lado que vemos a partir da Terra. A primeira vez que o lado escondido foi fotografado, pela sonda sovi\u00e9tica Luna 3, em 1959, os cientistas ficaram surpreendidos pela aus\u00eancia dos mares \u2013 as grandes e escuras plan\u00edcies de basalto que se espalham pelo lado vis\u00edvel da Lua. Agora, uma equipa de cientistas explica, na revista <i>The Astrophysical Journal Letters<\/i>, que a origem deste mist\u00e9rio descoberto h\u00e1 55 anos remonta ao in\u00edcio da hist\u00f3ria da Lua.<\/p>\n<p class=\"SubCaixaContainer\"><span style=\"line-height: 1.6em;\">Os mares escuros da Lua s\u00e3o o resultado de actividade vulc\u00e2nica antiga. Um dos mais conhecidos \u00e9 o Mar da Tranquilidade, onde o m\u00f3dulo lunar da Apolo 11 pousou, em Julho de 1969, e a humanidade, simbolizada naquele momento por Neil Armstrong, caminhou pela primeira vez na Lua. Estes mares formaram-se depois de o embate de grandes meteoritos ter furado a crosta da Lua e o material magm\u00e1tico, que estava no manto, ter vindo \u00e0 superf\u00edcie em forma de lava bas\u00e1ltica.<\/span><\/p>\n<p>No passado, os cientistas j\u00e1 tinham descoberto que a aus\u00eancia destes mares no lado escondido estava relacionada com a espessura da crosta. \u201cDe forma grosseira, a crosta da Lua tem 20 a 30 quil\u00f3metros de espessura no lado mais pr\u00f3ximo e 30 a 60 quil\u00f3metros no lado mais long\u00ednquo\u201d, explica ao P\u00daBLICO Arpita Roy, autora do artigo com Jason Wright e Steinn Sigur\u00f0sson, os tr\u00eas da Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Esta crosta mais espessa fez com que os impactos dos meteoritos n\u00e3o furassem completamente a crosta, impedindo que a lava se libertasse. Apesar de a quest\u00e3o da aus\u00eancia dos mares estar explicada, surgiu uma nova pergunta: por que \u00e9 que existe uma assimetria na espessura da crosta dos dois lados da Lua?<\/p>\n<p>Para responder \u00e0 quest\u00e3o, a equipa analisou os processos iniciais de forma\u00e7\u00e3o da Lua. \u00c9 necess\u00e1rio recuar cerca de 4500 milh\u00f5es de anos, quando o sistema solar tinha apenas 100 milh\u00f5es de anos. Nessa altura, a Terra j\u00e1 estava quase formada, quando um corpo do tamanho de Marte, chamado Teia, embateu contra o nosso planeta. De acordo com a teoria prevalecente, este embate lan\u00e7ou uma grande quantidade de materiais para o espa\u00e7o em redor da Terra. E foram esses materiais que originaram a Lua, num per\u00edodo de tempo recorde.<\/p>\n<p>\u201cO que se pensa \u00e9 que a Lua demorou entre um e 100 anos a formar-se. O disco [de material] formou-se imediatamente ap\u00f3s o impacto e, quase de imediato, os detritos maiores do disco ter\u00e3o come\u00e7ado a colidir e a colar-se uns aos outros, formando grandes peda\u00e7os de rocha completamente rodeada por g\u00e1s\u201d, descreve Arpita Roy.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a Lua ficou com a sua \u00f3rbita presa ao nosso planeta. Isto significa que o tempo que o sat\u00e9lite demora a dar uma volta em torno da Terra \u00e9 o mesmo tempo que demora a dar uma volta sobre si mesmo. Por isso, a Lua apresenta sempre a mesma face para a Terra.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, esta rota\u00e7\u00e3o sincronizada da Lua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra acabou por definir o que se seguiu. Quando Teia colidiu com a Terra, provocou a vaporiza\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o da crosta e manto do nosso planeta. Aqueceram muito, chegando a alcan\u00e7ar temperaturas de 10.000 graus Celsius. Numa altura em que a Lua estava 10 a 20 vezes mais pr\u00f3xima do nosso planeta do que hoje, esse calor foi um aut\u00eantico aquecedor da sua face virada para a Terra. \u201cA quantidade de calor que a Lua recebeu foi centenas de milhares de vezes maior do que a Terra recebe hoje do Sol\u201d, diz a investigadora.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno provocou a assimetria geol\u00f3gica descoberta h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo. Como s\u00f3 um lado da Lua apanhava com este calor, o outro lado, mais distante, arrefeceu mais rapidamente. Ao arrefecer mais depressa no lado oculto, as part\u00edculas de c\u00e1lcio e de alum\u00ednio que estavam na atmosfera ent\u00e3o densa da Lua solidificaram e ca\u00edram em forma de \u201cneve\u201d no magma derretido do sat\u00e9lite natural.<\/p>\n<p>Durante alguns milhares de anos, esta \u201cneve\u201d de part\u00edculas de c\u00e1lcio e alum\u00ednio foi muito mais intensa do lado frio do que do lado quente da Lua, o que resultou na acumula\u00e7\u00e3o de mais minerais no oceano de magma do lado oculto. At\u00e9 que, finalmente, a Terra arrefeceu e deixou de aquecer a face da Lua que est\u00e1 virada para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas nesta altura j\u00e1 existia a assimetria geol\u00f3gica. \u201cMuitos milhares de milh\u00f5es de anos depois, o oceano de magma da Lua arrefeceu e estes minerais formaram a crosta\u201d, explica Arpita Roy. Mas, como havia uma quantidade maior destes minerais no lado distante da Lua, a crosta acabou por se tornar mais grossa, defende a equipa, propondo assim uma explica\u00e7\u00e3o para um mist\u00e9rio com 55 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 55 anos, quando foi visto pela primeira vez, o lado oculto da Lua surpreendeu<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1520,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/lado_lua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 55 anos, quando foi visto pela primeira vez, o lado oculto da Lua surpreendeu","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1519\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}