{"id":151591,"date":"2021-08-15T12:11:53","date_gmt":"2021-08-15T15:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=151591"},"modified":"2021-08-15T12:11:55","modified_gmt":"2021-08-15T15:11:55","slug":"entrevista-com-francis-k-wiese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-com-francis-k-wiese\/","title":{"rendered":"Entrevista com Francis K. Wiese"},"content":{"rendered":"<h1>\u201cAinda podemos evitar a cat\u00e1strofe no \u00c1rtico\u201d<\/h1>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-com-francis-k-wiese\/entrevista-8\/\" rel=\"attachment wp-att-151592\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-151592\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/entrevista.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/entrevista.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/entrevista-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>\u00c1rtico<\/strong>\u00a0est\u00e1 desaparecendo devido \u00e0s\u00a0<strong>mudan\u00e7as<\/strong>\u00a0<strong>clim\u00e1ticas<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o. \u00c9 fato que cada vez mais sua fisionomia \u00e9 a de uma \u00e1rea sub\u00e1rtica. \u00c9 fato que as\u00a0<strong>mudan\u00e7as de temperatura<\/strong>\u00a0fazem com que esp\u00e9cies de plantas e animais perfeitamente adaptadas ao\u00a0<strong>clima polar<\/strong>\u00a0quase n\u00e3o consigam sobreviver. \u00c9 fato que o\u00a0<strong>degelo<\/strong>\u00a0no ver\u00e3o e a perda de\u00a0<strong>gelo<\/strong>\u00a0antigo est\u00e3o colocando em s\u00e9rio perigo todo um\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que esse processo, que tamb\u00e9m repercute no modo de vida e na cultura de seus habitantes, faz com que o\u00a0<strong>tempo<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>clima\u00a0<\/strong>no resto do mundo sofram\u00a0<strong>varia\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0<strong>alarmantes<\/strong>\u00a0e que podem ser verificadas, sem irmos muito longe, nas recentes chuvas torrenciais ca\u00eddas na Alemanha e na China.<\/p>\n<p>Dessa situa\u00e7\u00e3o parte o trabalho de cientistas como o su\u00ed\u00e7o\u00a0<strong>Francis<\/strong>\u00a0<strong>K<\/strong>.\u00a0<strong>Wiese<\/strong>, diretor t\u00e9cnico para as ci\u00eancias marinhas da\u00a0<strong>Stantec<\/strong>, que estuda os ambientes costeiros e os\u00a0<strong>usos sustent\u00e1veis<\/strong>\u00a0<strong>do<\/strong>\u00a0<strong>mar<\/strong>\u00a0monitorando o efeito das atividades humanas nesses\u00a0ecossistemas.<\/p>\n<p>Refletiu sobre tudo isso em diferentes publica\u00e7\u00f5es. A mais recente foi sua participa\u00e7\u00e3o em\u00a0<strong>Whither<\/strong>\u00a0<strong>the<\/strong>\u00a0<strong>Arctic<\/strong>\u00a0<strong>Ocean?<\/strong>\u00a0(Para onde vai o \u00c1rtico?), volume publicado pela\u00a0<strong>Funda\u00e7\u00e3o BBVA<\/strong>\u00a0que foi coordenado pelo ec\u00f3logo marinho\u00a0<strong>Paul<\/strong>\u00a0<strong>Wassmann<\/strong>\u00a0e que inclui artigos de trinta grandes especialistas em diversas \u00e1reas para analisar a situa\u00e7\u00e3o desta regi\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p>Em seu artigo,\u00a0<strong>Por que o \u00c1rtico n\u00e3o entrou em colapso?<\/strong>,\u00a0<strong>Wiese<\/strong>\u00a0viaja at\u00e9 o ano de 2050 para em um documentado exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o, quase de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, descrever a partir daquela d\u00e9cada porque a regi\u00e3o \u00e1rtica n\u00e3o veio a ser completamente destru\u00edda devido \u00e0s medidas que a humanidade tomou a tempo para impedir&#8230; Uma utopia, caso se prefira, did\u00e1tica e instrutiva.<\/p>\n<h3>Eis a entrevista.<\/h3>\n<p><strong>Considera que j\u00e1 ultrapassamos o ponto de n\u00e3o retorno, no que diz respeito \u00e0 sobreviv\u00eancia do \u00c1rtico?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil saber. Normalmente, percebemos depois de ultrapass\u00e1-lo. Parece que com todos os gases que j\u00e1 emitimos na atmosfera, acabaremos em\u00a0<strong>ver\u00f5es sem gelo<\/strong>, entre 2035 e 2050.<\/p>\n<p>Mas se fizermos algo agora para combater as\u00a0mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0e transformar nossa sociedade de maneira\u00a0sustent\u00e1vel, dependendo da\u00a0<strong>energia renov\u00e1vel<\/strong>\u00a0em vez da baseada em\u00a0<strong>combust\u00edveis<\/strong>\u00a0<strong>f\u00f3sseis<\/strong>, o\u00a0<strong>gelo<\/strong>\u00a0<strong>do mar<\/strong>\u00a0pode retornar no ver\u00e3o, e com isso o\u00a0<strong>gelo<\/strong>\u00a0mais antigo e denso. Eu sou otimista. Nossa necessidade de agir ainda pode\u00a0<strong>evitar<\/strong>\u00a0<strong>um futuro catastr\u00f3fico<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea diria que h\u00e1 interesses para que o processo de deteriora\u00e7\u00e3o no \u00c1rtico persista?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acredito nisso. Embora seja evidente que o\u00a0<strong>degelo \u00e1rtico<\/strong>\u00a0traz consigo certas vantagens econ\u00f4micas, como o transporte marinho mais econ\u00f4mico por ser a rota mais curta entre a Europa e a \u00c1sia, ou novos recursos que n\u00e3o pod\u00edamos acessar anteriormente.\u00a0<strong>O pre\u00e7o para o mundo inteiro do ponto de vista clim\u00e1tico \u00e9 muito grande<\/strong>.<\/p>\n<p>Enquanto o\u00a0<strong>\u00c1rtico<\/strong>\u00a0se deteriora, o mesmo tamb\u00e9m ocorre com o resto do mundo, provocando mais desastres naturais (secas, inunda\u00e7\u00f5es&#8230;), deslocamento de milh\u00f5es de pessoas,\u00a0refugiados clim\u00e1ticos, e desestabilizando a sociedade global. Nenhuma vantagem econ\u00f4mica ou pol\u00edtica que o\u00a0<strong>degelo<\/strong>\u00a0<strong>\u00e1rtico<\/strong>\u00a0traga consigo vale a pena a esse pre\u00e7o.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias econ\u00f4micas e geopol\u00edticas j\u00e1 s\u00e3o uma realidade, incluindo o\u00a0<strong>transporte marinho e a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais<\/strong>\u00a0at\u00e9 agora inacess\u00edveis. A abertura do\u00a0<strong>\u00c1rtico<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m significa que precisaremos de uma nova forma de colabora\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p><strong>Que consequ\u00eancias ou efeitos o resto do planeta poderia sofrer?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que \u201cpoderiam\u201d, h\u00e1 tempo sofrem. O tipo de consequ\u00eancia depende da geografia sobre a qual estamos falando. Em certas regi\u00f5es, traduz-se em mais chuvas. Em outras,\u00a0<strong>mais<\/strong>\u00a0<strong>secas<\/strong>,\u00a0<strong>aumento<\/strong>\u00a0<strong>do n\u00edvel<\/strong>\u00a0<strong>do mar<\/strong>,\u00a0<strong>tempestades<\/strong>\u00a0<strong>mais<\/strong>\u00a0<strong>fortes<\/strong>,\u00a0<strong>fen\u00f4menos<\/strong>\u00a0<strong>raros<\/strong>\u00a0(como a grande nevasca que ocorreu recentemente em Madrid), dias de\u00a0<strong>calor<\/strong>\u00a0<strong>extremo<\/strong>&#8230;<\/p>\n<p><strong>Como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas influenciam em sua deteriora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o agente principal. O aumento de\u00a0<strong>concentra\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0<strong>de gases<\/strong>\u00a0<strong>do efeito<\/strong>\u00a0<strong>estufa<\/strong>\u00a0no mundo fez com que as temperaturas no\u00a0<strong>\u00c1rtico<\/strong>\u00a0tenham aumentado quatro graus cent\u00edgrados e isso provocou uma cascata de eventos que foi transformando todo o\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Como as esp\u00e9cies est\u00e3o se vendo amea\u00e7adas? Concretamente, alguma est\u00e1 em perigo?<\/strong><\/p>\n<p>Com essas transforma\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m v\u00eam mudan\u00e7as na sua distribui\u00e7\u00e3o e isso levou \u00e0\u00a0<strong>prolifera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasivas<\/strong>, que podem provocar muito dano \u00e0 fauna e a flora nativas (e com isso tamb\u00e9m desencadear impactos sobre as pessoas e sua seguran\u00e7a alimentar).<\/p>\n<p>Estamos preocupados com as que dependem do\u00a0<strong>gelo<\/strong>\u00a0do mar, como focas, morsas e in\u00fameros peixes e invertebrados. Elas s\u00e3o dependentes para certas etapas de suas vidas (para reprodu\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o, por exemplo) e com o\u00a0<strong>degelo<\/strong>\u00a0sua sobreviv\u00eancia est\u00e1 claramente amea\u00e7ada.<\/p>\n<p><strong>A pergunta parece ser obrigat\u00f3ria: para onde vai o \u00c1rtico, diante dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Caso as coisas n\u00e3o mudarem, estaremos diante de um sistema que n\u00e3o vimos antes. Certamente, haver\u00e1 muitas esp\u00e9cies que conseguir\u00e3o viver muito bem, mas o\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>\u00a0<strong>ser\u00e1<\/strong>\u00a0<strong>fundamentalmente<\/strong>\u00a0<strong>transformado<\/strong>. Ocorrer\u00e1 uma mistura de esp\u00e9cies e\u00a0<strong>habitats \u00e1rticos<\/strong>\u00a0que conseguirem se adaptar e sub\u00e1rticos que agora est\u00e3o mais ao sul.<\/p>\n<p>Recentemente, publiquei junto com a minha equipe um artigo na\u00a0<strong>Nature<\/strong>\u00a0que aprofundava essa transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil prever onde ser\u00e1 o fim, mas n\u00e3o resta d\u00favida de que perderemos algo muito precioso pelo caminho.<\/p>\n<p><strong>Que regi\u00f5es do \u00c1rtico est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o pior?<\/strong><\/p>\n<p>Todas est\u00e3o afetadas. \u00c9 um\u00a0<strong>ecossistema<\/strong>\u00a0integrado e controlado pela temperatura e a presen\u00e7a de\u00a0<strong>gelo<\/strong>\u00a0<strong>marinho<\/strong>. Com mudan\u00e7as t\u00e3o dr\u00e1sticas nessas \u00e1reas, o sistema todo foi modificado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAinda podemos evitar a cat\u00e1strofe no \u00c1rtico\u201d O\u00a0\u00c1rtico\u00a0est\u00e1 desaparecendo devido \u00e0s\u00a0mudan\u00e7as\u00a0clim\u00e1ticas. 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