{"id":151496,"date":"2021-08-14T12:44:32","date_gmt":"2021-08-14T15:44:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=151496"},"modified":"2021-08-14T12:44:34","modified_gmt":"2021-08-14T15:44:34","slug":"descubra-por-que-animais-venenosos-nao-envenenam-a-si-mesmos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/descubra-por-que-animais-venenosos-nao-envenenam-a-si-mesmos\/","title":{"rendered":"Descubra por que animais venenosos n\u00e3o envenenam a si mesmos"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/descubra-por-que-animais-venenosos-nao-envenenam-a-si-mesmos\/sapo-45\/\" rel=\"attachment wp-att-151497\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-151497\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sapo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sapo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sapo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Aves e anf\u00edbios t\u00f3xicos desenvolveram uma estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o \u2014 mas diferente da que imagin\u00e1vamos.<\/h2>\n<p>Nas florestas da Nova Guin\u00e9 vive um pequeno p\u00e1ssaro aparentemente comum com um segredo mortal. \u00c9 chamado de pitohui-de-penacho, e suas penas de cor laranja e preta cont\u00eam veneno.<\/p>\n<p>Basta tocar as penas de um pitohui para ter a sensa\u00e7\u00e3o de que suas m\u00e3os est\u00e3o pegando fogo. Contudo, ao ingerir um pouco da batracotoxina, abreviada como BTX, o veneno interrompe o funcionamento dos canais de s\u00f3dio, provocando paralisia e at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>\u201cEsses venenos s\u00e3o uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica natural. \u00c9 um recurso de prote\u00e7\u00e3o empregado pelos animais para proporcionar uma sensa\u00e7\u00e3o muito desagrad\u00e1vel a seu predador ou at\u00e9 mesmo, na pior das hip\u00f3teses, mat\u00e1-lo\u201d, afirma\u00a0Daniel Minor, biof\u00edsico do Instituto de Pesquisa Cardiovascular de S\u00e3o Francisco na Universidade da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que o pitohui n\u00e3o produz suas pr\u00f3prias toxinas, mas as adquire ao ingerir um pequeno besouro que \u00e9 sua presa. Suspeita-se que o mesmo mecanismo esteja em a\u00e7\u00e3o em\u00a0r\u00e3s-flechas-azuis, encontradas na Am\u00e9rica do Sul e Am\u00e9rica Central, que tamb\u00e9m cont\u00eam BTX em sua pele de colora\u00e7\u00e3o viva.<\/p>\n<p>Tudo isso suscita uma quest\u00e3o intrigante: como animais venenosos como os pitohuis evitam envenenar a si mesmos?<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, a melhor teoria foi a de que esses p\u00e1ssaros e anf\u00edbios desenvolveram canais de s\u00f3dio \u2014 uma parte do corpo necess\u00e1ria para que nervos, c\u00e9lulas cerebrais e c\u00e9lulas musculares funcionem de modo adequado \u2014 especialmente adaptados para serem imunes \u00e0 BTX. Afinal, existem v\u00e1rios exemplos de animais que n\u00e3o s\u00e3o afetados por toxinas que empregam esse m\u00e9todo, como os icn\u00eaumones que podem sobreviver a veneno de cobra.<\/p>\n<p>Mas um\u00a0estudo publicado em 05 de agosto de 2021 no peri\u00f3dico\u00a0<em>Journal of General Physiology<\/em>\u00a0refuta essa teoria.<\/p>\n<p>Os pesquisadores fornecem evid\u00eancias de que o pitohui e sapos venenosos disp\u00f5em do que eles denominam \u201cesponjas de toxinas\u201d, ou prote\u00ednas que absorvem toxinas fatais antes de serem feridos.<\/p>\n<h3>Encontrando evid\u00eancias da prote\u00edna \u201cesponja de toxinas\u201d<\/h3>\n<p>No laborat\u00f3rio, Minor e seus colegas recriaram os genes respons\u00e1veis pelos canais de s\u00f3dio do pitohui e de sapos venenosos e os colocaram em c\u00e9lulas vivas de v\u00e1rias esp\u00e9cies que foram expostas \u00e0 BTX. Essas c\u00e9lulas sucumbiram \u00e0 toxina, sugerindo que os canais de s\u00f3dio dos animais venenosos n\u00e3o s\u00e3o resistentes \u00e0 BTX. Contudo, quando injetaram BTX em sapos vivos de diferentes esp\u00e9cies, apenas os sapos venenosos sobreviveram.<\/p>\n<p>\u201cEsse resultado sugere que h\u00e1 algo que basicamente confere aos canais prote\u00e7\u00e3o contra essa toxina\u201d, afirma Minor. Sua principal teoria \u00e9 a prote\u00edna de esponja, j\u00e1 identificada anteriormente por ele. Em 2019, o laborat\u00f3rio de Minor encontrou\u00a0uma esponja de toxina que confere a r\u00e3s-touro imunidade a outro veneno potente denominado saxitoxina. Embora ainda n\u00e3o tenha encontrado algo semelhante no pitohui ou nos sapos venenosos, certamente \u00e9 um de seus objetivos, conta ele.<\/p>\n<p>Rebecca Tarvin, bi\u00f3loga evolutiva da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, que pesquisou\u00a0como os sapos venenosos toleram outra neurotoxina denominada epibatidina, est\u00e1 impressionada com os resultados.<\/p>\n<p>\u201cSobretudo devido \u00e0 minha linha de pesquisa, fiquei muito surpresa ao saber que os canais de s\u00f3dio de sapos venenosos n\u00e3o s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 batracotoxina, algo inesperado\u201d, afirma Tarvin, que tamb\u00e9m \u00e9\u00a0Exploradora da National Geographic.<\/p>\n<p>Mas ela tamb\u00e9m alertou contra a generaliza\u00e7\u00e3o excessiva dos resultados. \u201cEssa \u00e9 apenas uma das in\u00fameras toxinas presentes nos sapos\u201d, adverte ela. \u201cMas estou convencida quanto \u00e0 toxina espec\u00edfica testada.\u201d<\/p>\n<h3>O estudo de toxinas pode contribuir com avan\u00e7os m\u00e9dicos<\/h3>\n<p>Embora aves de ilhas distantes e sapos de florestas tropicais possam parecer um campo de estudos limitado, desvendar sua magia biol\u00f3gica pode ter aplica\u00e7\u00f5es para pessoas do mundo inteiro.<\/p>\n<p>\u201cHistoricamente, as toxinas v\u00eam desempenhando um papel importante ao ajudarem a intervir em determinadas prote\u00ednas e descobrir sua fun\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de servirem como base para o desenvolvimento de medicamentos\u201d, observa Tarvin.<\/p>\n<p>Por exemplo, foi demonstrado que um componente do veneno da r\u00e3-touro apresenta alguns\u00a0efeitos antic\u00e2ncer em testes de laborat\u00f3rio, ao passo que a tetrodotoxina presente em v\u00e1rias criaturas, como baiacus e trit\u00f5es, foi apontada como fonte de\u00a0novos anest\u00e9sicos.<\/p>\n<p>\u201cPara mim, a pergunta mais intrigante \u00e9: por que esses animais n\u00e3o morrem com a pr\u00f3pria toxina?\u201d, indaga Minor. \u201cMas essa resposta tamb\u00e9m forneceria informa\u00e7\u00f5es fundamentais sobre sistemas biol\u00f3gicos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aves e anf\u00edbios t\u00f3xicos desenvolveram uma estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o \u2014 mas diferente da que 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