{"id":151227,"date":"2021-08-10T14:00:15","date_gmt":"2021-08-10T17:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=151227"},"modified":"2021-08-10T10:37:17","modified_gmt":"2021-08-10T13:37:17","slug":"entrevista-processo-de-savanizacao-da-amazonia-ja-comecou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-processo-de-savanizacao-da-amazonia-ja-comecou\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Processo de savaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia j\u00e1 come\u00e7ou&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=151228\" rel=\"attachment wp-att-151228\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-151228\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em entrevista, Antonio Nobre, pesquisador do Inpe, afirma que, com avan\u00e7o do desmatamento, \u00e1reas da floresta j\u00e1 d\u00e3o sinais de que ultrapassaram o chamado ponto de n\u00e3o retorno, com consequ\u00eancias para o clima global.<\/p>\n<p>Num momento em que o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-t%C3%AAm-impactos-irrevers%C3%ADveis-alerta-ipcc\/a-58804980\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) alerta para graves e &#8220;irrevers\u00edveis&#8221; impactos do aquecimento global<\/a>, o\u00a0clima no Brasil d\u00e1 sinais de mudan\u00e7as profundas, com neve caindo no Sul, secas nas \u00e1reas de agricultura do Centro-Oeste e a Floresta Amaz\u00f4nica j\u00e1 emitindo mais CO2\u00a0do que absorve.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 DW Brasil, o cientista Antonio Donato Nobre, pesquisador do\u00a0Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (<em>Inpe<\/em>) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa),\u00a0fala sobre o o\u00a0chamado\u00a0<em>tipping point<\/em>, ou\u00a0ponto de n\u00e3o retorno da floresta,\u00a0quando ela perde a capacidade de se recuperar \u2013 o que os cientistas chamam de processo de savaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As florestas remanescentes na por\u00e7\u00e3o leste da Amaz\u00f4nia, locus do pior desmatamento, no chamado arco do fogo, j\u00e1 apresentam sintomas de haverem cruzado o\u00a0<em>tipping point<\/em>\u00a0clima-vegeta\u00e7\u00e3o, com \u00e1reas imensas mostrando o processo de savaniza\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Nobre tamb\u00e9m fala sobre a rela\u00e7\u00e3o entre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e os\u00a0poderosos rios\u00a0voadores\u00a0que trazem chuva para as \u00e1reas ao sul da Amaz\u00f4nia e as recentes\u00a0temperaturas baix\u00edssimas no Sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>DW Brasil: Seu irm\u00e3o, o cientista Carlos Nobre, estima nos estudos dele que a Amaz\u00f4nia atingir\u00e1 o chamado\u00a0<em>tipping point<\/em>, ou ponto de n\u00e3o retorno, com 25% de destrui\u00e7\u00e3o da floresta. Estamos na beira dos 20%, e j\u00e1 h\u00e1 sinais preocupantes. Que momento \u00e9 esse que estamos vendo agora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Antonio Donato Nobre:<\/strong>\u00a0A Amaz\u00f4nia cobre mais de 7 milh\u00f5es de km\u00b2, tem um bioma constitu\u00eddo de muitos e vastos ecossistemas. O que observamos \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o de previs\u00f5es feitas d\u00e9cadas atr\u00e1s, iniciando no final dos anos 70. As florestas remanescentes na por\u00e7\u00e3o leste da Amaz\u00f4nia, locus do pior desmatamento, no chamado arco do fogo, j\u00e1 apresentam sintomas de haverem cruzado o\u00a0<em>tipping point<\/em>\u00a0clima-vegeta\u00e7\u00e3o, com \u00e1reas imensas mostrando o processo de savaniza\u00e7\u00e3o. Estamos no inicio do processo, que se acelera devido ao avan\u00e7o do\u00a0desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p><strong>Qual seria a consequ\u00eancia disso para a Amaz\u00f4nia e para o clima global?<\/strong><\/p>\n<p>A consequ\u00eancia mais imediata para a Amaz\u00f4nia \u00e9 o comprometimento da reciclagem de umidade, feita eficientemente por milh\u00f5es de anos pela hileia\u00a0pristina [floresta prim\u00e1ria]. Com a consequente redu\u00e7\u00e3o das chuvas, a floresta torna-se seca e inflam\u00e1vel, o que cria um c\u00edrculo vicioso de inc\u00eandios e degrada\u00e7\u00e3o, comprometendo a bomba bi\u00f3tica de umidade e enfraquecendo os rios voadores.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o dos poderosos fluxos a\u00e9reos de umidade na Amaz\u00f4nia reflete-se no enfraquecimento associado dos ventos al\u00edseos sobre o Oceano Atl\u00e2ntico equatorial, importantes impulsionadores de correntes oce\u00e2nicas que geram o massivo fluxo da Corrente do Golfo. O enfraquecimento da Corrente do Golfo perturba o transporte de calor para altas latitudes, inclusive e especialmente para a\u00a0Europa, criando condi\u00e7\u00f5es para o aumento de intensidade e frequ\u00eancias de eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p><strong>As secas atuais no Sul e Sudeste brasileiros j\u00e1 s\u00e3o uma consequ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p>As secas fortes em partes da Amaz\u00f4nia e no Centro-oeste e Sul\/Sudeste do Brasil s\u00e3o an\u00f4malas, e t\u00eam se repetido, indicando altera\u00e7\u00e3o no sistema clim\u00e1tico. As secas que atingem as regi\u00f5es mais ricas e produtivas da Am\u00e9rica do Sul t\u00eam origem demonstrada no enfraquecimento dos chamados rios voadores, os fluxos a\u00e9reos propelidos pela bomba bi\u00f3tica de umidade gerada pelas florestas na Amaz\u00f4nia. Tal efeito foi registrado em diversos trabalhos. O desmatamento est\u00e1 danificando a bomba bi\u00f3tica de umidade, enfraquecendo os rios voadores e, com isso, comprometendo o ciclo hidrol\u00f3gico continental.<\/p>\n<p><strong>Como funcionaram os rio voadores?<\/strong><\/p>\n<p>Os rios voadores s\u00e3o fluxos filamentares de ar na baixa atmosfera, propelidos pela bomba bi\u00f3tica de umidade, carregando grande quantidade de \u00e1gua dos oceanos para \u00e1reas continentais. Na Am\u00e9rica do Sul, a maior parte da \u00e1gua que alimenta o portentoso ciclo hidrol\u00f3gico Amaz\u00f4nico \u00e9 transportada pelos rios voadores.<\/p>\n<p><strong>A falta de \u00e1gua da Bacia do Rio Paran\u00e1 \u00e9 uma consequ\u00eancia dos acontecimentos na Amaz\u00f4nia?<\/strong><\/p>\n<p>Dois efeitos se combinam para gerar essa escassez de \u00e1gua. O aquecimento global tem aumentado a frequ\u00eancia e a intensidade de eventos extremos. Na Am\u00e9rica do Sul, surge uma massa estacionada de ar quente de alta press\u00e3o, que dificulta a entrada dos rios voadores provenientes da Amaz\u00f4nia e as frentes frias do Sul. E os rios voadores amaz\u00f4nicos est\u00e3o enfraquecidos devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o massiva das florestas que os propelem. Como o aquecimento global tem rela\u00e7\u00e3o direta com a destrui\u00e7\u00e3o dos grandes biomas reguladores, os dois fen\u00f4menos s\u00e3o indissoci\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Fazendeiros no Sul e Sudeste relatam geadas mais fortes e imprevis\u00edveis. Como esse fen\u00f4meno se encaixa nesse contexto?<\/strong><\/p>\n<p>A penetra\u00e7\u00e3o mais pronunciada\u00a0de massas de ar polar tem tamb\u00e9m direta rela\u00e7\u00e3o com o aquecimento global, como demonstrado para eventos recentes no hemisf\u00e9rio norte. Trata-se da perturba\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>circumpolar jet\u00a0<\/em>[corrente circumpolar], que gera grandes oscila\u00e7\u00f5es. Todos s\u00e3o fen\u00f4menos relacionados e diretamente atribu\u00edveis a atividades antr\u00f3picas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, Antonio Nobre, pesquisador do Inpe, afirma que, com avan\u00e7o do desmatamento, \u00e1reas da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":151228,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/seca-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em entrevista, Antonio Nobre, pesquisador do Inpe, afirma que, com avan\u00e7o do desmatamento, \u00e1reas da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151227"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151227"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151227\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":151231,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151227\/revisions\/151231"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/151228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}