{"id":151147,"date":"2021-08-09T12:00:43","date_gmt":"2021-08-09T15:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=151147"},"modified":"2021-08-09T08:58:26","modified_gmt":"2021-08-09T11:58:26","slug":"cientistas-buscam-a-origem-do-oxigenio-na-rotacao-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-buscam-a-origem-do-oxigenio-na-rotacao-da-terra\/","title":{"rendered":"Cientistas buscam a origem do oxig\u00eanio na rota\u00e7\u00e3o da Terra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=151148\" rel=\"attachment wp-att-151148\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-151148\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Que a vida na Terra depende de oxig\u00eanio, todos sabem, mas como o g\u00e1s vital tomou conta do planeta? Haver\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o com o ritmo dia-noite? Pesquisadores investigam, observando bact\u00e9rias num lago dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de interesse fundamental para todos, diz Gregory Dick, professor de microbiologia da Universidade de Michigan, piscando o olho: &#8220;De onde viemos e quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que sustentam uma vida como a nossa?&#8221;\u00a0Essa pergunta remeteu a ele\u00a0e a colega Judith Klatt, do Instituto Max Planck de Biologia Marinha, ao que\u00a0chamam de &#8220;Terra primitiva&#8221;.<\/p>\n<p>A Terra se formou h\u00e1 cerca de 4,54 bilh\u00f5es de anos, com uma margem de erro de mais ou menos 50 milh\u00f5es de anos. Vest\u00edgios em rochas e f\u00f3sseis indicam que os primeiros sinais de vida no planeta datariam de cerca de 3,5 bilh\u00f5es de anos (tudo\u00a0isso s\u00e3o apenas estimativas\u00a0baseadas nas evid\u00eancias coletadas at\u00e9 hoje).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 vida como a conhecemos,\u00a0a vida biol\u00f3gica,\u00a0ela pode ter come\u00e7ado um pouco depois. Talvez mais 1 bilh\u00e3o de anos mais tarde,\u00a0em grandes profundidades nos oceanos, onde prosperam microrganismos chamados &#8220;extrem\u00f3filos&#8221;.<\/p>\n<p>OS cientistas acreditam a origem da vida pode ser sido facilitada quando a rota\u00e7\u00e3o da Terra diminuiu, h\u00e1 cerca de 2,4 bilh\u00f5es de anos. Uma rota\u00e7\u00e3o mais lenta gera dias mais longos, os quais\u00a0significam mais luz e consequentemente mais tempo para\u00a0os organismos produzirem oxig\u00eanio, postulam Dick e Klatt\u00a0num estudo rec\u00e9m-publicado\u00a0na revista\u00a0<em>Nature Geoscience.<\/em><\/p>\n<div class=\"picBox full\n\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/cientistas-buscam-a-origem-do-oxig%C3%AAnio-na-rota%C3%A7%C3%A3o-da-terra\/a-58760602#\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Bolhas saindo do fundo de um lago\" src=\"https:\/\/static.dw.com\/image\/58742511_401.jpg\" alt=\"Bolhas saindo do fundo de um lago\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a>Fundo do lago Huron: &#8220;bicos&#8221; ou &#8220;dedos&#8221; como estes indicam forma\u00e7\u00e3o de gases como metano e sulfeto de hidrog\u00eanio sob o tapete de bact\u00e9rias<\/p>\n<\/div>\n<h2>&#8220;Terra primitiva&#8221; no fundo de um lago<\/h2>\n<p>A Terra\u00a0leva cerca de 365 dias para\u00a0completar\u00a0uma transla\u00e7\u00e3o em torno do Sol. Na verdade, s\u00e3o 365,25 dias, e esse tempo extra \u00e9 respons\u00e1vel por algumas discrep\u00e2ncias no calend\u00e1rio romano,\u00a0ajustados com anos bissextos.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, um dia dura 24 horas (tamb\u00e9m uma m\u00e9dia, para simplificar as coisas), o tempo do planeta dar uma volta em torno do pr\u00f3prio eixo. Por\u00e9m cientistas acreditam acreditam que esse movimento\u00a0j\u00e1 foi mais r\u00e1pido, e que j\u00e1 houve dias de seis horas, bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe como e quando Terra passou a ter oxig\u00eanio. Para investigar\u00a0isso, Klatt, Dick e outros colegas desenvolveram uma estrat\u00e9gia original, ao estudar\u00a0&#8220;tapetes de cianobact\u00e9rias&#8221; no lago Huron, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A uma profundidade de cerca de 23 metros, os cientistas pesquisam numa \u00e1rea que representaria a &#8220;Terra primitiva&#8221;: a \u00e1gua ali tem pouco oxig\u00eanio e \u00e9 rica em enxofre, falta\u00a0 toda a vida vegetal e animal t\u00edpica do lago.\u00a0Mas h\u00e1 um denso tapete roxo de cianobact\u00e9rias.<\/p>\n<h2>Dois tipos de bact\u00e9rias se alternam<\/h2>\n<p>Elas contam entre as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/entenda-a-diferen%C3%A7a-entre-v%C3%ADrus-e-bact%C3%A9rias\/a-17615512\">bact\u00e9rias<\/a>\u00a0mais antigas conhecidas na Terra. Aqu\u00e1ticas e fotossint\u00e9ticas, elas precisam de luz solar para sobreviver.\u00a0&#8220;Queremos entender como o oxig\u00eanio foi produzido na Terra primitiva e a \u00fanica fonte biol\u00f3gica significativa de oxig\u00eanio no planeta s\u00e3o as cianobact\u00e9rias, que se desenvolveram bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s&#8221;, explica Klatt.<\/p>\n<p>Em seu artigo na revista cient\u00edfica, os cientistas prop\u00f5em que &#8220;a fotoss\u00edntese oxig\u00eanica em tapetes microbianos\u00a0foi uma fonte substancial de oxig\u00eanio para o Grande Evento de Oxigena\u00e7\u00e3o (GOE) h\u00e1 cerca de 2,4 bilh\u00f5es de anos&#8221;.\u00a0Segundo os cientistas, no lago Huron, as cianobact\u00e9rias, de cor arroxeada e produtoras de oxig\u00eanio, t\u00eam que &#8220;competir&#8221; com as bact\u00e9rias oxidantes de enxofre, que s\u00e3o brancas.<\/p>\n<p>&#8220;Do anoitecer ao amanhecer, as bact\u00e9rias que comem\u00a0enxofre ficam sobre as cianobact\u00e9rias, bloqueando seu acesso \u00e0 luz solar. Quando o sol sai pela manh\u00e3, as\u00a0 comedoras de enxofre se movem para baixo e as cianobact\u00e9rias sobem para a superf\u00edcie do tapete.&#8221;\u00a0Assim, quando o Sol sai, as cianobact\u00e9rias come\u00e7am o processo de fotoss\u00edntese e produzem oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>&#8220;No entanto, demora algumas horas at\u00e9 que aconte\u00e7a algo, h\u00e1 um longo atraso pela manh\u00e3&#8221;, prossegue\u00a0Klatt. &#8220;Ao que parece, as cianobact\u00e9rias acordam bastante tarde. Como resultado, seu tempo para a fotoss\u00edntese \u00e9 limitado a apenas algumas horas por dia.&#8221;<\/p>\n<h2>Pesquisas em curso<\/h2>\n<p>Mas quando os dias na Terra ficaram mais longos \u2212 com mais tempo de exposi\u00e7\u00e3o solar \u2212 elas produziram mais oxig\u00eanio. Segundo Brian Arbic, o ocean\u00f3grafo f\u00edsico da equipe,\u00a0quando o sistema Terra-Lua se formou, os dias eram muito mais curtos, possivelmente de\u00a0seis horas. Mas ent\u00e3o &#8220;a rota\u00e7\u00e3o de nosso planeta diminuiu devido \u00e0 for\u00e7a da gravidade da Lua e a fric\u00e7\u00e3o\u00a0das mar\u00e9s&#8221;, e os dias se tornaram mais longos.<\/p>\n<p>Klatt acredita que a dura\u00e7\u00e3o do dia e o oxig\u00eanio dos tapetes microbianos est\u00e3o relacionados num n\u00edvel &#8220;muito b\u00e1sico e fundamental&#8221;: em dias curtos, h\u00e1 menos tempo para o oxig\u00eanio escapar dos tapetes.<\/p>\n<p>A equipe inclui pesquisadores do Centro Leibniz de Pesquisa Marinha Tropical, na Alemanha, e do Instituto de Recursos H\u00eddricos Annis, da Universidade Estadual de Grand Valley, EUA.<\/p>\n<p>Eles ainda est\u00e3o investigando amostras coletadas no fundo do lago e continuam monitorando as condi\u00e7\u00f5es locais, para\u00a0entender o que controla a produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio em cianobact\u00e9rias e explicar por que, ao que parece, o oxig\u00eanio s\u00f3 se desenvolveu realmente na Terra em tempos mais recentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que a vida na Terra depende de oxig\u00eanio, todos sabem, mas como o g\u00e1s vital<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":151148,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/vida_microbiana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Que a vida na Terra depende de oxig\u00eanio, todos sabem, mas como o g\u00e1s vital","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151147"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151147"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":151151,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151147\/revisions\/151151"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/151148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}