{"id":150856,"date":"2021-08-04T14:35:39","date_gmt":"2021-08-04T17:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150856"},"modified":"2021-08-04T14:35:43","modified_gmt":"2021-08-04T17:35:43","slug":"concluido-o-primeiro-sequenciamento-genetico-de-especie-silvestre-de-maracuja-nativa-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/concluido-o-primeiro-sequenciamento-genetico-de-especie-silvestre-de-maracuja-nativa-do-brasil\/","title":{"rendered":"Conclu\u00eddo o primeiro sequenciamento gen\u00e9tico de esp\u00e9cie silvestre de maracuj\u00e1 nativa do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/concluido-o-primeiro-sequenciamento-genetico-de-especie-silvestre-de-maracuja-nativa-do-brasil\/flor-maracuja\/\" rel=\"attachment wp-att-150857\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150857\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flor-maracuja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flor-maracuja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flor-maracuja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um grupo de pesquisadores brasileiros apoiado pela FAPESP realizou o primeiro sequenciamento gen\u00e9tico de uma esp\u00e9cie silvestre de maracuj\u00e1 nativa do Brasil. O estudo, <strong><a href=\"https:\/\/acsess.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/tpg2.20117\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>The Plant Genome<\/i>, abre caminho para o\u00a0desenvolvimento de novas variedades da fruta, inclusive com menor custo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos identificar v\u00e1rios genes relacionados ao mecanismo que causa a autoincompatibilidade, isto \u00e9, que impede a autofecunda\u00e7\u00e3o. Esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante \u00fatil, j\u00e1 que 40% do custo de produ\u00e7\u00e3o refere-se \u00e0 obrigatoriedade de se fazer cruzamentos manuais nos pomares comerciais, induzindo a produ\u00e7\u00e3o de mais frutos. Na natureza, quem faz esse papel \u00e9 a mamangava. Se entendermos o mecanismo da autoincompatibilidade, poderemos talvez interferir e ter frutos oriundos tamb\u00e9m de autocruzamentos\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3159\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maria Lucia Carneiro Vieira<\/a><\/strong>, professora do Departamento de Gen\u00e9tica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz\u00a0da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP) e coordenadora do estudo.<\/p>\n<p>Os resultados integram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/99528\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto<\/a><\/strong>\u00a0financiado pela FAPESP no \u00e2mbito do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa BIOTA<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores explicam que, ao dispor do genoma completo de uma esp\u00e9cie, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma s\u00e9rie de compara\u00e7\u00f5es visando conhecer os genes \u00fanicos e os ort\u00f3logos (genes compartilhados entre esp\u00e9cies distintas). Al\u00e9m disso, pode-se comparar a presen\u00e7a e a organiza\u00e7\u00e3o das chamadas sequ\u00eancias repetitivas (transposons e retrotransposons, por exemplo) e\u00a0os tamanhos dos genomas de esp\u00e9cies pr\u00f3ximas, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cNo nosso caso, houve uma publica\u00e7\u00e3o recente do genoma de uma variedade de maracuj\u00e1-roxo cultivado na China, ent\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es para fazer estudos comparativos. Por exemplo, quais fen\u00f3tipos foram selecionados na esp\u00e9cie cultivada (qualidade dos frutos, por exemplo) comparativamente \u00e0 esp\u00e9cie silvestre, nativa do Brasil\u201d, conta\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/705679\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zirlane Portugal da Costa<\/a><\/strong>, primeira autora do trabalho, realizado durante est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na Esalq-USP com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/187822\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bolsa<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p><b>Esp\u00e9cie silvestre<\/b><\/p>\n<p>O maracujazinho (<i>Passiflora organensis<\/i>) \u00e9 uma planta nativa do Brasil, de ocorr\u00eancia na Mata Atl\u00e2ntica. A esp\u00e9cie possui um genoma considerado pequeno (259 milh\u00f5es de pares de bases), \u00e9 diploide (os cromossomos se organizam em pares, assim como na esp\u00e9cie humana) e autoincompat\u00edvel, ou seja, n\u00e3o se autofecunda como algumas esp\u00e9cies de plantas.<\/p>\n<p>No estudo publicado agora, a maior parte das sequ\u00eancias foi atribu\u00edda aos cromossomos da esp\u00e9cie, que s\u00e3o seis. Cerca de 60% das sequ\u00eancias s\u00e3o de natureza repetitiva. Os pesquisadores conseguiram predizer 25.327 genes, entre eles\u00a0os envolvidos no mecanismo que leva \u00e0 autoincompatibilidade e aqueles pertencentes \u00e0 fam\u00edlia MADS-BOX, envolvida no desenvolvimento reprodutivo vegetal.<\/p>\n<p>\u201cOs genes da fam\u00edlia MADS-BOX induzem a express\u00e3o dos genes ligados ao desenvolvimento. Por isso, conhec\u00ea-los ajuda a promover o conhecimento sobre, por exemplo, como se d\u00e1 o desenvolvimento das flores e frutos\u201d, conta Vieira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores elucidaram ainda os genomas do cloroplasto e da mitoc\u00f4ndria, duas organelas que codificam genes importantes e que atuam em comunh\u00e3o com os genes do n\u00facleo, sendo respons\u00e1veis pela s\u00edntese de diversas prote\u00ednas vitais para a c\u00e9lula. Com o resultado, ser\u00e1 poss\u00edvel entender a heran\u00e7a dos cloroplastos, ou seja, se ela adv\u00e9m somente da flor feminina, da flor masculina ou de ambas.<\/p>\n<p>O estudo teve ainda apoio da FAPESP por meio de bolsas de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/184007\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doutorado<\/a><\/strong>\u00a0para\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/681823\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Helena Augusto Gioppato<\/a><\/strong>, no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/171532\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doutorado direto<\/a><\/strong>\u00a0para\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/692789\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiz Augusto Cauz-Santos<\/a><\/strong>, na Esalq-USP.<\/p>\n<p>Outro coautor do trabalho,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2512\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Carnier Dornelas<\/a><\/strong>, professor do IB-Unicamp, \u00e9 apoiado por meio de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/102596\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projeto<\/a><\/strong>\u00a0na modalidade Regular.<\/p>\n<p>Os professores\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/32925\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alessandro de Mello Varani<\/a><\/strong>, da Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1rias da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp), em Jaboticabal, e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2427\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Claudia Monteiro-Vitorello<\/a><\/strong>, da Esalq-USP, tiveram papel importante nas an\u00e1lises de bioinform\u00e1tica.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>A genome sequence resource for the genus<\/i>\u00a0Passiflora,\u00a0<i>the genome of the wild diploid species<\/i>Passiflora organensis, de Zirlane Portugal Costa, Alessandro Mello Varani, Luiz Augusto Cauz-Santos, Mariela Anal\u00eda Sader, Helena Augusto Giopatto, Bruna Zirpoli, Caroline Callot, Stephane Cauet, Willian Marande, Jessica Luana Souza Cardoso, Daniel Guariz Pinheiro, Jo\u00e3o Paulo Kitajima, Marcelo Carnier Dornelas, Andrea Pedrosa Harand, Helene Berges, Claudia Barros Monteiro-Vitorello e Maria Lucia Carneiro Vieira, pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/acsess.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/tpg2.20117\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/acsess.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/tpg2.20117<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de pesquisadores brasileiros apoiado pela FAPESP realizou o primeiro sequenciamento gen\u00e9tico de 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