{"id":15080,"date":"2015-01-31T11:31:27","date_gmt":"2015-01-31T11:31:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15080"},"modified":"2015-01-31T11:31:51","modified_gmt":"2015-01-31T11:31:51","slug":"crise-energetica-governo-federal-segue-amarrado-aos-velhos-modelos-de-geracao-de-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/crise-energetica-governo-federal-segue-amarrado-aos-velhos-modelos-de-geracao-de-energia\/","title":{"rendered":"Crise energ\u00e9tica. Governo federal segue amarrado aos velhos modelos de gera\u00e7\u00e3o de energia"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Telma Monteiro<\/h2>\n<\/div>\n<div>\u00a0<strong>\u201cO mundo j\u00e1 saiu na frente, buscando as alternativas para a quest\u00e3o da diversifica\u00e7\u00e3o de fontes genuinamente limpas para gerar energia el\u00e9trica. E o Brasil? N\u00e3o saiu do lugar\u201d, diz a especialista.<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i62.tinypic.com\/11a956q.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Foto: brasilescola.com<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Na mesma propor\u00e7\u00e3o que cresce <strong>o risco de um apag\u00e3o no Brasil<\/strong>, o governo federal se agarra a <strong>velha pol\u00edtica energ\u00e9tica<\/strong>: se h\u00e1 risco de faltar energia, constr\u00f3i-se mais hidrel\u00e9trica. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o se percebe um aumento substancial de energia nos sistema para atender a demanda que cresce a cada ano. E os impactos das <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/513989-novas-hidreletricas-vao-alagar-area-equivalente-a-dez-capitais\" target=\"_parent\">novas hidrel\u00e9tricas \u00e9 negativo<\/a>, velho e conhecido<\/strong>, pago apenas pelas comunidades vizinhas aos empreendimentos \u2013 e que ainda assim tamb\u00e9m s\u00e3o assombrados pelo fantasma do apag\u00e3o.\u00c9 a ponta de um modelo em que privilegia apenas grandes consumidores, com o engodo de estar mantendo a economia acesa, como destaca <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/515644-nova-corrida-pelo-ouro-entrevista-especial-com-telma-monteiro\" target=\"_parent\"><strong>Telma Monteiro<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEssa energia, acrescentada e ainda a acrescentar com os projetos em fase de estudos e licenciamento, n\u00e3o parece direcionada para suprir os rinc\u00f5es miser\u00e1veis isolados do pa\u00eds, ou para diminuir a desigualdade, ou fortalecer comunidades. Na verdade, vai abastecer os grandes consumidores de energia que t\u00eam prioridade e privil\u00e9gios concedidos pelo governo que nada mais quer a n\u00e3o ser bancar um crescimento\u201d, destaca em entrevista concedida por e-mail \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p>Telma ainda lembra que o governo tem recursos que poderiam ser mais bem aplicado em desenvolvimento de projetos de gera\u00e7\u00e3o de energia atrav\u00e9s de fontes alternativas. Assim, romperia com um velho sistema. \u201cGrande parte dos encargos cobrados nas contas de luz v\u00e3o para pesquisas. Portanto, teoricamente, o problema do n\u00e3o incentivo \u00e0s fontes alternativas n\u00e3o pode ser t\u00e9cnico. A <strong>Conta de Desenvolvimento Energ\u00e9tico &#8211; CDE<\/strong>, o<strong> Programa de Incentivo \u00e0s Fontes Alternativas &#8211; PROINFA<\/strong> e o <strong>P&amp;D Pesquisa e Desenvolvimento e Efici\u00eancia Energ\u00e9tica<\/strong> s\u00e3o tr\u00eas encargos que incidem na conta de luz. As alternativas como a energia e\u00f3lica e solar fotovoltaica nunca foram parte consistente do planejamento sempre ruim do Minist\u00e9rio de Minas e Energia &#8211; MME\u201d, completa.<\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i59.tinypic.com\/16ie4bb.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Foto: todospelaenergia.com.br<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>E se falta clareza na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526791-conselho-nacional-de-politica-energetica-onde-esta-a-sociedade-civil\" target=\"_parent\"><strong>verdadeira pol\u00edtica energ\u00e9tica do governo federal<\/strong><\/a>, seguem os apag\u00f5es sem uma explica\u00e7\u00e3o definitiva. \u201cMotivo? Ser\u00e1 apurado, mas j\u00e1 adianto que divulgar\u00e3o uma mentira e os relat\u00f3rios que apontar\u00e3o as falhas n\u00e3o ser\u00e3o p\u00fablicos ou se forem n\u00e3o ter\u00e1 transpar\u00eancia. Eles sempre fazem isso: distorcem a realidade. N\u00e3o faltou energia, a falha foi no sistema de transmiss\u00e3o que opera no limite de sua capacidade, que n\u00e3o tem a necess\u00e1ria manuten\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 obsoleta e sucateada\u201d, pontua Telma. Enquanto isso, o<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539243-crise-se-agrava-e-os-tres-principais-estados-do-pais-cogitam-racionar-agua\" target=\"_parent\"> <strong>ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga<\/strong><\/a>, d\u00e1 uma demonstra\u00e7\u00e3o de seu planejamento e diz que \u00e9 Deus quem deve resolver a crise energ\u00e9tica mandando chuva para o Brasil. \u201c<strong>Estamos \u00e0 beira de um colapso<\/strong>. As autoridades ainda v\u00e3o atribuir ao calor e falta de chuvas os problemas de abastecimento de energia. N\u00e3o duvido nem um pouco se come\u00e7arem a dizer que o atraso das obras das<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/521457-amazonia-em-perigo-o-novo-marco-da-mineracao-telma-monteiro-\" target=\"_parent\"><strong> hidrel\u00e9tricas em constru\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/a>\u201d.<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4482&amp;secao=394\" target=\"_parent\"><strong>Telma Monteiro<\/strong><\/a> \u00e9 especialista em an\u00e1lise de processos de licenciamento ambiental.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 As insufici\u00eancias na proposi\u00e7\u00e3o de alternativas \u00e0 quest\u00e3o energ\u00e9tica por parte do Minist\u00e9rio de Minas e Energia decorrem de uma defici\u00eancia t\u00e9cnica da pasta ou se trata de uma decis\u00e3o pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Telma Monteiro &#8211;<\/strong> O mundo j\u00e1 saiu na frente, buscando as alternativas para a quest\u00e3o da diversifica\u00e7\u00e3o de fontes genuinamente limpas para gerar energia el\u00e9trica. E o Brasil? N\u00e3o saiu do lugar, n\u00e3o foi buscar e as perspectivas de incentivos para e\u00f3lica e solar fotovoltaica s\u00e3o praticamente nulas.<\/p>\n<p>Comecemos pelas <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/507555-complexo-hidreletrico-do-rio-madeira-entrevista-especial-com-ari-miguel-teixeira-ott\" target=\"_parent\"><strong>usinas no rio Madeira<\/strong><\/a> que foram impostas \u00e0 sociedade com o argumento de que estar\u00edamos \u00e0 beira do apag\u00e3o se elas n\u00e3o fossem constru\u00eddas. O mesmo argumento foi usado para justificar <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538076-belo-monte-a-anatomia-de-um-etnocidio\" target=\"_parent\"><strong>Belo Monte<\/strong><\/a>. O mesmo est\u00e1 sendo usado para tamb\u00e9m justificar as usinas no rio <strong>Tapaj\u00f3s<\/strong> e as do rio <strong>Teles Pires<\/strong>. No entanto, esse \u201ca beira do apag\u00e3o\u201d n\u00e3o fez com que investimentos substanciais se direcionassem para as alternativas. At\u00e9 agora foi um p\u00e1lido movimento do governo nessa dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 defici\u00eancia t\u00e9cnica no que tange \u00e0s<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/515271-politica-energetica-do-pais-ignora-energia-solar\" target=\"_parent\"><strong> e\u00f3licas e solar fotovoltaica<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Basta dar um giro pela <strong>Europa<\/strong> e constatamos a gera\u00e7\u00e3o a partir dessas fontes e, o que \u00e9 melhor, de forma descentralizada. Nada de longos sistemas de transmiss\u00e3o como temos no Brasil, onde uma linha como a que liga as usinas do Madeira tem 2.450 quil\u00f4metros para chegar em S\u00e3o Paulo. <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/515271-politica-energetica-do-pais-ignora-energia-solar\" target=\"_parent\"><strong>Se houvesse gera\u00e7\u00e3o descentralizada com as fontes alternativas<\/strong> <\/a>n\u00f3s n\u00e3o precisar\u00edamos desse linh\u00e3o.<\/p>\n<table align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"45\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>\u201cComo criar e fazer prosperar programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, consumo consciente, energias alternativas descentralizadas quando a sociedade \u00e9 induzida a acreditar que h\u00e1 energia dispon\u00edvel?\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Grande parte dos encargos cobrados nas contas de luz v\u00e3o para pesquisas. Portanto, teoricamente, o problema do n\u00e3o incentivo \u00e0s fontes alternativas n\u00e3o pode ser t\u00e9cnico. A Conta de <strong>Desenvolvimento Energ\u00e9tico &#8211; CDE<\/strong>, o <strong>Programa de Incentivo \u00e0s Fontes Alternativas &#8211; PROINFA<\/strong> e o<strong> P&amp;D Pesquisa e Desenvolvimento e Efici\u00eancia Energ\u00e9tica<\/strong> s\u00e3o tr\u00eas encargos que incidem na conta de luz. Isso j\u00e1 deveria ter nos poupado de ficarmos ref\u00e9m de uma \u00fanica fonte, a h\u00eddrica, que nos custa a sa\u00fade dos rios amaz\u00f4nicos, a vida de centenas de milhares de desalojados compuls\u00f3rios, a paz dos ind\u00edgenas em suas terras imemoriais e o desequil\u00edbrio do clima regional em decorr\u00eancia dos impactos ambientais. Veja os problemas e preju\u00edzos causados pelas usinas Santo Ant\u00f4nio e Jirau que agravaram as cheias do rio Madeira.No entanto,<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=451\" target=\"_parent\"> <strong>as mega obras<\/strong><\/a> que satisfazem pol\u00edticos corruptos e empreiteiras sequiosas por empreendimentos que consomem muito concreto e a\u00e7o e que precisam remover milhares de metros c\u00fabicos de rochas \u00e9 que determinaram a escolha da energia gerada por hidrel\u00e9tricas. Desde 2002, 2003 e 2014, per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/510156-dom-erwin-kraeutler-lula-e-dilma-passarao-para-a-historia-como-predadores-da-amazonia-\" target=\"_parent\"><strong>das primeiras hidrel\u00e9tricas da era Lula e Dilma<\/strong><\/a>, Santo Ant\u00f4nio e Jirau, no rio Madeira, n\u00e3o houve a m\u00ednima preocupa\u00e7\u00e3o do governo em incentivar programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, conserva\u00e7\u00e3o e economia de energia el\u00e9trica. Popula\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria e com\u00e9rcio continuaram num festival de consumo, j\u00e1 que o risco de um apag\u00e3o estaria afastado com as usinas do Madeira.<\/p>\n<p>As alternativas como a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/510213-energia-solar-no-brasil-um-desafio-entrevista-especial-com-emilio-lebre-la-rovere-\" target=\"_parent\"><strong>energia e\u00f3lica e solar fotovoltaica<\/strong><\/a> nunca foram parte consistente do planejamento sempre ruim do<strong> Minist\u00e9rio de Minas e Energia &#8211; MME<\/strong>. Agora, com o sistema \u00e0 beira de um colapso, \u00e9 necess\u00e1rio que se crie uma nova consci\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre para quem realmente vai a energia produzida pelas hidrel\u00e9tricas e para que ela est\u00e1 sendo utilizada na verdade.<\/p>\n<p>Fica claro que houve uma decis\u00e3o pol\u00edtica do governo ao optar continuar explorando uma \u00fanica fonte em que os beneficiados s\u00e3o grandes empreiteiras e fabricantes de equipamentos para as hidrel\u00e9tricas. N\u00e3o esque\u00e7amos que as empreiteiras s\u00e3o tamb\u00e9m as maiores doadoras das campanhas eleitorais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Para quem realmente est\u00e1 servindo a energia produzida pelas hidrel\u00e9tricas constru\u00eddas nesta \u00faltima d\u00e9cada e meia no Brasil? Qual o destino da energia produzida?<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"45\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>\u201cA verdade \u00e9 que a &#8220;ind\u00fastria&#8221; de hidrel\u00e9tricas continua a todo vapor sem considerar que s\u00f3 os programas de conserva\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia energ\u00e9tica podem possibilitar uma economia no consumo de 10%, no m\u00ednimo\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> Telma Monteiro &#8211;<\/strong> Na verdade, na \u00faltima d\u00e9cada, pouca energia hidrel\u00e9trica tem sido acrescentada ao <strong>Sistema Interligado Nacional &#8211; SIN<\/strong>. No per\u00edodo Lula\/Dilma est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o as usinas do<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529449-as-hidreletricas-a-nova-cheia-historica-do-rio-madeira-e-as-tergiversacoes-de-dilma\" target=\"_parent\"><strong> rio Madeira<\/strong><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/509576-jirau-santo-antonio-e-belo-monte-sao-aviso-aos-navegantes-do-tapajos\" target=\"_parent\"><strong>Santo Ant\u00f4nio<\/strong><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/509576-jirau-santo-antonio-e-belo-monte-sao-aviso-aos-navegantes-do-tapajos\" target=\"_parent\"><strong>Jirau<\/strong><\/a>, que est\u00e3o operando parcialmente, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/cepat\/cepat-conjuntura\/516563-conjuntura-da-semana-especial-belo-monte-uma-obra-emblematica\" target=\"_blank\"><strong>Belo Monte<\/strong><\/a>, no rio <strong>Xingu<\/strong>, ainda em constru\u00e7\u00e3o e que ainda n\u00e3o est\u00e1 operando, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/524506-hidreletrica-de-teles-pires-impactos-ambientais-sao-mascarados-entrevista-especial-com-telma-monteiro\" target=\"_parent\"><strong>UHE Teles Pires<\/strong><\/a> que est\u00e1 come\u00e7ando a operar um ter\u00e7o de sua capacidade, UHE Estreito, no rio Tocantins, que foi inaugurada por Dilma Rousseff, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/527980-aripuana-uhe-dardanelos-opera-sem-licenca-ambiental-ha-quase-um-ano\" target=\"_parent\"><strong>UHE Dardanelos<\/strong><\/a>, no rio <strong>Aripuan\u00e3<\/strong>, tamb\u00e9m em opera\u00e7\u00e3o, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/516484-bndes-anuncia-liberacao-de-r-7368-milhoes-para-construcao-de-usina-santo-antonio-do-jari\" target=\"_parent\"><strong>UHE Santo Ant\u00f4nio do Jari<\/strong><\/a>, no rio Jari, em opera\u00e7\u00e3o. Essas s\u00e3o as principais. Mas o que nos chama a aten\u00e7\u00e3o, realmente, \u00e9 a retomada, a partir de 2003, do planejamento do governo no sentido de explorar todo o potencial hidrel\u00e9trico dos principais rios amaz\u00f4nicos.No entanto, essa energia, acrescentada e ainda a acrescentar com os projetos em fase de estudos e licenciamento, n\u00e3o parece direcionada para suprir os rinc\u00f5es miser\u00e1veis isolados do pa\u00eds, ou para diminuir a desigualdade, ou fortalecer comunidades. Na verdade,<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1341&amp;secao=237\" target=\"_parent\"> <strong>vai abastecer os grandes consumidores de energia que t\u00eam prioridade e privil\u00e9gios concedidos pelo governo que nada mais quer a n\u00e3o ser bancar um crescimento, insustent\u00e1vel para os brasileiros<\/strong><\/a>, apenas para ter competitividade na globaliza\u00e7\u00e3o. Para tanto, optou pelo oportunismo da pol\u00edtica de produ\u00e7\u00e3o de energia estagnada no modelo hidrel\u00e9trico: insustent\u00e1vel, cara e suja.<\/p>\n<p>Exemplos desse oportunismo n\u00e3o faltam. <strong>A grande parte da energia gerada pelas hidrel\u00e9tricas vai para as ind\u00fastrias eletrointensivas<\/strong>. S\u00e3o aquelas que beneficiam a bauxita, por exemplo, ou as ind\u00fastrias de cimento. H\u00e1 ainda os autoprodutores[2] que produzem e consomem energia el\u00e9trica como insumo principal e que vendem o excedente no mercado livre, a pre\u00e7os exorbitantes. Parte dessa energia a ser disponibilizada no ambiente livre, com altos pre\u00e7os do megawatt\/hora, vir\u00e1 das hidrel\u00e9tricas da Amaz\u00f4nia (alguns dos cons\u00f3rcios que ganharam os leil\u00f5es t\u00eam na composi\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria autoprodutores) que recebem incentivos durante a constru\u00e7\u00e3o. Os cons\u00f3rcios se beneficiam de financiamentos de bancos p\u00fablicos com juros abaixo do pre\u00e7o de mercado, isen\u00e7\u00e3o de PIS\/COFINS durante as obras (Reidi), car\u00eancia no recolhimento de Imposto de Renda &#8211; IR, se valem de sobrepre\u00e7os e de aditivos em contratos de concess\u00e3o. Pode n\u00e3o ser ilegal, mas \u00e9 um &#8220;neg\u00f3cio&#8221; imoral.<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1316&amp;secao=236\" target=\"_parent\">O setor industrial, que congrega as ind\u00fastrias eletrointensivas (alum\u00ednio \u2013 inclusive alumina e bauxita, siderurgia \u2013 a\u00e7o bruto, ferroligas, pelotiza\u00e7\u00e3o, cobre, celulose e papel, soda-cloro, petroqu\u00edmica e cimento), \u00e9 respons\u00e1vel por utilizar 40% do consumo industrial de energia el\u00e9trica<\/a><\/strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539243-crise-se-agrava-e-os-tres-principais-estados-do-pais-cogitam-racionar-agua\" target=\"_parent\">.<\/a><\/p>\n<p>Na verdade, as perspectivas de demanda de energia el\u00e9trica, feitas no passado, n\u00e3o se concretizaram. O planejamento incluiu uma demanda criada artificialmente. O <strong>Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia &#8211; PDEE<\/strong> est\u00e1 distorcendo a previs\u00e3o, desde 2012, quando atrela o consumo de energia el\u00e9trica a um crescimento de 5% do PIB. N\u00e3o chegamos a 1% em 2014. Mesmo assim, h\u00e1 uma pol\u00edtica que continua incentivando, induzindo ou estimulando demanda e, ao mesmo tempo, disponibilizando oferta ao planejar e construir grandes hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia. Ora, como criar e fazer prosperar programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, consumo consciente, energias alternativas descentralizadas quando na verdade a sociedade est\u00e1 sendo induzida a acreditar que h\u00e1 &#8220;tanta&#8221; energia dispon\u00edvel? O argumento tem sido o do &#8220;apag\u00e3o nunca mais&#8221;, que insiste em tomar 2001 como exemplo. Ent\u00e3o, diante dessa l\u00f3gica, a sociedade entende que pode consumir sem freios.<\/p>\n<p>Pois bem, a realidade est\u00e1 falando mais alto. Em 19 de janeiro passado, in\u00edcio deste j\u00e1 fat\u00eddico 2015, enquanto eu escrevia uma parte das respostas desta entrevista \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>, o caos aconteceu. Faltou energia el\u00e9trica em 11 estados brasileiros do sul e sudeste e no Distrito Federal. O <strong>Operador Nacional do Sistema &#8211; ONS<\/strong> deu a ordem para redu\u00e7\u00e3o da carga. Motivo? Ser\u00e1 apurado, mas j\u00e1 adianto que divulgar\u00e3o uma mentira e os relat\u00f3rios que apontar\u00e3o as falhas n\u00e3o ser\u00e3o p\u00fablicos ou se forem n\u00e3o ter\u00e1 transpar\u00eancia. Eles sempre fazem isso: <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/537709-mpf-am-exige-anulacao-do-edital-do-linhao-de-tucurui-por-afetar-terras-indigenas\" target=\"_parent\"><strong>distorcem a realidade. N\u00e3o faltou energia, a falha foi no sistema de transmiss\u00e3o<\/strong> <\/a>que opera no limite de sua capacidade, que n\u00e3o tem a necess\u00e1ria manuten\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 obsoleta e sucateada. Basta ler o relat\u00f3rio feito sobre o apag\u00e3o de 2009. Est\u00e1 tudo l\u00e1. Na \u00e9poca escrevi a mat\u00e9ria que mostrou os problemas apontados no relat\u00f3rio. Ali\u00e1s, nesta semana eu atualizei e postei novamente.<\/p>\n<p>Neste momento, <strong>estamos \u00e0 beira de um colapso<\/strong>. As autoridades ainda v\u00e3o atribuir ao calor e falta de chuvas os problemas de abastecimento de energia. N\u00e3o duvido nem um pouco se come\u00e7arem a dizer que o atraso das obras das hidrel\u00e9tricas em constru\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, como Belo Monte, no rio Xingu, \u00e9 respons\u00e1vel pela falta de energia. Essa desculpa pode at\u00e9 ser o gatilho para for\u00e7ar a concess\u00e3o mais r\u00e1pida das licen\u00e7as das usinas planejadas no rio Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>Seja qual for a constata\u00e7\u00e3o, a verdade \u00e9 que a <strong>&#8220;ind\u00fastria&#8221; de hidrel\u00e9tricas<\/strong> continua a todo vapor sem considerar que s\u00f3 os programas de conserva\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia energ\u00e9tica podem possibilitar uma economia no consumo de 10%, no m\u00ednimo. O governo federal insistir\u00e1 na explora\u00e7\u00e3o de todo o potencial amaz\u00f4nico de produ\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica. Acrescentemos que a falta de investimentos e o sucateamento das redes de transmiss\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e das subesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o ralos por onde escoam as perdas de boa parte da energia gerada. E o dinheiro do cidad\u00e3o que paga seus impostos, que n\u00e3o tem hospital decente, que n\u00e3o tem seguran\u00e7a, nem transporte de qualidade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre as mega hidrel\u00e9tricas de Itaipu e Belo Monte? Do ponto de vista tecnol\u00f3gico e operacional, como se diferenciam?<\/strong><\/p>\n<table align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"45\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<h2>\u201cNenhum projeto hidrel\u00e9trico, seja Itaipu ou Belo Monte, pode ser considerado vi\u00e1vel do ponto de vista social e ambiental\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> Tela Monteiro &#8211;<\/strong> Tudo \u00e9 <strong>mega nos dois empreendimentos: as obras, os investimentos, os impactos e a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos<\/strong>. Ambas s\u00e3o consideradas usinas \u00e0 fio d\u2019\u00e1gua, ou seja, t\u00eam reservat\u00f3rio pequeno em extens\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que Itaipu foi constru\u00edda num canyon do rio Paran\u00e1, logo em seguida \u00e0 cachoeira de Sete Quedas que foi destru\u00edda pelo empreendimento, e tem uma barragem equivalente a um pr\u00e9dio de seis andares. J\u00e1 Belo Monte est\u00e1 sendo constru\u00edda num rio de plan\u00edcie e embora se diga que o reservat\u00f3rio \u00e9 pequeno se comparado a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/11214-balbina-usina-construida-nos-anos-80-e-vista-como-o-maior-pesadelo-amazonico\" target=\"_parent\"><strong>Tucuru\u00ed<\/strong> <\/a>ou <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523827-indios-vao-a-brasilia-cobrar-condicionantes-de-belo-monte\" target=\"_parent\"><strong>Balbina<\/strong><\/a>, ele ocupa todo o leito do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/539024-a-monstruosidade-de-belo-monte-dilma-nao-teve-coragem-de-ver-o-descalabro-provocado-pela-obra-entrevista-especial-com-d-erwin-kraeutler\" target=\"_parent\"><strong>Xingu, em Altamira, no Par\u00e1<\/strong>,<\/a> e tornar\u00e1 permanentes as \u00e1reas inund\u00e1veis que seriam sazonais.Podemos comparar alguns n\u00fameros entre as duas hidrel\u00e9tricas. O investimento na <strong>UHE Belo Monte<\/strong> est\u00e1 atingindo R$ 30 bilh\u00f5es ou 11,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Atualizada, Itaipu custou 16 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. As escava\u00e7\u00f5es de Belo Monte se equiparam \u00e0s do Canal do Panam\u00e1, e o ferro e a\u00e7o utilizados em Itaipu poderiam ser usados para construir 380 Torres Eiffel. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a. Belo Monte est\u00e1 sendo constru\u00edda com capacidade de 11 mil megawatts, mas embora tenha um custo similar \u00e0 Itaipu, s\u00f3 entregar\u00e1 4.300 megawatts\u00a0m\u00e9dios devido \u00e0 sazonalidade do rio Xingu. Itaipu tem capacidade de 14 mil megawatts\u00a0e tem entregue 9 mil megawatts\u00a0m\u00e9dios.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual impacto ambiental em cada uma?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Telma Monteiro &#8211;<\/strong> No meu entender os impactos se equiparam. Nenhum projeto hidrel\u00e9trico, seja Itaipu ou Belo Monte, pode ser considerado vi\u00e1vel do ponto de vista social e ambiental. Tanto uma como a outra, levando em conta as \u00e9pocas em que foram concebidas, Itaipu na d\u00e9cada de 1970 e Belo Monte na d\u00e9cada de 1980, s\u00e3o oriundas de um plano pensado para um futuro exclusivamente calcado sob o ponto de vista econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O desvio das \u00e1guas do rio <strong>Xingu<\/strong> para construir <strong>Belo Monte<\/strong> est\u00e1 impondo uma destrui\u00e7\u00e3o do ecossistema da regi\u00e3o. A <strong>Volta Grande do Xingu<\/strong>, uma joia conhecida pela biodiversidade dos seus pedrais, vai secar. Com o desvio de 80% da vaz\u00e3o do rio para alimentar a casa de for\u00e7a principal de <strong>Belo Monte<\/strong>, ela permanecer\u00e1 praticamente seca o ano inteiro. <strong>Belo Monte<\/strong> vai ficar para a hist\u00f3ria tanto quanto a constru\u00e7\u00e3o de Itaipu que deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o. O reservat\u00f3rio de Itaipu engoliu 1.500 quil\u00f4metros quadrados de floresta e terras f\u00e9rteis e submergiu uma riqueza natural chamada cachoeira de Sete Quedas.<\/p>\n<p>O projeto de<strong> Belo Monte<\/strong> foi proposto para operar \u00e0 custa da redu\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o de um trecho de aproximadamente 130 quil\u00f4metros chamado de Volta Grande do Xingu. L\u00e1 est\u00e3o localizadas as <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/505841-indiosararapedemaompfinvestigacaoembelomonteporpoluicaonasaguasdoxingu\" target=\"_parent\">T<strong>erras Ind\u00edgenas Paqui\u00e7amba<\/strong><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/511392-indigenas-exigem-que-ibama-e-funai-retirem-licenca-de-belo-monte\" target=\"_parent\"><strong>Arara da Volta Grande<\/strong><\/a> e<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529870-nos-50-anos-do-golpe-cnv-ouve-guaranis-vitimados-pela-ditadura-no-parana\" target=\"_parent\"> <strong>Trincheira Bacaj\u00e1<\/strong><\/a>. Cinco munic\u00edpios est\u00e3o sendo diretamente afetados: <strong>Vit\u00f3ria do Xingu<\/strong>, <strong>Altamira<\/strong>, <strong>Senador Jos\u00e9 Porf\u00edrio<\/strong>, <strong>Anapu<\/strong> e <strong>Brasil Novo<\/strong>. Os ind\u00edgenas da<strong> TI Paqui\u00e7amba<\/strong> e da <strong>TI Arara da Volta Grande<\/strong> s\u00e3o as maiores v\u00edtimas dos impactos diretos, pois est\u00e3o justamente no trecho da vaz\u00e3o reduzida. O governo ignorou a consulta pr\u00e9via e a necessidade de estudos etnoecol\u00f3gicos dos ind\u00edgenas. Apesar das a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas ajuizadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, as terras ind\u00edgenas continuam sendo consideradas fora da \u00e1rea de impacto direto de <strong>Belo Monte<\/strong>.<\/p>\n<p>Com <strong>Itaipu<\/strong>, constru\u00edda no rio Paran\u00e1, se deu fato semelhante. Os ind\u00edgena<strong>s <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=439\" target=\"_parent\">Guarani do Oeste do Paran\u00e1 foram simplesmente ignorados nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980<\/a><\/strong>, durante a constru\u00e7\u00e3o de Itaipu. O resultado foi uma grande mudan\u00e7a na vida desses ind\u00edgenas. Assim como em Belo Monte e a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da<strong> Volta Grande<\/strong>, nos estudos que precederam as obras de Itaipu, os Guarani foram omitidos. Somente em 1981, sob press\u00e3o, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00edndio &#8211; Funai contratou um antrop\u00f3logo para fazer um laudo que foi totalmente favor\u00e1vel ao governo da \u00e9poca. Identificou apenas cinco fam\u00edlias aut\u00eanticas <strong>Guarani<\/strong>. Mobilizados, os Guarani foram em busca de seus direitos e exigiram terras que compensassem aquelas que <strong>Itaipu<\/strong> expropriara. Em 1982, receberam 250 hectares. Esta terra n\u00e3o era suficiente para a sua sobreviv\u00eancia. Em 1986, os <strong>Guarani<\/strong> denunciaram ao<strong> Banco Mundial a expuls\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o de suas terras<\/strong>. No ano 2000, finalmente, foram adquiridos mais 1.500 hectares, por\u00e9m longe das terras tradicionais, para reserva dos ind\u00edgenas expulsos de Itaipu.<\/p>\n<p>Mais uma vez <strong>Belo Monte<\/strong>, no rio Xingu, guarda uma triste semelhan\u00e7a \u00e0 <strong>Itaipu<\/strong>, pois, tanto numa como na outra, a Funai foi omissa. Aprovou os estudos falhos, deu seu aval para a constru\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas e desconsiderou completamente os impactos nas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Outro impacto que aproxima as duas usinas \u00e9 o que se refere ao desalojamento compuls\u00f3rio de trabalhadores do campo. Em Itaipu 42.444 pessoas foram compulsoriamente desalojadas das margens do rio Paran\u00e1. Em <strong>Belo Monte<\/strong> o n\u00famero de pessoas pode chegar a 40.000.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Entretanto, como se aproximam? De que forma correspondem a um modelo desenvolvimentista baseado em obras de grande impacto ambiental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Telma Monteiro &#8211;<\/strong> Em 1970, <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=437\" target=\"_parent\"><strong>uma ditadura<\/strong><\/a> e a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/524909-do-neoliberalismo-ao-neodesenvolvimentismo-analise-critica-de-uma-decada\" target=\"_parent\"><strong>ambi\u00e7\u00e3o governamental<\/strong><\/a> por uma economia que levasse o Brasil a ser uma pot\u00eancia mundial foram os principais indutores para que <strong>Itaipu<\/strong> fosse erguida. N\u00e3o importava, naquela \u00e9poca, embora estejamos vivendo quase a mesma situa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos projetos hidrel\u00e9tricos na Amaz\u00f4nia, que as fam\u00edlias fossem compulsoriamente removidas de suas terras e perdessem sua hist\u00f3ria. Ou que as terras ind\u00edgenas sofram impactos que alterar\u00e3o para sempre sua cultura e sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A fronteira entre <strong>Brasil<\/strong>, <strong>Argentina<\/strong> e <strong>Paraguai<\/strong> foi a regi\u00e3o escolhida para erguer Itaipu. Ali, al\u00e9m de ind\u00edgenas Guarani, fam\u00edlias que sobreviviam de pequenas terras agricultur\u00e1veis a cachoeira de Sete Quedas era um s\u00edmbolo do poder de um grande rio. Nada faria os \u00f3rg\u00e3os governamentais envolvidos desistirem de submergi-las. Pensada para custar um m\u00ednimo, ignorando todos os direitos inerentes aos atingidos, o objetivo era o desenvolvimento baseado em grandes obras. Itaipu foi um marco de outra ditadura assim como \u00e9 <strong>Belo Monte<\/strong> hoje, imposta pela <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=384\" target=\"_parent\"><strong>ditadura da sanha neodesenvolvimentista da era Lula e Dilma<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que tipo de racionalidade est\u00e1 por tr\u00e1s deste modelo neodesenvolvimentista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Telma Monteiro &#8211;<\/strong> Entenda. Um <strong>Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia &#8211; PDEE<\/strong> prev\u00ea, usando indicadores, o aumento da demanda de energia. Atualmente, os progn\u00f3sticos apostam num crescimento do <strong>PIB<\/strong> em mais de 4% ao ano nos pr\u00f3ximos 10 anos, contrariando todos os progn\u00f3sticos dos economistas. Mas, esse plano decenal \u00e9 elaborado por empresas, institui\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es e autoridades do governo do setor el\u00e9trico, portanto n\u00e3o \u00e9 de espantar que as proje\u00e7\u00f5es que nele constam sejam pr\u00f3digas em pontificar a necessidade de projetos hidrel\u00e9tricos para bancar o crescimento da economia. H\u00e1 todo um lobby da cadeia industrial de beneficiamento de commodities minerais que tem a energia el\u00e9trica como seu principal insumo.<\/p>\n<p>O <strong>Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia &#8211; PDE<\/strong>E, no que concerne \u00e0 energia el\u00e9trica, \u00e9 uma pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o do planejamento do governo brasileiro projetado para os pr\u00f3ximos 10 anos. Ele \u00e9 elaborado pelo <strong>Minist\u00e9rio de Minas e Energia &#8211; MME<\/strong> e a <strong>Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica &#8211; EPE<\/strong>, com a colabora\u00e7\u00e3o de empresas e agentes do setor energ\u00e9tico. No final do texto, podem-se encontrar os agradecimentos aos membros da &#8220;Nomenklatura&#8221; ou casta dirigente do setor que manda no Brasil. Cerca de 150 empresas nacionais, transnacionais, entre elas <strong>Vale<\/strong>, <strong>Petrobras<\/strong>, <strong>Odebrecht<\/strong>, <strong>Brasken<\/strong>, <strong>Eletrobras<\/strong>, <strong>Eletronorte<\/strong>, <strong>Furnas<\/strong> e associa\u00e7\u00f5es do setor como <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Grandes Consumidores, Industria de Energia e de Consumidores Livres &#8211; ABRACE<\/strong>, <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Independente de Energia El\u00e9trica &#8211; APINE<\/strong>, <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Celulose e papel &#8211; BRACELPA<\/strong> e institui\u00e7\u00f5es governamentais, participam do planejamento energ\u00e9tico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode procurar na lista do \u00faltimo plano decenal nomes de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, pesquisadores e ambientalistas, especialistas da academia e representantes daqueles que sofrem na carne os impactos das pol\u00edticas do <strong>Minist\u00e9rio de Minas e Energia &#8211; MME<\/strong> calcadas em premissas mirabolantes de crescimento econ\u00f4mico desacompanhado de sustentabilidade. Tente achar alguma refer\u00eancia aos problemas conjunturais relacionados \u00e0 escassez de \u00e1gua no planeta, ao aquecimento global, \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou aos eventos extremos que n\u00e3o poderiam estar descolados de um planejamento para os pr\u00f3ximos dez anos.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 escrevi que fazendo uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525494-programa-federal-faz-10-anos-com-15-mi-sem-luz-no-norte\" target=\"_parent\"><strong>Rio + 20<\/strong><\/a> e \u201c<strong>O futuro que queremos<\/strong>\u201d eu s\u00f3 consigo vislumbrar o futuro que essa elite dirigente quer. Os planos decenais continuam pregando otimismo para tentar justificar o aumento da oferta de energia el\u00e9trica no pr\u00f3ximo dec\u00eanio. A equa\u00e7\u00e3o, aumento da popula\u00e7\u00e3o ativa versus aumento do consumo em ritmo maior, n\u00e3o prev\u00ea campanhas de uso consciente de energia. No entanto, a presidente <strong>Dilma Rousseff<\/strong> acenou com descontos na conta de luz, a melhor forma de contribuir ainda mais com o aumento do consumo.<\/p>\n<p>Com uma previs\u00e3o de aumento de domic\u00edlios particulares de R$ 62 milh\u00f5es para R$ 77 milh\u00f5es em 2021, est\u00e1 impl\u00edcito nos planos que os grandes vil\u00f5es do consumo s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o que utiliza equipamentos eletrodom\u00e9sticos e o &#8220;sucesso&#8221; do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/539341-estagnado-e-afundado-na-crise-energetica-governo-federal-segue-amarrado-aos-velhos-modelos-de-geracao-de-energia-entrevista-especial-com-telma-monteiro#\"><strong>Programa Luz para Todos<\/strong><\/a>. Apesar disso, programas de substitui\u00e7\u00e3o dos chuveiros el\u00e9tricos e incentivo ao uso de energia solar em novos empreendimentos de moradia social n\u00e3o est\u00e3o previstos no horizonte de planejamento.<\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line <\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Telma Monteiro \u00a0\u201cO mundo j\u00e1 saiu na frente, buscando as alternativas para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Telma Monteiro \u00a0\u201cO mundo j\u00e1 saiu na frente, buscando as alternativas para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15080"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}