{"id":15065,"date":"2015-01-30T16:56:22","date_gmt":"2015-01-30T16:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=15065"},"modified":"2015-01-30T16:56:22","modified_gmt":"2015-01-30T16:56:22","slug":"iniciativa-pretende-analisar-o-impacto-das-mudancas-climaticas-sobre-os-manguezais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/iniciativa-pretende-analisar-o-impacto-das-mudancas-climaticas-sobre-os-manguezais\/","title":{"rendered":"Iniciativa pretende analisar o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre os manguezais"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-content\">\n<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/manguezais1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-15067\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/manguezais1.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/manguezais1.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/manguezais1-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Estudo vai usar como indicador biol\u00f3gico o\u00a0caranguejo-u\u00e7\u00e1, esp\u00e9cie bastante sens\u00edvel \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do clima. Os manguezais s\u00e3o ber\u00e7\u00e1rios de vida marinha e funcionam como barreira natural para ondas e ressacas.<\/em><\/p>\n<p>Conhecer os efeitos exatos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre os ecossistemas e sua biodiversidade ainda \u00e9 algo complexo. Para mudar essa realidade, Marcelo Pinheiro, professor doutor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ser\u00e1 o respons\u00e1vel pelo estudo do impacto das altera\u00e7\u00f5es do clima em duas \u00e1reas de manguezal: Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Jur\u00e9ia-Itatins (SP) e Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Guaraque\u00e7aba (PR). Essas unidades de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o localizadas no Lagamar, complexo estuarino que \u00e9 um dos maiores ber\u00e7\u00e1rios de vida marinha do planeta. O projeto ser\u00e1 executado com o apoio de Setuko Masunari, professora doutora da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), em Curitiba, cuja equipe ser\u00e1 respons\u00e1vel pela an\u00e1lise da \u00e1rea de manguezal paranaense.<\/p>\n<p>O objetivo do estudo \u00e9 analisar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para o\u00a0\u00a0caranguejo-u\u00e7\u00e1 (<em>Ucides cordatus<\/em>), crust\u00e1ceo muito sens\u00edvel \u00e0s altera\u00e7\u00f5es de habitat. \u201cIremos acompanhar essa esp\u00e9cie durante quatro anos nessas duas regi\u00f5es para entender como ela vai se comportar\u201d, explica Pinheiro. A pesquisa \u00e9 apoiada pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza e pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/p>\n<p>Pinheiro estuda a esp\u00e9cie desde 1998 e j\u00e1 foi respons\u00e1vel por outras quatro pesquisas com ela. \u201cNos estudos anteriores, analisamos diversos aspectos do\u00a0caranguejo-u\u00e7\u00e1, como estrutura populacional (abund\u00e2ncia de machos, f\u00eameas, jovens, adultos) e densidade (quantidade por metro quadrado), bem como avaliamos essas caracter\u00edsticas em locais diferentes, com tipos variados de vegeta\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed produzimos um protocolo para a esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p>O protocolo elaborado possui duas partes: um passo a passo de como fazer esse tipo de an\u00e1lise com\u00a0caranguejos\u00a0dessa e de outras esp\u00e9cies que constroem tocas no sedimento de manguezal, e um trecho te\u00f3rico contendo o que \u00e9 esperado acontecer com a esp\u00e9cie no futuro, considerando a influ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Na atual pesquisa, essa parte te\u00f3rica ser\u00e1 colocada em pr\u00e1tica. \u201cIremos testar a aplica\u00e7\u00e3o do protocolo em campo e verificar sua sensibilidade \u00e0s diferentes condi\u00e7\u00f5es de inunda\u00e7\u00e3o j\u00e1 verificadas nos manguezais, esperando que ele seja suficiente para detectar altera\u00e7\u00f5es nas popula\u00e7\u00f5es do\u00a0caranguejo\u201d, explica Pinheiro. Depois da pesquisa aplicada, o protocolo poder\u00e1 ser ajustado e repassado para monitoramento em outros manguezais brasileiros. \u201cCertamente com o aquecimento global os efeitos gerados poder\u00e3o ser similares ou ainda mais preocupantes\u201d, destaca o pesquisador.<\/p>\n<p>De acordo com ele, apesar do\u00a0caranguejo-u\u00e7\u00e1 ocorrer em toda a costa do Atl\u00e2ntico ocidental, desde a Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos, at\u00e9 Santa Catarina, tem sido verificado redu\u00e7\u00e3o em sua abund\u00e2ncia e densidade. Tal situa\u00e7\u00e3o ocorre pela reduzida taxa de crescimento da esp\u00e9cie (tamanho comercial em 10 anos), que \u00e9 um dos aspectos que justificou sua inclus\u00e3o na categoria de Quase Amea\u00e7a, da Uni\u00e3o Internacional para Conversa da Natureza (IUCN). Outros fatos agravantes foram o aterro, desmatamento e polui\u00e7\u00e3o dos manguezais, sendo que, neste \u00faltimo caso, o despejo de esgoto n\u00e3o tratado nos rios e mares, bem como a concentra\u00e7\u00e3o de lixo nos manguezais interferem muito no equil\u00edbrio desse ecossistema. \u201cO chorume produzido pelos lix\u00f5es possui imensas concentra\u00e7\u00f5es de metais pesados. Al\u00e9m disso, a polui\u00e7\u00e3o org\u00e2nica por falta de saneamento b\u00e1sico diminuem drasticamente o oxig\u00eanio na \u00e1gua dos rios, lagos e mares. Isso prejudica tanto o pr\u00f3prio\u00a0caranguejo, como tamb\u00e9m as algas microsc\u00f3picas que servem de alimento \u00e0 suas larvas em sua fase aqu\u00e1tica\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas devem piorar o cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Um dos efeitos esperados com as altera\u00e7\u00f5es do clima \u00e9 o aquecimento global, que dever\u00e1 aumentar o n\u00edvel dos oceanos. Segundo o professor da Unesp, isso certamente promover\u00e1 maior inunda\u00e7\u00e3o dos manguezais, fazendo com que ocorra redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas desse ecossistema. \u201cDe forma bem simplificada, ser\u00e1 mais mar e menos manguezal, o que pode gerar um grande desequil\u00edbrio, n\u00e3o apenas para o\u00a0caranguejo-u\u00e7\u00e1, mas a outras esp\u00e9cies animais, j\u00e1 que esse ambiente \u00e9 fundamental \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de diversas\u00a0outras esp\u00e9cies\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ao ser questionado se em apenas quatro anos ele acredita que ter\u00e1 resultados das mudan\u00e7as do clima, Marcelo Pinheiro \u00e9 enf\u00e1tico. \u201cJ\u00e1 estamos come\u00e7ando a senti-las no pr\u00f3prio clima nos \u00faltimos anos. Acredito que nesse per\u00edodo vamos ter material para trabalhar\u201d. O pesquisador ainda completa: \u201cesperamos que a modifica\u00e7\u00e3o seja t\u00eanue para que possamos propor a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie enquanto ainda h\u00e1 tempo\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Manguezais e sua import\u00e2ncia natural<\/strong><\/p>\n<p>Os manguezais s\u00e3o ecossistemas costeiros de transi\u00e7\u00e3o entre o continente e o mar, presentes em regi\u00f5es tropicais e subtropicais do planeta e considerados ber\u00e7\u00e1rios da vida marinha. No Brasil, eles se espalham em \u00e1reas lamosas por quase 26 mil km<sup>2<\/sup>, do Amap\u00e1 a Santa Catarina. Recebem esse nome por conta da esp\u00e9cie de flora predominante \u2013 o mangue \u2013 que \u00e9 constitu\u00eddo de tr\u00eas a quatro esp\u00e9cies de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Por ter \u00e1guas calmas e protegidas por ra\u00edzes, o manguezal \u00e9 utilizado como ber\u00e7\u00e1rio por muitos peixes, crust\u00e1ceos e outros animais, que ali se reproduzem e desovam. Al\u00e9m disso, o mangue \u00e9 fundamental na absor\u00e7\u00e3o do impacto das ondas, evitando a eros\u00e3o marinha. Esse ecossistema tamb\u00e9m funciona como barreira para os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos como enxurradas, ressacas e grandes tempestades.<\/p>\n<p>O ecossistema marinho \u00e9 muito rico em biodiversidade, por\u00e9m \u00e9 pouco conhecido. Segundo Malu Nunes, diretora executiva da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, essa realidade precisa ser alterada no Brasil. \u201cFomentar a pesquisa cient\u00edfica nesse ecossistema \u00e9 indispens\u00e1vel para que o pa\u00eds conhe\u00e7a melhor sua fauna e flora, bem como tenha os subs\u00eddios adequados para proteg\u00ea-los.\u201d, destaca.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo vai usar como indicador biol\u00f3gico o\u00a0caranguejo-u\u00e7\u00e1, esp\u00e9cie bastante sens\u00edvel \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do clima. 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