{"id":150633,"date":"2021-07-31T17:28:18","date_gmt":"2021-07-31T20:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150633"},"modified":"2021-07-31T17:39:23","modified_gmt":"2021-07-31T20:39:23","slug":"umbuzeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/umbuzeiro\/","title":{"rendered":"Umbuzeiro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-fSjoYbWpDpI\/YP-EYIxAzaI\/AAAAAAAC414\/PiqHBElOltAg2jEgiIBNa42q_54hLjxbACLcBGAsYHQ\/s0\/umbuzeiro%2B41.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"437\" \/><\/p>\n<div class=\"letra\">\n<p>Haveria um tipo qualquer de conex\u00e3o hist\u00f3rica capaz de relacionar a raiz do algod\u00e3o moc\u00f3 a um &#8211; mesmo que &#8211; eventual, breve uso de cachec\u00f3is na Para\u00edba? \u00c0 pergunta t\u00e3o disparatada cabe a quem a fez responder, no caso, e antecipadamente pronto para a resposta, este que vos escreve: num esfor\u00e7o adaptativo de luta pela sobreviv\u00eancia, a raiz do algod\u00e3o moc\u00f3 (assim chamado por conseguir viver entre pedras e cascalhos, bem ao modo do roedor hom\u00f4nimo) mergulhou na dire\u00e7\u00e3o do centro da terra, num impulso que redundaria profundamente feliz, por conseguir atingir o len\u00e7ol fre\u00e1tico, e a partir dali tornar-se uma fonte de riquezas para o homem dessa relativamente vasta regi\u00e3o que compreende sert\u00f5es nordestinos, desde sempre considerada a mais pobre do pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"centro\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-MNDlTNTttek\/YP9FQOxBloI\/AAAAAAAC4zo\/SpOSjbTokM8O3Q2CBZjd0FKu6F7tHxtSQCLcBGAsYHQ\/s0\/algodao%2Bmoco%25CC%2581.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-MNDlTNTttek\/YP9FQOxBloI\/AAAAAAAC4zo\/SpOSjbTokM8O3Q2CBZjd0FKu6F7tHxtSQCLcBGAsYHQ\/s0\/algodao%2Bmoco%25CC%2581.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"320\" border=\"0\" data-original-height=\"600\" data-original-width=\"1200\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\">Algod\u00e3o moc\u00f3<span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>OpenBrasil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Explique-se melhor: os campos de algod\u00e3o situados pelos vales (Das Espinharas, Do Serid\u00f3, Do Pianc\u00f3 e de todas as suas in\u00fameras extens\u00f5es) abaixo da minha terra natal, ali onde, ao norte da muralha da Borborema, ficam protegidos de uma ventania capaz de lhes dizimar a flora\u00e7\u00e3o &#8211; derrubando seu penacho, e ainda por cima num clima idealmente pr\u00f3ximo ao de sua ancestralidade africana, que \u00e9 seco, quente e sem ventos. Foi de grande import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica que esse herb\u00e1ceo acabasse conseguindo prover-se de \u00e1gua e nutrientes e assim crescer, num processo que fez da Para\u00edba, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o maior produtor brasileiro de algod\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Mas, para alcance de feito t\u00e3o prodigioso, teve a planta de alterar alguns dados gen\u00e9ticos contidos nas pr\u00f3prias c\u00e9lulas e, dessa forma, alongar sua raiz num esfor\u00e7o heroico para atingir um veio d\u2019\u00e1gua, quando, em consequ\u00eancia disto, e por simetria morfol\u00f3gica, alongou-se tamb\u00e9m na fibra do capucho, o que fez com que esse esp\u00e9cime viesse um dia a ser catalogado como o melhor algod\u00e3o do mundo para uso geral, tanto da ind\u00fastria t\u00eaxtil quanto da aliment\u00edcia (ra\u00e7\u00e3o animal e \u00f3leo comest\u00edvel, a partir das sementes).<\/p>\n<figure class=\"dir meio\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-mw7pCPR8E3I\/YP9NDm7ahRI\/AAAAAAAC4zw\/K9ll0vI98lAUnMsa2eJMDK7Qq-cUHvtvgCLcBGAsYHQ\/s0\/algodao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-mw7pCPR8E3I\/YP9NDm7ahRI\/AAAAAAAC4zw\/K9ll0vI98lAUnMsa2eJMDK7Qq-cUHvtvgCLcBGAsYHQ\/s0\/algodao.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"960\" border=\"0\" data-original-height=\"1500\" data-original-width=\"1000\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\"><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Pian<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi o bastante para que a companhia brit\u00e2nica de trens Great Western, viesse a implantar uma vasta rede de linhas f\u00e9rreas no Nordeste brasileiro, visando conectar, entre v\u00e1rias outras dire\u00e7\u00f5es e lugares, o Porto de Cabedelo aos confins do sert\u00e3o, no objetivo final de abastecer o parque industrial t\u00eaxtil ingl\u00eas com mais esta preciosa mat\u00e9ria prima. Na passagem do s\u00e9culo XIX para o XX, um verdadeiro alevante integrativo instalava-se na antes extremamente dissociada Para\u00edba do Norte, e essa infraestrutura log\u00edstica chegava para beneficiar outras vias de com\u00e9rcio, e \u00e9 a\u00ed que entra a figura de Jonas Julio Alifait Lacet, um bisav\u00f4 paterno meu, e suas novidadeiras cargas transportadas em lombo de burro com destino \u00e0 Serra do Teixeira. Ele vem para recolher, em alguma das esta\u00e7\u00f5es de trem que atravessam o Estado, a carga que havia encomendado com as \u00faltimas novidades do mercado, a\u00ed inclusos utens\u00edlios diversos para uso pessoal ou dom\u00e9stico, sem esquecer uma extensa listagem daqueles modismos franceses t\u00edpicos de sua \u00e9poca: pincenezes, califons, cachecois, mon\u00f3culos, os primeiros soutiens, lingeries, produtos de maquiagem e perfumaria, oriundos da ent\u00e3o capital da moda, Paris.<\/p>\n<p>Esses produtos viriam a ser comerciados em toda aquela regi\u00e3o que vai dos munic\u00edpios de Imaculada \u00e0 M\u00e3e D\u2019\u00e1gua, passando por Desterro, Santo Aleixo, \u00c1gua Branca, Matureia e a pr\u00f3pria Teixeira. Esclarecido o enigma indutor, vamos agora contemplar essa outra maravilha de evoluc\u00e3o vegetal &#8211; o umbuzeiro.<\/p>\n<figure class=\"centro\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-tSzAwJTuSSU\/YP9WJNMUBfI\/AAAAAAAC40E\/i96mkkL0mHA4MSrS0jFPSjayNN81V9KdwCLcBGAsYHQ\/s0\/teixeira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-tSzAwJTuSSU\/YP9WJNMUBfI\/AAAAAAAC40E\/i96mkkL0mHA4MSrS0jFPSjayNN81V9KdwCLcBGAsYHQ\/s0\/teixeira.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"320\" border=\"0\" data-original-height=\"600\" data-original-width=\"1200\" \/><\/a><\/div>\n<\/figure>\n<p>Diferentemente do algodoeiro, trata-se o umbuzeiro de um leg\u00edtimo rebento do nosso abrasado sert\u00e3o nordestino, e sua configura\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica por excel\u00eancia veio a se especificar no bioma conhecido por caatinga, um nicho clim\u00e1tico localizado \u00e0 nordeste do cerrado brasileiro, quando, por tabela, o umbuzeiro vai ser encontrado, com bem com mais frequ\u00eancia nas micros-regi\u00f5es do Cariri, sert\u00e3o e agreste paraibanos. Seu hist\u00f3rico registra uma \u00e1rea extremamente compartimentada, Inserida em uma dire\u00e7\u00e3o Norte dificilmente alcan\u00e7ada seja pelas chuvas amaz\u00f4nicas ou por aquelas escapes do litoral nordestino; as primeiras, subindo na dire\u00e7\u00e3o oposta Norte\/Sul do pais, enquanto as segundas, obliquamente precipitando-se em sentido Noroeste, e deixando entre elas um espa\u00e7o vago que se limita \u00e0 oeste pelos estados de Tocantins e Maranh\u00e3o, e que prossegue pelo lado oposto num corredor iniciado no sert\u00e3o baiano e que se vai afunilando em dire\u00e7\u00e3o ao mar piauiense. Um corredor exaurido de ventos e escasseado de chuvas nos confins do nordeste brasileiro. Ali, o umbuzeiro fincou suas ra\u00edzes.<\/p>\n<figure class=\"centro\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-ZjwicjYxofQ\/YP9ZezVxWiI\/AAAAAAAC40Q\/pSJ_eA6kUUkB0hG5aRQ_5niQqz84RpmBwCLcBGAsYHQ\/s0\/umbuzeiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-ZjwicjYxofQ\/YP9ZezVxWiI\/AAAAAAAC40Q\/pSJ_eA6kUUkB0hG5aRQ_5niQqz84RpmBwCLcBGAsYHQ\/s0\/umbuzeiro.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"320\" border=\"0\" data-original-height=\"600\" data-original-width=\"1200\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\">Umbuzeiro (<i>Spondias tuberosa<\/i>)<span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Embrapa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Tr\u00eas particularidades da \u00e1rvore catalogada nos anais da bot\u00e2nica como Spondia Tuberosa, e que receberia de Euclides da Cunha , em \u201cOs Sert\u00f5es\u201d, o reverencioso apodo de \u2018\u2019 \u00c1rvore sagrada do sert\u00e3o\u2019\u2019, nos interessa aqui sublinhar: a primeira diz respeito ao seu copado, a segunda ao seu fruto, e a terceira \u00e0 sua raiz. Vamos \u00e0 elas ent\u00e3o, pela ordem j\u00e1 citada.<\/p>\n<p>Salvo algumas raras exce\u00e7\u00f5es verificadas em \u00e1rvores de menor porte, como o Juazeiro, por ex., as arvores frut\u00edferas nordestinas quase sempre v\u00e3o precisar, durante seu processo de crescimento, de ensaiar uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a no ar, ritmicamente atenta ao entrecortado zabumba e pandeiro de suas ra\u00edzes, de modo que se constituam, ao final, em uma esp\u00e9cie de grafismo perene de sua pr\u00f3pria busca obstinada por nutrientes abaixo da superf\u00edcie do solo. Atrav\u00e9s de uma coreografia que aponta dire\u00e7\u00f5es inesperadas e \u00e2ngulos muitas vezes for\u00e7ados, seu caule e galhada criam uma narrativa externa do drama vivido pelas ra\u00edzes, quando tra\u00e7am no ar uma algaravia de volutas aparentemente abjetas, que tamb\u00e9m pode ser entendida como a partitura da m\u00fasica que vai sendo escrita por suas ra\u00edzes nas profundezas do solo, e que se mostra algo mais complexa que a de um simples forr\u00f3 criado pela cultura humana desenvolvida nas proximidades dessa \u00e1rvore;<\/p>\n<div class=\"dir\">\n<div class=\"foto3\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-_4jL0KzdPmk\/YP9c7RxbxNI\/AAAAAAAC40Y\/gcNSJv9bipkeufI7gmlozmOzcMn0c7rhQCLcBGAsYHQ\/s0\/umbu%2B1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-_4jL0KzdPmk\/YP9c7RxbxNI\/AAAAAAAC40Y\/gcNSJv9bipkeufI7gmlozmOzcMn0c7rhQCLcBGAsYHQ\/s0\/umbu%2B1.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" data-original-height=\"750\" data-original-width=\"1000\" \/><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>AconteceBA<\/span><\/a><\/div>\n<div class=\"foto3\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Ezh0K0fIeyk\/YP9c7dQrKRI\/AAAAAAAC40c\/wUiYZtEaYyY0PIvrj3ZnaWdV6d4TX1EeACLcBGAsYHQ\/s0\/umbu%2B2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Ezh0K0fIeyk\/YP9c7dQrKRI\/AAAAAAAC40c\/wUiYZtEaYyY0PIvrj3ZnaWdV6d4TX1EeACLcBGAsYHQ\/s0\/umbu%2B2.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" data-original-height=\"750\" data-original-width=\"1000\" \/><span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>SDR<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>a cultura de uma gente que, em algum momento de sua hist\u00f3ria necessitou do umbuzeiro para sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e desenvolvimento, e soube lan\u00e7ar m\u00e3o dos favores nascidos da sua fruta, da sua sombra, ou da \u00e1gua por ele acumulada.<\/p>\n<p>A dosagem de vitamina C e sais minerais presentes no umbu, ou n\u00e3o foi ainda devidamente dimensionada pela ci\u00eancia ou esta informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou ainda ao conhecimento de uma popula\u00e7\u00e3o que, em sua maioria se v\u00ea for\u00e7ada ao h\u00e1bito remend\u00e3o e induzido de suprir car\u00eancias vitam\u00ednicas abastecendo-se em farm\u00e1cias, mediante receitas medicas, o que normalmente v\u00eam a fazer quando tais car\u00eancias j\u00e1 se refletem em uma sa\u00fade prejudicada. Caso a extrema acidez dessa fruta dependa exclusivamente do \u00e1cido asc\u00f3rbico nela contido, \u00e9 poss\u00edvel que tenhamos a\u00ed uma das frutas mais ricas em vitamina C j\u00e1 produzidas pela natureza. O suco da fruta mostrou-se capaz de combater o escorbuto, que faz cair a dentes de crian\u00e7as, e esse \u00e9 um dos saberes das m\u00e3es nordestinas, enquanto um uso extremado da fruta pode tamb\u00e9m escariar o esmalte que nos reveste os dentes e expor a dentina a estragos e dores de sensibilidade. Apesar disso, os habitantes desses interiores n\u00e3o se podiam dar ao luxo de dispensar esse potencial de sa\u00fade contido na polpa do umbu, e uma melhor sa\u00edda para o aproveitamento de tal n\u00e3o poderia ter-se arranjado: utilizou-se a polpa do umbu ainda verde, numa solu\u00e7\u00e3o casada com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o dessas terras, que passou pela interioriza\u00e7\u00e3o do criat\u00f3rio bovino, e fazendo surgir assim o arranjo culin\u00e1rio da umbuzada.<\/p>\n<figure class=\"centro\">\n<div class=\"separator\">\n<div class=\"separator\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-0pgDhURdQqI\/YP9fiF6uBKI\/AAAAAAAC40w\/sIdS7S5oWu0EbnMdJh96eHRSWNydyJPdgCLcBGAsYHQ\/s0\/umbuzada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-0pgDhURdQqI\/YP9fiF6uBKI\/AAAAAAAC40w\/sIdS7S5oWu0EbnMdJh96eHRSWNydyJPdgCLcBGAsYHQ\/s0\/umbuzada.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"320\" border=\"0\" data-original-height=\"600\" data-original-width=\"1200\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"credito\">Umbuzada<span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Teretet\u00ea<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o desses rinc\u00f5es \u00e1speros se deu tanto em reinos biol\u00f3gicos diferentes quanto em etapas bem separadas no tempo. A primeira delas encontra-se perdida na indetermina\u00e7\u00e3o dos tempos geol\u00f3gicos de forma\u00e7\u00e3o do continente, com uma lenta e dif\u00edcil ocupa\u00e7\u00e3o do antigo leito marinho pelo mundo vegetal de superf\u00edcie terrestre, num processo de milh\u00f5es de anos que resultaria na adapta\u00e7\u00e3o do umbuzeiro, enquanto a conseguinte, pela coloniza\u00e7\u00e3o humana bem recente que se valeu, por um lado, da aspereza in\u00f3spita desses rinc\u00f5es para abrigar popula\u00e7\u00f5es atingidas pelo cataclismo humano da segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, um lugar onde pudessem se sentir seguras das persegui\u00e7\u00f5es que lhes moviam invasores bandeirantes mercen\u00e1rios (a quilombolas e ind\u00edgenas) e mission\u00e1rios cat\u00f3licos (a judeus fugitivos da inquisi\u00e7\u00e3o). Por outro, a forma brutal desta coloniza\u00e7\u00e3o humana traria \u00e0 reboque a introdu\u00e7\u00e3o posterior da pecu\u00e1ria bovina como um fator tanto de acelera\u00e7\u00e3o do processo de ocupa\u00e7\u00e3o do solo, quanto de uma necess\u00e1ria produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal que n\u00e3o s\u00f3 a tornasse poss\u00edvel, como criasse uma atividade econ\u00f4mica a lhe servir de motriz.<\/p>\n<div class=\"dir\">\n<div class=\"foto3\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-7Yt8qVmf3OM\/YP-Dhp74CzI\/AAAAAAAC41k\/RHyChqijGewEebzpVjgxvapqoOkKSTebACLcBGAsYHQ\/s0\/flor%2Bdo%2Bumbuzeiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-7Yt8qVmf3OM\/YP-Dhp74CzI\/AAAAAAAC41k\/RHyChqijGewEebzpVjgxvapqoOkKSTebACLcBGAsYHQ\/s0\/flor%2Bdo%2Bumbuzeiro.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"320\" border=\"0\" data-original-height=\"500\" data-original-width=\"1000\" \/>Flor do umbuzeiro<span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>Luiz Cardoso<\/span><\/a><\/div>\n<div class=\"foto3\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-wHNlMe8CIVc\/YP-DhgJ16-I\/AAAAAAAC41o\/bcS2git3lhkcQ6BdJDcapYR9seWyn8ygACLcBGAsYHQ\/s0\/raizes%2Bdo%2Bumbuzeiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-wHNlMe8CIVc\/YP-DhgJ16-I\/AAAAAAAC41o\/bcS2git3lhkcQ6BdJDcapYR9seWyn8ygACLcBGAsYHQ\/s0\/raizes%2Bdo%2Bumbuzeiro.jpg\" alt=\"literatura paraibana ensaio agricultura caatinga sertao nordeste umbu algodao\" width=\"640\" height=\"640\" border=\"0\" data-original-height=\"1000\" data-original-width=\"1000\" \/>Ra\u00edzes do umbuzeiro<span class=\"credir\"><i class=\"fa fa-paint-brush\"><\/i>IRPAA<\/span><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O casamento dessas duas formas de ocupa\u00e7\u00e3o territorial t\u00e3o separadas no tempo, deu a sertanejos e caririseiros a comida mais emblem\u00e1tica que sua terra pode um dia produzir.<\/p>\n<p>Da primeira, nasceu o umbu, ao qual adicionou-se o principal fruto da segunda ocupa\u00e7\u00e3o: o leite do gado. A alcalinidade do segundo reduziu a acidez do primeiro, tornando poss\u00edvel o consumo do fruto ainda verde, rico em vitaminas e sais minerais.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes do umbuzeiro s\u00e3o uma prova inconteste da intelig\u00eancia que possui toda e qualquer forma de vida capaz de mover-se na terra. No meio de suas cachadas radiculares s\u00e3o encontradas as batatas do umbu, ou seja, reservat\u00f3rios de \u00e1gua e de v\u00e1rias subst\u00e2ncias nela contidas, como aportes pr\u00e9vios de sustenta\u00e7\u00e3o para a \u00e1rvore. Verdadeiras cachadas que funcionam como cantis d\u2019\u00e1gua, e que lhe permitem atravessar longos per\u00edodos estivais sem perder folhagem. Durante a hist\u00f3rica seca de 1877, as levas de flagelados, retirantes da seca que tentavam chegar a lugares onde \u00e1gua houvesse, encontravam for\u00e7as para seguir adiante ao encontrar um umbuzeiro em seu caminho. Escavavam a terra e capavam de suas ra\u00edzes as grandes batatas, para aliviar-se de sede, fome e fraqueza. Gratia Plena, Euclides.<\/p>\n<div class=\"citacao borda2\">Ou\u00e7a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7pLiOp768fs\" data-fancybox=\"\">texto de Hildeberto Barbosa Filho\u00a0<i class=\"fa fa-youtube-play\"><\/i><\/a>\u00a0, na voz de Gilson Souto Maior, louvando caracter\u00edsticas dos cariris velhos, onde nasceu, uma das p\u00e1trias do umbuzeiro, e a can\u00e7\u00e3o de Dude das Aroeiras<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Haveria um tipo qualquer de conex\u00e3o hist\u00f3rica capaz de relacionar a raiz do algod\u00e3o moc\u00f3<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Haveria um tipo qualquer de conex\u00e3o hist\u00f3rica capaz de relacionar a raiz do algod\u00e3o moc\u00f3","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150633"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150633"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150639,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150633\/revisions\/150639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}