{"id":150590,"date":"2021-07-31T13:10:33","date_gmt":"2021-07-31T16:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150590"},"modified":"2021-07-31T13:10:33","modified_gmt":"2021-07-31T16:10:33","slug":"pequenos-animais-com-cara-de-coelho-tem-estrategia-incomum-para-sobreviver-ao-inverno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pequenos-animais-com-cara-de-coelho-tem-estrategia-incomum-para-sobreviver-ao-inverno\/","title":{"rendered":"Pequenos animais com \u2018cara de coelho\u2019 t\u00eam estrat\u00e9gia incomum para sobreviver ao inverno"},"content":{"rendered":"<section class=\"css-1qii9zk\">\n<div class=\"css-f1gofp\">\n<div class=\"css-23w0yz\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150591\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Depois de 13 anos de estudos, cientistas podem ter solucionado um enigma de longa data que envolvia a pika-do-plat\u00f4, esp\u00e9cie que habita regi\u00f5es da \u00c1sia Central.<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__copy css-fer0e6\">Para evitar as temperaturas extremas e a escassez de alimentos que v\u00eam com o clima mais frio, alguns animais migram, <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/animals-hibernation-science-nature-biology-sleep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">outros hibernam<\/a>. Mas as pikas-do-plat\u00f4 que habitam os planaltos de Qinghai-Tibetano, no noroeste da China, n\u00e3o utilizam nenhuma dessas duas t\u00e1ticas.<\/div>\n<div>\n<p>Pikas s\u00e3o pequenos mam\u00edferos, semelhantes a roedores, que parecem uma mistura de porquinho-da-\u00edndia com coelho. Das 29 esp\u00e9cies de pika existentes em todo o mundo, a pika-americana, nativa do oeste dos Estados Unidos e do Canad\u00e1, \u00e9 conhecida por coletar as plantas com a boca antes de armazenar os estoques de alimentos em locais subterr\u00e2neos para suportar as temperaturas do inverno.<\/p>\n<p>Mas sempre foi um mist\u00e9rio como a pika-do-plat\u00f4, parente asi\u00e1tico da pika-americana, consegue sobreviver nas estepes secas e a\u00e7oitadas pelo vento, onde as temperaturas costumam cair para 29 graus Celsius negativos e as plantas murcham no inverno. Ao contr\u00e1rio de alguns outros animais que vivem em baixas temperaturas, as pikas n\u00e3o podem depender de gordura, ganho de peso no inverno ou hiberna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 13 anos de pesquisa, cientistas podem ter descoberto o segredo para a sobreviv\u00eancia da pika-do-plat\u00f4: os animais diminuem a atividade do metabolismo e complementam sua dieta de plantas com fezes de iaque, que cont\u00eam valiosos nutrientes n\u00e3o digeridos.<\/p>\n<p>A primeira parte da estrat\u00e9gia das pikas-do-plat\u00f4 j\u00e1 era esperada, pois a redu\u00e7\u00e3o da atividade metab\u00f3lica diminui a necessidade dos animais pela obten\u00e7\u00e3o de calorias. Na verdade, o que surpreendeu os pesquisadores foi a segunda parte.<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio, ningu\u00e9m acreditou na hist\u00f3ria de que as pikas comiam fezes de iaque\u201d, disse por e-mail o l\u00edder do estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abdn.ac.uk\/sbs\/people\/profiles\/j.speakman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">John Speakman<\/a>, fisiologista da Universidade de Aberdeen, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto as evid\u00eancias s\u00e3o incontest\u00e1veis\u201d, ressalta Speakman, que publicou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/cgi\/doi\/10.1073\/pnas.2100707118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo no peri\u00f3dico\u00a0<em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>Esse comportamento, conhecido como coprofagia interespec\u00edfica, \u00e9 bastante raro entre os animais vertebrados. Speakman acredita que os dejetos de iaques possam ser uma importante e acess\u00edvel fonte de alimento, que permite \u00e0s pikas economizar energia e ficar escondidas de predadores, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/birds\/facts\/peregrine-falcon\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">falc\u00f5es-peregrinos<\/a>\u00a0e raposas-tibetanas.<\/p>\n<h3>Bact\u00e9rias ben\u00e9ficas<\/h3>\n<p>Em 2009, Speakman encontrou fezes de iaque parcialmente comidas dentro da toca de uma pika-do-plat\u00f4, o que despertou sua curiosidade. \u201cEnt\u00e3o eu comecei a pensar: isso \u00e9 estranho. Talvez elas comam essas fezes.\u201d Um ano depois, quando duas pikas morreram acidentalmente em uma armadilha, uma an\u00e1lise de seus intestinos revelou a presen\u00e7a de fezes de iaque.<\/p>\n<p>Para provar a teoria, Speakman e colegas analisaram o conte\u00fado intestinal de cad\u00e1veres de mais de 300 pikas-do-plat\u00f4, coletados para outro estudo em 2018 e 2019. O estudo revelou que cerca de 22% da amostra continham DNA de iaque. Talvez essa taxa seja ainda maior, porque o DNA dos iaques se degrada quando as fezes ficam expostas ao sol, esclarece Speakman.<\/p>\n<p>Outros estudos revelaram que, no inverno, a composi\u00e7\u00e3o dos microbiomas de pikas muda para se parecer com os dos iaques, o que sugere que os animais tamb\u00e9m podem adquirir bact\u00e9rias ben\u00e9ficas das fezes de iaques.<\/p>\n<p>Entre 2017 e 2018, cientistas gravaram um v\u00eddeo de pikas-do-plat\u00f4 comendo excrementos de iaque em quatro ocasi\u00f5es diferentes. Todas essas evid\u00eancias confirmam a pr\u00e1tica da coprofagia entre as pikas-do-plat\u00f4.<\/p>\n<p>A coprofagia tamb\u00e9m pode explicar por que as pikas-do-plat\u00f4 s\u00e3o mais abundantes em \u00e1reas habitadas por iaques. Os criadores de gado da regi\u00e3o consideram que as pikas s\u00e3o competidores diretos por comida e, por isso, envenenam milh\u00f5es de indiv\u00edduos da esp\u00e9cie, afirma Speakman.<\/p>\n<p>\u201cPor\u00e9m as a\u00e7\u00f5es mais recentes de controle do n\u00famero desses animais na regi\u00e3o tem sido o uso de anticoncepcionais, que oferecem menos impacto negativo em outras esp\u00e9cies\u201d, acrescenta o fisiologista.<\/p>\n<h3>A import\u00e2ncia da descoberta<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/instaar.colorado.edu\/people\/chris-ray\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chris Ray<\/a>, ecologista quantitativa da Universidade do Colorado em Boulder, revelou por e-mail: \u201ch\u00e1 30 anos dou palestras sobre pikas e falo sobre o fato de a pika-americana recolher fezes de marmota e coloc\u00e1-las em suas pilhas de feno, na esperan\u00e7a de que algu\u00e9m na plateia me diga por que esses animais fazem isso\u201d.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 provas de paralelos entre a coprofagia das pikas-do-plat\u00f4, da \u00c1sia Central, e o comportamento da pika-americana. Mas o novo estudo \u201cabalou\u201d o pensamento de Ray sobre a poss\u00edvel import\u00e2ncia dos excrementos de marmota para a pika-americana,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/article\/131219-pikas-eat-mosses-global-warming-animals-science\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma esp\u00e9cie que est\u00e1 desaparecendo no oeste norte-americano devido \u00e0s temperaturas mais elevadas<\/a>, afirma Ray.<\/p>\n<p>\u201cEu moro no alto das Montanhas Rochosas, ent\u00e3o sei como s\u00e3o frios os invernos nos locais onde algumas pikas habitam. O fato de conseguirem sobreviver a essas temperaturas me deixa realmente perplexa\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de 13 anos de estudos, cientistas podem ter solucionado um enigma de longa data<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150591,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cara-coelho.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":22,"uagb_excerpt":"Depois de 13 anos de estudos, cientistas podem ter solucionado um enigma de longa data","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150590"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150590"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150592,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150590\/revisions\/150592"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}