{"id":150490,"date":"2021-07-29T12:00:06","date_gmt":"2021-07-29T15:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150490"},"modified":"2021-07-28T22:09:01","modified_gmt":"2021-07-29T01:09:01","slug":"registros-fosseis-em-cavernas-de-minas-mostram-que-o-estado-ja-teve-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/registros-fosseis-em-cavernas-de-minas-mostram-que-o-estado-ja-teve-mar\/","title":{"rendered":"Registros f\u00f3sseis em cavernas de Minas mostram que o estado j\u00e1 teve mar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150493\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores da UFU e da Unifesp encontraram constru\u00e7\u00f5es calc\u00e1rias que indicam a exist\u00eancia de vida microbiana na regi\u00e3o h\u00e1 1 bilh\u00e3o de anos<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria geol\u00f3gica do planeta Terra pode facilmente ser comparada \u00e0 novela adolescente\u00a0<em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>, da Globo. Nunca acaba, \u00e9 dividida em diferentes fases, que s\u00e3o divididas em temporadas, as quais t\u00eam muitos epis\u00f3dios em que, uma hora ou outra, s\u00e3o apresentados alguns novos personagens.<\/p>\n<p>O assunto \u00e9 complexo, ent\u00e3o, vale fechar um pouco a perspectiva: a novela deste texto se chama\u00a0<a href=\"https:\/\/stratigraphy.org\/ICSchart\/ChronostratChart2021-05.pdf\">Pr\u00e9-Cambriano<\/a>\u00a0\u2013 nome que se d\u00e1 a tudo que aconteceu na hist\u00f3ria da Terra entre a origem do planeta, h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos, e o momento em que os animais se diversificaram e tomaram conta do planeta, a partir de 542 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Ou seja: \u00e9 um enredo de 4 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>A novela pr\u00e9-cambriana tem tr\u00eas temporadas, o Hadeano, o Arqueano e o Proterozoico. Vamos focar nesta \u00faltima e considerar apenas a reta final \u2013 o Neoproterozoico \u2013, que possui tr\u00eas epis\u00f3dios, chamados Toniano, Criogeniano e Ediacarano.<\/p>\n<p>O Ediacarano, per\u00edodo compreendido entre 630 e 542 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, marca o in\u00edcio do surgimento de vida complexa na Terra. Se fosse uma\u00a0<em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>, seria a de 2004, com a Vagabanda \u2013 n\u00e3o \u00e9 onde tudo come\u00e7ou, mas foi quando as coisas come\u00e7aram a ficar interessantes. Interessantes para seres multicelulares, \u00e9 claro: n\u00e3o tiremos o m\u00e9rito do que veio antes e permanece firme e forte at\u00e9 hoje, como as bact\u00e9rias redutoras de sulfato, cianobact\u00e9rias e arqueas, por exemplo.<\/p>\n<p>Estudar as formas de vida dessa \u00e9poca \u00e9 uma tarefa complicada. Nas rochas, as bact\u00e9rias e outras criaturinhas unicelulares deixam como rastros apenas bolinhas e tracinhos min\u00fasculos.<\/p>\n<p>Tudo isso torna dif\u00edcil distinguir o que \u00e9 f\u00f3ssil e o que n\u00e3o \u00e9. Para a alegria dos pesquisadores, h\u00e1 os\u00a0<em>estromat\u00f3litos<\/em>. Os estromat\u00f3litos s\u00e3o rochas de origem biol\u00f3gica. Sabe as bact\u00e9rias, cianobact\u00e9rias e arqueas citadas anteriormente? Elas podem formar tapetes microbianos, que lembram um pouco musgo e se formam em \u00e1reas \u00famidas. Dependendo das condi\u00e7\u00f5es da \u00e1gua em que vivem, os microrganismos destes tapetes podem induzir a precipita\u00e7\u00e3o e o ac\u00famulo de carbonato de c\u00e1lcio \u2013 levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, com o passar do tempo, de um s\u00f3lido pedregulho.<\/p>\n<p>Os estromat\u00f3litos s\u00e3o como pequenos morrinhos e podem lembrar corais. Mas n\u00e3o confunda: o coral \u00e9 o esqueleto de um ser vivo \u2013 j\u00e1 os estromat\u00f3litos s\u00e3o rochas que ficam para tr\u00e1s muito tempo ap\u00f3s a morte dos seres que as formaram. Eles podem ser encontrados hoje, por exemplo, nas praias de Shark Bay (\u201cba\u00eda do tubar\u00e3o\u201d), na Austr\u00e1lia, e tamb\u00e9m na Lagoa Salgada e na Lagoa Vermelha, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Agora, a not\u00edcia: vest\u00edgios de estromat\u00f3litos foram encontrados em cavernas no munic\u00edpio de Coromandel, em Minas Gerais. Quem encontrou essas rochas fossilizadas foram pesquisadores da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU) e da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP), que fazem parte do Grupo Alto Parana\u00edba de Espeleologia (GAPE). Os cientistas estimam a idade dos f\u00f3sseis por volta de um bilh\u00e3o de anos (uma janela de tempo que aponta para o in\u00edcio do Neoproterozoico).<\/p>\n<p>E o que isso significa? Os tapetes microbianos que originam os estromat\u00f3litos s\u00e3o como uma gelatina repleta de mat\u00e9ria org\u00e2nica. Sabe-se tamb\u00e9m que muitos daqueles seres multicelulares mais complexos que surgiram no Ediacarano, nosso \u00faltimo cap\u00edtulo, se alimentavam dessa gororoba nutritiva de bact\u00e9rias. Agora basta juntar as pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os estromat\u00f3litos n\u00e3o se formavam em qualquer lugar. Eles s\u00e3o encontrados em ambientes com condi\u00e7\u00f5es extremas para outros seres vivos sobreviverem, como lagoas hipersalinas. Os estromat\u00f3litos n\u00e3o s\u00f3 indicam que havia mar na regi\u00e3o do Alto Parana\u00edba, como tamb\u00e9m podem dar informa\u00e7\u00f5es sobre como essa massa de \u00e1gua presente no local se comportava durante o\u00a0Pr\u00e9-Cambriano.<\/p>\n<p>Fernanda Quaglio, vice-coordenadora do projeto, traz alguns questionamentos que acompanham a descoberta: \u201cSabemos de ocorr\u00eancias dessas rochas mais para o norte. Mas, nessa regi\u00e3o, esses f\u00f3sseis podem acrescentar informa\u00e7\u00f5es sobre o mar que existia ali. Os estromat\u00f3litos indicam \u00e1gua rasa, porque o tapete microbiano precisa ter proximidade com a luz para poder fazer fotoss\u00edntese. Mas como era essa \u00e1gua? Havia ondas? Ocorreram ciclos clim\u00e1ticos importantes, por exemplo, com uma queda brusca ou subida do n\u00edvel do mar?\u201d.<\/p>\n<p>O projeto conta com apoio da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Al\u00e9m disso, a prefeitura de Coromandel tamb\u00e9m investiu na explora\u00e7\u00e3o. Grupos locais de apoio ao turismo, como o Cachoeiras e o Adjuntos de Coromandel, tamb\u00e9m t\u00eam apoiado o projeto.<\/p>\n<p>De acordo com Fernanda,\u00a0\u201co reconhecimento das institui\u00e7\u00f5es locais \u00e9 muito importante para que possamos estudar e tamb\u00e9m dar um retorno para a popula\u00e7\u00e3o. Assim, eles poder\u00e3o entender e valorizar o que tem ali: um patrim\u00f4nio geol\u00f3gico, paleontol\u00f3gico e tamb\u00e9m com potencial tur\u00edstico \u2013 desde que feito de forma sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Infelizmente, a pesquisadora explica que \u00e9 comum encontrar cavernas riscadas e depredadas pela a\u00e7\u00e3o humana. Ah, se todos os mineiros soubessem a hist\u00f3ria que aquelas paredes contam: o estado famoso por n\u00e3o ter praia, em um passado distante, j\u00e1 foi banhado pelo mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da UFU e da Unifesp encontraram constru\u00e7\u00f5es calc\u00e1rias que indicam a exist\u00eancia de vida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150493,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caverna-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores da UFU e da Unifesp encontraram constru\u00e7\u00f5es calc\u00e1rias que indicam a exist\u00eancia de vida","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150490"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150490"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150495,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150490\/revisions\/150495"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}