{"id":150487,"date":"2021-07-29T11:00:12","date_gmt":"2021-07-29T14:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=150487"},"modified":"2021-07-28T21:49:14","modified_gmt":"2021-07-29T00:49:14","slug":"sistemas-alimentares-sao-a-chave-para-acabar-com-a-fome-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sistemas-alimentares-sao-a-chave-para-acabar-com-a-fome-no-mundo\/","title":{"rendered":"Sistemas Alimentares s\u00e3o a chave para acabar com a fome no mundo"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/alimentos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-150488\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/alimentos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/alimentos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/alimentos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Hoje o mundo produz alimento suficiente para alimentar toda popula\u00e7\u00e3o humana. Ainda assim, de acordo com o relat\u00f3rio\u00a0O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional no Mundo, um d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o global \u2014 at\u00e9 811 milh\u00f5es de pessoas \u2014 estava desnutrida em 2020, um aumento de 118 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<\/li>\n<li>A inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 sendo impulsionada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, conflitos e recess\u00e3o econ\u00f4mica. Se o mundo continuar no caminho atual, o objetivo\u00a0de acabar com a fome at\u00e9 2030 ser\u00e1 perdido por uma margem de quase 660 milh\u00f5es de pessoas.<\/li>\n<li>A forma como produzimos e consumimos alimentos tamb\u00e9m tem impactos na sa\u00fade humana e no meio ambiente. Os sistemas alimentares s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor 70% da \u00e1gua extra\u00edda da natureza, causam 60% da perda de biodiversidade e geram at\u00e9 um ter\u00e7o das emiss\u00f5es humanas de gases de efeito de estufa.<\/li>\n<li>Um especialista do\u00a0Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) explica algumas das discuss\u00f5es que est\u00e3o em jogo quando falamos de sistemas alimentares. O tema ser\u00e1 debatido em uma C\u00fapula convocada pelo\u00a0secret\u00e1rio-geral para setembro. Esta semana um pr\u00e9-evento reuniu l\u00edderes mundiais em Roma, na It\u00e1lia, para tratar de algumas propostas.<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"selectionShareable\">At\u00e9 esta quarta-feira (28) l\u00edderes mundiais estiveram reunidos em Roma, na It\u00e1lia, na pr\u00e9-C\u00fapula dos Sistemas Alimentares da ONU, convocada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). O evento antecede a C\u00fapula que ser\u00e1 convocada pelo secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, para lidar com o aumento da fome no mundo. O encontro est\u00e1 previsto para acontecer em setembro de 2021, em Nova Iorque.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">De acordo com o relat\u00f3rio\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/documents\/card\/en\/c\/cb4474en\">O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional no Mundo<\/a>, um d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o global \u2014 at\u00e9 811 milh\u00f5es de pessoas \u2014 estava desnutrida em 2020, um aumento de 118 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a 2019. O aumento dram\u00e1tico est\u00e1 entre os efeitos indiretos da pandemia COVID-19.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Al\u00e9m disso, dois bilh\u00f5es de pessoas sofrem de defici\u00eancias de micronutrientes e o mesmo n\u00famero de pessoas est\u00e3o com sobrepeso ou obesas. \u201cMas esses grupos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente distintos; nem toda desnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de insufici\u00eancia alimentar\u201d, explica o gerente do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unep.org\/pt-br\/noticias-e-reportagens\/reportagem\/sistemas-alimentares-sao-chave-para-acabar-com-fome-no-mundo\">Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)<\/a>, James Lomax. \u201cQuando consideramos os alimentos um componente da sa\u00fade global, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de quantidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\"><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o e meio ambiente &#8211;\u00a0<\/strong>O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/135233-novo-relatorio-sobre-seguranca-alimentar-e-nutricional-no-mundo-reflete-necessidade-de\">relat\u00f3rio<\/a>, publicado em julho de 2021 pela\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO),\u00a0Programa Mundial de Alimentos (WFP),\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade\u00a0(OMS) e outras ag\u00eancias da ONU, afirma que a inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 sendo impulsionada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, conflitos e recess\u00e3o econ\u00f4mica. Se o mundo continuar no caminho atual, o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) de acabar com a fome at\u00e9 2030 ser\u00e1 perdido por uma margem de quase 660 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Al\u00e9m de serem influenciados pelo clima, os sistemas alimentares tamb\u00e9m t\u00eam impactos na natureza. Eles s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor 70% da \u00e1gua extra\u00edda da natureza, causam 60% da perda de biodiversidade e geram at\u00e9 um ter\u00e7o das emiss\u00f5es humanas de gases de efeito de estufa. \u201c\u00c9 comovente que\u00a0na produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u00a0tenhamos contribu\u00eddo para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que amea\u00e7am a seguran\u00e7a alimentar\u201d, afirma Lomax.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\"><strong>Um olhar abrangente &#8211;<\/strong>\u00a0Para o especialista do PNUMA, a C\u00fapula \u00e9 uma oportunidade para se olhar para os sistemas alimentares de forma \u201cmais hol\u00edstica\u201d. \u201cTradicionalmente, as discuss\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos t\u00eam olhado para uma parte espec\u00edfica do processo &#8211; agricultura ou dietas, por exemplo\u201d, argumenta.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">O que se busca agora \u00e9 expandir a conversa para incluir toda a cadeia de valor &#8211; n\u00e3o apenas produ\u00e7\u00e3o e consumo, mas tamb\u00e9m processamento de alimentos, embalagem, transporte, varejo e servi\u00e7os aliment\u00edcios. \u201cAo considerar todo o sistema, estamos mais bem posicionados para entender os problemas e resolv\u00ea-los de forma mais integrada\u201d, defende Lomax.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\"><strong>\u201c<\/strong>At\u00e9 o momento, nossa compreens\u00e3o dos sistemas alimentares \u00e9 incompleta\u201d, afirma o especialista. \u201cA maioria dos dados existentes se concentra na agricultura &#8211; onde come\u00e7a a cadeia alimentar. Na outra ponta dessa cadeia, as escolhas individuais e os padr\u00f5es de consumo s\u00e3o fragmentados. N\u00e3o temos uma imagem clara da por\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria da cadeia: o que est\u00e1 acontecendo entre a fazenda e a mesa?\u201d, questiona.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\"><strong>Sistemas alimentares e sa\u00fade \u2013\u00a0<\/strong>A forma como produzimos e consumimos alimentos tamb\u00e9m tem impactos na sa\u00fade humana. A pecu\u00e1ria intensiva pode ser um fator que contribu\u00ed para o surgimento de doen\u00e7as zoon\u00f3ticas, aquelas transmitidas de animais para humanos. \u201cOs habitats da vida selvagem agem como zonas tamp\u00e3o naturais, que reduzem as possibilidades de transbordamento\u00a0de doen\u00e7as zoon\u00f3ticas de animais selvagens para as pessoas. Quando removemos \u00e1rvores e habitats da vida selvagem para criar espa\u00e7o para coisas, como vida, agricultura e outras ind\u00fastrias, tamb\u00e9m aumentamos nossa exposi\u00e7\u00e3o aos riscos de doen\u00e7as\u201d, explica o gerente do PNUMA.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">O uso excessivo de antibi\u00f3ticos na pecu\u00e1ria \u2014 para promover a produ\u00e7\u00e3o, sobreviv\u00eancia e crescimento do gado \u2014 tamb\u00e9m \u00e9 uma das causas da resist\u00eancia antimicrobiana em humanos e animais.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Os h\u00e1bitos alimentares s\u00e3o outra \u00e1rea que influencia a sa\u00fade. Nos \u00faltimos 50 anos, as dietas tornaram-se cada vez mais homog\u00eaneas, dominadas por culturas ricas em energia, mas pobres em macronutrientes. Dos milhares de plantas e animais usados \u200b\u200bpara alimenta\u00e7\u00e3o no passado, menos de 200 contribuem atualmente para o suprimento global de alimentos e apenas nove safras respondem por quase 70% de toda a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Em muitos casos &#8211; principalmente nos pa\u00edses em desenvolvimento &#8211; as pessoas n\u00e3o recebem toda a gama de nutrientes essenciais para a sa\u00fade humana. \u201cNa verdade, a baixa diversidade alimentar superou a insufici\u00eancia cal\u00f3rica como o principal fator de morte\u201d, afirma Lomax.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">O especialista destaca o estudo\u00a0EAT-Lancet Commission, que conclui que avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;dietas com uma diversidade de alimentos vegetais, baixas quantidades de alimentos de origem animal, gorduras insaturadas em vez de saturadas e quantidades limitadas de gr\u00e3os refinados, alimentos altamente processados \u200b\u200be a\u00e7\u00facares adicionados \u2014 poderia prevenir entre 19 e 24 por cento de todas as mortes de adultos, a cada ano\u201d.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\"><strong>Mudan\u00e7as transformadoras\u00a0\u2013\u00a0<\/strong>Para Lomax, solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas baseadas na natureza \u201cest\u00e3o inteiramente sob nosso controle, mas requerem mudan\u00e7as radicais e transformadoras\u201d por parte de governos, neg\u00f3cios e consumidores.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Entre elas, est\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos e a mudan\u00e7a dos padr\u00f5es alimentares. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unep.org\/resources\/report\/unep-food-waste-index-report-2021\">relat\u00f3rio recente do PNUMA<\/a>\u00a0descobriu, mais de 17 por cento dos alimentos s\u00e3o desperdi\u00e7ados e que o desperd\u00edcio, que pode ocorrer tanto pelo consumidor ou pelas etapas p\u00f3s-colheita, acontece em de forma semelhante de pa\u00edses de renda m\u00e9dia-baixa a pa\u00edses de alta renda.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Essa mudan\u00e7as podem reduzir as emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de gases de efeito estufa do sistema alimentar em at\u00e9 50%. E restaurar a biodiversidade pode fortalecer a resili\u00eancia dos sistemas alimentares, permitindo que os agricultores diversifiquem a produ\u00e7\u00e3o e lidem com pragas, doen\u00e7as e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Leia a entrevista completa do\u00a0gerente do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), James Lomax, no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unep.org\/pt-br\/noticias-e-reportagens\/reportagem\/sistemas-alimentares-sao-chave-para-acabar-com-fome-no-mundo\">site do PNUMA<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje o mundo produz alimento suficiente para alimentar toda popula\u00e7\u00e3o humana. 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